Paco y Veva

pacoyveva00Esta foi a primeira série espanhola que vi na vida. Sozinha, recém-chegada na Espanha, liguei a televisão e comecei a ver um povo falando um espanhol rapidíssimo e com palavras que papai não me ensinou. Curiosa, continuei assistindo – e adquirindo vocabulário do espanhol coloquial jovem. Não foi a melhor série que já vi na vida, nem diria que é uma série, digamos, assim tão boa. É divertida, sem dúvida. Também, é comédia, ao menos divertida tem que ser.

A série foi transmitida pela TVE, também conhecida pelo povão como La Primera. Foi ao ar no ano de 2004 e teve apenas duas temporadas de 9 episódios cada uma. Foi a primeira série totalmente produzida pela TVE. Teve em sua estréia a melhor audiência de uma série de televisão na Espanha, mas a concorrência e o horário acabaram por fazer com que a série perdesse audiência. Para piorar a situação, e levá-la a ser retirada do ar definitivamente, o estúdio onde era gravada sofreu um incêndio que destruiu-o quase que por completo, entre a primeira e segunda temporadas.

Paco e Veva (lê-se beba) é uma comédia-musical voltada para o público juvenil, que conta a história de um casal, Paco (Hugo Silva) e Veva (Elena Ballesteros). Eles são de classes sociais diferentes e têm, o tempo todo, que enfrentar as artimanhas de suas famílias e amigos para separá-los. Pode-se dizer que é uma, mais uma, versão moderna do clássico Romeu e Julieta. As histórias apresentadas na série eram simples, corriqueiras, entrelaçadas com musicais, que ilustravam alguns dos momentos românticos ou engraçados vividos pelos personagens.

É dificílimo encontrar qualquer informação sobre esta série pela internet. Tudo bem que ela não foi nenhuma maravilha, mas tinha lá seus momentos engraçados. Fique com duas cenas, das raras que se pode achar na internet, com momentos de tensão cômica. Não tem legenda.

______________________________________________________________________________________________

Para saber mais sobre a série veja: Paco y Veva

Hospital Central

hospitalcentral00Há algo que acontece na televisão espanhola que é fazer versões próprias de séries de sucesso, com sotaque espanhol, considerando a realidade e mentalidade espanholas. Estas “cópias” às vezes são tão boas que ganham personalidade própria, e podem ser tão boas ou melhores que as originais. Nos princípios do cinema espanhol passou-se a mesma coisa, sendo regravados clássicos de Hollywood em uma versão espanhola. Então, como no Brasil esta faceta da Espanha é desconhecida, vamos apresentar este mês somente séries espanholas. Começamos com a nossa série favorita, Hospital Central. Advinha de que série é clone? O nome já entrega. Plantão Médico (E.R.).

Mas Hospital Central, apesar de algumas histórias em comum com a já clássica Plantão Médico, tem, como já disse, personalidade própria. Seus personagens, que a princípio são cópias espanholadas dos personagens de Plantão Médico, com o desenrolar da série e seu sucesso com o público, ganham vida própria, histórias que somente a mente de um espanhol poderia produzir, não copiar de um gringo. Na Espanha passa na TeleCinco. Em Portugal é transmitida pelo AXN. No Brasil passa? Sei não. Mas se quiser dar uma olhadela procura aí uns episódios que legenda em português existe, em português de Portugal. Hospital Central é uma série produzida por Videomedia para a TeleCinco que estreou no ano 2000. É a série a mais tempo no ar na televisão espanhola. Conta com 18 temporadas. É que a série tem duas temporadas por ano, tendo um intervalo no meio do ano, para férias.

Tudo gira em torno da vida dos personagens que trabalham no Hospital Central, um fictício hospital de Madri. As ações dividem-se entre o hospital, as saídas do pessoal do SAMU, e algumas histórias de pacientes que são previamente apresentadas antes de que parem no hospital, ou dos próprios trabalhadores em momentos fora do trabalho. Sim, mas não há tédio não. Ao longo da série os personagens tem suas histórias de amor, de tragédia, seus momentos cômicos explorados, algumas doenças comuns e outras raras são apresentadas aos telespectadores (televisão também é cultura), além de acidentes em massa que tornam o hospital um verdadeiro inferno na terra.

