Onze Horas (Portulaca grandiflora)

portulaca00Onze Horas (Portulaca grandiflora) é uma das plantinhas do meu jardim das quais mais gosto. Estão em uma floreira pendurada na varanda, com tantas flores que nem consigo contar! São minhas queridas, por não darem trabalho, por darem muitas flores e por lembrarem do Brasil, com seu colorido e um “cheirinho” de infância. Em alguns lugares, diz o costume, que dar Onze Horas para alguém é como uma confissão de amor. Maria, só para que fique claro, eu não te amo.

Esta plantinha delicada é originária da América do Sul, ocorrendo no Brasil, Argentina e Uruguai. É natural de zonas de clima temperado, com muita luminosidade e solos bem drenados. Também pode ser encontrada no sul da Ásia, sendo conhecida em Bangladesh como Time Fool (tempo bobo) por sua floração ocorrer próximo ao meio-dia. No Brasil, com a aproximação das 11 horas, elas começam a abrir-se plenamente. Já aqui em Portugal este momento de plena abertura não coincide com a hora, ocorrendo mais cedo. Mas tanto no Brasil como aqui em Portugal, na falta de sol elas simplesmente não abrem. portulaca2Dizendo de uma forma simples, as Onze Horas são um tipo de planta que dependem de longos dias de sol para terem não apenas uma boa floração como para produzirem um bom número de sementes. Também são conhecidas como Portulaca em Portugal, Flor de Seda, Portulaca, Verdolaga de flor, em espanhol ou Moss rose em inglês.

É uma planta suculenta de ciclo anual, algo raro entre as suculentas, que costumam ser perenes. Por esta razão, todo ano deve ser replantada, já que com a aproximação dos meses mais frios costuma morrer, ou simplesmente terminar seu ciclo de vida. Mas levanto aqui uma questão esperando que uma alma caridosa que venha a ler este post possa dar a resposta. Vivi em São Paulo e agora vivo em Lisboa. Tanto no local no Brasil onde vivi como aqui, temos algo que pode ser chamado de inverno. No entanto, tenho a curiosidade de saber (e não encontrei na internet para saber) se em lugares onde não há algo que possa ser chamado de inverno (frio) estas plantas teriam um ciclo de vida anual ou se perdurariam por mais algum tempo. Tenho esta dúvida pois, na floreira onde tinha algumas centenas de pezinhos de Onze Horas, sobraram três do ano passado, que continuam dando lindas flores amarelas. Penso que seja pelo fato de não termos tido um inverno muito rigoroso este ano. Deixo minha questão e continuemos com aquilo que já sei.

portulaca01As Onze Horas são excelentes para bordaduras, maciços e vasos suspensos ou isolados. É perfeita para jardins de pedra, dando um belo colorido a eles, além de ser adequada para plantio em espaços bem restritos, preenchendo vãos entre pedras por exemplo. Pode servir de forração, mas não em locais onde possam ser pisadas pois não resistem às pisadelas.

As Onze Horas reproduzidas por sementes começam a brotar logo que a Primavera aproxima-se, em raminhos retos, formados por diversas folhas cilíndricas que chegam a 2 cm de comprimento, grossas e suculentas, dispostas alternadamente em pequenos grupos. Estes raminhos podem ser esbranquiçados ou avermelhados, que chegam a 30 cm de altura. Conforme a plantinha vai crescendo, surgem ramos secundários a partir deste inicial. No extremo dos ramos começam a formar-se os botões.

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Um exemplo de Onze Horas mesclada.

As flores abrem por apenas um dia, não mais, mas a quantidade de flores (dependendo do número de plantinhas no vaso) faz com que esteja sempre florida. As flores podem ser simples ou dobradas, tendo uma grande variedade de cores: branco, tons de rosa, tons de amarelo, tons de laranja, vermelho, púrpura, etc. Uma mesma plantinha pode dar flores de diferentes cores, fora que algumas são mescladas. As Onze Horas originais são as simples, com 5 pétalas, sendo as dobradas resultantes de cruzamentos realizados pelo homem. Então temos as simples, com as 5 pétalas como foi dito, as dobradas das quais ainda pode-se ver o miolo, e outras mais dobradas ainda, cujo miolo fica invisível no meio de tantas pétalas. As flores podem chegar a ter 3 cm de diâmetro. Começam a aparecer em plena Primavera e perduram por todo o Verão, atraindo abelhas, que são responsáveis por sua polinização.

