Minha novela com uma hérnia de hiato

O texto abaixo começou a ser escrito ainda em junho de 2013 e só foi terminado hoje, 6 de julho de 2014.

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Em março de 2006, não sei precisar a data, comecei a ter dores fortes no estomago depois de comer. Fui levada ao pronto socorro por meu então companheiro, atual marido. No pronto socorro disse a médica que eu tinha um bolo fecal que estava me causando dores de prisão de ventre e por isso ela resolveu dar medicação para que eu evacuasse este tal bolo fecal. Passei um dia inteiro no pronto socorro sem evacuar o tal bolo fecal, e como nada se resolvia disse que a dor tinha passado para sair dali e ir para casa – ainda com dor.

Uma semana depois passei em uma médica em uma unidade de saúde próximo de casa, a Dra Cristina. Ela perguntou três vezes se eu fazia uso de drogas e tive que repetir a mesma resposta três vezes. Não, exceto tabaco. Apalpou minha barriga de um lado a outro e de cima a baixo e resolveu que meu fígado estava alterado. Pediu uma ultrassonografia, no dia 26 de março de 2006. Antes mesmo de fazer o exame voltei ao pronto socorro com fortes dores. Mais uma vez a sentença é que eu estava com prisão de ventre. Mais uma vez fui medicada para resolver um problema de prisão de ventre.

Quando enfim fiz a ultrassonografia, o exame constatou que não havia nada de errado com meu fígado.

Não demorou muito voltei com fortes dores ao pronto socorro e já fui dizendo ao médico que o que doía era o meu estômago. Não era dor de prisão de ventre. Depois de uns exames de sangue e raios-X, a sentença. A senhora está com um grande bolo fecal que precisa ser eliminado. Foi o Dr. Farinha, este nome não esqueço. Disse ao Dr. Farinha como eu podia ter tanto bolo fecal para ser evacuado se nem comer conseguia, andava na base da sopinha e nem a sopa podia comer direito. Então são gases, disse o Dr. Farinha. Quando ele disse isso a minha vontade era agredi-lo fisicamente sem dó. Mas eu mal me aguentava em pé porque realmente estava passando fome. Disse a ele em lágrimas: comer dói doutor. Tem algo errado com meu estomago. Mas a sentença continuou a mesma. É um bolo fecal que precisa ser eliminado. Fui embora recusando a medicação para eliminar o tal bolo fecal que, assim que anunciei ao médico que não comia, transformou-se milagrosamente em gases vindos não sei de onde.

Parti então para outra alternativa, o Dr. Carmona. Expliquei a ele o que sentia, ele apalpou, apalpou minha barriga de um lado a outro e de cima a baixo. Não deu nenhuma sentença. Não pediu nenhum exame, mas pela primeira vez alguém me receitou o maldito omeprazol do qual já tenho verdadeira náusea de ver a caixa e de comprar mais caixas. Mas voltemos ao Dr. Carmona. Depois que tomei toda a medicação pelo tempo que ele prescreveu, sentia-me melhor mas ainda sentia dor. Voltei nele, com a esperança de ter continuidade no tratamento. Então, tenho uma nova sentença, é só uma gastrite, basta continuar a tomar a medicação. E perguntei a ele, mas até quando? Fiquei sem resposta. Quando pedi a ele uma endoscopia a resposta foi que não havia necessidade, pois poderia dar alguma coisa ou poderia não dar nada. Mesmo eu insistindo, quase implorando uma endoscopia, ele disse que não era necessária. Tudo bem. Não voltei mais nele e não voltei mais em médico algum.

Mas continuei sentido dores, fortes dores, dores de gritar e chorar. E assim foi até que em janeiro de 2012 enfim fui a um médico que pediu uma endoscopia digestiva alta, no Hospital Nova Vida em Itapevi. A sentença desta vez está documentada com os seguintes dizeres: Hérnia hiatal por deslizamento, esofagite leve distal, refluxo gastroesofágico, gastrite leve difusa. Sentença dada no dia 07 de janeiro de 2012. Prontamente, assim que viu o resultado, o doutor que esqueci o nome já falou em cirurgia. Explicou como era feita e tudo mais. A hérnia na época tinha uns três centímetros. Mas havia um problema. Era médico particular e eu não tinha dinheiro para pagar a cirurgia. Nesta época nem trabalho eu tinha.

