Abricó de Macaco

Flor do Abricó-de-Macaco

Flor do Abricó-de-Macaco

Estava uma vez, caminhando no Largo do Machado, no Rio de Janeiro. Fui visitar uma igreja onde minha mãe ia à missa quando morava no Rio. Comecei a sentir um perfume delicioso, e a primeira coisa que fiz foi procurar qual barraquinha de camelô estava vendendo um incenso tão gostoso (adoro incensos). Olhava para um lado e para outro e nada de achar aquele incenso tão bom. Foi quando me virei para a minha esquerda, quase atrás de mim, estava lá, aquele espetáculo da natureza.

Que incenso que nada! O perfume que eu sentia vinha das flores de uma árvore. Mas o que mais me chamou a atenção nem foi o perfume das flores, mas sim onde elas estavam. As flores que me atraíram pelo odor estavam espalhadas por todo o tronco da árvore, abertas e belas. Cheguei até a perguntar para uma pessoa que estava mesmo ao pé da árvore qual era o nome dela. Mas não soube dizer. Tirei fotos que só Deus sabe onde estão agora, e por muito tempo olhava-as e me perguntava qual seria o nome.

Esta imagem é muito semelhante ao que vi no Largo do Machado. Um tronco forrado de flores.

Esta imagem é muito semelhante ao que vi no Largo do Machado. Um tronco forrado de flores.

Abricó-de-macaco é o nome que aprendi, mas além deste nome, existem inúmeros outros pelos quais a árvore é conhecida, como: Curupita, Cuiarana, Castanha-de-macaco, Cuia-de-macaco, Árvore-de-macaco, Amêndoa-dos-Andes ou Macacarecuia. Dizem que é uma planta venerada por indígenas da Amazônia, sendo cultivada pelo homem há muito tempo. Do homem branco é conhecida desde o século XVII.

Esta árvore é originária da região amazônica, sendo que seu nome científico (Couroupita guianensis) refere-se ao local onde foi estudada pela primeira vez, a Guiana Francesa. Couroupita deriva de kouroupitoumou, o nome popular pelo qual é conhecida na Guiana Francesa. Também pode ser encontrada em zonas exteriores à floresta amazônica, como na Costa Rica, Panamá, Colômbia e Venezuela. Seu habitat natural são terrenos inundáveis e margens de igapós e rios. Mas em terrenos mais secos também desenvolve-se bem, no sul do Brasil.

Tem uma altura que pode atingir até 30 metros no habitat natural, fora dele varia de 8 a 15 metros, com um tronco de 30 a 60 cm de diâmetro. A copa da árvore é bem densa e longa, mas estreita. Muda de folhas, no habitat natural, até quatro vezes ao ano. Mas, conforme as folhas caem, novas folhas voltam a nascer e cobrem rapidamente a copa, levando apenas 4 dias do surgimento da folha até que esta atinja o tamanho normal.

Frutos do Abricó

Frutos do Abricó-de-Macaco

As flores, o espetáculo que me atraiu com o perfume, encontram-se espalhadas por todo o tronco, e podem ser vistas entre setembro e março. No tronco surgem ramificações por todo ele que lembram cipós, e por estes brotam as flores e os frutos. Estes cipós podem crescer até uns 3 metros de comprimento. A flor tem seis pétalas vermelhas ou laranjas, e na parte interna formada por estas pétalas fica uma área branca semi-coberta por uma espécie de aba de coloração rosada ou amarelada. O perfume destas flores lembra o das rosas, sendo o óleo essencial utilizado na perfumaria. As abelhas encarregam-se da polinização.

Os frutos amadurecem entre dezembro e março. São grandes e arredondados, de cor marrom e casca dura. Chegam a pesar 3 kgs e a ter 20 cm de diâmetro. É por causa destes frutos que em inglês é conhecida como Cannon-ball-tree (Árvore-bola-de-canhão). A polpa lembra gelatina azulada e tem um cheiro desagradável. Os frutos são comestíveis, mas devido ao cheiro não são muito apreciáveis. Porcos do mato no entanto, não se importam muito com isto.

Estes frutos chegam a produzir 300 sementes, que os macacos comem, por esta razão a árvore tem o nome associado ao animal. A casca destes frutos é utilizada para a fabricação artesanal de utensílios domésticos. Estes grandes frutos levam quase um ano para ficarem maduros, e podem ser bem perigosos ao caírem.

Mais belas flores do Abricó

Mais belas flores do Abricó-de-Macaco

No habitat natural, como a árvore é típica de terrenos alagados, o fruto acaba por cair na água ou ao menos em terreno alagado. Mas quando cultivadas para o paisagismo, deve-se ter o devido cuidado de não plantá-las em local de circulação de pessoas e veículos, pelo tamanho do fruto e também pelo mal-cheiro. Ainda assim, devido ao espetáculo que promove durante a floração, é largamente utilizada no paisagismo.

A madeira não é muito resistente, mas pode ser utilizada na fabricação de brinquedos, embalagens e outros artefatos que não exigem uma grande durabilidade da madeira.

