Minha novela com uma hérnia de hiato

O texto abaixo começou a ser escrito ainda em junho de 2013 e só foi terminado hoje, 6 de julho de 2014.

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Em março de 2006, não sei precisar a data, comecei a ter dores fortes no estomago depois de comer. Fui levada ao pronto socorro por meu então companheiro, atual marido. No pronto socorro disse a médica que eu tinha um bolo fecal que estava me causando dores de prisão de ventre e por isso ela resolveu dar medicação para que eu evacuasse este tal bolo fecal. Passei um dia inteiro no pronto socorro sem evacuar o tal bolo fecal, e como nada se resolvia disse que a dor tinha passado para sair dali e ir para casa – ainda com dor.

Uma semana depois passei em uma médica em uma unidade de saúde próximo de casa, a Dra Cristina. Ela perguntou três vezes se eu fazia uso de drogas e tive que repetir a mesma resposta três vezes. Não, exceto tabaco. Apalpou minha barriga de um lado a outro e de cima a baixo e resolveu que meu fígado estava alterado. Pediu uma ultrassonografia, no dia 26 de março de 2006. Antes mesmo de fazer o exame voltei ao pronto socorro com fortes dores. Mais uma vez a sentença é que eu estava com prisão de ventre. Mais uma vez fui medicada para resolver um problema de prisão de ventre.

Quando enfim fiz a ultrassonografia, o exame constatou que não havia nada de errado com meu fígado.

Não demorou muito voltei com fortes dores ao pronto socorro e já fui dizendo ao médico que o que doía era o meu estômago. Não era dor de prisão de ventre. Depois de uns exames de sangue e raios-X, a sentença. A senhora está com um grande bolo fecal que precisa ser eliminado. Foi o Dr. Farinha, este nome não esqueço. Disse ao Dr. Farinha como eu podia ter tanto bolo fecal para ser evacuado se nem comer conseguia, andava na base da sopinha e nem a sopa podia comer direito. Então são gases, disse o Dr. Farinha. Quando ele disse isso a minha vontade era agredi-lo fisicamente sem dó. Mas eu mal me aguentava em pé porque realmente estava passando fome. Disse a ele em lágrimas: comer dói doutor. Tem algo errado com meu estomago. Mas a sentença continuou a mesma. É um bolo fecal que precisa ser eliminado. Fui embora recusando a medicação para eliminar o tal bolo fecal que, assim que anunciei ao médico que não comia, transformou-se milagrosamente em gases vindos não sei de onde.

Parti então para outra alternativa, o Dr. Carmona. Expliquei a ele o que sentia, ele apalpou, apalpou minha barriga de um lado a outro e de cima a baixo. Não deu nenhuma sentença. Não pediu nenhum exame, mas pela primeira vez alguém me receitou o maldito omeprazol do qual já tenho verdadeira náusea de ver a caixa e de comprar mais caixas. Mas voltemos ao Dr. Carmona. Depois que tomei toda a medicação pelo tempo que ele prescreveu, sentia-me melhor mas ainda sentia dor. Voltei nele, com a esperança de ter continuidade no tratamento. Então, tenho uma nova sentença, é só uma gastrite, basta continuar a tomar a medicação. E perguntei a ele, mas até quando? Fiquei sem resposta. Quando pedi a ele uma endoscopia a resposta foi que não havia necessidade, pois poderia dar alguma coisa ou poderia não dar nada. Mesmo eu insistindo, quase implorando uma endoscopia, ele disse que não era necessária. Tudo bem. Não voltei mais nele e não voltei mais em médico algum.

Mas continuei sentido dores, fortes dores, dores de gritar e chorar. E assim foi até que em janeiro de 2012 enfim fui a um médico que pediu uma endoscopia digestiva alta, no Hospital Nova Vida em Itapevi. A sentença desta vez está documentada com os seguintes dizeres: Hérnia hiatal por deslizamento, esofagite leve distal, refluxo gastroesofágico, gastrite leve difusa. Sentença dada no dia 07 de janeiro de 2012. Prontamente, assim que viu o resultado, o doutor que esqueci o nome já falou em cirurgia. Explicou como era feita e tudo mais. A hérnia na época tinha uns três centímetros. Mas havia um problema. Era médico particular e eu não tinha dinheiro para pagar a cirurgia. Nesta época nem trabalho eu tinha.

Para onde fomos? Ao posto de saúde perto de casa, no Vitápolis. Apresentei os exames, a endoscopia e uma ultrassonografia ao doutor Arthur e prontamente ele me deu uma guia para ser encaminhada ao especialista no Ame de Itapevi.

Nossa espera durou de janeiro até abril. Quando enfim falamos com o médico no Ame ele disse que a hérnia era muito pequena e medicação resolvia. Receitou a ranitidina que tomei por três meses. Era o tempo que o médico deu para voltar para nova consulta. Mas ele avisou que se eu não parasse de fumar nem precisava voltar porque ele ia se recusar a me atender.

O retorno seria em julho se houvesse vaga. Mas em junho já havia passado o período de carência do plano de saúde da empresa onde estava trabalhando e já poderia usá-lo. Então para que aguardar até julho? Partimos para o plano de saúde, e claro, não paramos de fumar.

Fui em Itapevi, em um gastroenterologista que já foi receitando pantoprazol e outros dois mais, e sua consulta se resumiria a isso se eu não tivesse dito a ele que sofria de dores há anos, e queria muito ser operada de uma vez. Ele então indicou o Dr. Hélio Fragoso, que atendia na Clínica Araguaia em Barueri.

Tentei marcar consulta com o Dr. Hélio por meses. Até que desisti e marquei com o Dr. Paulo Roberto. O Dr. Paulo, assim que viu os exames já feitos foi dizendo que a hérnia era muito pequena, não havia necessidade de operar. Mas acrescentei ao doutor que minhas idas ao pronto socorro com dores fortíssimas eram frequentes, sendo que por vezes ia ao pronto socorro até três vezes por semana. Ele pediu dois exames: EED e Phmetria. Também receitou um caríssimo medicamento chamado Nexium. O problema então foi encontrar um local que fizesse os exames pelo convênio. Depois de longo tempo buscando consegui fazer o EED. A PHmetria consegui marcar, mas da data em que consegui marcar até a data na qual seria feito o exame levaria quase dois meses. O tempo passou e engravidei. Na data que teria que fazer a PHmetria estava grávida e não poderia fazer o exame. O EED foi feito em Osasco, e a sentença foi, hérnia hiatal por deslizamento volumosa. Quando enfim consegui marcar um retorno com o Dr. Paulo, em janeiro de 2013, depois de perder o bebe e ainda no período de afastamento do trabalho devido à curetagem que tive que fazer, ele viu o EED e disse que a hérnia realmente era muito grande, mas sem precisar o tamanho. Pediu uma endoscopia novamente.

