Pão Caseiro

Pão Caseiro. Foto: Ricardo Candeias.

Pão Caseiro (Ricardo Candeias)

Depois de uns meses por aqui, fiquei com saudades do pão caseiro feito por mamãe. Não é que o pão fosse excepcional. Às vezes saía bom, às vezes nem tanto. Mas era o pão de mamãe e me fazia falta. Achei uma receita fácil em um site chamado Saborosas, que com o tempo fui adaptando. Fiz uma vez como manda a receita. Ficou muito bom mesmo – não foi só pela saudade que matei, é que realmente acertei.

Gostei tanto do pão que, de outras vezes que o fiz, arrisquei inventar algumas alternativas. Ao invés de formar compridos pães lembrando bengalas, fiz bolinhas que recheei com frios, com queijo e orégano, com lingüiça defumada e o que mais a imaginação me permitisse.

Já faz algum tempo que não faço. Massa de pão por aqui, no inverno, demora muito crescendo. Vamos ver se quando chegar o verão de 40 graus à sombra, tomo coragem e resolvo fazer novamente este pão fácil, que até eu que não sou especialista consegui acertar de primeira.

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PÃO CASEIRO

(Saborosas)

Ingredientes:

1 e ½ colheres colheres (sopa) de sal
13 colheres (sopa) de óleo
1 e ½ copos (americano) de leite
3 colheres (sopa) de açúcar
1 colher (sopa) de manteiga derretida
1 kg de farinha aproximadamente
3 colheres (sopa) de fermento granulado ou 45 g de fermento sólido para pães.

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Modo de Preparo:

Amorne o leite e dissolva o fermento em uma bacia. Acrescente um pouco de farinha e deixe descansar até dobrar de volume. Acrescente o óleo, o açúcar e o sal. Mexa bem e acrescente a manteiga derretida. Vá juntando, aos poucos, a farinha de trigo, amassando bem com as mãos, até que a massa comece a soltar das mãos.

Em uma superfície enfarinhada coloque a massa e abra-a com as mãos, ou com o auxílio de um rolo. Forme pães do jeito que quiser: bengalas, baguetes ou bolinhas. Coloque em uma assadeira untada e enfarinhada. Deixe crescer novamente até dobrar de volume.

Leve para assar em forno pré-aquecido, em temperatura média até que dourem.

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Obs: Se quiser rechear, prepare o recheio e quando for formar os pães, coloque uma porção dentro fechando bem para que o recheio não saia.

Se quiser, pode pincelar com um ovo batido os pães antes de assar, assim ficam mais morenos quando prontos.

Opções de recheio: presunto e queijo em cubos ou ralados no ralo grosso, queijo ralado com orégano, lingüiça defumada moída ou cortada em cubos, frango desfiado e temperado à gosto.

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O construtor e as moedas de ouro

obreroEsta é uma velha lenda medieval espanhola, que antes de ser escrita como agora novamente será, foi contada de boca em boca, por gerações, junto às lareiras das casas, nas noites frias.

Não se sabe ao certo a origem da lenda, seja no tempo ou no espaço (quando e onde). Mas fica aqui uma tradução livre em português para quem quiser recontá-la.

Até os dias de hoje, todo espanhol que se preza é muito religioso mas adora falar mal dos curas (padres), de sua avareza. Esta lenda é um exemplo desta visão negativa sobre a Igreja e sua riqueza, tão diferente da realidade da grande maioria do povo espanhol ao longo dos tempos, mas que mesmo vendo a avareza como uma espécie de defeito da Igreja nunca deixou de seguir a fé cristã, que em parte, forjou a identidade do povo espanhol.

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O CONSTRUTOR E AS MOEDAS DE OURO

Em uma cidade provinciana, há muitos séculos atrás, vivia o construtor mais religioso e preguiçoso de toda a Espanha.

Não trabalhava em dias de festas, nem domingos, nem no sábado de aleluia. Por esta razão vivia em profunda miséria.