Devem ser cultivadas em sol pleno, já que a ausência de sol inibe a floração, o solo deve ser fértil e bem drenado, sendo enriquecido com matéria orgânica. Ela tolera solos pouco férteis, mas floresce menos. Para o plantio em vasos deve-se misturar 1 parte de terra comum, 1 parte de terra vegetal e 2 partes de areia. Nunca utilize areia de praia devido à salinidade. Deve ser regada regularmente, sem encharcar, e com cuidado para não molhar flores e botões que podem danificar-se facilmente. Suporta secas, como toda planta suculenta, já que em suas folhas tem reservas de água. Nos meses mais quentes exigem regas mais regulares, e no Outono a rega pode começar a ser mais espassada, e dependendo da umidade do ar, suspensa. O excesso de água pode apodrecer a planta, então, mesmo nos meses mais secos, nunca se deve enxarcar a terra durante as regas.

Sementes de Onze Horas

Sementes de Onze Horas. Só parecem grandes nesta foto, mas são minúsculas em realidade.

Sua reprodução pode ser através de sementes ou mudas. As sementes devem ser semeadas conforme a Primavera aproxima-se ou mesmo na Primavera. Levam poucos dias para germinar. Muito cuidado com as sementes, pois como são de tamanho reduzido podem se espalhar com grande facilidade, nascendo em locais indesejados, levadas pelo vento. No caso da reprodução com sementes, não se deve enterrá-las muito fundo, deixando apenas uma fina camada de terra sobre elas, com o único intuito de que não se espalhem aleatoriamente.

Já a reprodução por mudas, deve-se fazer uma mistura como foi citado acima para o plantio de sementes em vasos. Mistura-se as diferentes terras, molha-se a terra para facilitar o plantio, e coloca-se as mudinhas de forma a que fiquem firmes, sem apertar para não danificá-las. Não se deve deixar estas mudas em local onde possam ser atingidas por correntes de ar ou sol muito forte, ao menos até que se acostumem ao novo vaso. Assim que as mudinhas estejam adaptadas, passarão por uma fase de desenvolvimento no qual não é necessário muito sol. Cuidado com as regas para que não apodreçam. Se as folhas começarem a amarelar e cair há excesso de água. Se as folhas estiverem “magrinhas”, mais finas do que o normal, é porque precisam de mais água.

Onze Horas simples.

Onze Horas simples. Nesta mesma foto, abaixo à direita, pode-se ver os frutos já secos, onde ficam as minúsculas sementes.

Caso não tenha interesse na produção das sementes, retire as flores murchas, pois além de melhorar a saúde da planta, melhora seu aspecto. Agora, se tiver interesse na produção de sementes, é adequado não mexer nas flores mesmo que já estejam secas, pois ao arrancar a flor seca pode-se arrancar o fruto que se forma abaixo dela e perder as sementes.

Em relação à adubação, procure usar adubos com um bom intervalo de tempo, de 15 em 15 dias por exemplo, já que as plantas toleram solos pobres. Dependendo do tipo de solo e das condições gerais nas quais a planta esteja, a adubação pode ser em um menor período de tempo, ou mais amplo ainda do que o sugerido. Dê preferência a adubos orgânicos. No Outono e Inverno a adubação pode ser suspensa, visto que neste período a planta está em repouso, não produzindo mais flores.

Mas nem tudo são flores, e as Onze Horas podem ser atacadas por pragas como pulgões e cochinilhas. Estas últimas fixam-se sobre o caule de seus ramos, sugando sua seiva, sendo difícil notar a presença destes seres já que adquirem a coloração do caule.

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Caso tenha interesse em reproduzir Onze Horas por mudas, visite o link abaixo e veja um passo-a-passo com fotos de como fazer este tipo de reprodução. Além de explicar detalhadamente como reproduzir por mudas, também dá sugestões de onde e com o que plantar Onze Horas. Vale a pena conferir.

Preparo de vasos para o plantio / Como plantar onze horas, por Thiago de Mello.