Consegui enfim ser encaminhada para o Dr. Helio Fragoso, que me atendeu em fevereiro de 2013, ao ver os exames afirmou que a hérnia tinha uns 10 cm. Pediu mais exames: exames de sangue e eletrocardiograma. Quando retorno ao Dr. Hélio, no dia 27 de março de 2013, pensando que enfim a cirurgia seria marcada, ele me anuncia que estava saindo de São Paulo e me indicaria para um colega, o Dr. Nassim. Quando saio do consultório e tento marcar a consulta com o Dr. Nassim me informam que somente a partir de 5 de abril seria possível marcar consultas para maio. O caminho entre a clínica e o trabalho era de 30 minutos a pé, que fiz chorando o percurso todo. No trabalho não conseguia parar de chorar, não conseguia me acalmar. Acabei por não conseguir trabalhar.

É então que a Fidelity entra na minha novela de forma ativa. Meu supervisor Thiago Castro no dia seguinte estava conversando com a Hellen do ambulatório da empresa para saber o que se passava. Não demorou muito a coordenadora Sonia foi conversar comigo para saber se eu precisava de psicólogo. Falei que precisava não de psicólogo mas de um Cirurgião Geral que fizesse logo uma cirurgia que há anos eu precisava. Na semana seguinte estava falando com o Dr. Arthur de Vicente Juncá, médico da empresa. Ele não olhou os exames, ouviu uma narrativa breve, estava mais preocupado em saber se eu já tinha feito tratamento psicológico ou psiquiátrico. Mas ao final, pediu que Hellen ligasse para uma amiga dele que me atenderia. Até disse que eu seria operada em um determinado hospital que não lembro o nome. Porém, Hellen, por indicação de outras funcionárias conseguiu marcar uma consulta com o Dr. Pedro, na Clínica Novo Horizonte, em Osasco. A consulta foi marcada para o dia 3 de maio. Neste meio tempo eu marquei uma consulta com o Dr. Nassim no dia 13 de maio.

Dia 3 de maio vou a Osasco na consulta marcada pela enfermeira do ambulatório da empresa. Conto toda minha história para o Dr. Pedro, narro com riqueza de detalhes todo o meu sofrimento desde 2006. Ele então pede a endoscopia e o eed para tirar cópia e anexar ao pedido de cirurgia para o convênio. Informa que serei operada no dia 20 de maio no hospital Santa Rita. Chega o dia 13 de maio e acabo por não ir à consulta com o Dr. Nassim pois acreditava que a cirurgia no dia 20 de maio realmente aconteceria.

No dia 14 de maio a enfermeira do Dr. Pedro, Yara, entra em contato logo pela manhã dizendo que o hospital não estava querendo liberar uma tela que era necessária para a cirurgia. Pede que eu ligue ao hospital. Eu até disse a ela, mas eu digo o que? Eu nem sei que tela é essa?

Ligo para o hospital e falo com Liliane que me diz depois de uma breve conversa a seguinte frase: O Dr. Pedro pode te operar em outra instituição, em outro hospital, mas aqui com esta tela não. Liguei para o convênio e me informaram que a cirurgia tinha sido autorizada, que da parte deles estava tudo certo.

Fui trabalhar. E não demorou muito sou chamada no ambulatório, a enfermeira Yara havia ligado para o meu trabalho, no telefone do ambulatório para falar da tal tela. Novamente a Fidelity é metida no assunto. Hellen me diz o que Yara lhe havia dito por telefone. Carlos, do RH da Fidelity começa a participar da novela também, entrando em contato com o hospital. No dia seguinte o que ouvi da Hellen é que o hospital se recusava a usar a tela pois já havia causado problemas pós-operatórios em várias pacientes e por isso não usavam mais dessa tela. Já o médico dizia que precisava desta tela em específico e que sem ela não poderia haver cirurgia.

Dia 17 de maio era o dia do retorno antes da cirurgia, marcado desde o dia 3 de maio. Só fui ao médico novamente por insistência da Hellen. Gastei cerca de 1 hora e meia para chegar ao consultório do médico para ouvir pessoalmente o que já estava ouvindo desde o dia 14. Perguntei a ele, quando devo voltar aqui? Respondeu o médico que aguardava que o RH da empresa onde eu trabalhava encontrasse um outro hospital onde ele pudesse fazer a cirurgia.

Na segunda feira, dia 20 de maio, quando eu deveria fazer a cirurgia, ao invés de estar no Hospital Santa Rita, passando pelo procedimento cirúrgico, estava no Pronto Socorro do Cardoso, em Itapevi, pois mal conseguia respirar direito. Segundo a médica que me atendeu, Dra Yara, estava com um começo de pneumonia. Ela receitou 6 medicações diferentes, fora duas inalações ao dia. Eu disse a ela que antibiótico destruiria o meu estômago e acabaria por voltar ao Pronto Socorro com fortes dores no estômago. Ela disse que aguentasse pois era só por uns dias.

No dia seguinte voltei, o médico que me atendeu disse que não existe começo de pneumonia, ou era ou não era, etc. Passou um antibiótico mais forte ainda e deu atestado até o domingo dia 26 de maio.

Aproveitando os dias de atestado marquei 6 consultas com diferentes Cirurgiões Gerais. Acabei não comparecendo em todas por não me sentir fisicamente em condições de ir. Estava com dores no estômago o tempo todo. Tanto que no sábado dia 25 de maio a dor tornou-se tão violenta que fui novamente ao Pronto Socorro, desta vez o Central de Itapevi. Os médicos que se encontravam na urgência não se conformavam de eu não ter feito ainda a cirurgia. Olharam os meus exames, criticaram a demora em fazer a cirurgia. Um deles chegou a sugerir que eu fosse a um Pronto Socorro na cidade de São Paulo que eu seria operada de emergência. Cheguei a dizer a ele, se moro em Itapevi e trabalho em Barueri como chego em São Paulo gritando de dor pra ir a um Pronto Socorro? Chegar em um de Itapevi já é difícil.

Na segunda feira dia 27 de maio tentei trabalhar. Não conseguia respirar direito. Voltei ao Pronto Socorro para tomar inalação. Eram 14 inalações duas vezes ao dia. No dia 28 de maio me senti muito mal, o estomago doía terrivelmente. Fui ao Hospital Cruzeiro do Sul em Itapevi, buscando atendimento tanto para a dor no estomago como para a pneumonia. Fui medicada pelo estômago, recebendo o coquetel de sempre de buscopan composto, omeprazol e soro. Às vezes os médicos variam e ao invés de omeprazol colocam ranitidina. Uns acrescentam plasil, outros hidróxido de alumínio, outros acrescentam tramal. Segundo o Dr. Ruben eu já não tinha pneumonia e estava apta para trabalhar. Não fui trabalhar, pois depois da medicação, invariavelmente me sinto muito tonta.

