Paco y Veva

pacoyveva00Esta foi a primeira série espanhola que vi na vida. Sozinha, recém-chegada na Espanha, liguei a televisão e comecei a ver um povo falando um espanhol rapidíssimo e com palavras que papai não me ensinou. Curiosa, continuei assistindo – e adquirindo vocabulário do espanhol coloquial jovem. Não foi a melhor série que já vi na vida, nem diria que é uma série, digamos, assim tão boa. É divertida, sem dúvida. Também, é comédia, ao menos divertida tem que ser.

A série foi transmitida pela TVE, também conhecida pelo povão como La Primera. Foi ao ar no ano de 2004 e teve apenas duas temporadas de 9 episódios cada uma. Foi a primeira série totalmente produzida pela TVE. Teve em sua estréia a melhor audiência de uma série de televisão na Espanha, mas a concorrência e o horário acabaram por fazer com que a série perdesse audiência. Para piorar a situação, e levá-la a ser retirada do ar definitivamente, o estúdio onde era gravada sofreu um incêndio que destruiu-o quase que por completo, entre a primeira e segunda temporadas.

Paco e Veva (lê-se beba) é uma comédia-musical voltada para o público juvenil, que conta a história de um casal, Paco (Hugo Silva) e Veva (Elena Ballesteros). Eles são de classes sociais diferentes e têm, o tempo todo, que enfrentar as artimanhas de suas famílias e amigos para separá-los. Pode-se dizer que é uma, mais uma, versão moderna do clássico Romeu e Julieta. As histórias apresentadas na série eram simples, corriqueiras, entrelaçadas com musicais, que ilustravam alguns dos momentos românticos ou engraçados vividos pelos personagens.

É dificílimo encontrar qualquer informação sobre esta série pela internet. Tudo bem que ela não foi nenhuma maravilha, mas tinha lá seus momentos engraçados. Fique com duas cenas, das raras que se pode achar na internet, com momentos de tensão cômica. Não tem legenda.

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Para saber mais sobre a série veja: Paco y Veva

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Hospital Central

hospitalcentral00Há algo que acontece na televisão espanhola que é fazer versões próprias de séries de sucesso, com sotaque espanhol, considerando a realidade e mentalidade espanholas. Estas “cópias” às vezes são tão boas que ganham personalidade própria, e podem ser tão boas ou melhores que as originais. Nos princípios do cinema espanhol passou-se a mesma coisa, sendo regravados clássicos de Hollywood em uma versão espanhola. Então, como no Brasil esta faceta da Espanha é desconhecida, vamos apresentar este mês somente séries espanholas. Começamos com a nossa série favorita, Hospital Central. Advinha de que série é clone? O nome já entrega. Plantão Médico (E.R.).

Mas Hospital Central, apesar de algumas histórias em comum com a já clássica Plantão Médico, tem, como já disse, personalidade própria. Seus personagens, que a princípio são cópias espanholadas dos personagens de Plantão Médico, com o desenrolar da série e seu sucesso com o público, ganham vida própria, histórias que somente a mente de um espanhol poderia produzir, não copiar de um gringo. Na Espanha passa na TeleCinco. Em Portugal é transmitida pelo AXN. No Brasil passa? Sei não. Mas se quiser dar uma olhadela procura aí uns episódios que legenda em português existe, em português de Portugal. Hospital Central é uma série produzida por Videomedia para a TeleCinco que estreou no ano 2000. É a série a mais tempo no ar na televisão espanhola. Conta com 18 temporadas. É que a série tem duas temporadas por ano, tendo um intervalo no meio do ano, para férias.

Tudo gira em torno da vida dos personagens que trabalham no Hospital Central, um fictício hospital de Madri. As ações dividem-se entre o hospital, as saídas do pessoal do SAMU, e algumas histórias de pacientes que são previamente apresentadas antes de que parem no hospital, ou dos próprios trabalhadores em momentos fora do trabalho. Sim, mas não há tédio não. Ao longo da série os personagens tem suas histórias de amor, de tragédia, seus momentos cômicos explorados, algumas doenças comuns e outras raras são apresentadas aos telespectadores (televisão também é cultura), além de acidentes em massa que tornam o hospital um verdadeiro inferno na terra.

Dr. Hector (Roberto Drago) à esquerda, e o assistente social Carlos (Jesús Olmedo) à direita.