Para onde fomos? Ao posto de saúde perto de casa, no Vitápolis. Apresentei os exames, a endoscopia e uma ultrassonografia ao doutor Arthur e prontamente ele me deu uma guia para ser encaminhada ao especialista no Ame de Itapevi.

Nossa espera durou de janeiro até abril. Quando enfim falamos com o médico no Ame ele disse que a hérnia era muito pequena e medicação resolvia. Receitou a ranitidina que tomei por três meses. Era o tempo que o médico deu para voltar para nova consulta. Mas ele avisou que se eu não parasse de fumar nem precisava voltar porque ele ia se recusar a me atender.

O retorno seria em julho se houvesse vaga. Mas em junho já havia passado o período de carência do plano de saúde da empresa onde estava trabalhando e já poderia usá-lo. Então para que aguardar até julho? Partimos para o plano de saúde, e claro, não paramos de fumar.

Fui em Itapevi, em um gastroenterologista que já foi receitando pantoprazol e outros dois mais, e sua consulta se resumiria a isso se eu não tivesse dito a ele que sofria de dores há anos, e queria muito ser operada de uma vez. Ele então indicou o Dr. Hélio Fragoso, que atendia na Clínica Araguaia em Barueri.

Tentei marcar consulta com o Dr. Hélio por meses. Até que desisti e marquei com o Dr. Paulo Roberto. O Dr. Paulo, assim que viu os exames já feitos foi dizendo que a hérnia era muito pequena, não havia necessidade de operar. Mas acrescentei ao doutor que minhas idas ao pronto socorro com dores fortíssimas eram frequentes, sendo que por vezes ia ao pronto socorro até três vezes por semana. Ele pediu dois exames: EED e Phmetria. Também receitou um caríssimo medicamento chamado Nexium. O problema então foi encontrar um local que fizesse os exames pelo convênio. Depois de longo tempo buscando consegui fazer o EED. A PHmetria consegui marcar, mas da data em que consegui marcar até a data na qual seria feito o exame levaria quase dois meses. O tempo passou e engravidei. Na data que teria que fazer a PHmetria estava grávida e não poderia fazer o exame. O EED foi feito em Osasco, e a sentença foi, hérnia hiatal por deslizamento volumosa. Quando enfim consegui marcar um retorno com o Dr. Paulo, em janeiro de 2013, depois de perder o bebe e ainda no período de afastamento do trabalho devido à curetagem que tive que fazer, ele viu o EED e disse que a hérnia realmente era muito grande, mas sem precisar o tamanho. Pediu uma endoscopia novamente.

Consegui enfim ser encaminhada para o Dr. Helio Fragoso, que me atendeu em fevereiro de 2013, ao ver os exames afirmou que a hérnia tinha uns 10 cm. Pediu mais exames: exames de sangue e eletrocardiograma. Quando retorno ao Dr. Hélio, no dia 27 de março de 2013, pensando que enfim a cirurgia seria marcada, ele me anuncia que estava saindo de São Paulo e me indicaria para um colega, o Dr. Nassim. Quando saio do consultório e tento marcar a consulta com o Dr. Nassim me informam que somente a partir de 5 de abril seria possível marcar consultas para maio. O caminho entre a clínica e o trabalho era de 30 minutos a pé, que fiz chorando o percurso todo. No trabalho não conseguia parar de chorar, não conseguia me acalmar. Acabei por não conseguir trabalhar.

É então que a Fidelity entra na minha novela de forma ativa. Meu supervisor Thiago Castro no dia seguinte estava conversando com a Hellen do ambulatório da empresa para saber o que se passava. Não demorou muito a coordenadora Sonia foi conversar comigo para saber se eu precisava de psicólogo. Falei que precisava não de psicólogo mas de um Cirurgião Geral que fizesse logo uma cirurgia que há anos eu precisava. Na semana seguinte estava falando com o Dr. Arthur de Vicente Juncá, médico da empresa. Ele não olhou os exames, ouviu uma narrativa breve, estava mais preocupado em saber se eu já tinha feito tratamento psicológico ou psiquiátrico. Mas ao final, pediu que Hellen ligasse para uma amiga dele que me atenderia. Até disse que eu seria operada em um determinado hospital que não lembro o nome. Porém, Hellen, por indicação de outras funcionárias conseguiu marcar uma consulta com o Dr. Pedro, na Clínica Novo Horizonte, em Osasco. A consulta foi marcada para o dia 3 de maio. Neste meio tempo eu marquei uma consulta com o Dr. Nassim no dia 13 de maio.