Dr. Hector (Roberto Drago) à esquerda, e o assistente social Carlos (Jesús Olmedo) à direita.

Dr. Hector (Roberto Drago) à esquerda, e o assistente social Carlos (Jesús Olmedo) à direita.

Na 14ª temporada, a série completou 200 episódios, indo ao ar um especial no qual participaram atores que já tinham participado da série mas saíram ao longo dela. Entre os personagens mais marcantes está Teresa (Marisol Rolandi), recepcionista e fofoqueira de plantão do Hospital, além de conselheira, mãe substituta, etc. É uma das personagens que está na série desde o primeiro capítulo. Um outro que passou pela série e foi muito popular foi Rusty (Ángel Pardo), auxiliar de enfermagem, faz tudo, piadista de plantão que acabou por sair da série. Entre os médicos um dos mais marcantes foi o Dr. Rodolfo Vilches (Jordi Rebellón), com um gênio terrível, mal humorado, antipático, mas muito profissional, que acaba saindo de cena por uns tempos por ser perseguido por um mafioso na série. Dr. Javier Sotomayor (Antonio Zabálburu) é outro que está na série desde o princípio, sendo um personagem que faz com que o telespectador permaneça em uma dúvida eterna se é bom ou mau rapaz. Em certa altura também aparece o médico argentino Héctor (Roberto Drago), muito simpático, divertido, que passa a série na busca de uma estabilidade afetiva, por algum tempo serve de saco de pancadas do Dr. Vilches, que na realidade o adora. Mas há médicas também, como a Dra. Cruz (Alicia Borrachero) que casa com Vilches, separa, chega a dirigir o Pronto Socorro do Hospital e a dada altura cheia de problemas, vai embora. A atriz Alicia Borrachero faz um personagem do filme As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian, interpretando a rainha Prunaprismia. Outra médica que se destaca é a Dra. Maca (Patricia Vico) – o nome do personagem é Macarena, mas é chamada de Maca. Ela rivaliza na ascensão profissional com Javier por toda a série, e tem um relacionamento com a enfermeira Esther (Fátima Baeza), com quem casa e tem um filho. Não se esqueçam que na Espanha o Matrimonio entre pessoas do mesmo sexo é legal desde 2005. Há inúmeros personagens encantadores ao longo da série mas se formos falar de todos este post vira um livro.

Imagens do episódio do acidente aéreo

Imagens do episódio do acidente aéreo

Como dissemos antes, são criados na série alguns acidentes em massa mostrando o hospital sobrecarregado em situações como esta. Um dos acidentes criados pela série tem uma história meio sinistra. Para a estréia da 16ª temporada foi gravado um acidente de avião em Barajas, aeroporto de Madri. Neste acidente, a maioria dos passageiros morriam, e um dos personagens centrais, o médico Javier, tinha parte do braço decepado que depois era reimplantado. Dias antes da estréia da temporada aconteceu realmente um acidente no aeroporto de Barajas muito semelhante ao que já estava gravado havia meses. As semelhanças entre os dois acidentes (o real e o da série) eram tantas que o capítulo acabou por não ir ao ar na estréia da série, indo um segundo capítulo e sendo este apresentado tempos depois (veja link no final do post).

No momento está no ar a 18ª temporada. Recomendo para quem sabe espanhol visitar o site oficial da série. Nele pode-se ver os episódios inteirinhos (somente de algumas temporadas), sem legendas claro. Aliás, fica a dica para os professores de espanhol. Bom programinha para passar um trecho em uma aula. Digo um trecho porque os episódios costumam ter entre 80 e 90 minutos de duração.