Um dia apareceu um padre, que comovido por sua religiosidade, decidiu dar-lhe um trabalho intrigante. Vendou os olhos ao construtor e levou-o a sua casa uma noite. Conduziu-o até um pátio árabe e disse-lhe que fizesse um buraco junto à base da fonte e depois colocasse ladrilhos por cima deste buraco.

Quando o construtor estava quase terminando o trabalho, chegou o padre e deu-lhe uma moeda de ouro, vendando-lhe em seguida os olhos e levando-o embora da casa. Disse o padre que o iria buscar no dia seguinte. O construtor aceitou pois era uma boa paga.

Na noite seguinte voltou o padre a levar o construtor vendado para terminar o trabalho. Antes de ir, confidenciou ao construtor que ali colocaria mortos. O construtor assustou-se, mas o padre pediu-lhe que lhe ajudasse. Mas não se tratava de cadáveres, mas sim de potes cheios de moedas de ouro. Deu duas moedas ao construtor, vendou-lhe mais uma vez os olhos e levou-o a um lugar afastado, e pediu ao construtor que não tirasse a venda até as primeiras badaladas do sino pela manhã.

patioO bom construtor assim o fez, e foi contente para casa com suas duas moedas de ouro. Durante 15 dias viveu muito bem, mas a penúria voltaria à sua casa.

Anos depois, um rico-homem da cidade chegou e propôs-lhe que arrumasse uma casa de sua propriedade para alugar. Mas tinha um problema na casa. O rico-homem comentou que vivia antes na casa um padre muito avarento que lhe devia vários anos de aluguel e que tinha morrido sem pagar-lhe. O espírito do padre continuava pela casa, e todos que moraram nela depois diziam ouvir alguém contanto moedas, e supunha-se ser o fantasma do padre.

O dono da casa mostrou todos os cômodos ao construtor. Qual não foi a surpresa deste ao contemplar o pátio árabe onde trabalhou por duas noites. O construtor perguntou ao dono da casa se poderia viver ali e propôs arruma-la gratuitamente em troca da moradia, e até que o dono encontrasse outro inquilino.

O humilde construtor foi enriquecendo pouco a pouco ante os olhos atônitos de seus vizinhos. Não contou o segredo a ninguém, exceto a seu filho quando estava perto da morte.

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Fica aqui o link (Palabras Encantadas) para a versão em espanhol da qual fizemos a tradução livre.

Palácio de Queluz – breve histórico.

Palácio Nacional de Queluz, Sintra, Portugal.

Palácio Nacional de Queluz, Sintra, Portugal.

O Palácio Nacional de Queluz fica na cidade de mesmo nome, pertencente ao concelho de Sintra, no Distrito de Lisboa. O Palácio divide o nome com a cidade onde localiza-se, que já era habitada há milênios.

Entre as várias versões da origem do nome contamos algumas. Uma delas seria de que Queluz tem origem árabe e significaria Vale da Amendoeira. Outra versão diz que o nome é devido ao Monte da Luz (atual Monte Abraão) onde era cultuado o deus lusitano Lu ou Lou (Sol), local onde ainda existe uma anta (ou dólmen, monumento megalítico) que testemunha este antigo culto. Há também uma versão popular que fala de uma lenda de caçadores que se perderam em meio ao arvoredo ali existente. Em certo momento viram uma luz para a qual seguiram dizendo: Que luz é aquela? Que luz, Queluz.

Antes de ser construído o Palácio atual, a área que ele ocupa e uma vasta extensão de terras ao redor, formavam uma quinta conhecida como Quinta de Queluz, que pertencia a D. Cristóvão de Moura, 1º Marquês de Castelo Rodrigo. Havia nesta quinta uma casa do século XVII e uma área de caça. Era uma espécie de palácio rural em meio às árvores com a finalidade de servir de pouso para as caçadas. Este tipo de casa é chamada de pavilhão de caça.