Para a reprodução destas árvores fora do habitat natural, usam-se as sementes de seus enormes frutos. Depois de devidamente secas as sementes, coloca-se em recipientes individuais ou em canteiros sem sol direto (devem ficar protegidas do sol direto como estariam no habitat natural), em uma mistura de terra, argila e composto orgânico. Depois de 8 a 15 dias as sementes começam a germinar. As mudinhas que surgem desta germinação podem ser replantadas quando atingirem cerca de 10 cm. O plantio definitivo no campo pode ser feito com cerca de 6 meses. Nos primeiros anos de vida, devido à madeira ser mole, precisa de tutoreamento. Clima quente e muita água são apreciados por esta árvore. Somente depois de 5 anos de vida é que começam a aparecer as flores maravilhosas que me hipnotizaram através do perfume.

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Fontes:

Ache tudo e região – Abricó-de-Macaco

Jardineiro.net – Abricó-de-Macaco

Lecythidaceae Pages – Couroupita guianensis Aubl. (em inglês)


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Terra e Liberdade

tierraylibertadMais um filme que fala da Guerra Civil Espanhola, mas ao contrário dos outros dos últimos dois sábados, neste filme a guerra não é apenas um pano de fundo. É o filme em si. Terra e Liberdade (título original, Land and Freedom), é baseado em um livro de George Orwell chamado Lutando na Espanha (Homenagem à Catalunha, em Portugal), cuja primeira edição saiu em 1938.

George Orwell é mais conhecido por livros como 1984 ou A Revolução dos Bichos (O Triunfo dos Porcos, em Portugal). Orwell participou na Guerra Civil Espanhola, lutando ao lado dos republicanos. Visto que sua orientação política era marxista, porém anti-stalinista, juntou-se à POUM (Partido Obrero de Unificación Marxista), partido de orientação trotskista, na luta contra Franco e as forças conservadoras. Ferido na guerra voltou para a Inglaterra, escrevendo suas experiências e publicando-as no livro acima citado.

Nos anos de 1995, Ken Loach dirige o filme que é uma adaptação do livro de Orwell, feita por Jim Allen. Orwell do livro virou David Carr, um desempregado londrino membro do Partido Comunista da Grã-Bretanha. David deixa a cidade de Liverpool e ruma a Espanha, justamente para participar da guerra lutando ao lado dos republicanos. O filme segue a mesma forma de encarar a guerra de Orwell, já que Ken Loach também é um marxista trotskista.

Chorando os mortos, recolhendo os corpos.

Chorando os mortos, recolhendo os corpos.

Este filme então, não é recomendado para quem não crê nas “crenças marxistas” já que é nítido, e muito, a tendência de ver a guerra através da ótica marxista. Mas caso você seja “seguidor destas crenças” é um filme essencial. Aos que não se importam qual a crença do diretor (e de Orwell) é um filme imperdível. É um filme para ver e aprender um pouco mais sobre a Guerra Civil Espanhola, que acabou a 70 anos atrás, mas até hoje, de uma forma ou de outra, marca a realidade espanhola e mundial. A Guerra Civil Espanhola foi a primeira manifestação da dualidade que perdurou por quase todo o século XX, deixando o mundo dividido em dois eixos ideológicos.

O enredo do filme mostra a história de David Carr (Ian Hart) vista através das descobertas feitas por sua neta. Ela encontra cartas, jornais, documentos e um punhado de terra em seu quarto, após sua morte. E toda a história de Carr vai sendo reconstruída através da leitura destes escritos descobertos pela neta (Suzanne Maddock), e assim, há uma reconstrução de parte da História da Guerra Civil.

O fuzilamento do padre.

O fuzilamento do padre.

Há momentos marcantes no filme, que mostram situações que explicam (ou rotulam) as causas da derrota dos republicanos na guerra. Situações que mostram o quanto o lado republicano estava dividido e mal organizado, frente à disciplina militar do exército franquista, e ao apoio recebido por Franco dos alemães e italianos. Acrescentado a isto, havia uma quase total neutralidade dos governos dos demais países em envolverem-se no conflito, sendo a pouca e inútil ajuda recebida por parte do governo republicano espanhol, oriunda da antiga URSS (em troca de 510 toneladas do ouro do Banco de España).

Outro fato a destacar é que, além da Guerra Civil propriamente dita, ao mesmo tempo, começou uma Revolução Social, com grupos de esquerda apropriando-se e coletivizando propriedades e terras nas áreas que dominavam. Há a questão levantada no próprio filme por um dos personagens que, primeiro era preciso ganhar a guerra, depois construir uma nova ordem. Mas não foi isto que aconteceu, assustando ao mundo atitudes radicais para a ordem vigente e isolando os republicanos, cada vez mais enfraquecidos por divisões internas e pelo poderio bélico dos franquistas e seus aliados.

As recordações da guerra descobertas pela neta de David Carr.

As recordações da guerra descobertas pela neta de David Carr.