No dia 29 de maio tinha uma consulta com o Dr. Giulliano, no IPC. Mostrei os exames que se acumulavam na minha pasta, expliquei a minha situação. Ele então agendou uma cirurgia para o dia 25 de junho de 2013. Fui trabalhar, com dificuldades para falar mas fui.

No dia seguinte, 30 de maio, foi feriado, e no dia 31 de maio fui trabalhar e senti muita dificuldade para falar. Aguentei até o ponto que tive falta de ar e precisei parar de falar. Fui da empresa para o Pronto Socorro de Barueri. A fila era imensa e provavelmente eu só sairia de lá de madrugada. Então decidi seguir para o Pronto Socorro do Cardoso perto de casa. Fiz mais uma inalação.

No dia 03 de junho quando cheguei para trabalhar a voz não saía. A coordenadora Isabel, a supervisora Marluci e Hellen entraram em conferência. Depois acabei por receber o recado da Hellen de que por favor aparecesse para trabalhar no dia seguinte.

No dia seguinte 04 de junho, tinha uma consulta com o Dr. Dario. Ao invés de marcar uma data para a cirurgia, pediu exames, uma ultrassonografia e uma endoscopia digestiva alta com imagens. Pedi se poderia fazer a gentileza de me dar atestado, pois continuava sem voz. Ele me deu três dias de atestado por rouquidão. Comentou que isso poderia ser resultante da piora do refluxo.

O atestado era até quinta feira, mas na sexta feira, dia 07 de junho, novamente fui parar ao Pronto Socorro Central com dores absurdas no estômago. Enquanto eu estava no soro o telefone tocou. Era a supervisora Marluci procurando saber por que não apareci para trabalhar. Meu marido atendeu e explicou a situação. Eu ainda estava sem voz, não tinha como falar.

No dia 8 de junho fui trabalhar, com dificuldade para falar, mas fui.

No dia 10 de junho, antes de chegar ao trabalho já sabia que seria mandada embora. Não fiquei meia hora atendendo e a Supervisora Marluci foi me dar a notícia. Suas palavras foram: Você não está a 100 por cento, por isso está sendo desligada da empresa, vá cuidar da sua saúde.

Uma semana antes da cirurgia, no dia 18 de junho, entrei em contato com o IPC para saber sobre a cirurgia. Informaram que somente um dia antes eu seria avisada se teria ou não cirurgia. Dia 24 de junho esperei por uma ligação até às 3 horas da tarde. Como não recebi nenhuma tentei contato com o IPC. Mas era feriado em Barueri e ninguém estava lá para atender. Entrei em contato com o plano de saúde e me informaram não haver pedido algum de cirurgia, somente um pedido de 10 de maio, no hospital Santa Rita, a cirurgia da tela que levou hospital e médico a entrarem em conflito e não haver cirurgia.

25 de junho, ao invés de ir ao Hospital Bandeirantes fazer uma cirurgia, fui até o IPC saber por que eu não estava fazendo uma cirurgia naquele momento. Ainda espero a resposta. O plano de saúde, segundo o próprio Carlos da Fidelity, eu só poderia usar até dia 30 de junho.

Continuando a novela que comecei a escrever um ano atrás, acabei por terminar o dia 25 de junho de 2013, mais uma vez, no pronto socorro. Nesse dia cheguei a dizer ao marido: eu não aguento mais. Eu não aguento mais. Naquela altura eu já preferia morrer do que ficar naquela situação por sei lá quanto tempo mais.

Mas no dia 4 de julho recebo um telefonema me informando que no dia seguinte, 5 de julho de 2013, enfim, faria a cirurgia pela qual tanto esperei. No dia seguinte estava chegando ao Hospital Bandeirantes, na Liberdade, de madrugada. Dei entrada, tomei o banho pré-cirurgia e após uma curta espera (para mim) me buscaram para a cirurgia. Lembro do anestesista nervoso, do Dr Giuliano sempre sorridente, de mais 3 pessoas… e apagar. Antes de ser levada para o quarto onde fiquei os dias que passei internada, eu acordei com muita dor, grogue e gritando de dor. Uma pessoa disse pra mim: Dona Luciete há outros pacientes aqui, eles precisam de descanso – como coisa que eu gritava porque queria. Eu disse a ela: eu sei moça, mas eu tenho dor, eu tenho muita dor. Lá foi mais uma dose de tramal. Quando enfim acordei de verdade, a primeira coisa que disse foi: meu marido… meu marido. Não demorou muito estava lá o marido. A primeira coisa que disse a ele foi: eu to viva. E chorava, chorava tanto.

Assim que um médico foi me visitar, fui informada que TODO o meu estômago estava fora do lugar. Todo. Era impossível eu não sentir dor.

Alguns dias depois voltava para casa com uma dieta específica. Durante mais de um mês minhas comidas foram líquidas, pastosas e semi-pastosas, até que voltei a me alimentar como há anos não fazia. A primeira vez que comi feijão depois da cirurgia, e não fui parar ao Pronto Socorro com dores, eu chorei. Eu dizia que nem lembrava mais que gosto tinha o feijão. E não lembrava mesmo, nem do gosto do feijão, nem do leite, nem do doce-de-leite, nem de tantas coisas. Antes da cirurgia, passava dias que só conseguia comer barrinhas de cereais ou tomar água de coco. Não como uma barra de cereal há um ano. Não bebi mais água de coco. Engordei uns 20 kgs em um ano. Cheguei a pesar menos de 50 kgs. Voltei a dar aulas, algo que seria impossível há um ano, já que mal conseguia ficar de pé, sempre com fome, sempre fraca.