Dia 3 de maio vou a Osasco na consulta marcada pela enfermeira do ambulatório da empresa. Conto toda minha história para o Dr. Pedro, narro com riqueza de detalhes todo o meu sofrimento desde 2006. Ele então pede a endoscopia e o eed para tirar cópia e anexar ao pedido de cirurgia para o convênio. Informa que serei operada no dia 20 de maio no hospital Santa Rita. Chega o dia 13 de maio e acabo por não ir à consulta com o Dr. Nassim pois acreditava que a cirurgia no dia 20 de maio realmente aconteceria.

No dia 14 de maio a enfermeira do Dr. Pedro, Yara, entra em contato logo pela manhã dizendo que o hospital não estava querendo liberar uma tela que era necessária para a cirurgia. Pede que eu ligue ao hospital. Eu até disse a ela, mas eu digo o que? Eu nem sei que tela é essa?

Ligo para o hospital e falo com Liliane que me diz depois de uma breve conversa a seguinte frase: O Dr. Pedro pode te operar em outra instituição, em outro hospital, mas aqui com esta tela não. Liguei para o convênio e me informaram que a cirurgia tinha sido autorizada, que da parte deles estava tudo certo.

Fui trabalhar. E não demorou muito sou chamada no ambulatório, a enfermeira Yara havia ligado para o meu trabalho, no telefone do ambulatório para falar da tal tela. Novamente a Fidelity é metida no assunto. Hellen me diz o que Yara lhe havia dito por telefone. Carlos, do RH da Fidelity começa a participar da novela também, entrando em contato com o hospital. No dia seguinte o que ouvi da Hellen é que o hospital se recusava a usar a tela pois já havia causado problemas pós-operatórios em várias pacientes e por isso não usavam mais dessa tela. Já o médico dizia que precisava desta tela em específico e que sem ela não poderia haver cirurgia.

Dia 17 de maio era o dia do retorno antes da cirurgia, marcado desde o dia 3 de maio. Só fui ao médico novamente por insistência da Hellen. Gastei cerca de 1 hora e meia para chegar ao consultório do médico para ouvir pessoalmente o que já estava ouvindo desde o dia 14. Perguntei a ele, quando devo voltar aqui? Respondeu o médico que aguardava que o RH da empresa onde eu trabalhava encontrasse um outro hospital onde ele pudesse fazer a cirurgia.

Na segunda feira, dia 20 de maio, quando eu deveria fazer a cirurgia, ao invés de estar no Hospital Santa Rita, passando pelo procedimento cirúrgico, estava no Pronto Socorro do Cardoso, em Itapevi, pois mal conseguia respirar direito. Segundo a médica que me atendeu, Dra Yara, estava com um começo de pneumonia. Ela receitou 6 medicações diferentes, fora duas inalações ao dia. Eu disse a ela que antibiótico destruiria o meu estômago e acabaria por voltar ao Pronto Socorro com fortes dores no estômago. Ela disse que aguentasse pois era só por uns dias.

No dia seguinte voltei, o médico que me atendeu disse que não existe começo de pneumonia, ou era ou não era, etc. Passou um antibiótico mais forte ainda e deu atestado até o domingo dia 26 de maio.

Aproveitando os dias de atestado marquei 6 consultas com diferentes Cirurgiões Gerais. Acabei não comparecendo em todas por não me sentir fisicamente em condições de ir. Estava com dores no estômago o tempo todo. Tanto que no sábado dia 25 de maio a dor tornou-se tão violenta que fui novamente ao Pronto Socorro, desta vez o Central de Itapevi. Os médicos que se encontravam na urgência não se conformavam de eu não ter feito ainda a cirurgia. Olharam os meus exames, criticaram a demora em fazer a cirurgia. Um deles chegou a sugerir que eu fosse a um Pronto Socorro na cidade de São Paulo que eu seria operada de emergência. Cheguei a dizer a ele, se moro em Itapevi e trabalho em Barueri como chego em São Paulo gritando de dor pra ir a um Pronto Socorro? Chegar em um de Itapevi já é difícil.