Em 1654, no reinado de D. João IV – primeiro rei da Dinastia de Bragança – , D. Cristóvão teve todos os seus bens confiscados por ser simpatizante do rei de Castela (o que hoje chamamos de Espanha). Portugal voltara a ser um reino independente em 1640 com o fim da União Ibérica (Restauração), e o marquês de Castelo Branco era um dos que apoiavam a continuidade da União. Não apenas os bens do marquês de Castelo Branco, mas de todos os simpatizantes de Castela tornaram-se propriedades dos infantes portugueses. Após o confisco passou a ser parte da recém-criada Casa do Infantado, instituição que administrava os bens dos segundos filhos dos reis portugueses.

Estátua de D. Maria I, em frente ao Palácio

Estátua de D. Maria I, em frente ao Palácio

Ainda no século XVI, nos tempos de D. João V, a Quinta de Queluz passou por reformas para adaptar-se às necessidades dos novos proprietários. A primeira foi a ampliação do existente pavilhão de caça que foi lentamente tornando-se residência dos infantes. Mas as grandes reformas se deram no século XVIII com D. Pedro de Bragança, ou Pedro III de Portugal (1717 – 1786). Tio e rei-consorte de D. Maria I, a Louca, irmão do rei D. José I, foi o responsável pelo início da ampliação da casa que já existia e criação do que hoje conhecemos como o Palácio de Queluz.

A construção do palácio teve início em 1747, com mais uma ampliação da casa existente, que localizava-se no que passou a ser a cozinha, além da construção de uma capela, que foi concluída em 1752. De residência dos infantes, a velha quinta tornou-se palácio de veraneio de D. Pedro. Mas o projeto original passou por várias alterações nas décadas seguintes.

Neste meio tempo Lisboa sofreu um duro golpe, o terremoto de 1755 que praticamente destruiu a cidade. O arquiteto original do projeto, Mateus Vicente de Oliveira – arquiteto oficial da Casa do Infantado – acabou por tornar-se responsável pela reconstrução de Lisboa, passando o Palácio a cargo de outro arquiteto, o francês Jean Baptiste Robillion, continuando Vicente como superintendente.

Uma nova fase de ampliação teve início quando foi anunciado o casamento de D. Pedro com a sobrinha D. Maria, futura rainha de Portugal, que se deu em 1760. Foi necessário torna-lo um palácio real, dotando-o de salas e aparatos adequados para este fim. E mais uma vez sofre uma grande transformação, de casa de veraneio a Palácio Real.

Vista do Pavilhão Robillion a partir do jardim.

Vista do Pavilhão Robillion a partir do jardim.

Nesta segunda fase de ampliação e reorganização dos espaços, o Palácio ganha a forma de um U. Em 1765 foi construída uma praça de touros no jardim, que não existe mais. Foram criados jardins, desenhados por Robillion, decorados com peças vindas da Itália e Inglaterra (vasos, estátuas de mármore e chumbo), assim como foi construído um pavilhão que leva seu nome, em 1774, que tornou-se os aposentos do príncipe. Este pavilhão também serviu para resolver o problema de desnível que havia no terreno, abrindo espaço para uma escadaria suntuosa chamada de Robillion ou dos Leões, que dá acesso a uma área do jardim onde existe um canal totalmente azulejado, criado em 1756 por João Nunes de Oliveira.

Com a morte de Robillion em 1782, a direção das obras passa a cargo de Manuel Caetano de Sousa. O Palácio ganha quartéis para a Guarda Real, casa de administração, cavalariças e outras dependências anexas ao conjunto. No ano de 1786 acaba a primeira fase de construção do Palácio, justamente no ano da morte de D. Pedro III.

Escadaria Robillon ou dos Leões.

Escadaria Robillion ou dos Leões.

Em 1794 a família real teve que mudar-se para Queluz, pois a residência oficial sofreu um incêndio. Novas modificações e alterações na funcionalidade dos espaços foram feitas.

Já no século XIX, D. João VI manda construir um edifício em frente ao Palácio destinado à Guarda Real. As obras no Palácio seguiram até 1807 quando, devido à invasão napoleônica, a Família Real fugiu para o Brasil. Grande parte do recheio do Palácio foi roubado. No retorno da Família Real volta a ser residência da família, mas brevemente perde seu favoritismo deixando de ser a casa oficial em 1826.