Fique com um pequeno vídeo que é um resumo do capítulo 200 da série, onde se apresenta um pouco da história que vai se desenrolar no capítulo assim como podemos ver alguns dos personagens que estão na série neste momento, como outros que já saíram.

______________________________________________________________________________________________

Site oficial: Hospital Central.

Blogs dos roteiristas da série.

Guillermo Zapata – Casiopea

Antonio Cuevas – Zeroneuronas

Notícia: No habrá accidente de avión en “Hospital Central”.

O Mistério da Estrada de Sintra

cartaz_mesO Mistério da Estrada de Sintra é um filme que me despertou a curiosidade já pelo nome. A palavra mistério atraiu como um íman. Lá fui eu saber do que se tratava o tal mistério. Para minha surpresa (todos somos um pouco ignorantes) a história já era bem velha e, inclusive, em parte escrita por um de meus escritores favoritos. Na verdade o filme é uma adaptação a uma história escrita por dois escritores, Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão.

Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão são dois nomes da literatura portuguesa que tiveram uma longa amizade, conhecendo-se ainda no colégio. Escreveram e publicaram pelo Diário de Notícias, em 1870, o Mistério da Estrada de Sintra. No ano seguinte começam juntos a publicar um jornal mensal chamado As Farpas. Neste jornal satirizavam a sociedade portuguesa do século XIX. As Farpas durou de 1871 a 1888, mas Eça de Queiroz só participou por pouco mais de um ano desta publicação.

Esta ficção passa-se em 1870, quando Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão lançam um desafio mútuo de escrever um policial a quatro mãos para o Diário de Notícias. A questão que fica é se a história é de fato ficção ou se seria baseada em um caso real. A história, como tudo que tem um dedinho de Eça de Queiroz, é uma interessante crítica à sociedade da época, misturada às tramas típicas de um filme comercial dos dias de hoje. Quanto ao mistério a desvendar, tudo gira em algo que acontece na estrada de Sintra, algo que pode ser ficção ou fruto da mente de dois grandes escritores como já foi dito. O que será que aconteceu? Ou talvez, aconteceu alguma coisa? Veja o filme, claro!

O filme foi rodado em 2 meses com um orçamento de 2 milhões de euros. Entre os atores estão Ivo Canelas (Eça de Queiroz), António Pedro Cerdeira (Ramalho Ortigão), Bruna di Tulio (Condessa de Valada), Rogério Samora (Conde de Valada), José Pedro Vasconcelos (Vasco), Gisele Itié (Carmen), Flávio Galvão (Nicázio Puebla) entre outros. A direção ficou a cargo de Jorge Paixão da Costa que tem 10 longa-metragens no currículo, novelas, séries de televisão além de propagandas. Entre seus trabalhos está A Raia dos Medos, Lusitana Paixão e Roseira Brava.

Fique com o trailer deste interessante filme português com participação brasileira.

______________________________________________________________________________________________

Veja mais sobre o filme em:

Cinema Português

E aqui o site oficial

O Mistério da Estrada de Sintra

A Selva

FILME - A SELVAEste mês, todo sábado vamos falar de… um filme português. O primeiro deste mês é A Selva, com o bonitinho Diogo Morgado, além de uma boa turma de atores brasileiros no elenco. Para quem nunca ouviu falar deste ator deixamos aqui um link para conhecer um pouco sobre ele.

O filme de hoje chama-se A Selva, e foi lançado em 2002. É dirigido por Leonel Vieira, sendo seu quinto longa metragem. Tem no elenco o já comentado Diogo Morgado, Maitê Proença, Chico Diaz, Cláudio Marzo, Gracindo Júnior entre outros.