 Ontem, 5 de julho de 2014, no dia que fez um ano da cirurgia, passei 6 horas no Pronto-Socorro onde pode-se dizer que eu praticamente residia. Minha mãe não estava bem, e fiquei acompanhando. Vi várias das pessoas que me atenderam, algumas de maneira animalesca, outras que tiveram momentos de gentileza comigo. Acho que não tem uma auxiliar de enfermagem ali naquele Pronto Socorro que não tenha tentado pegar minhas veias para meter o maldito soro com omeprazol ou ranitidina. Gostaria de esquecer de todas as caras, de todas as horas que passei naquele e em outros Prontos-Socorros. Mas é impossível não recordar das várias vezes em que fui tratada feito um lixo, com médicos e demais funcionários se recusando a me atender enquanto eu gritava desesperada de dor, das várias outras “doenças” que inventaram como bolos fecais, gases, alteração no fígado e até problemas psiquiátricos, ao invés de simplesmente tratarem do problema real que eu repetia qual era desesperada as vezes. Fui atendida por médico alcoolizado, fui dopada pra não dar trabalho quando me recusava a sentar (sendo que sentar era mortal, pois contrair o estomago era de causar dores alucinantes)! Não quero lembrar, e por um ano fiz questão de não lembrar. Mas também não posso esquecer. Seria tão mais simples se cada um fizesse o seu trabalho corretamente e ao menos se dessem ao difícil trabalho de ouvir um paciente. Mas isso não aconteceu na maioria das vezes.

Não desejo a ninguém o que passei.

Ah, detalhe: hérnias voltam.

Paco y Veva

pacoyveva00Esta foi a primeira série espanhola que vi na vida. Sozinha, recém-chegada na Espanha, liguei a televisão e comecei a ver um povo falando um espanhol rapidíssimo e com palavras que papai não me ensinou. Curiosa, continuei assistindo – e adquirindo vocabulário do espanhol coloquial jovem. Não foi a melhor série que já vi na vida, nem diria que é uma série, digamos, assim tão boa. É divertida, sem dúvida. Também, é comédia, ao menos divertida tem que ser.

A série foi transmitida pela TVE, também conhecida pelo povão como La Primera. Foi ao ar no ano de 2004 e teve apenas duas temporadas de 9 episódios cada uma. Foi a primeira série totalmente produzida pela TVE. Teve em sua estréia a melhor audiência de uma série de televisão na Espanha, mas a concorrência e o horário acabaram por fazer com que a série perdesse audiência. Para piorar a situação, e levá-la a ser retirada do ar definitivamente, o estúdio onde era gravada sofreu um incêndio que destruiu-o quase que por completo, entre a primeira e segunda temporadas.

Paco e Veva (lê-se beba) é uma comédia-musical voltada para o público juvenil, que conta a história de um casal, Paco (Hugo Silva) e Veva (Elena Ballesteros). Eles são de classes sociais diferentes e têm, o tempo todo, que enfrentar as artimanhas de suas famílias e amigos para separá-los. Pode-se dizer que é uma, mais uma, versão moderna do clássico Romeu e Julieta. As histórias apresentadas na série eram simples, corriqueiras, entrelaçadas com musicais, que ilustravam alguns dos momentos românticos ou engraçados vividos pelos personagens.

É dificílimo encontrar qualquer informação sobre esta série pela internet. Tudo bem que ela não foi nenhuma maravilha, mas tinha lá seus momentos engraçados. Fique com duas cenas, das raras que se pode achar na internet, com momentos de tensão cômica. Não tem legenda.

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Para saber mais sobre a série veja: Paco y Veva

Hospital Central

hospitalcentral00Há algo que acontece na televisão espanhola que é fazer versões próprias de séries de sucesso, com sotaque espanhol, considerando a realidade e mentalidade espanholas. Estas “cópias” às vezes são tão boas que ganham personalidade própria, e podem ser tão boas ou melhores que as originais. Nos princípios do cinema espanhol passou-se a mesma coisa, sendo regravados clássicos de Hollywood em uma versão espanhola. Então, como no Brasil esta faceta da Espanha é desconhecida, vamos apresentar este mês somente séries espanholas. Começamos com a nossa série favorita, Hospital Central. Advinha de que série é clone? O nome já entrega. Plantão Médico (E.R.).

Mas Hospital Central, apesar de algumas histórias em comum com a já clássica Plantão Médico, tem, como já disse, personalidade própria. Seus personagens, que a princípio são cópias espanholadas dos personagens de Plantão Médico, com o desenrolar da série e seu sucesso com o público, ganham vida própria, histórias que somente a mente de um espanhol poderia produzir, não copiar de um gringo. Na Espanha passa na TeleCinco. Em Portugal é transmitida pelo AXN. No Brasil passa? Sei não. Mas se quiser dar uma olhadela procura aí uns episódios que legenda em português existe, em português de Portugal. Hospital Central é uma série produzida por Videomedia para a TeleCinco que estreou no ano 2000. É a série a mais tempo no ar na televisão espanhola. Conta com 18 temporadas. É que a série tem duas temporadas por ano, tendo um intervalo no meio do ano, para férias.

Tudo gira em torno da vida dos personagens que trabalham no Hospital Central, um fictício hospital de Madri. As ações dividem-se entre o hospital, as saídas do pessoal do SAMU, e algumas histórias de pacientes que são previamente apresentadas antes de que parem no hospital, ou dos próprios trabalhadores em momentos fora do trabalho. Sim, mas não há tédio não. Ao longo da série os personagens tem suas histórias de amor, de tragédia, seus momentos cômicos explorados, algumas doenças comuns e outras raras são apresentadas aos telespectadores (televisão também é cultura), além de acidentes em massa que tornam o hospital um verdadeiro inferno na terra.

Dr. Hector (Roberto Drago) à esquerda, e o assistente social Carlos (Jesús Olmedo) à direita.

Dr. Hector (Roberto Drago) à esquerda, e o assistente social Carlos (Jesús Olmedo) à direita.

Na 14ª temporada, a série completou 200 episódios, indo ao ar um especial no qual participaram atores que já tinham participado da série mas saíram ao longo dela. Entre os personagens mais marcantes está Teresa (Marisol Rolandi), recepcionista e fofoqueira de plantão do Hospital, além de conselheira, mãe substituta, etc. É uma das personagens que está na série desde o primeiro capítulo. Um outro que passou pela série e foi muito popular foi Rusty (Ángel Pardo), auxiliar de enfermagem, faz tudo, piadista de plantão que acabou por sair da série. Entre os médicos um dos mais marcantes foi o Dr. Rodolfo Vilches (Jordi Rebellón), com um gênio terrível, mal humorado, antipático, mas muito profissional, que acaba saindo de cena por uns tempos por ser perseguido por um mafioso na série. Dr. Javier Sotomayor (Antonio Zabálburu) é outro que está na série desde o princípio, sendo um personagem que faz com que o telespectador permaneça em uma dúvida eterna se é bom ou mau rapaz. Em certa altura também aparece o médico argentino Héctor (Roberto Drago), muito simpático, divertido, que passa a série na busca de uma estabilidade afetiva, por algum tempo serve de saco de pancadas do Dr. Vilches, que na realidade o adora. Mas há médicas também, como a Dra. Cruz (Alicia Borrachero) que casa com Vilches, separa, chega a dirigir o Pronto Socorro do Hospital e a dada altura cheia de problemas, vai embora. A atriz Alicia Borrachero faz um personagem do filme As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian, interpretando a rainha Prunaprismia. Outra médica que se destaca é a Dra. Maca (Patricia Vico) – o nome do personagem é Macarena, mas é chamada de Maca. Ela rivaliza na ascensão profissional com Javier por toda a série, e tem um relacionamento com a enfermeira Esther (Fátima Baeza), com quem casa e tem um filho. Não se esqueçam que na Espanha o Matrimonio entre pessoas do mesmo sexo é legal desde 2005. Há inúmeros personagens encantadores ao longo da série mas se formos falar de todos este post vira um livro.