Para mais informações sobre as Onze Horas visite os sites abaixo:

Infojardin

Jardim de Flores

Jardineironet

Este último link vale pelas belas fotos.

Flora Suculenta

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Queijadas de Vila Franca do Campo

Hoje a queijada é de uma vila portuguesa chamada Vila Franca do Campo, que fica na Ilha de São Miguel, nos Açores. Esta localidade foi a primeira capital desta ilha, depois da chegada dos portugueses aos Açores. Tem um considerável patrimônio arqueológico datado principalmente do século XVI, fora as belas paisagens.

Mas tem também uma queijada muito peculiar, que começou a ser fabricada pela confeitaria do Convento de Santo André, que foi erguido no século XVI praticamente no centro desta localidade. Hoje em dia, não é mais fabricada pela confeitaria do Convento, mas por duas famílias que guardam a receita original em segredo absoluto. Diga-se de passagem aqui em Portugal tem muito disto: doces que tem uma receita ou um ingrediente secreto. Tenho minhas dúvidas se são secretas estas receitas ou se é só para dar um charme ao doce.

Porém, caçando pela net, achamos uma possível receita destas Queijadas de Vila Franca do Campo, que também são chamadas de Queijadas da Vila. Se é a receita original que foi surrupiada por alguém não sei, mas fica aqui pela curiosidade de uma queijadinha tão diferente das nossas brasileiras. Mas já avisamos, esta é trabalhosa.

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QUEIJADAS DE VILA FRANCA DO CAMPO

(adaptada de Doces Regionais)

Ingredientes:

000080hbMassa:
1 e 1/2 xícara (chá) de farinha de trigo
1 ovo inteiro
1/2 colher (sopa) de banha de porco
1 colher (sopa) de manteiga
1 colher (sobremesa) de açúcar
1 pitada de sal
água morna o suficiente
Recheio:
2 litros de leite
8 gotas de coalho líquido (ou como indicar a embalagem)
6 gemas
1 clara
1 e 1/2 xícara (chá) de açúcar
1 colher (chá) de manteiga
1 colher (sopa) de farinha
Ingrediente extra:
açúcar de confeiteiro para polvilhar as queijadas

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Modo de Preparo:

Recheio:

O recheio deve começar a ser feito na véspera. Amorne o leite e junte o coalho nas proporções indicadas na embalagem. Cubra e deixe a mistura descansar. Com o auxílio de um pano, retire a massa e esprema para sair o soro. Faça isto até obter uma massa seca.

Passe esta massa para uma tigela e amasse até ficar bem fina. Junte as gemas, a clara, o açúcar, a manteiga e a farinha. Quando a mistura estiver homogênea, leve ao fogo até que ferva, no fogo baixo. Tire do fogo, deixe esfriar um pouco e passe em uam peneira fina. Guarde na geladeira.

Massa:

Misture todos os ingredientes, acrescentando um pouco de água morna até que fique em um ponto que possa ser esticada. Cubra com um pano e deixe descansar por uma meia hora. Enfarinhe uma superfície lisa e estenda a massa com um rolo. Após aberta a massa, corte círculos de cerca de 12 cm de diâmetro. Deixe estes círculos sobre a mesa por alguns minutos, descobertos. Unte forminhas de empadinha e reserve. Coloque um pouco do recheio no centro de cada círculo, puxando as beiradas do círculo da massa formando uma trouxinha. Coloque estas trouxinhas nas forminhas e leve ao forno pré-aquecido, em temperatura média, até que fiquem morenas. Deixe esfriar e desenforme. Disponha as queijadas em uma travessa e polvilhe-as com muito açúcar de confeiteiro. Após polvilhadas coloque-as em forminhas de papel.