Conta a história de um jovem chamado Alberto (Diogo Morgado) que acaba tendo que exilar-se no Brasil, nos idos de 1912. Ele vai parar no coração da floresta amazônica, onde começa a trabalhar no seringal de Juca Tristão (Cláudio Marzo), depois de contratado por Velasco (Karra Elejalde), um capataz espanhol. Alberto faz uma longa viagem de Belém do Pará por rio até chegar ao seringal Paraíso. Lá vai trabalhar, no meio da selva, tirando a seiva das seringueiras, protegido por Firmino (Chico Diaz), um cearense que vira uma espécie de tutor de Alberto.

Alberto descobre um mundo completamente diferente do que conhecia neste fim de mundo, entre perigos como o contato hostil com indígenas, as doenças e a desumanidade do ser humano, tudo isto mesclado à amizade e solidariedade entre os seringueiros. Para tornar sua vida um pouco mais difícil, começa a ter um caso com a mulher do gerente Guerreiro (Gracindo Junior), dona Iaiá (Maitê Proença).

Mas apesar desta história de amor proibido, o filme não está centrado na história dos dois personagens românticos. Ainda que Alberto apareça como uma espécie de fio condutor da trama, o grande personagem na verdade é a Selva, a Floresta Amazônica, apresentada através da vida desumana dos seringueiros e seringalistas em princípios do século XX.

O filme é baseado em um livro de mesmo nome, publicado em 1930, do escritor português Ferreira de Castro, que aos 12 anos de fato foi ao Brasil trabalhar na extração da borracha, em um seringal chamado Paraíso.

O filme tem um ritmo lento, portanto para quem gosta de ação não é recomendado. Mas para quem gosta de uma história diferente, ou digamos, um pouco de História, é uma boa opção. Com uma duração de 105 minutos pode-se, através do filme, conhecer um pouco mais de um período da História do Brasil, onde a borracha era o ouro do momento, onde a riqueza de uns era sustentada pelo trabalho escravo de homens embrenhados em uma floresta que até hoje é magnânima.

Fique com um trecho deste interessante filme português com sotaque tupiniquim do começo ao fim.

______________________________________________________________________________________________

A cidade cenográfica deste filme virou depois o Museu do Seringal. Veja reportagem da Folha de São Paulo aqui, e aqui um vídeo reportagem apresentando o museu, do programa Sem Fronteiras.

______________________________________________________________________________________________

Para saber mais sobre o filme veja:

Cinema Português

Adoro Cinema

Folha Ilustrada

Volver

volver00Volver é um verbo em espanhol cujo equivalente em português é Voltar. Mas o título do filme não foi traduzido para o português, continuando a chamar-se Volver nos países de língua portuguesa. Volver é um dos últimos filmes de Pedro Almodóvar, que estreou nos cinemas espanhóis em 2006. Além da direção Almodóvar também é responsável pelo roteiro. É um drama com toques de comédia. Ou seria uma comédia com toques de drama? Digamos que filme de Almodóvar nunca pode ser classificado em apenas uma categoria pois, normalmente, a riqueza da história não permite uma classificação limitada dentro dos parâmetros tradicionais.

O filme – mais uma vez em filmes de Almodóvar – fala dos dramas pessoais de mulheres. São três gerações de mulheres sobreviventes às adversidades da vida, que enfrentam tudo com muita garra. Raimunda (Penélope Cruz) é casada com um desempregado e tem uma filha adolescente (Yohana Cobo). A vida de Raimunda não é fácil, tendo que ter vários empregos para sustentar sua família. Com esta vida difícil mostra-se forte e decidida, mas emocionalmente é frágil.

A irmã de Raimunda é Sole (Lola Dueñas) que trabalha como cabelereira. Ela foi abandonada pelo marido e, desde então, vive só. Um dia Sole liga para Raimunda avisando da morte de uma tia, Paula (Chus Lampreave), que vivia na aldeia da qual eram. Apesar de Raimunda adorar a tia não pode ir ao enterro, pois tinha acabado de descobrir o marido morto a facada na cozinha de casa. Sua filha o havia assassinado dizendo que foi em legítima defesa por ele tentar molestá-la.