Dr. Hector (Roberto Drago) à esquerda, e o assistente social Carlos (Jesús Olmedo) à direita.

Na 14ª temporada, a série completou 200 episódios, indo ao ar um especial no qual participaram atores que já tinham participado da série mas saíram ao longo dela. Entre os personagens mais marcantes está Teresa (Marisol Rolandi), recepcionista e fofoqueira de plantão do Hospital, além de conselheira, mãe substituta, etc. É uma das personagens que está na série desde o primeiro capítulo. Um outro que passou pela série e foi muito popular foi Rusty (Ángel Pardo), auxiliar de enfermagem, faz tudo, piadista de plantão que acabou por sair da série. Entre os médicos um dos mais marcantes foi o Dr. Rodolfo Vilches (Jordi Rebellón), com um gênio terrível, mal humorado, antipático, mas muito profissional, que acaba saindo de cena por uns tempos por ser perseguido por um mafioso na série. Dr. Javier Sotomayor (Antonio Zabálburu) é outro que está na série desde o princípio, sendo um personagem que faz com que o telespectador permaneça em uma dúvida eterna se é bom ou mau rapaz. Em certa altura também aparece o médico argentino Héctor (Roberto Drago), muito simpático, divertido, que passa a série na busca de uma estabilidade afetiva, por algum tempo serve de saco de pancadas do Dr. Vilches, que na realidade o adora. Mas há médicas também, como a Dra. Cruz (Alicia Borrachero) que casa com Vilches, separa, chega a dirigir o Pronto Socorro do Hospital e a dada altura cheia de problemas, vai embora. A atriz Alicia Borrachero faz um personagem do filme As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian, interpretando a rainha Prunaprismia. Outra médica que se destaca é a Dra. Maca (Patricia Vico) – o nome do personagem é Macarena, mas é chamada de Maca. Ela rivaliza na ascensão profissional com Javier por toda a série, e tem um relacionamento com a enfermeira Esther (Fátima Baeza), com quem casa e tem um filho. Não se esqueçam que na Espanha o Matrimonio entre pessoas do mesmo sexo é legal desde 2005. Há inúmeros personagens encantadores ao longo da série mas se formos falar de todos este post vira um livro.

Imagens do episódio do acidente aéreo

Imagens do episódio do acidente aéreo

Como dissemos antes, são criados na série alguns acidentes em massa mostrando o hospital sobrecarregado em situações como esta. Um dos acidentes criados pela série tem uma história meio sinistra. Para a estréia da 16ª temporada foi gravado um acidente de avião em Barajas, aeroporto de Madri. Neste acidente, a maioria dos passageiros morriam, e um dos personagens centrais, o médico Javier, tinha parte do braço decepado que depois era reimplantado. Dias antes da estréia da temporada aconteceu realmente um acidente no aeroporto de Barajas muito semelhante ao que já estava gravado havia meses. As semelhanças entre os dois acidentes (o real e o da série) eram tantas que o capítulo acabou por não ir ao ar na estréia da série, indo um segundo capítulo e sendo este apresentado tempos depois (veja link no final do post).

No momento está no ar a 18ª temporada. Recomendo para quem sabe espanhol visitar o site oficial da série. Nele pode-se ver os episódios inteirinhos (somente de algumas temporadas), sem legendas claro. Aliás, fica a dica para os professores de espanhol. Bom programinha para passar um trecho em uma aula. Digo um trecho porque os episódios costumam ter entre 80 e 90 minutos de duração.

Fique com um pequeno vídeo que é um resumo do capítulo 200 da série, onde se apresenta um pouco da história que vai se desenrolar no capítulo assim como podemos ver alguns dos personagens que estão na série neste momento, como outros que já saíram.

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Site oficial: Hospital Central.

Blogs dos roteiristas da série.

Guillermo Zapata – Casiopea

Antonio Cuevas – Zeroneuronas

Notícia: No habrá accidente de avión en “Hospital Central”.

O Auto da Compadecida

O Auto da Compadecida é uma micro-série da Globo baseada em uma peça de teatro de Ariano Suassuna, intitulada Auto da Compadecida. Mas antes de falarmos da série vamos falar deste senhor chamado Ariano Suassuna.