Em 1908 tornou-se propriedade do Estado, quando o rei D. Manuel II cedeu-o à Fazenda Nacional. Em 1910 é classificado como Monumento Nacional. O Palácio passou por um restauro em 1933, e no ano seguinte teve seu interior quase totalmente destruído por um incêndio. Logo em seguida volta a ser restaurado.

Edifício mandado construir por D. João VI, para a Guarda Real, em frente ao Palácio, ocupado atualmente pela Pousada D. Maria I

Torre do Relógio, ocupado atualmente pela Pousada D. Maria I

Até os dias de hoje o Palácio é utilizado para recepções oficiais do governo português. Além de salão de festas, local de reuniões e sala de visitas do governo em ocasiões especiais, também funciona como museu, tendo um valioso acervo de artes decorativas oriundas das coleções reais. O edifício construído na época de D. João VI destinado à Guarda Real tornou-se a Pousada D. Maria I, e está em vias de classificação como monumento nacional há mais de uma década. A cozinha é ocupada pelo Restaurante Cozinha Velha. Uma das alas do Palácio, o Pavilhão de D. Maria, construído entre 1785 e 1792 é o quarto de hóspedes de chefes de Estado estrangeiros em visitas oficiais a Portugal.

O Palácio é um dos monumentos mais visitados em Portugal. Atualmente encontra-se sob tutela do IMC (Instituto dos Museus e da Conservação), ligado ao Ministério da Cultura.

Taken

Taken

Taken

Taken na verdade é uma mini-série e não uma série. Esta “série” de uma única temporada e 10 episódios, descobri em uma de minhas noites de insônia. Uma excelente série passando de madrugada? Não dá pra entender! Aqui em Portugal teve como título “Vieram em Paz”, e foi transmitida pela SIC e SIC Radical. No Brasil foi ao ar pela Band e Sci Fi Channel. Foi ao ar, originalmente, nos EUA pelo canal Sci Fi Channel, em 2002.

A série foi pensada após ser realizada uma pesquisa pelo Sci Fi Channel, na qual, a grande maioria dos entrevistados, diziam acreditar em vida-extraterrestre, assim como que o governo escondia o que sabia sobre ovnis do público.

Por esta razão, Leslie Bohem, roteirista de tv e cinema, escreveu a série, acompanhado de Steven Spielberg – nos palpites ao roteiro e na produção executiva. Filmada em Vancouver, mesmo lugar das filmagens de Arquivo X (X Files), faz várias referências a temas clássicos ligados aos extraterrestres.

A história de Taken passa-se ao longo de quatro gerações de três famílias, abrangendo um período de cerca de cinquenta anos. Estas três famílias que não se conheciam, com o desenrolar da história, vêem-se interligadas pelos planos dos alienígenas que os envolvem em uma experiência que pode modificar o futuro da humanidade.

A série é narrada pela atriz-mirim Dakota Fanning que interpreta Allie Keys, o personagem chave da série. A interpretação da garotinha foi impressionante. Entre os personagens estão Lisa Clarke (Emily Bergl), Charlie Keys (Adam Kaufman) e Owen Crawford (Joel Gretsch), entre outros.

No site oficial da série pode-se ler mais sobre a história, há o link para comprar a série em dvd (em inglês). Aqui pode-se comprar a série em dvd no Brasil. Não se pode falar muito, se não conta-se tudo. O melhor mesmo é ver a série. Vale a pena para quem gosta de ficção científica.

Lince Ibérico

Lince Ibérico

Lince Ibérico (Linx pardinus)

Há um felino na Península Ibérica que parece uma mistura de Spock com brincos e Wolverine: é o Lince Ibérico (Linx pardinus), também conhecido como Cerval, Lobo-Cerval, Gato-Cravo, entre outros.

Este animal está praticamente extinto em Portugal, e só existe na Espanha em zonas protegidas, como o Parque Nacional de Doñana, no Centro de Reproducción El Acebuche, na província de Huelva. Na localidade portuguesa de Silves, no Algarve, foi criada uma área de proteção para a reprodução dos linces, sendo trazidos alguns espécimes de Doñana para povoá-lo, e assim, o lince volta a existir em Portugal.