Ao longo do filme vemos como Carr vai narrando em suas cartas todas as situações que vive na guerra, com os conflitos e desorganização dos companheiros, com as constantes derrotas dos milicianos e divisões entre republicanos, com o vislumbre da derrota iminente.

O filme de Ken Loach, rodado em 1994, é uma co-produção entre Espanha, Itália, Reino Unido e Alemanha. Ganhou o prêmio de melhor atriz revelação no Goya (espécie de oscar espanhol), melhor filme do European Film Awards, melhor filme do Jurado Ecumênico de Cannes, entre outros mais e algumas indicações. No elenco também estão Rosana Pastor (a atriz premiada no Goya), Icíar Bollaín, Tom Gilroy, Marc Martínez, Fréderic Pierrot, entre outros mais, além de moradores locais do povoado onde ocorreram as filmagens.

Fique com o trailer, em espanhol, deste filme que é um dos melhores na reconstrução histórica sobre a Guerra Civil Espanhola, pela ótica de um dos vários grupos que lutaram por uma nova Espanha.

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Curiosidade:

Além de nome deste filme, Terra e Liberdade:

– foi o nome de um jornal anarquista russo criado em 1888, um jornal da Federação Anarquista Ibérica, e outro mais fundado por exilados anarquistas espanhóis, no México.

– era o lema do Partido Liberal Mexicano, de Emiliano Zapata e da Revolução Mexicana.

– era o título de uma música criada para ser o Hino Nacional Mexicano.

– foi o nome de um grupo de milicanos anarquistas que lutaram na Guera Civil Espanhola.

– é o título de um documentário de Maurice Bulbulian, de 1978, sobre a Revolução Mexicana.

3 Animais Extintos nos últimos 130 anos – Equinos

01) Jumento-Selvagem-Sírio (Equus hemionus hemippus):

syrianwildassO Jumento-Selvagem-Sírio foi extinto em 1928 quando o último espécime em cativeiro morreu.

Vivia nas montanhas e desertos da Síria, mas anteriormente, habitaram zonas que iam da Palestina ao Iraque.

Era o menor dos equídeos. Tinha uma cor castana quando jovens, tornando-se cinzentos com a idade. Tinha uma cor mais clara na cabeça, tornando-se mais escuras nas patas, com manchas mais claras nos quadris, nádegas e barriga. Tinham as narinas muito grandes. À altura dos ombros tinham 1 metro de altura.

Eram animais comuns no século XVI e XVII, sendo relatados avistamentos de grandes rebanhos por diversos viajantes. Mas no século XVIII começou a desaparecer do deserto da Síria, foi exterminada ao norte da Arábia no século XIX. Por volta de 1850, começaram a tornar-se um animal raro na Síria e Palestina, sendo ainda comum pelo atual Iraque e montanhas armênias. Seu último refúgio ao que consta foi uma região vulcânica ao sul da Síria.

A Primeira Guerra Mundial afetou a população dos Jumentos-Selvagens, com a chegada de carros e armas de fogo. O último avistamento na Natureza de um detes animais foi em 1911, e o último em cativeiro morreu em 1928, em um Zoológico de Viena.

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02) Quagga (Equus quagga quagga):

quaggaO Quagga foi extinto em 1883, quando o último espécime morreu em um Zoológico de Asmterdã.

Vivia na África do Sul, na região do Cabo de Orange.

Diferentemente das zebras, o Quagga só tinha listras na parte dianteira do corpo, enquanto a parte traseira era marrom sem listras. Como seus parentes era um animal herbívoro.

As causas de sua extinção foram basicamente a caça excessiva por parte dos colonos Boer, devido a sua carne e pele. Além disso, como alimentavam-se dos pastos que serviam para o gado destes mesmos colonos, seu extermínio foi uma forma de eliminar um concorrente ao alimento do gado. O último animal na Natureza foi morto em 1878.

Só recentemente descobriu-se que os Quaggas eram uma sub-espécie de Zebra-da-planície (Equus quagga burchelli). Foi criado um projeto em 1987, o The Quagga Project, que visava reconstruir este animal e reintroduzi-lo na Natureza. Neste caso, foram feitos cruzamentos selecionados que resultaram em animais muito semelhantes em aspecto ao Quagga extinto. Ou seja, o Quagga não foi “ressucitado”, mas artificialmente, criou-se um animal que tem um visual quase idêntico ao do animal extinto. Este animais foram introduzidos no mesmo habitat dos antigos Quaggas.

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03) Tarpan (Equus ferus):

tarpanO Tarpan, ou Cavalo-Euroasiático, foi extinto em 1875, quando o último espécime conhecido morreu em um Zoológico de Moscou. Mas há relatos de um outro exemplar que vivia em cativeiro, que teria morrido na Ucrânia em 1876.

Esta sub-espécie de Cavalo-Selvagem viveu por toda a Eurásia (Europa e Ásia).

Por cavernas em toda a Eurásia encontram-se representações destes animais, datadas da pré-história, como na França (Lascaux) e Espanha (Altamira). Seriam os cavalos que foram domesticados pelo homem a cerca de 5000 anos. Estudos genéticos recentes o apontam como ancestral direto do cavalo doméstico.