AlphaBounce e Hammerfest (Jogos em flash online)

Pela terceira semana falamos dos joguinhos em flash online da Motion-twin. Hoje falaremos do AlphaBounce e do Hammerfest.

alphabounce1O AlphaBounce é aquele joguinho tradicional que você fica com a bolinha pulando na tela e ela acerta uns bloquinhos lá em cima e, quando acabarem, começa um outro nível do jogo. Mas não é tão simples assim! No AlphaBounce esta emocionante dinâmica de jogo foi ampliada. Agora estamos no espaço, no ano 16536. As prisões do Império Intergalático estão repletas de prisioneiros que devem trabalhar para a própria prisão. O trabalho menos nobre de todos é o de mineiro galático. E é justamente este trabalho tão desvalorizado e perigoso que você fará durante o jogo. É aí que entra a bolinha pulando na tela até que todos os blocos sejam destruídos: é o tal serviço do mineiro. Ao longo do jogo você terá missões para cumprir que aparecem nas instruções ao lado direito da tela enquanto a maldita bolinha pula em uma telinha do lado esquerdo. Todos os dias estão disponíveis apenas três partidas para este árduo trabalho.

hammerfest1Hammerfest é um tradicional jogo de plataforma, onde você tem que percorrer vários corredores ao longo de um imenso labirinto, destruindo terríveis inimigos (frutinhas malignas malvadamente encantadas por um ser do mal) que tentam destruir você: um boneco de neve chamado Igor. É isso mesmo que você acabou de ler! Então, incorpore o Igor e comece a percorrer as Cavernas de Hammerfest encontrando objetos mágicos que lhe permitirão desempenhar sua árdua tarefa de vencer os obstáculos. Alguns objetos são missões, ou seja, ao encontrar um conjunto de objetos você cumpre uma missão no jogo e ganha vida extra, poderes extras e assim, sobe na pontuação – que é representada por uma sugestiva pirâmide quase intransponível. Para começar a viciar, à princípio, estão disponíveis 5 jogos. Depois, cada dia, é disponibilizado um jogo para que você continue levando Igor rumo à vitória!

Todos estes joguinhos, e os demais da Motion-Twin, têm a possibilidade de comprar partidas extras, mediante pagamento em dinheiro. É de graça mas se quiser mais tem que pagar.

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Acesse os jogos:

AlphaBounce (inglês) (espanhol) (francês)

Hammerfest (inglês) (espanhol) ( francês)

Site da empresa: Motion-Twin (inglês) (espanhol) (francês) (japonês)

Panquecas do Feio

Já faz muito tempo que era para ter deixado esta receita aqui. As famosas Panquecas do Feio só tem Feio no nome, já que nem perto da cozinha ele chega para fazê-las, nem mesmo ajuda a fazê-las. Mas diz o dito cujo que é o que eu faço de melhor. Mas sabe como é, isto é uma questão de gosto!

Sem mas delongas vamos à receita.

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PANQUECAS DO FEIO

Ingredientes:

panquecas00Massa:

12 colheres (sopa) de farinha de trigo
2 xícaras (chá) de leite
2 ovos
sal à gosto
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Molho de Tomate:

1 lata de polpa de tomate
1 cebola média picada em cubos
1 pimentão vermelho cortado em cubos
1 pimentão verde cortado em cubos
azeite à gosto
100 g de bacon em cubos
1 colher (sopa) de leite ou 1 colher (sopa) de açúcar
sal à gosto
manjericão à gosto
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Molho Branco:

4 colheres (sopa) de farinha de trigo
4 colheres (sopa) de margarina ou manteiga
leite o suficiente
sal à gosto
pimenta-do-reino branca à gosto
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Recheio:

300 g de queijo mussarela fatiado
300 g de presunto fatiado
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Outros ingredientes:

100 g de queijo mussarela ralado

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Modo de Preparo:

Massa:

Misture todos os ingredientes no liquidificador e bata até que a mistura esteja homogênea. Em uma panquequeira ou frigideira baixa, frite porções da massa em muito pouco óleo, só umas gotinhas. Não é necessário colocar óleo na frigideira a cada panqueca que for fritar. As panquecas devem ficar o mais finas possível. Reserve.

Molho de Tomate:

Em uma panela, coloque o bacon picado, deixe dourar um pouco e junte um fio de azeite e a cebola. Assim que a cebola estiver transparente, junte os pimentões picados, mexendo sem parar até que fiquem moles. Coloque a polpa de tomate, e o leite ou açúcar. O leite ou o açúcar servem para tirar a acidez do tomate, dando ao molho um sabor mais suave. Tempere com sal e manjericão à gosto. Reserve.