Imagens do episódio do acidente aéreo

Imagens do episódio do acidente aéreo

Como dissemos antes, são criados na série alguns acidentes em massa mostrando o hospital sobrecarregado em situações como esta. Um dos acidentes criados pela série tem uma história meio sinistra. Para a estréia da 16ª temporada foi gravado um acidente de avião em Barajas, aeroporto de Madri. Neste acidente, a maioria dos passageiros morriam, e um dos personagens centrais, o médico Javier, tinha parte do braço decepado que depois era reimplantado. Dias antes da estréia da temporada aconteceu realmente um acidente no aeroporto de Barajas muito semelhante ao que já estava gravado havia meses. As semelhanças entre os dois acidentes (o real e o da série) eram tantas que o capítulo acabou por não ir ao ar na estréia da série, indo um segundo capítulo e sendo este apresentado tempos depois (veja link no final do post).

No momento está no ar a 18ª temporada. Recomendo para quem sabe espanhol visitar o site oficial da série. Nele pode-se ver os episódios inteirinhos (somente de algumas temporadas), sem legendas claro. Aliás, fica a dica para os professores de espanhol. Bom programinha para passar um trecho em uma aula. Digo um trecho porque os episódios costumam ter entre 80 e 90 minutos de duração.

Fique com um pequeno vídeo que é um resumo do capítulo 200 da série, onde se apresenta um pouco da história que vai se desenrolar no capítulo assim como podemos ver alguns dos personagens que estão na série neste momento, como outros que já saíram.

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Site oficial: Hospital Central.

Blogs dos roteiristas da série.

Guillermo Zapata – Casiopea

Antonio Cuevas – Zeroneuronas

Notícia: No habrá accidente de avión en “Hospital Central”.

Maravilha (Mirabilis jalapa)

mirabilis01Minha história com esta plantinha vem desde a infância. Brincava muito com suas sementes graúdas. Aquele “pozinho” que há dentro delas era um grande divertimento, ainda mais quando me contaram que as moças do interior, de muito antigamente, usavam o pó para ficarem com a pele mais bonita. Se é verdade ou mentira, não sei. Sei que graças a esta história que me contaram estraguei muitas sementinhas fazendo meu falso pó de arroz de moça do campo. Quanto às flores, bem, só fui perceber sua beleza um pouco mais para frente.

O nome desta flor é Maravilha (Mirabilis jalapa) e também é chamada de Jalapa, Bonina, Boas-Noites, Belas-Noites, Beijos-de-Frade, entre vários outros. Em espanhol é chamada de Dondiego-de-Noche, Jazmín-Rústico, Donpedros, Periquitos, entre outros. Em inglês é chamada de Four-o’clock flower. O nome científico Mirabilis quer dizer Maravilhoso, em latim, e Jalapa é uma região do México onde foi descrita pela primeira vez pela ciência.

Apesar de ter sido descrita pela primeira vez no México não há certeza de onde realmente ela é originária. Existe a suposição de que foi encontrada pelos europeus em zonas próximas aos Andes, no século XVI e daí levada para a Península Ibérica, onde foi introduzida como planta ornamental e medicinal. Mas considerando suas características supõe-se que seja nativa de zonas tropicais da América do Sul, Central e México.

Existem cerca de 50 espécies diferentes, todas presentes nas áreas de clima mais quente da América. Como adaptou-se bem ao clima temperado também pode ser encontrada em zonas abrangidas por este clima.

A Maravilha é uma planta herbácea, que tem altura média de 70 cm, mas pode chegar a 1,20m. Tem ciclo de vida perene, mas em áreas de clima temperado pode comportar-se como planta anual, já que com geadas fortes ou baixa umidade pode morrer. São comuns em áreas próximas ao mar, ou em áreas com influênica marítima, por serem resistentes à salinidade.

Possui raízes tuberosas que facilitam sua sobrevivência durante os meses mais secos e frios. Tem um caule ramificado e ereto. As folhas são simples, afinadas na ponta, opostas, em tons de verde claro a escuro ou avermelhadas. A folhagem é densa dando um aspecto agradável à planta mesmo quando não está florida. Podem ter até 13 cm de comprimento e 8 cm de largura.

mirabilis00A floração ocorre na Primavera e Verão, podendo aparecer flores esporádicas, em menor quantidade no Outono e Inverno. As cores da Maravilha justificam seu nome. As cores básicas de suas flores são vermelho e branco, mas podem produzir flores das mais variadas tonalidades de rosa, amarelo e laranja. As flores podem apresentar diferentes combinações de cores, existindo flores de até três cores diferentes que se apresentam em listras, pintas ou manchas irregulares. As flores tem a forma de uma trombeta coroada por cinco pétalas, podendo ter um perfume adocicado, podendo ser solitárias ou em grupos. Só se abrem ao final do dia, e em dias nublados também dão o ar da graça durante o dia. Atraem insetos noturno e mariposas, responsáveis por sua polinização.

As sementes são ovais e têm entre 6 e 8 mm. São enrugadas e tem cor verde amarelada quando imaturas, tornando-se totalmente negras quando maduras.

Numa mesma planta podem nascer flores de diferentes cores ou mistura de cores. Uma mesma planta pode em um período de sua vida dar flores amarelas e com o passar do tempo começar a produzir flores rosas, ou brancas que depois passam a ser rosa claro. Foi estudada por Carl Correns, que a utilizou como exemplo num estudo sobre herança extra-nuclear, estudo segundo o qual pode-se ter um indivíduo sem predominância genética de um dos indivíduos dos quais teve origem. Estes e outros estudos resultaram no redescobrimento das Leis de Mendel (veja mais no link ao final do post).