Este é o felino mais ameaçado de extinção no planeta. Desde os anos 60 é considerada espécie protegida.

Habitava os bosques mediterrânicos do que hoje é Portugal e Espanha, assim como ocorria em menor escala no sul da França. A presença de linces em um território, para os povos de outros tempos, era sinal de limites, fronteira, dali não se passava. Eram os guardiões de zonas proibidas ao homem. De fato, sempre limitavam-se a zonas menos povoadas, isoladas e mais bem conservadas da ação humana. O aumento das cidades, construção de estradas e outras infra-estruturas próprias da sociedade humana, acabaram por limitar seu território. Não apenas limitou-se o território dos linces como separou-se as populações, levando a um cruzamento aparentado, que acaba por diminuir a natalidade e sobrevivência da espécie.

Seu “prato favorito” é o coelho, produto final de cerca de 90% de suas caçadas. Curiosamente, onde há linces há mais coelhos, pois com a presença do felino, outros predadores são empurrados para fora do território que passa a ser quase exclusivo deste animal. É necessário apenas um coelho por dia para que o lince tenha a energia necessária para sobreviver. Doenças introduzidas pelo homem levaram a uma diminuição da população de coelhos, outro fator que ajuda a ameaçar a existência do lince ibérico. O lince ibérico também consome outros animais, como aves, pequenos mamíferos ou o cervo, razão pela qual também conhecido como Cerval ou Lobo Cerval.

Fêmea com crias

Fêmea com crias

Seu território ocupa uma área relativamente pequena, de menos de 10km², mas isto quando há escassez de alimento. Era em situações destas que invadia o território humano, sendo presa para caçadores. A pele já foi largamente utilizada na confecção de roupas.

É um animal noturno e solitário, que só tem algum convívio social na época de reprodução. A fêmea cuida sozinha das crias, tendo que caçar até três coelhos por dia para alimentar-se e alimentar as crias. Normalmente nascem apenas três filhotes, e um sempre morre com poucos meses de vida.

De 1900 para cá, os territórios onde se podia encontrar o lince ibérico tiveram uma diminuição assustadora. Antes, eram encontrados em praticamente toda a península, até os Pirineus. Restam pequenas zonas ao sul da península onde se pode encontrar o lince, seja no meio natural ou em cativeiro. Só existem em torno de 250 espécimes, contando com os que vivem em cativeiro.

Lince caçando

Lince caçando

Em 2007 foi assinado o Pacto Ibérico para o Lince (Pacto Ibérico por el Lince), entre os governos nacionais de Portugal e Espanha, e os governos regionais de Extremadura, Castilha la Mancha e Andaluzia. O pacto visa conservar o material genético da espécie e criar novas áreas onde possam existir populações de lince ibérico, com condições favoráveis de alimentação e reprodução, para futura re-introdução na natureza.

Para saber mais sobre o lince ibérico, visite o site Lince Ibérico, onde há informações bem detalhadas sobre o animal e os programas para sua preservação, tanto na Espanha como em Portugal. Mais fotos de linces ibéricos no Parque Nacional de Doñana podem ser vistas aqui.

Em dezembro de 2008 foi lançado um filme de animação chamado El Lince Perdido (O lince perdido), que teve como garoto-propaganda Antonio Banderas. É um filme voltado para o público infantil com uma mensagem ecológica de fundo, cujo personagem principal é Felix, um lince ibérico. Veja o trailer aqui.

Foi feito um documentário intitulado Lince Ibérico: El Cazador Solitario, realizado pela Bitis Documentales e a Consejería de Medio Ambiente de la Junta de Andalucía, cujo objetivo é conscientizar a população sobre o alto risco de extinção que sofre o lince ibérico. As filmagens foram feitas entre 2002 e 2004, nos parques nacionais de Doñana e Dona em Huelva, e Sierra em Sierra Morena. Foi transmitido na televisão espanhola pelo Canal +, em 2005. Abaixo, o documentário pode ser visto na íntegra (mais informações aqui).