Ariano Suassuna

Ariano Suassuna

Ariano nasceu em João Pessoa, quando esta cidade chamava-se Parahyba, em 1927. Viveu seus primeiros anos em um sítio no sertão do estado da Paraíba. Quando tinha apenas 3 anos, seu pai foi assassinado na então capital da república, por motivos políticos. Por esta razão, sua família teve que mudar-se constantemente, fugindo de possíveis represálias de grupos políticos opositores ao do falecido pai. Em 1942 passou a residir em Recife, Pernambuco, onde sua família fixou-se definitivamente. Estudou em colégios renomados, concluindo a faculdade de Direito em 1950, na Faculdade de Direito do Recife. Depois, em 1964, concluiu também o curso de Filosofia. Sua primeira obra publicada foi um poema intitulado Noturno, em 1945, publicado no Jornal do Comércio, no Recife. Sua primeira peça foi Uma Mulher Vestida de Sol, de 1947. Depois desta vieram muitas outras, incluindo Auto da Compadecida, de 1955, que deu-lhe fama nacional. Mas apesar de boa parte de sua produção serem peças teatrais, também publicou romances e poemas. Entre seus romances, o mais conhecido é O Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, de 1971.

Apesar de escrever constantemente, não viveu apenas do que escrevia, exercendo a advocacia por um certo tempo, afastando-se em 1956, quando tornou-se professor de Estética, na Universidade Federal de Pernambuco. É justamente como professor desta universidade que acaba por aposentar-se em 1994. Antes, porém, continua dedicando-se ao teatro, e nos anos 1970 escreve romances, e ao mesmo tempo, defende sua tese de livre-docência, cujo título é A Onça Castanha e a Ilha Brasil: uma reflexão sobre a cultura brasileira.

Ariano Suassuna é o idealizador do Movimento Armorial, cujo objetivo é criar arte erudita a partir da cultura popular nordestina. Este movimento engloba todas as formas de expressões artísticas como música, dança, literatura, teatro, cinema, etc (para saber mais veja no final do post). Em 1990, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras,ocupando a cadeira 32.

A Compadecida e Jesus Cristo (foto de Nelson Di Rago)

A Compadecida e Jesus Cristo (foto de Nelson Di Rago)

Voltando ao Auto da Compadecida, sua obra mais conhecida, esta peça foi montada por grupos teatrais de todo o país, incontáveis vezes, sendo também adaptada para a televisão e o cinema. Antes da micro-série da qual falamos hoje, o Auto da Compadecida já tinha virado filme estrelado por Regina Duarte (no papel da Compadecida), em 1969, com o título de A Compadecida. Renato Aragão, o maior humorista nordestino de todos os tempos, também transformou o Auto da Compadecida em filme, com a produção Os Trapalhões no Auto da Compadecida, em 1987, um dos raros filmes dos Trapalhões que chegou a ser comercializado no estrangeiro. E em 1999 surge a micro-série O Auto da Compadecida, transformada em filme no ano seguinte.

A micro-série de 4 capítulos, com uma duração total de 2 horas (o filme conta apenas com 104 minutos e tem algumas das melhores partes da série cortadas), não é fiel à obra de Suassuna, tendo sido uma adaptação feita a partir da peça teatral Auto da Compadecida, mas com pequenas histórias mescladas de outras peças de Suassuna. Foi a micro-série de maior sucesso da Rede Globo até os dias atuais. Como foi baseada no texto de Suassuna, tem em sua versão televisiva elementos que podem identificar a obra e estilo de Suassuna. Autos eram obras medievais de cunho religioso, e o Auto da Compadecida tem todo um percurso que termina justamente tendo um ápice religioso. Outra característica da obra de Suassuna é que, o Auto da Compadecida tem uma narrativa, uma forma de contar a história que inspira-se na Literatura de Cordel, seja pelos termos utilizados, pelos diálogos estabelecidos, mas também, no caso da série, pelas imagens que acompanham a história narrada. Outra característica definidora é o enfoque a um tema regional (nordestino), sendo apresentado com toda uma narrativa e visual alusivos à cultura regional.

João Grilo e Chicó (com a cruz na mão).

João Grilo e Chicó (com a cruz na mão).