Seu uso como planta ornamental é muito difundido, sendo utilizada na formação de maciços, conjuntos e borbaduras. Pode também ser plantada em vasos, mas tende a ter uma altura inferior do que uma que está diretamente no solo. Devido a sua rusticidade é de fácil cultivo, podendo, caso haja algum descuido, tornar-se uma praga pela facilidade com que volta a ser selvagem. Por ser resistente à salinidade é uma planta ideal para jardins próximos à praia.

Na medicina popular é utilizada como cicatrizante, para manchas na pele, sardas, problemas hepáticos, entre outros. Mas nunca se deve fazer uso interno de raízes e sementes pois são tóxicas.

Seu clico de vida é perene mas em regiões onde o Inverno é mais severo tende a morrer com as geadas, sendo cultivadas como plantas anuais. Em locais de Inverno mais rigoroso podem ser arrancadas no Outono, semeando novas sementes para o ano seguinte. Em áreas de clima mais quente uma planta pode durar anos sem qualquer problema. Onde o clima tem um Verão que seja extremamente seco a planta também pode morrer devido ao calor intenso e baixa umidade do ar, sendo essencial regas diárias nos períodos de maior calor, e frequentes em qualquer época do ano ou clima. Seu cultivo deve ser a sol pleno, apesar de adaptar-se bem à meia-sombra. Sob sol pleno tendem a ter um maior porte e floração mais intensa. O solo precisa ser fértil, rico em matéria orgânica e com boa drenagem. Quanto à adubação deve ser feita uma vez ao mês na Primavera e Verão, com adubo rico em potássio.

mirabilis02A reprodução desta planta é muito fácil. Pode-se fazê-la através das sementes que são abundantes ou pela separação de suas raízes. Por auto-reproduzir-se com facilidade não necessita de auxílio humano, mas se sua reprodução não for controlada torna-se uma praga. A semeadura deve ser feita em fins do Inverno e princípios da Primavera, podendo-se apenas jogar as sementes sobre a terra ou em covas rasas. Porém, para apressar a germinação, as sementes devem ser postas de molho durante 12 horas antes da semeadura.

Nos meses quentes mais chuvosos pode sofrer a infestação de fungos que costumam ser facilmente eliminados com um fungicida. Mas só deve ser usado antes do início da floração plena. Ácaros, pulgões e outras pragas podem atacá-la também, sendo necessária a utilização de inseticida de forma preventiva para evitar uma infestação, também quando a planta ainda não tenha flores.

Mas mesmo sem todos estes cuidados acima descritos, é possível ter lindas Maravilhas no jardim. Veja na galeria abaixo algumas das variedades de cores que podem ter as flores desta planta (clique nas fotos para ampliá-las).

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Fontes:

Gardening eu

Infojardin

Jardineironet

Este link vale pela sequência de fotos em close da flor:

Waste ideal

sobre Mendel e as leis de Mendel veja:

Jornal da Ciência

sobre Carl Correns:

Wapedia

Salada de Pimentões e Anchovas

Verão é época de comer saladas. Estou aqui em pleno verão portuga e pensei que uma saladinha cairia bem para o calorzinho que anda fazendo. Para falar a verdade não anda fazendo tanto calor assim! Desde que estou aqui foi o verão menos quente que passei por terras de Florbela Espanca, e consequentemente o melhor! Porque calor de 40ºC e secura total é horrível! Que saudades de uma chuvinha de verão. Aliás, até teve chuva de verão este ano! Mas estava gelada! Encerrando a seção “reclamações inconseqüentes de imigrante rebelde”, vamos à receita.

Não é receita tuguesa não! É da Tierruca! Mas dá para fazer por cá e também no Brasil, já que os ingredientes existem tanto de um lado como do outro do oceano.

Para quem não sabe, Cantábria é uma terra muito boa de pesca. Desde o tempo em que os animais falavam, esta região espanhola sempre esteve voltada para o mar irremediavelmente, graças a sua geografia. Alguns dos melhores navegadores daquela época em que espanhóis e portugueses foram rumo à América eram cantábricos. Lembram das três naus com as quais Colombo chegou à América? A Pita, Niña e Santa María? A Santa María na verdade era propriedade de Juan de la Cosa, um navegador e cartógrafo cantábrico nascido em Santoña. Juan de la Cosa foi responsável pela elaboração do primeiro Mapa Mundi, em 1500, onde apareciam as então novas terras descobertas com as viagens de Colombo (inclui-se aí uma boa porção do que hoje é o Brasil, visto que os espanhóis chegaram até a foz do atual Rio São Francisco antes de Cabral).

Mas vamos deixar esta parte de lado já que vamos falar de receita hoje. Como eu disse, Cantábria é uma terra boa de pesca, melhor seria dizer, tem um litoral rico para a pesca. E um dos principais produtos destas águas são as Anchovas (Engraulis encrasicolus). Coloco o nome científico para que saibam qual o peixe chamado de Anchova aqui, já que existem outros peixes que são vendidos como anchovas em conserva mas não são o mesmo peixe. Aliás, também pode ser chamada de Aliche no Brasil. Encontramos este peixe em conserva, bem salgadinho, mergulhado em azeite ou óleo vegetal, sendo assim que é usado nesta receita.

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SALADA DE PIMENTÕES E ANCHOVAS

Ingredientes:

12 filés de anchovas
1 cebola
azeitonas pretas
2 pimentões vermelhos
vinagre de vinho branco
1 colher (sopa) de azeite de oliva
sal à gosto

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Modo de Preparo:

Antes de mais nada, deve-se assar os pimentões. Há várias maneiras de se fazer isto. Pode-se colocá-los sobre a chama do fogão cobertos com sal e deixar queimando sua pele levemente, virando-os, até que fiquem pretas. Depois tira-se esta pele e tem-se o pimentão totalmente sem pele e pronto para usar. Outra forma, que faz menos sujeira, é colocá-los no forno embrulhados em papel alumínio (a parte brilhante para dentro). Deixe uns 20 minutos no forno quente e retire. A pele do pimentão deve ser removida com ele ainda um pouco quente, caso contrário ela não sai facilmente.

Passado este primeiro passo, corte o pimentão sem a pele em tiras, coloque em uma travessa e tempere com sal e azeite. Corte a cebola em tirinhas bem fininhas e reserve. Sobre as tirinhas de pimentão coloque os filés de anchovas e as tiras de cebola de forma harmoniosa. Tire os caroços das azeitonas e corte-as em rodelas fininhas e coloque-as sobre a travessa onde está montando a salada.

Com o azeite, sal e vinagre prepare um molho mexendo muito bem para que misture os ingredientes o melhor possível. Regue a salada com este molho e sirva a seguir.

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Muito cuidado com o sal, pois as anchovas já vem com bastante sal, é aconselhável provar antes de colocar o molho para não exagerar.