Molho Branco:

Em uma panela derreta a manteiga. Junte a farinha aos poucos, mexendo sem parar até que incorpore toda a manteiga à farinha. Junte leite aos poucos, até que adquira uma consistência cremosa. Desligue e tempere com sal e pimenta. Reserve.

Montagem:

Em uma travessa que possa ir ao forno espalhe uma fina camada de molho de tomate. Pegue as panquecas reservadas e coloque sobre cada uma, uma fatia de queijo e uma fatia de presunto, acrescentando uma colherzinha rasa de molho de tomate só para dar uma molhadinha. Enrole e coloque na travessa. Assim que completar a travessa com panquecas, cubra com molho de tomate. Caso o tamanho da travessa dê duas camadas de panquecas enroladas, repita o processo, sempre colocando molho de tomate sobre as panquecas. Por cima coloque o molho branco, apenas o suficiente para formar uma camada fina na superfície. Por cima de tudo coloque o queijo ralado. Leve ao forno até que o queijo derreta e doure. Sirva a seguir.

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Como é trabalhoso fazer o monte de panquecas que tenho que fazer para suprir o desejo desenfreado de panquecas de meu companheiro, costumo fazer como prato único. Caso queira fazer uma quantidade menor de panquecas, pode servi-las como acompanhamento de carnes, com batatas cozidas ou arroz branco, nunca acompanhando outras massas ou comidas com molho, a não ser que as faça sem molho.

Naturalmente, para dar menos trabalho, pode ficar à vontade de fazer estas panquecas com molho de tomate e molho branco comprados prontos. Já fiz isto muitas vezes.

A quantidade de queijo e presunto fatiados pode variar, depende da grossura das fatias, e de seu gosto claro.

Papa-Figo

papafigoA personagem de hoje é o Papa-Figo, uma figura lendária do folclore brasileiro, conhecido principalmente no estado de Pernambuco. Mas ele nada tem a ver com a fruta chamada figo. Na verdade o figo do nome deste ser é uma corruptela de fígado. Vovó nunca teve problemas no fígado, sempre foi no figo, pois era assim que chamava este órgão.

Dizem que o Papa-Figo tinha orelhas de morcego, unhas de gavião e dentes de vampiro. Andava com roupas esfarrapadas e sujo. Há outras versões que dizem que o Papa-Figo parecia uma pessoa normal, nada tendo a ver com esta figura monstruosa descrita há pouco. Porém, mesmo normal, era de aparência modesta, apresentando-se como um mendigo simpático com um saco nas costas, que atraía crianças solitárias com doces, dinheiro, brinquedos ou comida.

Matava criancinhas mentirosas para chupar o seu sangue e comer o seu fígado. Dava preferência para meninos desobedientes, chorões, e principalmente os gordinhos. Mas apesar de seletivo comia o fígado de qualquer criancinha que tivesse à mão.

É que o Papa-Figo acreditava que beber o sangue e comer o fígado destas criancinhas era o único remédio para uma doença que o afligia: a lepra. Uns justificam que seu aspecto horrendo seria devido a esta doença. A lepra, ou Mal de Hansen, matou um considerável número de pessoas em princípios do século XX, época provável da origem das lendas que envolvem este personagem. Há mesmo relatos que dizem que pessoas com o Mal de Chagas eram confundidas com um Papa-Figo, pois a doença provocava inchaço em algumas partes do corpo, como o fígado. De fato o Ministério da Saúde teve que monitorar em princípios do século XX a população para evitar o contágio e garantir que as pessoas adotavam as medidas necessárias para evitar a propagação do inseto. Os responsáveis por esta fiscalização dirigiam-se às povoações em um carro preto, e quando era encontrada uma vítima da doença, fazia-se o exame do fígado do falecido através de uma punção. As vítimas, predominantemente eram crianças. Junte-se a isto o fato das pessoas não saberem direito o que estava acontecendo pois, com certeza, não recebiam uma explicação. Pronto. Já temos o suficiente para o surgimento de uma lenda. E assim, uma pessoa dentro de um carro preto, estranha, que aparecesse em uma localidade, estava atrás de comer fígado de criancinhas. Era um Papa-Figo!