A série conta a história de João Grilo e seu amigo Chicó. João Grilo é o tipo esperto e simplório que faz tudo para sobreviver, enquanto Chicó só conta vantagens, inventa, e não sabe se desvencilhar das dificuldades, só com a ajuda do amigo. Encontram trabalho na padaria do lugarejo de Taperoá, tendo como patrão o avarento Eurico e sua mulher Dora, que dá mais importância à sua cachorra que ao próprio marido. No desenrolar da história, Chicó apaixona-se pela filha do major Antônio Morais, Rosinha, e precisa da ajuda do amigo João Grilo, novamente, para conseguir casar com a moça. Mas algo acontece neste meio tempo que leva ao momento da verdade, em que A Compadecida intercederá por todos, e principalmente por João Grilo. Esta parte final é onde os dramas pessoais são revelados, onde as histórias são de fato compreendidas, e entende-se o porquê da história ter o Compadecida no nome.

A adaptação foi escrita por Adriana Falcão, João Falcão e Guel Arraes, e dirigida também por Guel Arraes. Teve no elenco nomes como Matheus Nachtergaele (João Grilo), Selton Melo (Chicó), Virgínia Cavendish (Rosinha), Paulo Goulart (Major Antônio Morais), Fernanda Montenegro (a Compadecida), Maurício Gonçalves (Jesus Cristo/Manuel), Luís Melo (Diabo), Lima Duarte (Bispo), Rogério Cardoso (Padre João), Marco Nanini (Severino), Denise Fraga (Dora), Diogo Vilela (Eurico), entre outros.

Como disse mais acima, o filme tem uma duração menor que a micro-série. Mas para quem não viu a série é uma boa opção, de divertimento garantido. O problema é que, quem viu a série sente falta de momentos hilários que não podem ser vistos no filme. Independente deste pequeno grande detalhe, o filme foi um grande sucesso nos cinemas quando de seu lançamento.

Fique com um trecho desta deliciosa série (e do filme), com a história do Cavalo Bento de Chicó, uma das muitas histórias sem pé nem cabeça que ele conta ao longo da série.

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Para saber mais:

A Música Armorial – de Ana Paula Campos Lima

– um pequeno trabalho sobre a Música Armorial que nos dá uma idéia mais ampla sobre o Movimento Armorial como um todo.

Ariano Suassuna

– é o site sobre Ariano Suassuna: vida, obra e etc.

Capitu

capitulinaHá mais de 100 anos tenta-se descobrir se Capitu traiu Bentinho ou não. E como Machado de Assis já morreu não temos como perguntar a ele.

O jeito é você ler o livro e tirar suas próprias conclusões, se é que você chegará a alguma conclusão. Como é um livro de muita idade já é de domínio público e você pode baixar da internet sem cometer crime. Aqui está o link para o livro.

Algumas informações sobre o livro e o autor são importantes para você se localizar, caso não conheça. Machado de Assis é um dos maiores nomes, se não o maior, da literatura brasileira, nasceu no Rio de Janeiro em 1839 e morreu também no Rio em 1908. Era filho de um pintor de paredes negro e uma lavadeira açoriana. Não frequentou a escola regular. Ao que consta tinha problemas de saúde como epilepsia e gagueira. Perdeu os pais ainda criança. Vivendo com a madrasta foi vender doces em uma escola, e é então que tem contato com professores e alunos, e provavelmente começa a ter alguma instrução regular. Aprendeu francês e inglês e traduziu ainda jovem um romance de Vitor Hugo para o português, Os Trabalhadores do Mar, e o poema de Edgar Allan Poe, O Corvo.

Quanto a obras próprias, a primeira de Machado de Assis foi “Ela”, quando ele tinha apenas 15 anos, e trabalhava em uma tipografia. Então não pára mais, colaborando com jornais e revistas como contista, cronista, poeta ou crítico literário. Em 1864 publica seu primeiro livro, Crisálidas, e 5 anos depois casa-se com uma portuguesa chamada Carolina Augusta Xavier de Novais, irmã do poeta Faustino Xavier de Novais, com quem viveu durante 35 anos. Em 1873 ingressa na carreira pública na qual ficará até aposentar-se como diretor do Ministério da Viação e Obras Públicas. Foi o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, e na época da fundação da academia era considerado o maior nome vivo da literatura brasileira.