Foram várias as tentativas de recriar o Tarpan, desde os anos de 1930. Estas tentativas foram feitas através de cruzamentos selecionados que resultaram em raças como o Heck, o Hegardt ou Stroebel, e o Konik. Todos são fisicamente semelhantes ao Tarpan, seja no porte ou na cor. Outro animal semelhante ao Tarpan que ainda existe, mas encontra-se em sério risco de extinção é a raça portuguesa conhecida como Sorraia, com o qual também se pensa em recriar o Tarpan.

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Para saber mais:

AnimalesExtincion.es

IUCN (International Union for Conservation of Nature) – website.

IUCN – Red List

Jalame

Quagga Project

The Extinction Website

Sangria Cubana

Quando era criança não entendia bem que negócio era este de sangria. Já imaginava que tinha alguma coisa a ver com sangue. Era a associação óbvia para minha cabecinha: sangria – sangue.

Fui crescendo e aprendi que não era bem assim. Até que um dia, em um fim de ano lá em casa em que estaria presente a maior parte da família, resolvi estragar um vinhozinho fazendo a tal sangria.

Achei uma receita que era denominada de Sangria Cubana. Uma verdadeira salada de frutas mergulhada em vinho e bastante gelo. Fiz e até quem não era chegado a bebida aprovou – e ficou altinha.

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SANGRIA CUBANA

sangria00Ingredientes:

2 laranjas cortadas em rodelas
1 limão cortado em rodelas
250 g de morangos grandes cortados ao meio ou o equivalente em uvas Itália
4 pêssegos em calda cortados ao meio ou 2 pêssegos frescos cortados em 4
4 rodelas de abacaxi (fresco ou em calda) cortadas em 4 partes
3 maçãs médias descascadas e cortadas em fatias
1/2 xícara (chá) de açúcar ou – se usar os pêssegos em calda – a mesma quantidade da calda deles
1/2 litro de suco de laranja misturado ao suco de 1 limão
1 litro de água mineral
2 cálices de rum
2 litros de vinho tinto
cubos de gelo

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Modo de Preparo:

Primeiro de tudo corte e descasque as frutas. Em um recipiente que comporte toda a mistura coloque os líquidos e o açúcar. Misture bem. Junte as frutas e mexa cuidadosamente para não desmanchar nenhuma delas. Prove e, se necessário, acrescente mais açúcar. Prepare jarras para receber a mistura. Antes de mais nada, coloque em cada jarra cubos de gelo até atingirem 1/3 do tamanho das mesmas. Despeje a mistura nas jarras, dividindo igualmente a quantidade de frutas em cada uma, e leve à geladeira. Na hora de servir a Sangria deve estar bem gelada. Nos copos em que for servir despeje a Sangria, não esquecendo de sempre garantir algumas frutas em cada copo, que poderão ser degustadas quando a Sangria que contêm terminar de ser entornada à velocidade da luz.

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Variações:

Tá no fim do mês, já não sobra muita grana para comprar tanta fruta? Experimente então, misturar sucos em pó ao vinho tinto e água – mantendo as quantidades dos líquidos. Não é a mesma coisa, claro. Mas quebra o galho, serve para variar.

Se quiser, substitua a água por água com gás. Não faz muito o meu gênero, mas há quem prefira.

Grandes talentos escondidos em alunos medíocres – Parte 01

Aqui vamos tentar descobrir talentos escondidos em alunos que, professores normais, não tem tempo ou formação para perceber que só parecem medíocres, mas na verdade são brilhantes. Estas frases são alegadamente retiradas de provas do ENEM, Vestibular, do Ensino Médio e sabe-se lá mais de onde. Estes brilhantes alunos deveriam ter vaga garantida em uma universidade pelo talento que demonstram ter.

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01) O número de famigerados do MST almenta a cada ano seletivo.

Grande percepção desta criatura, os famigerados do MST só aumentam em anos seletivos, os demais aumentam em anos não seletivos. Muito informativa esta frase. Dará um excelente repórter!

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Analfabetismo Funcional02) Os anaufabetos nunca tiveram chance de voltar outra vez para a escola.

Grande frase. Considerando que hoje em dia não é só analfabeto quem nunca teve a chance de ir à escola, mas também pessoas que frenquentam a escola, mas não adquirem o conhecimento e habilidades equivalentes a seu grau de instrução, esta pessoa teve a capacidade de perceber (apesar de não apresentar grande domínio da língua portuguesa e poder ser considerado um semi-analfabeto) que há estes outros tipos de analfabetos, os funcionais. Mas percebe-se uma certa negação, visto que ele trata os analfabetos na terceira pessoa e não na primeira pessoa do plural (como ele deveria fazer se fosse consciente de que faz parte deste grupo do qual fala). Dará um excelente paciente para algum psicólogo resolver este trauma que o leva a negar sua própria condição.

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Será?

Será?

03) O Brasil não teve mulheres presidentes mas várias primeiras-damas foram do sexo feminino.