Na segunda feira dia 27 de maio tentei trabalhar. Não conseguia respirar direito. Voltei ao Pronto Socorro para tomar inalação. Eram 14 inalações duas vezes ao dia. No dia 28 de maio me senti muito mal, o estomago doía terrivelmente. Fui ao Hospital Cruzeiro do Sul em Itapevi, buscando atendimento tanto para a dor no estomago como para a pneumonia. Fui medicada pelo estômago, recebendo o coquetel de sempre de buscopan composto, omeprazol e soro. Às vezes os médicos variam e ao invés de omeprazol colocam ranitidina. Uns acrescentam plasil, outros hidróxido de alumínio, outros acrescentam tramal. Segundo o Dr. Ruben eu já não tinha pneumonia e estava apta para trabalhar. Não fui trabalhar, pois depois da medicação, invariavelmente me sinto muito tonta.

No dia 29 de maio tinha uma consulta com o Dr. Giulliano, no IPC. Mostrei os exames que se acumulavam na minha pasta, expliquei a minha situação. Ele então agendou uma cirurgia para o dia 25 de junho de 2013. Fui trabalhar, com dificuldades para falar mas fui.

No dia seguinte, 30 de maio, foi feriado, e no dia 31 de maio fui trabalhar e senti muita dificuldade para falar. Aguentei até o ponto que tive falta de ar e precisei parar de falar. Fui da empresa para o Pronto Socorro de Barueri. A fila era imensa e provavelmente eu só sairia de lá de madrugada. Então decidi seguir para o Pronto Socorro do Cardoso perto de casa. Fiz mais uma inalação.

No dia 03 de junho quando cheguei para trabalhar a voz não saía. A coordenadora Isabel, a supervisora Marluci e Hellen entraram em conferência. Depois acabei por receber o recado da Hellen de que por favor aparecesse para trabalhar no dia seguinte.

No dia seguinte 04 de junho, tinha uma consulta com o Dr. Dario. Ao invés de marcar uma data para a cirurgia, pediu exames, uma ultrassonografia e uma endoscopia digestiva alta com imagens. Pedi se poderia fazer a gentileza de me dar atestado, pois continuava sem voz. Ele me deu três dias de atestado por rouquidão. Comentou que isso poderia ser resultante da piora do refluxo.

O atestado era até quinta feira, mas na sexta feira, dia 07 de junho, novamente fui parar ao Pronto Socorro Central com dores absurdas no estômago. Enquanto eu estava no soro o telefone tocou. Era a supervisora Marluci procurando saber por que não apareci para trabalhar. Meu marido atendeu e explicou a situação. Eu ainda estava sem voz, não tinha como falar.

No dia 8 de junho fui trabalhar, com dificuldade para falar, mas fui.

No dia 10 de junho, antes de chegar ao trabalho já sabia que seria mandada embora. Não fiquei meia hora atendendo e a Supervisora Marluci foi me dar a notícia. Suas palavras foram: Você não está a 100 por cento, por isso está sendo desligada da empresa, vá cuidar da sua saúde.

Uma semana antes da cirurgia, no dia 18 de junho, entrei em contato com o IPC para saber sobre a cirurgia. Informaram que somente um dia antes eu seria avisada se teria ou não cirurgia. Dia 24 de junho esperei por uma ligação até às 3 horas da tarde. Como não recebi nenhuma tentei contato com o IPC. Mas era feriado em Barueri e ninguém estava lá para atender. Entrei em contato com o plano de saúde e me informaram não haver pedido algum de cirurgia, somente um pedido de 10 de maio, no hospital Santa Rita, a cirurgia da tela que levou hospital e médico a entrarem em conflito e não haver cirurgia.

25 de junho, ao invés de ir ao Hospital Bandeirantes fazer uma cirurgia, fui até o IPC saber por que eu não estava fazendo uma cirurgia naquele momento. Ainda espero a resposta. O plano de saúde, segundo o próprio Carlos da Fidelity, eu só poderia usar até dia 30 de junho.