Foi um contista, cronista, poeta, romancista, teatrólogo, jornalista que escreveu vários romances, centenas de contos, crônicas e poemas. Entre os seus romances encontra-se o já citado da história de Capitu. O nome do livro é Dom Casmurro, foi publicado em 1899, e é o livro da literatura brasileira traduzido para o maior número de idiomas. Dom Casmurro é um dos personagens centrais da trama, Bentinho, que além de personagem é o narrador da história. O livro conta a trajetória do amor entre Bentinho e Capitu, mas sempre dando a visão apenas de Bentinho, por esta razão, nunca sabemos o que aconteceu realmente, apenas o que Bentinho acreditava que se passava. É ambientado no Rio de Janeiro do Segundo Império, e mostra toda uma realidade social da época. Porém, independente disso, o que prende a atenção do leitor e o faz inclusive reler o livro, são as dúvidas de Bentinho sobre uma possível traição de Capitu.

bentinhoecapituEsta suposta traição, que continuamos sem saber se existiu ou não, inspirou estudos, filmes e séries. E a última obra televisiva inspirada na misteriosa e fascinante Capitu de Machado de Assis, é uma micro-série chamada Capitu. Em comemoração aos 100 anos da morte de Machado de Assis, muito se fez relembrando a vida e obra deste grande escritor. A micro-série Capitu foi uma destas realizações.

Além de nos relembrar da já velha e imortal história de Bentinho e Capitu, a micro-série tem todo um jeito de ser diferente das produções que normalmente vemos na televisão. Uma mistura de teatro, circo e musical, com uma trilha sonora peculiar, e alguns atores desconhecidos da televisão, mais uma vez é recontada a história da suposta traição. Recontada em uma adaptação, não sendo fiel ao livro, mas sendo fiel à dúvida eterna sobre a traição. A série foi dirigida por Luiz Fernando de Carvalho, contando no elenco com nomes como Eliane Giardini (Dona Glória, mãe de Bentinho), César Cadadeiro (Bentinho jovem), Pierre Baitelli (Escobar jovem e Ezequiel adulto), Letícia Persiles (Capitu jovem), Michel Melamed (Bentinho adulto), Maria Fernanda Cândido (Capitu adulta), entre outros. A série que se desenrola em apenas 5 capítulos, reconta de forma peculiar a clássica história. Foi ao ar entre 9 e 13 de dezembro de 2008.

É, em uma opinião muito pessoal, mais interessante pela forma como a história é contada do que pela história em si (desculpe Machado). A originalidade das formas, cores e musicalidade da série fazem com que ela valha a pena independente de ser a releitura de uma obra machadiana. Assista ao menos para estimular seus sentidos visual e auditivo.

Fique com o vídeo feito com imagens da série ao som de Elephant Gun, do grupo Beirut.

A Casa das Sete Mulheres

casasetemulheresA Casa das Sete Mulheres é uma mini-série global baseada em um romance de Letícia Wierzchowski com o mesmo título. Mas, apesar de ter achado a série muito bem feitinha, simpática, gostosa de acompanhar, há controvérsias a respeito desta adaptação de um livro de ficção baseado em fatos históricos.

Para começar vamos falar da autora. Letícia Wierzchowski é uma escritora gaúcha, descendente de poloneses. Começou a vida literária quando trabalhava na construtora do pai. Teve seu primeiro romance publicado em 1988 (O Anjo e o Resto de Nós). Mas o sucesso chegou mesmo, após ter um de seus livros transformado em mini-série global. O livro A Casa das Sete Mulheres lançado em 2002, ao ser adaptado para mini-série em 2003, acabou por ter um enorme sucesso de vendas. O livro trata da vida das mulheres da família de Bento Gonçalves, durante a Revolução Farroupilha (ou Guerra dos Farrapos). Depois de pressões dos editores lançou em 2004 um outro livro que é a continuidade da vida dos personagens da Casa das Sete Mulheres. Neste segundo livro, Um Farol no Pampa, os personagens vivem a Guerra do Paraguai. O último livro de Letícia é Uma ponte para Terebin, onde narra a história de seu avô polonês.

Concentrando-nos no romance A Casa das Sete Mulheres, o livro trata de um momento histórico ocorrido no Rio Grande do Sul, no século XIX, entre os anos de 1835 a 1845. Os personagens apresentados no livro são membros da família de Bento Gonçalves, um dos líderes da Guerra dos Farrapos. A Guerra foi uma das muitas revoltas ocorridas no Brasil no século XIX, demonstrando a insatisfação que havia com o poder central.