Se quiser acrescentar alface, aspargos, tomates, nesta salada, tudo bem, a salada é sua!

Hortênsia (Hydrangea macrophylla)

hortensia00Lembro de ver hortênsias pelos jardins de minha vida desde que era muito pequena. Dona Sogra tem lindas hortênsias repletas de buquês rosas. Mamãe sempre teve lindas hortênsias azuis que davam buquês incontáveis. Um dia Mamãe encontrou para vender hortênsias cor-de-rosa. Toda feliz comprou achando que então teria hortênsias rosas além das azuis. Retirou do vaso e plantou próximo a azul que já tinha. Qual não foi a surpresa dela ao ver que, no ano seguinte, as flores deste pezinho também ficaram azuis! É que naquela época ela não sabia de uma certa peculiaridade das hortênsias…

As hortênsias também são popularmente conhecidas pelos nomes de Hortência, Rosa-do-Japão e Hidrângea. Tanto em espanhol como em inglês também podem ser chamadas de Hortensia ou Hidrangea (Hydrangea). O nome científico Hydrangea significa bebedoura de água. Já o nome Hortênsia foi uma homenagem a uma dama francesa do século XVIII, Hortense Lepante, que era mulher de um amigo do naturalista Philibert Commerson, responsável pela introdução da Hortênsia na Europa.

hortensia01As hortênsias são originárias da Ásia, mais especificamente China e Japão, razão pela qual também é conhecida como Rosa-do-Japão. Foi domesticada pelo homem há muito tempo, mas só espalhou-se por todo o planeta como planta ornamental em meados do século XIX. Existem mais de 600 cultivares diferentes.

É um arbusto de ciclo de vida perene que pode chegar a 1,5 m de altura. As folhas deste arbusto são grandes, ovaladas, de cor verde-clara, algo duras e com bordas dentadas. No Outono as folhas caem.

A floração ocorre na Primavera e Verão. As inflorescências agrupam-se formando buquês bem arredondados, contendo grande número de flores que podem ter uma coloração que varia entre violeta, azul, lilás, rosa, vermelho e branco. As inflorescências da Hortênsia tem diferentes terminações, com bordas arredondadas, estreladas, recortadas ou triangulares. A hortênsia se dá muito bem em climas mais amenos gostando do frio e florindo mais. Esta é mais uma planta cujas flores não são o que parece. Aquela espécie de “bolinha” que há no centro é que é a flor. As falsas pétalas coloridas na verdade são folhas modificadas. Por esta razão, conforme o buquê começa a formar-se as flores ainda são verdes, amadurecendo lentamente até adquirir a cor final.

hortensia02A hortênsia tem diversas utilizações na composição de um jardim. Pode ser plantada tanto em vasos como diretamente no solo, isolada ou em grupos – é comum ver o uso de hortênsias em grupos numerosos -, fomando uma cerca-viva. Fica bem em borbaduras e maciços. Também podem ser cultivadas como planta de interior desde que haja uma boa ventilação e não faça calor excessivo no local onde ficará.

Devido a seu formato, muitas flores e caule grosso central, é muito utilizada para decoração, compondo arranjos bem variados acompanhadas de outras flores e folhagens.

No Japão existe um chá chamado ama-cha, feito com chá verde e folhas de hortênsia. Este chá tem uso cerimonial, na cerimônia do aniversário de Buda, quando sua estátua é banhada com o chá. Também é consumido durante o Hanami (especie de festa das flores), quando os japoneses reunem-se para apreciar as flores, entre fins de março e princípios de abril.

hortensia04Por ser planta rústica exige poucos cuidados, mas preferencialmente deve ser cultivada em solo rico em matéria orgânica. A hortênsia prefere solos ácidos, onde cresce mais colorida (tanto folhas como flores) e tem maior desenvolvimento. Mas em solos alcalinos, apesar de um colorido menos atraente também vive muito bem.

Deve ser regada com muita freqüência. Em climas mais secos convém regar diariamente, principalmente enquanto está florindo. Aqui em Portugal temos um grande problema com a água. A água daqui é dura, água calcária, contendo muitas impurezas. Este tipo de água é inadequado para ser utilizado na rega de hortênsias, prejudicando seu desenvolvimento. É conveniente neste caso regá-la com água de chuva.

hortensia05Deve ser cultivada à meia sombra, com luz solar indireta mas em boa quantidade, onde o clima é mais seco, e sob sol pleno onde há mais umidade no ar. Aqui por estas bandas do planeta onde me encontro, não convém tê-la em local onde fique exposta ao sol direto, principalmente no Verão. Como o Verão daqui é muito quente e seco, se fica exposta ao sol queima-se. Já no sul do Brasil não tem qualquer problema se cultivada sob sol pleno, visto que o Verão é chuvoso. Evite plantar hortênsias junto a árvores ou outras plantas com as quais ela possa competir pela umidade.

Em qualquer época do ano pode-se fazer o transplante de uma muda, menos nos meses mais quentes pois dificilmente vingarão. Caso adquira ou tenha produzido uma muda de hortênsia e queira transplantá-la tome alguns cuidados. O solo no qual será plantada deve ser bem rico em matéria orgânica. Plantando diretamente no solo, faça um buraco que tenha duas vezes o diâmetro da raiz da planta. A planta deve ficar no mesmo nível do chão. Afofe um pouco a terra que a envolve mas sem descobrir as raízes. Com a terra afofada as raízes espalham-se melhor. Aperte levemente o solo ao redor da planta para eliminar bolsões de ar. Regue bem. Procure colocar uma cobertura vegetal junto à base para que ela não perca umidade facilmente.

Deve ser adubada na Primavera plena, com adubos que contenham potássio mas pouco nitrogênio e fósforo. Existem adubos específicos para hortênsias que devem ser utilizados em intervalos de 15 a 20 dias. No inverno deve ser adubada com orgânicos para estimular seu crescimento. Excesso de adubo pode prejudicar a hortênsia, levando a planta a produzir muitas folhas e poucas flores.

Quando acabar a floração é hora de podar as hortênsias, para que no ano seguinte tenha uma floração mais intensa. Caso seja cultivada em local de inverno rigoroso a poda deve ser deixada para finais do inverno. A hortênsia não suporta temperaturas abaixo dos -3ºC, necessitando de uma poda extra. Caso isto aconteça no ano seguinte não dará flores. Devem ser eliminados os galhos mortos, secos ou doentes, brotos paralelos que tenham surgido a partir da raiz (estes não dão flores), galhos mal orientados ou que se sobressaiam demais. Esses ramos que tiveram um crescimento exagerado se não forem cortados podem prejudicar o crescimento como um todo da planta. Os buquês já secos também devem ser retirados pois consomem energia desnecessária da planta. Não corte os galhos que não tenham dado flores pois são os que darão flores no ano seguinte.