Maçãs demais e um pouco de massa folhada

macasHá um problema no fornecimento de maçãs aqui em casa. Às vezes aparecem aos quilos (já contei isto antes).

Sempre tenho que descobrir maneiras de torná-las comestíveis para mim – não como a fruta ao natural.

Se pelo menos elas chegassem em garrafas de sidra…

Aqui ficam mais algumas alternativas que fiz para dar conta de consumir os carregamentos de maçãs que me aparecem.

Antes de mais nada, faça a seguinte mistura com as maçãs.

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RECHEIO DE MAÇÃS PARA DOCES E TORTAS

Ingredientes:

6 maçãs descascadas e cortadas em cubos pequenos
2 colheres (sopa) de açúcar mascavo (ou branco)
canela em pó a gosto
1 colher (sopa) de suco de limão
50 g de manteiga em cubinhos
1/2 xícara (chá) de uvas passas sem sementes ou
1/2 xícara (chá) de cerejas picadas ao natural ou em calda

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Modo de Preparo:

Misture todos os ingredientes delicadamente, sem desmanchar os cubos de manteiga, e reserve.

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Ingredientes adicionais para todos os usos que serão apresentados aqui:

1 pacote de massa folhada comprada pronta (cerca de 1 kg)
gema batida para pincelar
1 pacote de amêndoas laminadas (opcional)
açúcar de confeiteiro para polvilhar

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USOS POSSÍVEIS

FOLHADO DE MAÇÃ I

Disponha a massa folhada em uma superfície limpa e enfarinhada. A massa deve ficar o mais fina possível. Espalhe em um dos lados a mistura das maçãs. Enrole como se fosse um rocambole. Pincele com a gema. Faça pequenos cortes para o ar sair enquanto assa. Espalhe amêndoas laminadas por cima. Coloque em uma forma untada e asse em forno quente até que fique levemente dourada. Polvilhe açúcar de confeiteiro para finalizar. Sirva inteiro ou cortado em fatias e, se quiser, acompanhado de algum sorvete (creme ou natas por exemplo).

FOLHADO DE MAÇÃ II

Em uma forma quadrada ou retangular, untada e enfarinhada, disponha uma fina camada da massa folhada. Coloque uma fina camada da mistura de maçãs. Faça outra camada de massa folhada e outra de maçãs, até que acabe com uma camada de massa folhada. Pincele com a gema. Faça alguns furos pequenos por todo o folhado para sair o ar quando estiver assando. Coloque algumas amêndoas laminadas por cima. Asse em forno quente, até que fique levemente dourada. Polvilhe com açúcar de confeiteiro para finalizar. Corte cuidadosamente em quadrados ou retângulos.

TORTA DE MAÇÃ

Em uma forma de torta, coloque a massa folhada, mas com cuidado, pois não deve ficar fina. Fure toda a superfície da massa com um garfo, para não formar bolhas de ar ao assar. Espalhe a mistura de maçãs uniformemente pela massa. A grossura da mistura de maçãs deve ser maior do que a grossura da massa já posta, mas sem exageros. Por cima, coloque mais uma camada da massa, na mesma grossura da parte inferior. Feche com cuidado nas laterais para não abrir a torta ao assar. Pincele com a gema e faça furos, com cuidado, para sair o ar. Coloque algumas amêndoas laminadas por cima. Asse em forno quente até começar a dourar. Polvilhe com açúcar de confeiteiro para finalizar.

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A massa folhada que uso não vem em lâminas separadas, mas sim em bloco único. Caso só encontre massa folhada em lâminas separadas, para fazer a torta, basta colocar lâminas umas sobre as outras até chegar à grossura desejada.

Castelos Templários em Portugal – Tomar

Vista aérea do Castelo de Tomar

Vista aérea do Castelo de Tomar

O Castelo de Tomar fica na freguesia de São João Baptista, no concelho de Tomar, no distrito de Santarém. Sua construção foi iniciada em 1160, no que restava da cidade de Sellium, fundada pelos romanos, passando esta a ser designada de Tomar quando do início da construção do Castelo.