Mas há outras versões que explicam o surgimento deste ser monstruoso. Outra versão para o surgimento deste personagem seria uma forma das mães despertarem o medo em seus filhos de pessoas estranhas próximo à casa, na tentativa de evitar o contato de crianças inocentes com pessoas que talvez não tivessem boas intenções ao se aproximarem delas. Uma outra forma do Papa-Figo ser usado pelas mães para assustar as crianças era dizê-las, quando não queriam comer, que se não se alimentassem ficariam pálidas como um Papa-Figo. Aliás, outra possibilidade para a origem do Papa-Figo seja a anemia. Pessoas anêmicas são pálidas, e nos tempos de antigamente, remédio para anemia era alimentação, ferro e fígado de boi. De fígado de boi para fígado de criancinha é um passo, quando se tem alguma imaginação.

Dizem em outra versão ainda que o Papa-Figo seria uma pessoa que era rica, educada e respeitada, porém, foi vítima de uma terrível maldição, que o condenou a esta triste sina. Esta versão era bem conhecida dos moradores de Recife. Dizem que havia um palacete localizado em um sítio que, atualmente, ocupa a área de um parque da cidade. Neste palacete residia uma família muito rica. Ao que parece a família foi alvo da curiosidade da vizinhança, que transformou-a em Papa-Figos, pois levou ao surgimento da lenda de que comeriam fígado de criancinhas. Na realidade, consta que uma família abastada viu seu patriarca definhar de uma terrível doença no século passado, mas na versão popular a história ganhou outros contornos. E este senhor acabou em certo momento – na versão popular – sendo aconselhado a comer fígado de criancinha para se curar.Verdade? Mentira? Quem sabe?

papafigo00Há versões de que o Papa-Figo na verdade não era o atacante, mas sim o mandante. Teria ajudantes que raptariam as criancinhas por ele, preferindo não aparecer em público. Estes ajudantes poderiam ser quaisquer pessoas normais, agindo em parques, jardins, portas de escolas ou vias públicas.

Ao que parece, na maioria das versões, o Papa-Figo não gosta do que faz, já que costuma deixar para a família do pequeno do qual comeu o fígado uma gorda quantia em dinheiro que guarda na barriga da vítima. Seria uma forma de compensação pela perda sofrida, e talvez de custear seu enterro.

Em meados do século XX, a crescente urbanização, e novos meios de comunicação como o rádio e a televisão, foram transformando e ocupando a vida das pessoas, e acabando por mudar o imaginário do povo, e a lenda do Papa-Figo vai perdendo força. Mas até hoje, pode-se encontrar alguém, em algum recanto rural, que ainda recorda este terrível ser.

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Fontes:

Jangada Brasil

JC OnLine

Lendas e Mitos

Pingos de Sabedoria

Vale dos Figos

O Auto da Compadecida

O Auto da Compadecida é uma micro-série da Globo baseada em uma peça de teatro de Ariano Suassuna, intitulada Auto da Compadecida. Mas antes de falarmos da série vamos falar deste senhor chamado Ariano Suassuna.

Ariano Suassuna

Ariano Suassuna

Ariano nasceu em João Pessoa, quando esta cidade chamava-se Parahyba, em 1927. Viveu seus primeiros anos em um sítio no sertão do estado da Paraíba. Quando tinha apenas 3 anos, seu pai foi assassinado na então capital da república, por motivos políticos. Por esta razão, sua família teve que mudar-se constantemente, fugindo de possíveis represálias de grupos políticos opositores ao do falecido pai. Em 1942 passou a residir em Recife, Pernambuco, onde sua família fixou-se definitivamente. Estudou em colégios renomados, concluindo a faculdade de Direito em 1950, na Faculdade de Direito do Recife. Depois, em 1964, concluiu também o curso de Filosofia. Sua primeira obra publicada foi um poema intitulado Noturno, em 1945, publicado no Jornal do Comércio, no Recife. Sua primeira peça foi Uma Mulher Vestida de Sol, de 1947. Depois desta vieram muitas outras, incluindo Auto da Compadecida, de 1955, que deu-lhe fama nacional. Mas apesar de boa parte de sua produção serem peças teatrais, também publicou romances e poemas. Entre seus romances, o mais conhecido é O Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, de 1971.