Sole segue sozinha para a aldeia, onde houve rumores das outras mulheres de que sua mãe havia voltado dos mortos. A mãe das duas é Irene (Carmen Maura) que morreu em um incêndio junto com o marido. Pelo que dizem as vizinhas ela teria voltado para cuidar da irmã Paula em seus últimos anos de vida. Elas falam do fantasma com muita naturalidade. Sole volta para Madri e, ao estacionar o carro, ouve um barulho vindo do porta-malas. Ao abrí-lo encontra o fantasma de sua mãe em meio às malas. Ao invés de ter medo e sair correndo, Sole começa a conviver todo o tempo com o fantasma, inclusive enquanto trabalha. Ao mesmo tempo Raimunda não revela a ninguém sobre a morte do marido, dizendo apenas que ele a abandonou e acredita que não voltará. Mas na verdade está tentando livrar-se do cadáver. As duas irmãs, Sole e Raimunda, seguem tentando sobreviver acompanhadas de seus “fantasmas”. Mas Raimunda ainda terá seu encontro com o fantasma da mãe, que tinha assuntos pendentes com a filha e uma vizinha da aldeia chamada Agustina (Blanca Portillo).

O fantasma de Irene (Carmen Maura) abraçada à filha Raimunda (Penélope Cruz).

O fantasma de Irene (Carmen Maura) abraçada à filha Raimunda (Penélope Cruz).

Segundo o próprio Almodóvar, a maneira como vivos e mortos se relacionam em Volver provoca situações hilariantes de grande e genuína emoção. A intenção é mostrar a relação com a morte de forma tranqüila, com naturalidade. Outra característica a destacar é a forma como as mulheres comuns muitas vezes solucionam ou adiam seus problemas, com mentiras e estratégias para escondê-los. É uma forma de mostrar como o engenho feminino encontra saídas para seus problemas em uma realidade dura, na qual muitas vezess o único recurso é mentir ou esconder.

Mais uma coisa a destacar são os rituais entre as mulheres comuns retratados por Almodóvar, a forma como se cumprimentam, como se enfeitam, como se relacionam, enfim, todo um conjunto de códigos que caracterizam não apenas a cultura na qual estão inseridas como a classe social à qual pertencem. De fato, em todos os filmes de Almodóvar podemos ver como ele define seus personagens não apenas pela imagem individual como também por todo um conjunto de elementos nos quais estão imersos.

Teve uma indicação ao Oscar, de melhor atriz (Penélope Cruz). O filme ganhou vários Goya, de melhor filme, melhor diretor, melhor atriz, melhor atriz coadjuvante e melhor música original, sem contar as indicações. No Festival de Cannes também ganhou três prêmios, o de melhor interpretação feminina ao conjunto das atrizes, melhor roteiro (do próprio Almodóvar) e o prêmio dos críticos.

Fique com o trailer de mais este delírio colorido de Almodóvar. Não achei legendado. Treine o espanhol!

Kika

kika00Kika é mais um filme dirigido e com roteiro de Pedro Almodóvar, que estreou em 1993. Este eu não tenho dúvidas quanto à classificação – como tenho em alguns outros filmes de Almodóvar – é uma comédia de 117 minutos de duração.

Neste filme a personagem título e principal da trama é Kika (Verónica Forqué), uma maquiadora casada com um fotógrafo, Ramón (Alex Casanovas). Mas sua vida amorosa não se resume ao marido, mantendo também um relacionamento com Nicholas (Peter Coyote) um escritor norte-americano que também é padrasto do marido de Kika. Kika é uma pessoa otimista que sempre está pensando no melhor, já o marido é muito fechado e obcecado pela morte da mãe. Apesar de se amarem não conseguem se entender.

Um ex-ator pornô, Paul Bazzo/Pablo (Santiago Lajusticia), irmão da empregada de Kika, Juana (Rossy de Palma), foge da prisão e refugia-se no apartamento da irmã. Quando vê Kika adormecida em um quarto, não resiste e a viola. Como sempre, em um filme de Almodóvar, aquilo que normalmente seria trágico ganha contornos que o torna absurdamente cômico.