Mas por que Tomar? Diz a lenda, que D. Gualdim Pais, mestre da Ordem do Templo na época da doação das terras aos templários pelo rei D. Afonso Henriques, encontrava-se explorando a cidade abandonada de Sellium, um pouco afastado de seus companheiros. Começa a ouvir gritos destes que diziam: Toma-lo! Toma-lo! (Pegue-o! Pegue-o!). Estavam todos envolvidos na caça a um javali, que aparecera de repente. D. Gualdim quando vê o javali já morto, resolve que não apenas o Castelo mas toda a área ao redor passaria a chamar-se Tomar.

Capitel na Igreja de São João Baptista, onde é representada a caçada ao javali que teria dado nome à cidade de Tomar.

Capitel na Igreja de São João Baptista, onde é representada a caçada ao javali que teria dado nome à cidade de Tomar.

Independente de ser verdade a lenda, o fato é que a palavra “tomar” também pode ser usada com o significado de “conquistar”. Não se pode esquecer que nesta época estava sendo empreendida a Reconquista das terras ocupadas pelos muçulmanos na Península Ibérica. A caçada ao javali foi esculpida em um capitel e em um portal da Igreja de São João Baptista, que se localiza na freguesia de mesmo nome.

O Castelo de Tomar divide espaço com outras construções, sendo a mais notável o Convento de Cristo, cuja construção iniciou-se pouco depois do castelo, em 1162. Mas as maiores modificações foram feitas no século XVI, o que acabou por lhe dar um aspecto arquitetônico diferenciado do castelo. O Convento de Cristo é considerado patrimônio da humanidade pela UNESCO. O Castelo de Tomar é classificado como Monumento Nacional, de arquitetura militar, onde se pode encontrar elementos de diferentes estilos (românico, gótico e renascentista). É cercado por uma muralha dupla, ou dupla cintura de muralhas. Na parte interna amuralhada, havia uma divisão de espaços, tendo uma área de Praça de Armas separada, por uma zona elevada amuralhada, da Almedina ou Medina – nome dado a cidades que eram construídas dentro de muralhas, e significa cidade em árabe. No ponto mais alto fica a Torre de Menagem (torre mais elevada de um castelo e o último reduto de defesa), totalmente cercada por mais uma muralha, e contígua à Alcáçova (cidadela), onde residiam as autoridades eclesiásticas e militares. A muralha externa é recortada por vários cubelos arredondados ou quadrados (torres), que comportavam os homens que a defendiam, e encima uma área inclinada denominada de alambor – espécie de muro em rampa que dificultava o acesso à muralha e suas torres.

Sítio onde teria existido o Castelo de Cera

Local onde teria existido o Castelo de Cera

O Castelo de Tomar foi antecedido pelo Castelo de Cera – este nome originou-se de sua designação romana Castrum Caesaris – que localizava-se na freguesia de Alviobeira, também concelho de Tomar, distante cerca de 10 km do atual Castelo de Tomar. O Castelo de Cera provavelmente foi construído ainda antes da ocupação romana, sendo reaproveitado por estes e pelos posteriores ocupantes da zona. Acabou por ser destruído, segundo alguns, pelos muçulmanos na época da Reconquista empreendida por D. Afonso Henriques no século XII. Já outros afirmam que, por ser muito pequeno e estar em mal estado, teria sido abandonado, quando D. Afonso Henriques doou o castelo e as terras ao redor para a Ordem do Templo. Deste castelo resta apenas um amontoado de pedras, em Alviobeira, onde supõem os arqueólogos teria existido este castelo.