Pessoa com grande poder de observação. Realmente, como nós mulheres podemos reclamar do Brasil nunca ter tido uma presidente se sempre tivemos primeiras-damas do sexo feminino? A jovem criatura que escreveu esta frase até foi capaz de deixar subentendido que o Brasil é um país conservador, visto que nunca tivemos um presidente da República homossexual declarado. Como a criatura disse que tivemos várias primeiras-damas do sexo feminino, e não todas, é provável que algum ex-presidente da república fosse enrustido. Excelente frase!

Dará um ótimo sociólogo ou antropólogo por sua capacidade de perceber a nossa sociedade de forma tão profunda. Ou daria um grande investigador, visto ter contado a toda a humanidade que já tivemos presidente gay. Mas acho que não revelou nesta frase qual ou quais eram os gays porque deve estar guardando esta informação para sua tese de Doutorado em Ciência Política, ou para um futuro livro.

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cemiteriopasto04) Animais vegetarianos comem animais não-vegetarianos.

Excelente visão do todo! Considerando que viemos do pó e ao pó voltaremos ou, como queira, da terra viemos e a ela retornaremos, esta frase está corretíssima. Sigam o raciocínio: Um homem come ao longo de sua vida sabe-se lá quantas vacas, cabras, porcas, galinhas, etc. Quando morre normalmente é enterrado. Todos sabem que ao morrermos entraremos em decomposição. Ao nos decompormos passaremos a fazer parte integrante do que? Da terra. Onde cresce o mato? Na terra. O que os animais vegetarianos comem? Não, não é o mato. É o mato “temperado” com um animal não vegetariano depois de decomposto e transformado em adubo.

Conseguiu perceber perfeitamente o funcionamento de um ecossistema! Dará um excelente ecologista ou biólogo.

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lula05) Não cei se o presidente está melhorando as insdiferenças sociais ou promovendo o sarneamento dos pobres. Me pré-ocupa o avanço regresssivo da violência urbana.

Analisemos a exposição acima em partes.

Primeira parte: Não “cei” se o presidente está melhorando as “insdiferenças” sociais

Esta criatura demonstra ignorar o atual desempenho do presidente em conscientizar a população sobre os reais problemas da sociedade (?), mostrando com isto fazer parte da maior parcela da população que continua “insdiferente”. Demonstra com isto um resultado do desempenho do presidente, mesmo sem querer, em sua tarefa de melhorar as insdiferenças sociais.

Segunda parte: ou promovendo o “sarneamento” dos pobres

Deixa claro que tem receio que o presidente transforme a todos os pobres em cachorros vira-latas sarnentos.

Terceira parte: “Me pré-ocupa” o avanço regressivo da violência urbana.

Deixa claro que está muito ocupado previamente com o vai e vem do avanço-regresso da violência urbana, mostrando que ela aumenta e diminui ciclicamente, demonstrando uma capacidade inequívoca de análise da realidade como algo variável, mutável, mas que merece atenção constante “pré-via” para que continue sendo devidamente observada e compreendida.

Sinto aí um grande talento para analista político ou sociólogo.

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conventopenha

Convento da Penha

06) O Convento da Penha foi construído no céculo 16 mas só no céculo 17 foi levado definitivamente para o alto do morro.

Esta criatura demonstra um grande conhecimento de fontes históricas, ao citar de forma tão precisa em que “céculo” foi construído e em que “céculo” foi levado ao local definitivo este belo convento capixaba. Sinto que temos aqui um futuro historiador, preocupado com detalhes, com a precisão da informação. Ou talvez, quem sabe, um grande engenheiro civil, com capacidades adquiridas em tenra idade de imaginar super-obras voadoras/móveis, que colocará em prática com maestria. Será provavelmente o futuro da Engenharia Civil esta criatura.

Oscar Niemeyer, com sua fantástica construção do Museu de Arte Contemporânea de Niterói, sem dúvida, é o grande mestre inspirador deste jovem talento que deve colecionar imagens deste museu fluminense, imaginando como, em futuro próximo, irá transformá-lo em um edifício voador.

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buenosaires07) A capital da Argentina é Buenos Dias.

Estamos diante de um futuro filólogo, linguista ou algo assim, pois busca a origem do nome da capital da Argentina. Sigam o raciocínio. Os espanhóis, num “bueno dia” navegavam por uma “buena costa”, até que chegaram a um “bueno rio”. Entraram e encontraram uma “buena localização” para fundar uma futura e bela cidade. Em homenagem ao “bueno dia” que fazia, e por ser de manhãzinha, deram à cidade o nome de “Buenos Dias”, mas com o tempo, cada um chamava-a como “bien entendia”. De “bueno” em “bueno”, acabou por popularizar-se a forma moderna de “Buenos Aires”, graças ao fato de ter pouca poluição nos ares desta bela cidade. Mas tudo começou em um “bueno dia”. Muito “buena” não?

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08) A Previdência Social assegura o direito a enfermidade coletiva.