As sete mulheres que intitulam a obra seriam irmã, mulher, filhas e sobrinhas de Bento Gonçalves. Não há um fidelidade aos fatos históricos, por isto é ficção baseada em fatos históricos, mas há uma busca em demonstrar como era a realidade das mulheres em meados do século XIX, nos confins meridionais do Brasil, e ainda por cima, em meio a uma guerra que durou 10 anos.

Do livro para a série houve algumas modificações para garantir a audiência, passando a trama a ser menos fiel ainda à História conhecida da Guerra dos Farrapos e do mundo da época. Certos comportamentos femininos não foram apresentados, segundo estudiosos da cultura gaúcha, como realmente eram. O confinamento no qual viviam as mulheres na versão do livro, foi diminuido, na medida em que receberam bem mais visitas na versão da série.

farraposTanto no livro como na série a guerra e a vida privada e isolada das mulheres se entrelaçam pelas mãos de um narrador: Manuela. Manuela é a noiva eterna de Garibaldi, que no final acaba com Anita. Manuela vai narrando – conforme anota em seu diário – todo o desenrolar da guerra e da vida isolada que tinham as mulheres da estância durante este período difícil. Manuela foi um personagem real, mas sua história na mini-série não condiz com o que é contado no livro, tendo sido um tanto desvirtuada. Alguns personagens que aparecem no livro tiveram idade alterada na série, ou nem sequer existiram na versão televisiva.

Tirando estes pequenos detalhes diferenciadores de versões, apesar dos pesares, é uma série boa de se ver. Foi gravada na pousada Charqueada Santa Rita, localizada em Pelotas, e no Canion Itaimbezinho, em Cambará do Sul. Boas músicas, bons atores, boa fotografia, garantiram uns bons pontos de audiência. Foi a primeira vez que vi Werner Schünermann, um excelente ator que desconhecia a existência (hoje já sinto falta quando ele some muito tempo da televisão). Além de Werner, há no elenco a presença de Eliane Giardini, Camila Morgado, Tiago Lacerda, Giovanna Antonelli, Mariana Ximenes, Tarcísio Filho, e mais inúmeros outros bons atores globais. A série teve um total de 52 capítulos. A série foi lançada em dvd em 2004, e como toda série global, com cortes.

Caso queira fazer uma comparação pessoal entre as versões da série e do livro que tal comprar o livro e os dvds da série e mãos a obra? O livro pode ser comprado na Livraria Cultura no Brasil, e na Wook em Portugal. Os dvds podem ser encontrados na Submarino. O outro livro citado de Letícia Wierzchowski, Um Farol no Pampa, também pode ser adquirido na Livraria Cultura e na Wook.

Caso seja partidário da internet democrática, há onde baixar a série na versão dvd. E aqui você pode baixar o livro em formato pdf.

Fique com a abertura desta bela mini-série, independente das mudanças, inexatidões históricas, etc.

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Veja também:

A casa da memória – Página do Gaúcho: excelente artigo do historiador Tau Golin, fazendo uma crítica sobre as inexatidões históricas da série.

A Muralha

amuralhaEsta foi a mais bela mini-série que já vi na vida. Ao menos até agora. Mas como paulista sou suspeita para falar. Acrescento apenas que só a abertura já me deixou de boca aberta. Para quem não conhece a mini-série é mais uma produção da Rede Globo, escrita por Maria Adelaide Amaral, João Emanuel Carneiro e Vincent Villari. A direção é de Denise Saraceni, baseado em um romance com o mesmo nome, de Dinah Silveira de Queiróz. Foi exibida no ano 2000 em comemoração aos 500 anos do Descobrimento do Brasil.

A história gira em torno da vida de três mulheres que no século XVII chegam a São Paulo, tendo como desafio inicial atravessar a Muralha. A Muralha do título é a Serra do Mar, que separa o litoral paulista da atual cidade de São Paulo.

A São Paulo do século XVII, vivia das atividades desenvolvidas pelos bandeirantes, o apresamento de índios e a busca por riquezas minerais. Havia uma intensa disputa por territórios e riquezas, entre os locais e os forasteiros recém-chegados de Portugal e outras partes do mundo.