A ocupação humana do atual concelho de Tomar remonta a cerca de 30 mil anos, pelos achados arqueológicos, o que equivale dizer que a região já era habitada no Neolítico. Também na área que ocupa Tomar, segundo alguns, teria existido a cidade de Nabância, associada a uma divindade pré-romana chamada Nabia (água corrente), relacionada às águas e rios, da mitologia celta, brácara e lusitana. Esta cidade teria sido fundada no século V a.C., por um povo oriundo do sul da península, uma tribo dos Tartessos, e depois ocupada pelos romanos. Foi já comprovado que a cidade de Nabância não é propriamente em Tomar, apesar de ainda haver quem associe Tomar a Nabância. Porém, há um rio que passa pela cidade chamado Nabão (Nabanus para os romanos), nome que estaria associado à cidade de Nabância. No século I d.C., na época do imperador romano Augusto, foi fundada a cidade de Sellium que, esta sim comprovadamente, era onde hoje fica a cidade de Tomar. O tempo passou, e a pequena cidade romana de Sellium foi sucessivamente sendo incorporada ao território de novos ocupantes. No século V chegaram os suevos e no século VI os visigodos. Foi durante o domínio visigodo que ergueram-se em Tomar (Sellium) os primeiros templos cristãos. É desta época a Lenda de Santa Iria (também chamada de Santa Irene), santa não reconhecida pela Igreja Católica, sendo até os dias de hoje, padroeira de algumas paróquias em todo Portugal. O nome do distrito de Santarém seria uma corruptela do nome de Santa Iria (Sancta Irene).

Vista do interior do Castelo

Vista do interior do Castelo

Após os visigodos chegaram os muçulmanos que ficaram pelo atual concelho de Tomar e até D. Afonso Henriques iniciar a Reconquista, logo depois da fundação do Reino de Portugal. Graças à ajuda dada pela Ordem do Templo na reconquista de Santarém, a região hoje ocupada por Tomar e proximidades foi doada à Ordem, no ano de 1159. Além das terras e o Castelo de Cera, os rendimentos que seriam recebidos pelas igrejas locais passavam às mãos dos templários. A Ordem podia explorar toda a zona economicamente, sem dever impostos ao rei ou ao bispo, ou qualquer outra obrigação, além da de defender aquele território de qualquer ataque muçulmano. Em 1160 tem início a construção do Castelo de Tomar, e da vila situada dentro das muralhas do castelo, a Almedina. As terras férteis junto ao rio Nabão, além da proteção dos templários, atraíram povoadores.

Porta que dava acesso à Almedina, rebatizada de Porta do Sangue quando to cerco de Tomar em 1190.

Porta que dava acesso à Almedina, rebatizada de Porta do Sangue no cerco de Tomar em 1190.

Em 1185, morre D. Afonso Henriques, sendo sucedido por seu filho D. Sancho I. Poucos anos depois, os muçulmanos empreendem um pesado ataque aos territórios conquistados por D. Afonso Henriques, fazendo todo o território português recuar do Algarve até o rio Tejo. Em 1190, através das atalaias (torres de vigia) que existiam entre o Castelo de Almourol – outro castelo templário localizado em uma ilha do rio Tejo – e o Castelo de Tomar, os membros da Ordem em Tomar foram avisados do avanço muçulmano. O castelo ainda não estava concluído passados 30 anos, mas lá achavam-se duas centenas de defensores templários, acompanhados por homens locais e chefiados por D. Gualdim que já tinha 72 anos. Ao encontro deles vinham 900 guerreiros chefiados pelo califa Almansor, terceiro da dinastia Almôada, do Marrocos. Por seis dias, toda a zona ao redor do castelo foi saqueada, e chegaram mesmo a passar pela porta que dava acesso à Almedina. Mas os cavaleiros templários chefiados pelo velho mestre, conseguiram manter o castelo em seu poder. Graças a esta batalha, foi travado o avanço muçulmano, abrindo brecha a um contra-ataque e início de uma nova expansão dos domínios portugueses.

Esta não foi a última batalha em Tomar, mas a primeira grande batalha em que cumpriam ao pé da letra o acordo feito com D. Afonso Henriques de defender Tomar dos muçulmanos.

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Como sugestões de leitura deixamos aqui o link da bibliografia utilizada para a elaboração do site Tomar Terra Templária, muito bem escrito, coerente e de fácil leitura, do qual utilizamos informações e fotos para montar este post.