Apesar de escrever constantemente, não viveu apenas do que escrevia, exercendo a advocacia por um certo tempo, afastando-se em 1956, quando tornou-se professor de Estética, na Universidade Federal de Pernambuco. É justamente como professor desta universidade que acaba por aposentar-se em 1994. Antes, porém, continua dedicando-se ao teatro, e nos anos 1970 escreve romances, e ao mesmo tempo, defende sua tese de livre-docência, cujo título é A Onça Castanha e a Ilha Brasil: uma reflexão sobre a cultura brasileira.

Ariano Suassuna é o idealizador do Movimento Armorial, cujo objetivo é criar arte erudita a partir da cultura popular nordestina. Este movimento engloba todas as formas de expressões artísticas como música, dança, literatura, teatro, cinema, etc (para saber mais veja no final do post). Em 1990, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras,ocupando a cadeira 32.

A Compadecida e Jesus Cristo (foto de Nelson Di Rago)

A Compadecida e Jesus Cristo (foto de Nelson Di Rago)

Voltando ao Auto da Compadecida, sua obra mais conhecida, esta peça foi montada por grupos teatrais de todo o país, incontáveis vezes, sendo também adaptada para a televisão e o cinema. Antes da micro-série da qual falamos hoje, o Auto da Compadecida já tinha virado filme estrelado por Regina Duarte (no papel da Compadecida), em 1969, com o título de A Compadecida. Renato Aragão, o maior humorista nordestino de todos os tempos, também transformou o Auto da Compadecida em filme, com a produção Os Trapalhões no Auto da Compadecida, em 1987, um dos raros filmes dos Trapalhões que chegou a ser comercializado no estrangeiro. E em 1999 surge a micro-série O Auto da Compadecida, transformada em filme no ano seguinte.

A micro-série de 4 capítulos, com uma duração total de 2 horas (o filme conta apenas com 104 minutos e tem algumas das melhores partes da série cortadas), não é fiel à obra de Suassuna, tendo sido uma adaptação feita a partir da peça teatral Auto da Compadecida, mas com pequenas histórias mescladas de outras peças de Suassuna. Foi a micro-série de maior sucesso da Rede Globo até os dias atuais. Como foi baseada no texto de Suassuna, tem em sua versão televisiva elementos que podem identificar a obra e estilo de Suassuna. Autos eram obras medievais de cunho religioso, e o Auto da Compadecida tem todo um percurso que termina justamente tendo um ápice religioso. Outra característica da obra de Suassuna é que, o Auto da Compadecida tem uma narrativa, uma forma de contar a história que inspira-se na Literatura de Cordel, seja pelos termos utilizados, pelos diálogos estabelecidos, mas também, no caso da série, pelas imagens que acompanham a história narrada. Outra característica definidora é o enfoque a um tema regional (nordestino), sendo apresentado com toda uma narrativa e visual alusivos à cultura regional.

João Grilo e Chicó (com a cruz na mão).

João Grilo e Chicó (com a cruz na mão).

A série conta a história de João Grilo e seu amigo Chicó. João Grilo é o tipo esperto e simplório que faz tudo para sobreviver, enquanto Chicó só conta vantagens, inventa, e não sabe se desvencilhar das dificuldades, só com a ajuda do amigo. Encontram trabalho na padaria do lugarejo de Taperoá, tendo como patrão o avarento Eurico e sua mulher Dora, que dá mais importância à sua cachorra que ao próprio marido. No desenrolar da história, Chicó apaixona-se pela filha do major Antônio Morais, Rosinha, e precisa da ajuda do amigo João Grilo, novamente, para conseguir casar com a moça. Mas algo acontece neste meio tempo que leva ao momento da verdade, em que A Compadecida intercederá por todos, e principalmente por João Grilo. Esta parte final é onde os dramas pessoais são revelados, onde as histórias são de fato compreendidas, e entende-se o porquê da história ter o Compadecida no nome.

A adaptação foi escrita por Adriana Falcão, João Falcão e Guel Arraes, e dirigida também por Guel Arraes. Teve no elenco nomes como Matheus Nachtergaele (João Grilo), Selton Melo (Chicó), Virgínia Cavendish (Rosinha), Paulo Goulart (Major Antônio Morais), Fernanda Montenegro (a Compadecida), Maurício Gonçalves (Jesus Cristo/Manuel), Luís Melo (Diabo), Lima Duarte (Bispo), Rogério Cardoso (Padre João), Marco Nanini (Severino), Denise Fraga (Dora), Diogo Vilela (Eurico), entre outros.