Continuando a novela que comecei a escrever um ano atrás, acabei por terminar o dia 25 de junho de 2013, mais uma vez, no pronto socorro. Nesse dia cheguei a dizer ao marido: eu não aguento mais. Eu não aguento mais. Naquela altura eu já preferia morrer do que ficar naquela situação por sei lá quanto tempo mais.

Mas no dia 4 de julho recebo um telefonema me informando que no dia seguinte, 5 de julho de 2013, enfim, faria a cirurgia pela qual tanto esperei. No dia seguinte estava chegando ao Hospital Bandeirantes, na Liberdade, de madrugada. Dei entrada, tomei o banho pré-cirurgia e após uma curta espera (para mim) me buscaram para a cirurgia. Lembro do anestesista nervoso, do Dr Giuliano sempre sorridente, de mais 3 pessoas… e apagar. Antes de ser levada para o quarto onde fiquei os dias que passei internada, eu acordei com muita dor, grogue e gritando de dor. Uma pessoa disse pra mim: Dona Luciete há outros pacientes aqui, eles precisam de descanso – como coisa que eu gritava porque queria. Eu disse a ela: eu sei moça, mas eu tenho dor, eu tenho muita dor. Lá foi mais uma dose de tramal. Quando enfim acordei de verdade, a primeira coisa que disse foi: meu marido… meu marido. Não demorou muito estava lá o marido. A primeira coisa que disse a ele foi: eu to viva. E chorava, chorava tanto.

Assim que um médico foi me visitar, fui informada que TODO o meu estômago estava fora do lugar. Todo. Era impossível eu não sentir dor.

Alguns dias depois voltava para casa com uma dieta específica. Durante mais de um mês minhas comidas foram líquidas, pastosas e semi-pastosas, até que voltei a me alimentar como há anos não fazia. A primeira vez que comi feijão depois da cirurgia, e não fui parar ao Pronto Socorro com dores, eu chorei. Eu dizia que nem lembrava mais que gosto tinha o feijão. E não lembrava mesmo, nem do gosto do feijão, nem do leite, nem do doce-de-leite, nem de tantas coisas. Antes da cirurgia, passava dias que só conseguia comer barrinhas de cereais ou tomar água de coco. Não como uma barra de cereal há um ano. Não bebi mais água de coco. Engordei uns 20 kgs em um ano. Cheguei a pesar menos de 50 kgs. Voltei a dar aulas, algo que seria impossível há um ano, já que mal conseguia ficar de pé, sempre com fome, sempre fraca.

 Ontem, 5 de julho de 2014, no dia que fez um ano da cirurgia, passei 6 horas no Pronto-Socorro onde pode-se dizer que eu praticamente residia. Minha mãe não estava bem, e fiquei acompanhando. Vi várias das pessoas que me atenderam, algumas de maneira animalesca, outras que tiveram momentos de gentileza comigo. Acho que não tem uma auxiliar de enfermagem ali naquele Pronto Socorro que não tenha tentado pegar minhas veias para meter o maldito soro com omeprazol ou ranitidina. Gostaria de esquecer de todas as caras, de todas as horas que passei naquele e em outros Prontos-Socorros. Mas é impossível não recordar das várias vezes em que fui tratada feito um lixo, com médicos e demais funcionários se recusando a me atender enquanto eu gritava desesperada de dor, das várias outras “doenças” que inventaram como bolos fecais, gases, alteração no fígado e até problemas psiquiátricos, ao invés de simplesmente tratarem do problema real que eu repetia qual era desesperada as vezes. Fui atendida por médico alcoolizado, fui dopada pra não dar trabalho quando me recusava a sentar (sendo que sentar era mortal, pois contrair o estomago era de causar dores alucinantes)! Não quero lembrar, e por um ano fiz questão de não lembrar. Mas também não posso esquecer. Seria tão mais simples se cada um fizesse o seu trabalho corretamente e ao menos se dessem ao difícil trabalho de ouvir um paciente. Mas isso não aconteceu na maioria das vezes.

Não desejo a ninguém o que passei.

Ah, detalhe: hérnias voltam.