Andrea Caracortada (Victoria Abril) em sua roupinha de Jean Paul Gaultier.

Andrea Caracortada (Victoria Abril) em sua roupinha de Jean Paul Gaultier.

A vida de Kika complica-se mais ainda quando começa a ser ameaçada por sua empregada lésbica que é apaixonada por ela, e perseguida por uma apresentadora e diretora de um Reality Show, Andrea Caracortada (Victoria Abril). Para completar a confusão, Andrea Caracortada é ex-namorada de Ramón. E isto é só o começo.

No elenco além dos atores que já foram mencionados, também estão Anabel Alonso (Amparo), Bibi Andersen (Susana), Jesús Bonilla (Policial), Karra Elejalde (Policial), Mónica Bardem (Paca) entre outros.

No figurino está uma criação do estilista francês Jean Paul Gaultier, na roupa camera ambulante da personagem Andrea Caracortada, como a produção é dividida com uma produtora francesa, sendo o segundo filme de Almodóvar com a produtora Ciby 2000.

Ganhou o Goya de melhor atriz (Verónica Forqué) e foi indicado em mais 7 categorias. É considerado um dos piores filmes de Almodóvar, tendo recebido inúmeras críticas negativas, tanto pela qualidade da narrativa e seu desenrolar como pela crítica explícita aos Reality Shows que estavam em voga na Espanha da década de 1990. Mas recomendo que primeiro assista, depois julgue.

O site oficial do filme está aqui. Fique com um trailer deste absurdo cômico delicioso e altamente crítico.

De Salto Alto

lejanos02De Salto Alto (Tacones Lejanos) é mais um filme de Pedro Almodóvar, de 1990. Outro filme também com roteiro de Almodóvar, e com Victoria Abril no elenco. Neste filme temos mais uma história confusa sobre a vida amorosa conturbada de mulheres problemáticas. Acho que estou usando de muitos juízos de valor! Vamos à história.

Rebeca (Victoria Abril) fica anos separada de sua mãe que a abandonara. Becky del Páramo (Marisa Paredes) resolve voltar a Madri para reencontrar a filha e aparar algumas arestas. O reencontro não é nada fácil, ainda mais porque Rebeca está casada com um antigo amante de sua mãe, Manuel (Féodor Atkine). Rebeca apesar do abandono da mãe, sentia sua falta, e para compensar sua ausência, assistia ao espetáculo de um transformista que a imitava, Femme Letal (Miguel Bosé). Femme Letal é um fã de Becky del Páramo que durante o dia trabalha como juiz. A relação de Rebeca com o marido não é nenhum mar de rosas, o que ele revela à então sogra e ex-amante, ao comentar-lhe que poderiam reatar a antiga relação. Para completar a tragicomédia, Manuel tem uma amante, Isabel (Miriam Díaz Aroca). Em meio ao reencontro conturbado de filha e mãe, Manuel aparece assassinado. E agora todos teremos que descobrir qual delas matou Manuel.

Além dos atores citados no elenco constam nomes como Anna Lizarán (Margarita), Bibi Andersen (Suzanna), Nacho Martínez (Juan), Juan José Otegui (capelão do hospital) entre outros. Miguel Bosé, cantor e ator espanhol nascido no Panamá, além do transformista Femme Letal faz mais dois personagens no filme, o juiz Domínguez e Hugo. O irmão de Almodóvar, Agustin Almodóvar, também participa como figurante.

Foi indicado a vários Goya (o Oscar espanhol) mas não ganhou nenhum. No entanto, no Festival de Cinema de Gramado, ganhou os prêmios de melhor atriz (Marisa Paredes), melhor diretor, melhor música, além de ter sido indicado a melhor filme iberoamericano.

O site oficial do filme está aqui. Fique com um vídeo, com cenas do filme, ao som da música Piensa en mi, interpretada por Luz Casal.