Hortênsia com Clorose.

Hortênsia com Clorose.

A reprodução das hortênsias faz-se por estaquia, sendo o Outono a melhor época do ano tanto para a multiplicação como para o transplante. As mudas podem ser feitas a partir dos galhos cortados durante a poda, dando preferência aos mais jovens e saudáveis. Para facilitar o enraizamento pode-se utilizar um hormônio enraizador. Leva cerca de 60 dias para que se desenvolvam as raízes.

A hortênsia pode ter alguns problemas com pragas e carência de nutrientes. Entre as pragas que costumam atacá-la estão os moluscos (caracóis) e pulgões, aranhas que podem ser eliminados com inseticidas. Caso as folhas fiquem amarelas a planta está doente, com Clorose, sendo necessário um suplemento de ferro. Esta doença ocorre em hortênsias que são cultivadas em solos alcalinos.

COMO PRODUZIR AS DIFERENTES CORES

hortensia06Como falamos lá no comecinho há uma peculiaridade sobre as Hortênsias que minha mãe desconhecia. Pois é. A cor das flores é determinada pelo PH do solo onde está plantada. Uma mesma planta pode dar flores azuis, rosas ou brancas, enfim. Qualquer mortal pode escolher a cor das flores das hortênsias que tem no jardim de casa. Basta tornar o solo mais ácido ou mais alcalino. Existem fertilizantes à venda que ajudam a ativar a tonalidade das flores, tornando-as azuis ou rosas. Mas caso você queira fazer seus próprios experimentos sem recorrer às facilidades do mundo moderno, mãos à obra.

Para que sua hortênsia produza flores azuis o solo deve ser ácido. Em um solo rico em alumínio elas nascerão lindamente azuis, chegando ao violeta. Caso o solo não seja ácido faça uma mistura de 20 g de sulfato de alumínio, sulfato de ferro ou pedra ume, diluído em 5 litros de água e regue a planta com esta mistura duas vezes por semana, começando cerca de 40 a 50 dias antes do início da floração. Quanto mais alumínio contiver o solo onde está plantada a hortênsia mais escura será sua cor podendo nascer buquês de flores violetas. Há porém, outra “receita” específica para que a hortênsia produza flores violetas. Neste caso coloque palhas de aço usadas dentro de água. Deixe até que a água esteja da cor da ferrugem. Depois regue a hortênsia com esta água uma vez por semana.

Para que sua hortênsia produza flores rosas o solo deve ser alcalino. No caso de que sua hortênsia de flores azuis produza flores rosas, antes de mais nada, pode-a eliminando a maioria das folhas (isto é necessário para eliminar o máximo possível do alumínio que a planta contenha). Replante-a em um local com a terra preparada com uma mistura de 200 a 400 g de calcário dolomítico por m2. O calcário dolomítico é um corretivo para o solo que pode ser encontrado em viveiros ou lojas de plantas e produtos para jardinagem. Assim têm-se flores rosas de tonalidades variadas, podendo inclusive dar origem a flores brancas. Quanto mais alcalino o solo ficar mais clara será a cor das flores, culminando em hortênsias de buquês brancos.

Adicionando Carbonato de Sódio (não confunda com bicarbonato de sódio) à terra pode-se conseguir flores multicoloridas.

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Fontes:

Inforjardim

Jardineironet

Teach me Tea Cha

Para ver mais imagens de Hortênsias:

Wikimedia

Pudim de Maçãs “Pasiego”

Mais uma receita para dar cabo aos carregamentos de maçãs! É, às vezes elas aparecem aos montes, já comentei isto aqui. Então a solução, na falta de ter condições materiais de abrir uma pequena fábrica de sidra, é fazer algo com tantas maçãs. Este pudim é lá da terra de meu pai, onde aliás, há grande produção de maçãs, e sidra. É uma daquelas receitas de outros tempos, que dá um certo trabalho para preparar mas que fica maravilhosa.

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PUDIM DE MAÇÃS “PASIEGO”

Ingredientes:

1 kg a 1,5 kg de maçãs
suco de meio limão
3 ovos inteiros batidos
1 xícara (chá) de açúcar
6 bolachas champanhe desfeitas
frutas ou chantili para decorar
um pouco de margarina
farinha de rosca
caramelo

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Modo de Preparo:

Para fazer o Purê de Maçãs:

1ª opção:

Coloque as maçãs lavadas e secas em uma assadeira e leve ao forno. Assim que estejam moles retire do forno, deixe amornar e retire as cascas e sementes. A massa resultante das maçãs assadas passa-se por um espremedor ou peneira grossa, até que vire um purê, acrescentando o suco do limão e o açúcar e misturando muito bem. Deixe esfriar.

2ª opção:

Descasque e corte as maçãs, retirando as sementes, em cubinhos pequenos. Coloque as maçãs em uma panela e regue com o suco de limão. Acrescente 1 colher (chá) de margarina ou manteiga, tampe a panela e deixe cozinhar por cerca de 6 minutos. Após estes minutinhos, acrescente o açúcar, deixe cozinhar mais um pouco, desfazendo-as até que virem um purê. Deixe esfriar.

O Pudim:

Desmanche as bolachas champanhe até que virem um pó, e junte-as ao purê de maçãs já frio. Neste processo deve-se bater muito bem para que não fiquem pedacinhos das bolachas. Junte os ovos previamente batidos. Assim que esteja tudo bem misturado, leve esta mistura ao fogo baixo, mexendo sem parar, para que a massa adquira consistência. Este processo não leva muito tempo, apenas o necessário para que os ovos acrescentados à massa cozinhem um pouco.

Pegue uma fôrma de pudim, unte com a margarina e enfarinhe com a farinha de rosca. Coloque caramelo apenas no fundo da fôrma. Despeje a massa ainda quente. Leve ao forno pré-aquecido, em temperatura média, deixando assar em banho-maria por cerca de 30 minutos ou até que ao enfiar um palito este saia limpo, e a superfície esteja levemente dourada.

Espere esfriar e leve à geladeira sem desenformar. Desenforme apenas quando esteja gelado, mergulhando a fôrma em água quente para soltar mais facilmente. Enfeite com frutas em calda, maçãs assadas, chantili ou como bem entender.

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Não é qualquer maçã que dá um bom pudim. As melhores são aquelas com mais massa e secas, menos arenosas e suculentas. O Pudim fica mais durinho, correndo-se menos risco que ele “desabe”.