O bandeirante Dom Braz Olinto (Mauro Mendonça) é o patriarca de uma família que vive na fazenda Lagoa Serena, mesmo às portas da vila de São Paulo. Dom Braz vive principalmente de caçar e vender indígenas como mão de obra escrava. Mas o filho de Dom Braz, Tiago Olinto (Leonardo Brício) tem outros sonhos, quer encontrar ouro. Junto a estes dois bandeirantes, também está Afonso Góis (Celso Frateschi), genro de Dom Braz, casado com Basília (Deborah Evelyn), que sonha em reencontrar o filho desaparecido em uma expedição. Além desses personagens, este núcleo familiar é composto por outros personagens, entre eles, Mãe Cândida (Vera Holtz), a esposa de Dom Braz, que cuida da família e da fazenda na ausência dos homens. A sobrinha de Dom Braz, Isabel (Alessandra Negrini), é a única mulher a enfrentar as matas e as batalhas junto aos homens. Apaixonada por Tiago, sofre por não concretizar este amor, ainda mais depois da chegada de Beatriz (Leandra Leal), vinda de Portugal para casar com Tiago.

Alguns dos personagens de A Muralha.

Alguns dos personagens de A Muralha. No alto à esquerda, Dom Jerônimo e Ana, à direita Beatriz, no centro à esquerda Tiago, logo abaixo Isabel, e á direita padre Miguel.

Junto com Beatriz, chegam Ana (Letícia Sabatella) e a prostituta Antônia (Claudia Ohana), assim como padre Miguel (Matheus Nachtergaele). Ana é cristã-nova que chega ao Brasil para cumprir a promessa de casar com Dom Jerônimo (Tarcísio Meira), um rico comerciante inimigo de Dom Braz. Ana foi prometida a Dom Jerônimo pelo pai, que escapou da fogueira da Inquisição por intervenção de Dom Jerônimo. Dom Jerônimo é o grande vilão da história, sintetizando toda a hipocrisia da época, tornando a vida de Ana insuportável.

Antônia, a prostituta sonhadora, vem ao Brasil atrás de um bom casamento, pois sabia que não havia muitas mulheres brancas no Brasil da época. Antônia acaba por desempenhar vários papéis na vila, levando recados, ajudando Beatriz a conquistar o marido, e cai nas graças do Mestre Davidão (Pedro Paulo Rangel).

Com um grandioso elenco dos melhores atores brasileiros, e este pano de fundo inicial para o desenrolar da história, esta história se desenvolveu por 50 capítulos, sendo exibida entre 4 de janeiro e 31 de março de 2000. Antes do lançamento da mini-série, esta trama escrita por Dinah Silveira de Queiroz, já fora adaptada para a televisão, em 1969, sendo novela transmitida pela extinta TV Excelsior. Foi a primeira mini-série a ser lançada em DVD, no ano de 2002, mas infelizmente, na versão em DVD tem partes cortadas.

Caso seja partidário da internet livre há vários sites onde se pode encontrar a mini-série para baixar (na versão do DVD), como aqui. Fique com a abertura desta maravilhosa mini-série global, e parte do primeiro capítulo.

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TRUE BLOOD

E os vampiros estão na moda.

postertrueblood

Essa série me chamou a atenção pela sua temática sobre vampiros, mas não esperava muito, felizmente fui surpreendido. A série é muito boa, digna da HBO.

true_bloodA série produzida por Alan Ball, é uma adaptação da série de livros “Vampiros Sulinos” de Charlaine Harris. Na história os japoneses inventam o sangue sintético (o True Blood que da o nome a série), com isso os vampiros revelam ao mundo que sempre existiram. Imagine se isso realmente acontece-se, as mudanças que isso causaria, em que posição a igreja ficaria, quais seriam as mudanças na política, como reagiriam as pessoas? E é isso que a série responde. No começo é mostrado muito preconceito, afinal, os vampiros devem ou não serem temidos? Essa é outra coisa que gosto muito nessa série, os personagens não são aqueles 100% bonzinhos, é uma balança entre o bem e o mal, como no Yin Yang. Com o caráter questionável, são personagens assim que mais se aproximam da realidade. A história começa quando o vampiro Bill Compton (Stephen Moyer) retorna a sua cidade natal despertando o interesse de uma garçonete telepata Sookie Stackhouse (Anna Paquin) e a desconfiança da população. Claro que a série acaba tendo um romance, mas as histórias paralelas são muito bem construídas e alem disso possui seus momentos cômicos e até mesmo TRASH (dignas de tarantino) em algumas cenas com vampiros.

Site Oficial

Domingo passado dia 14/06, foi à estréia da segunda temporada, e felizmente não mudaram a abertura, uma das melhores aberturas de séries que já vi.