Vejo aqui um excelente crítico social. Pois bem ou mal, não é falsa esta frase, ainda mais se considerarmos o direito coletivo de todos terem dengue, gripe A, entre outras doenças epidêmicas (nos termos utilizados acima, “enfermidade coletiva”). Percebe-se uma clara crítica social embebida em humor ácido. Tem futuro a criatura! Se não for crítico de alguma coisa será ao menos um excelente humorista.

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ateunoparaiso09) Ateísmo é uma religião anônima praticada escondido. Na época de Nero, os romanos ateus reuniam-se para rezar nas catatumbas cristãs.

Será um futuro cientista da religião? Creio que tem jeito para a coisa. Vejam como a criatura deixa claro que o ateísmo (ou ausência de crença em uma religião) era praticado já na Roma Antiga, mas escondido. Escondido porque provavelmente não era bem aceito socialmente. Atenção para a definição de ateísmo: uma religião anônima! Quer dizer ninguém sabia quem era ateu ou não porque era algo anônimo (?). Mas alguém descobriu pois hoje em dia estudamos sobre os ateus que praticavam sua religião (?) escondidos.

Mostra também que na época de Nero os romanos ateus ainda tinham alguma crença, viraram ateus depois, provavelmente devido a Nero ter ateado fogo em Roma e Deus não ter feito nada para evitar. Tanto tinham crença em Deus estes ateus que se misturavam aos cristãos para rezar nas catacumbas!

É nítido o talento da jovem criatura produtora de pérola para refazer todo o percurso evolutivo de uma religião (?). Demonstra sem dúvida que será um grande estudioso das religiões, talvez até venha a fundar uma nova religião: a Neo-Ateologia.

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mumia10) Os egipícios dezenvolveram a arte das múmias para os mortos poderem viver mais.

Muito interessante esta. Agora vamos ver o profundo teor desta frase. Os egipcios desenvolveram a arte das múmias. Apesar de não ter deixado claro na frase se era algum tipo de pintura, escultura ou algo do gênero, deixa claro a paternidade da arte. Considerando o fato dos egípcios acreditarem em vida após a morte, os mortos sim viviam depois de mortos. Corretíssimo o raciocínio.

Agora, convenhamos, os mortos, lá no paraíso ou seu equivalente egípcio, precisavam divertir-se, passar o tempo e coisa e tal. Seria útil para a vida eterna um bom entretenimento. E assim nasceu a arte das múmias. Qual o talento da criatura que escreveu esta pérola? Estou em dúvida. Historiador? Crítico de arte? Bem, tem que ser alguma profissão relacionada às artes, claro.

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ATENÇÃO: Estes textos que acompanham as pérolas são totalmente inventados, baseados no humor de qualidade duvidosa da autora deste post. É apenas uma forma de rir da própria desgraça, visto que as jovens criaturas que produziram estas reluzentes pérolas são o P R E S E N T E do mundo em que vivemos. É melhor rir, para não chorar.

Pastel de Belém, o mais famoso pastel de nata

Não, não! Este pastel não é de vento, não é quadrado, nem retangular, e é doce. Pastel aqui em Portugal não é o mesmo que pastel no Brasil. Aqui são redondinhos, com recheios doces – normalmente com dúzias de gemas na receita da massa ou do recheio.

Este Pastel de Nata que vou deixar a receita hoje tem história.

Tudo começou quando os monges do Mosteiro dos Jerônimos, localizado no bairro de Belém em Lisboa, precisaram encontrar uma forma de ganhar um dinheirinho extra para manterem-se, em princípios do século XIX. Mesmo junto ao Mosteiro havia e há uma pastelaria, pertencente ao mesmo, a coisa de uns 200 metros mais ou menos. Nesta época o Mosteiro era isolado da cidade de Lisboa, mas a proximidade da Torre de Belém atraía turistas, e clientela para a pastelaria. Os Pastéis de Nata de Belém fizeram tanto sucesso que ganharam denominação própria, Pastéis de Belém. Assim nasceram os mais famosos pastéis de nata de todo o mundo, os Pastéis de Belém – que são nada mais nada menos que pastéis de nata, porém, feitos na pastelaria próxima ao Mosteiro dos Jerônimos. Somente os pastéis feitos na pastelaria que ostenta em letras garrafais brancas sob fundo azul Pastéis de Belém, podem ser chamados de pastéis de belém. Todos os demais são pastéis de nata.

Dizem, mas não sei se é fato ou apenas propaganda, que o original tem um segredo na receita. Se há um segredo ou não, não sei, mas foi lá que comi o melhor pastel de nata da minha vida. Em quaisquer pastelarias, padarias ou cafés de Portugal pode-se encontrar Pastéis de Nata, mas nenhum chega aos pés dos pastéis desta pastelaria de Belém.

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PASTÉIS DE BELÉM

pastelbelemIngredientes:

½ litro de leite
½ litro de creme de leite fresco
400 g de açúcar
10 gemas
1 kg de massa folhada
canela em pó

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Modo de Preparo:

Primeiro separe as gemas que for usar, passe-as em uma peneira para tirar a película que reveste a gema. Esta película dá um cheiro forte que não é muito agradável no doce, por isto deve ser retirada.