Como disse mais acima, o filme tem uma duração menor que a micro-série. Mas para quem não viu a série é uma boa opção, de divertimento garantido. O problema é que, quem viu a série sente falta de momentos hilários que não podem ser vistos no filme. Independente deste pequeno grande detalhe, o filme foi um grande sucesso nos cinemas quando de seu lançamento.

Fique com um trecho desta deliciosa série (e do filme), com a história do Cavalo Bento de Chicó, uma das muitas histórias sem pé nem cabeça que ele conta ao longo da série.

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Para saber mais:

A Música Armorial – de Ana Paula Campos Lima

– um pequeno trabalho sobre a Música Armorial que nos dá uma idéia mais ampla sobre o Movimento Armorial como um todo.

Ariano Suassuna

– é o site sobre Ariano Suassuna: vida, obra e etc.

Gladiolus callianthus

acidanthera00Não conheço um nome em português para esta planta, procurei e não achei. É uma linda flor que tenho aqui no meu jardinzinho. Seu nome científico é Gladiolus callianthus, mas também é conhecida por Acidanthera bicolor.

Esta planta, como a maioria dos Gladiolus, é originária do continente africano, da Etiópia e Madagascar. Há alguns gladiolus originários também da Eurásia.

Ao plantar os bulbos do Gladiolus callianthus deve-se ter alguma paciência, pois demoram até dois anos para florir. Em plena Primavera é a época para plantar os bulbos, numa distância de 12 cm um do outro e a uma profundidade de 10 cm. Já no Outono, quando a planta entra em dormência, os bulbos podem ser recolhidos e armazenados em local seco com temperatura entre 10 e 13ºC, em local ventilado, sendo replantados na Primavera novamente.

Primeiro de tudo surgem as folhas em forma de lanças ou espadas. As flores surgem no Verão pleno ou mesmo no final do Verão. Para antecipar o florescimento, durante o Inverno, pode-se abrigar os bulbos em um vaso em local abrigado, transferindo-os para local definitivo na Primavera sem retirá-los totalmente da terra durante o transplante. As flores aparecem até meados do Outono. A planta chega a atingir uma altura entre 70 e 90 cm.

Não formam cachos de flores, como outros gladiolus, abrindo uma flor de cada vez. Possuem um perfume intenso, principalmente durante a noite. São ideais para jardins de cheiro, borbaduras, floreiras e para corte. Suas flores são predominantemente brancas, com um miolo de cor escura em um tom ferrugem.

acadanthera01Esta planta não gosta de ventos fortes, prefere sol direto mas dá-se bem em meia sombra. Fazem um belo efeito visual se plantadas junto a uma parede ensolarada. Não tolera temperaturas abaixo dos -2ºC, mas tolera geadas leves. Durante o Inverno não se deve adubá-las, e quando a temperatura é inferior a 0ºC deve-se interromper a rega. Já no restante do ano deve-se regar para manter a terra úmida, nunca enxarcada, pois exige um solo bem drenado. Exige solo bem drenado mas não precisa ser um solo de grande qualidade, tolerando bem qualquer tipo de solo, mesmo os mais pobres.

O nome científico Gladiolus vem do latim gladius. Não é o nome apenas desta planta, mas de centenas de outras que pertencem ao mesmo gênero. Os primeiros gladiolus descritos, ao que se sabe, foram descritos por Plínio o Velho, que viveu entre 23 e 79 d.C.. Este gênero de plantas, com este nome específico, provavelmente originou o nome Gladiador, assim como gládio (espada usada pelos gladiadores). As flores dos gladiolus eram símbolo de vitória, sendo dadas aos gladiadores quando venciam uma luta ou batalha. Já a palavra callianthus, que completa o nome científico deste gladíolo do qual falamos hoje, deriva do grego kalos, que significa belo, o que não é difícil de entender a razão do nome ao observar a flor e sentir seu perfume.

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Para saber mais:

Mãos à terra

Telegragh – How to grow Gladiolus callianthus

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