Em uma panela misture o leite, o creme de leite e o açúcar, somente depois leve ao fogo. Deixe ferver e tire do fogo. Espere esfriar, e só depois de frio misture as gemas previamente batidas e passadas na peneira.

Em forminhas de empada individuais espalhe uma porção de massa folhada. A massa não pode ficar grossa, mas nas bordas deve sim ficar levemente mais grossa. Após cobrir as forminhas com a massa folhada, despeje o creme feito com o leite e gemas. Não encha completamente a forminha, deixando uma pequena folga de coisa de um dedinho.

Leve para assar em forno pré-aquecido, em temperatura alta, por cerca de 20 minutos, ou até começarem a ficar bem morenos por cima. Sirva-os ainda quentes polvilhados com canela.

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Deixo aqui um vídeo, que além de se ver um pouco do bairro de Belém e ouvir a narração de sua História, pode-se ver a famosa Pastelaria de Belém, fundada em 1837, onde há a fábrica dos pastéis, um amplo espaço para degustá-los e um mini-museu que conta a História da Pastelaria. Recomendo a quem queira visitar muita paciência, pois às vezes é bem difícil encontrar lugar para sentar. A clientela é imensa.

A flor da gruta

hada-aguaHá na Mitologia da Cantábria, Espanha, um ser conhecido como Anjana, nome derivado de Jana que era usado na Idade Média para designar as feiticeiras. Mas na verdade, nada têm de feiticeira uma Anjana. São seres bondosos que protegem as pessoas honradas, aos apaixonados e aos que se perdem nos bosques ou caminhos. São belas mulheres, com longos e finos cabelos, enfeitados com flores e laços de seda. Vestem-se delicadamente, com túnicas de seda branca. Usam sandálias e carregam um cajado com poderes mágicos, com o qual amansam as feras do campo com um simples toque. Também é com este cajado que realizam suas magias e curas milagrosas. Ninguém sabe ao certo a origem das Anjanas, mas dizem alguns que seriam espíritos das árvores que se encarregam de cuidar dos bosques. Alimentam-se de mel, morangos, caldas adocicadas e outros frutos que o bosque lhes proporcionam. Vivem em grutas secretas que dizem ter o piso forrado de ouro e prata, nas quais ficam guardadas riquezas que acumulam para as pessoas necessitadas.

Passam o dia andando pelas trilhas dos bosques, sentando-se para descansarem nas margens das fontes. Os riachos parecem ganhar vida com a passagem das Anjanas. Nas fontes, conversam com as águas, que parecem emergir mais alegres e cristalinas. Também ajudam aos viajantes perdidos, aos pastores, aos animais feridos e às árvores atormentadas pelo vento ou quebradas pelo Ojáncano. Durante a noite passeiam pelos povoados, deixando presentes nas portas das casas daqueles que o fizeram por merecer, graças a suas boas ações. Dizem que as Anjanas reunem-se no início da primavera nos altos pastos dos montes para dançar até o amanhecer, de mãos dadas ao redor de um monte de rosas que, mais tarde, espalham pelos caminhos. Quem encontra uma destas rosas de pétalas vermelhas, verdes e amarelas será feliz até o fim da vida.

Existem diversas lendas, e contos, sobre as Anjanas – e muitas pessoas, até os dias de hoje, juram que viram uma Anjana. Eu vi uma Anjana, rindo-se e dançando pelo campo, enquanto seguia até Altamira, lá na Cantábria. Estava divertindo-se com alegria de criança entre as pequenas flores brancas que cobriam as margens do caminho. Que bela visão eu tive! Fiz-lhe um pedido e ela me atendeu! Ela nunca nega um pedido quando feito com sincera bondade! ;)

Aqui deixamos uma destas muitas lendas, onde um dos personagens principais é uma bela Anjana.

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A FLOR DA GRUTA

Monte Ucieda, Cantábria

Monte Ucieda, Cantábria

Próximo ao desfiladeiro de Santa Lucía, na Cantábria, vivia um rapaz que trabalhava como lenhador chamado Antonio. Ele estava apaixonado por Rosaura, bela jovem de sua aldeia com a qual casaria em breve. Antonio teve que subir ao cume do monte Ucieda para cortar algumas árvores, saindo de casa ao amanhecer, mas chegou ao alto do monte já tarde. Começou a dar machadadas no tronco de uma árvore, porém ouviu uns lamurios que pareciam sair da própria árvore, deixando-o pálido de medo. Horrorizado, parou com o que fazia. Quando recomeçou, voltou a ouvir que ela queixava-se como se fosse uma pessoa. Já ia começar a correr desesperado, quando ouviu uma voz que saía da árvore e dizia:

“Eu sou uma donzela encantada. Dar-te-ei incontáveis riquezas, se for ao remanso do rio e golpear a água com uma vara, até que saia a Anjana. Ela dir-te-á o que deves fazer para desencantar-me.”

O moço correu até o povoado para contar a sua namorada o que havia acontecido. Rosaura aconselhou-o que deveria desencantar a donzela, pois assim poderiam viver ricos e felizes. O lenhador dirigiu-se até o remanso do rio no desfiladeiro de Santa Lucía, e com uma vara golpeou as águas. As águas abriram-se no mesmo instante, emergindo delas uma belíssima Anjana de grande e sonhadores olhos azuis. O rapaz, perturbado diante de tanta beleza, contou-lhe o que havia acontecido no monte, e a Anjana, que estava sentada sobre as águas, depois de escutá-lo, respondeu:

Entra na gruta do Monte Ucieda, busque uma flor muito brilhante e traga-a para mim. Eu lhe direi o que deves fazer com ela para desencantar a donzela.”

soplao

Caverna El Soplao, a cerca de 25 km de Ucieda, Cantábria.

Em quatro pernadas chegou à entrada da gruta, conhecida de todos os aldeões. Todos sabiam de sua grande profundidade, que chega até Bárcena Mayor. Antonio penetrou decidido, buscando a flor brilhante. Na medida em que se distanciava da entrada, aumentava a escuridão, chegando ao ponto de ver-se envolvido pelas trevas e desorientado. Sem saber para onde ir, tateando, seguiu caminhando em busca da flor que não aparecia. Até que sentiu-se rendido pelo cansaço e deixou-se cair ao solo, sem ver a mais pequena luz.

Perdida a esperança de encontrar a flor, decidiu sair e voltou sobre seus próprios passos. Mas encontrou o caminho bifurcado e não sabia qual rumo seguir. Entrou em um deles sem encontrar a saída. Logo deu-se conta de que estava perdido em um complicado labirinto. Enlouquecido, quis gritar e pedir ajuda, mas só lhe respondia o eco de sua voz lastimosa. Novamente buscou com desespero pela flor que, talvez, lhe ajudasse a encontrar a saída. Mas nada brilhava a sua volta. Notou que suas barbas e cabelos cresceram e suas roupas estavam desfeitas. Teve que tirar seus velhos calçados e caminhar descalço, até ferir os pés. Contudo, não sentia nem fome nem sede, e continuava buscando a entrada ou saída da fatídica gruta. Vencido pelo sono dormiu, e sonhou que sua namorada havia se casado com um moço de Ruente que a desejava fazia tempo. Ao acordar sentiu ciúmes e um desejo mais ardente de sair daqueles caminhos subterrâneos, mas sem conseguir. A barba e os cabelos continuavam crescendo e passavam já dos joelhos. Suas forças estavam esgotadas, mas ele continuava buscando a flor.

Finalmente, quando seus cabelos já alcançavam o chão, encontrou-a. Com ela na mão, achou imediatamente a saída. Dirigiu-se à casa de seus pais e chamou, mas quem lhe atendeu era um desconhecido, que ao ouvi-lo dizer que era sua casa pensou que Antonio estava louco, expulsando-o e fechando bem a porta. Foi então à casa de sua namorada e abriu-lhe a porta uma velhinha. Ele achando que fosse sua sogra disse:

“Quero ver a Rosaura, minha noiva. Diga que venha.”

Ucieda de Arriba, Cantábria.

Vista de Ucieda, pueblo pertencente ao município de Ruente, Cantábria.

Mas aquela velhinha era Rosaura que, achando que Antonio não passava de um bêbado, despachou-o de forma pouco educada. Antonio começou a achar que estava enlouquecendo e começou a correr pelas ruas da aldeia, mas caiu no meio de uma ruela. Viu-lhe cair uma velhinha que correu ajudá-lo. Levou-o para casa e deixou-o dormir em seu palheiro. No dia seguinte, foi tratar de Antonio o filho da anciã, cortou-lhe os cabelos e arranjou-lhe umas roupas.

Já mais aliviado, Antonio voltou ao remanso do rio, golpeando as águas até que a Anjana saísse. Entregou-lhe a flor brilhante e disse-lhe a Anjana

“Justo castigo recebeste pelo dano que fizeste àquela moça a quem desonraste.”

E desapareceu a Anjana. Então, lembrou-se com muito pesar que, antes de Rosaura tivera uma namorada chamada Mercedes, a quem havia abandonado depois de desonrá-la. Compreendeu que a Anjana havia lhe castigado evitando, com seu engano, seu casamento com Rosaura. Encheu-se de remorsos, voltou à aldeia e perguntou à velhinha que lhe havia acolhido onde vivia Mercedes, que quando jovem era muito bela. Aquela velhinha era Mercedes! Ele revelou-lhe que era Antonio, e a anciã, cheia de emoção, começou a gritar:

“Carpio, meu filho, vem abraçar seu pai.”

Os três se abraçaram e viveram contentes, protegidos pela Anjana, que o havia castigado a permanecer cinqüenta anos na gruta, apesar de que para ele parecera apenas um mês.

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Fontes:

García de Diego, Vicente – Antología de Leyendas de la Literatura Universal – Editora Labor, Barcelona, 1953.

Llano, Manuel – Mitos y Leyendas de Cantabria – Librería Estudio, Santander, 2001.