Primeval: a série

Primeval

Primeval

Adoramos séries aqui em casa. Há fins de semana que fazemos seção séries, e assistimos vários episódios seguidos, na cama ou no sofá, com intervalos para uma comidinha ou café.

A última descoberta foi a série inglesa Primeval (título original), que está passando aos domingos na RTP1 (canal de televisão aberto português). Aqui em Portugal chama-se Primeval – tempos primitivos, e no Brasil Invasores Primitivos. Vi um pedacinho de um episódio e achei meio sem pé nem cabeça, depois vi um episódio inteiro e percebi que era o tipo de série que gostamos de ver.

A série, com 6 episódios na primeira temporada e 7 na segunda, conta a história de um professor, Nick Cutter (Douglas Henshall), e sua equipe, Stephen Hart (James Murray), Connor Temple (Andrew Lee Potts), e Abby Maitland (Hannah Spearritt), apoiados – e vigiados – por uma agência governamental. Esta equipe começa a investigar o surgimento de anomalias que seriam uma espécie de buraco entre presente e passado que permitem a viagem a outras eras. O grande problema é que os seres que existiam nas outras eras – e atualmente estão extintos – também podem viajar no tempo e aparecerem circulando em qualquer lugar nos dias atuais, mais especificamente na cidade de Londres, onde a série é ambientada. Além de tentarem descobrir o que são e como prever estas anomalias, precisam conter e enviar de volta estes seres que representam uma ameaça às pessoas do mundo de hoje – mantendo, claro, tudo escondido do grande público. A primeira anomalia surge na Floresta de Dean, onde 8 anos antes a mulher do professor Cutter, Helen Cutter (Juliet Aubrey), desapareceu sem deixar rastro, quando estudava estas mesmas anomalias.

Tim Haines e Adrian Hodges são os criadores desta boa série, bem escrita, com um tom de humor mesclado a romance e ação. Os seres de outras eras estão bem feitinhos (falo enquanto telespectadora)! Uma cena que vi em um episódio da segunda temporada me recordou o filme Alien, o oitavo passageiro. Sem contar que os dinossauros misturados a buracos no tempo, lembram muito o Parque dos Dinossauros do Spielberg e à série Stargate. Pra quem gostou de um ou outro ou dos dois, com certeza, vai gostar da série.

Se você é partidário da internet democrática, é contrário à exploração capitalista do divertimento dos pobres (filmes, séries, músicas, etc), acha que baixar alguma coisa da internet é uma forma de protesto aos altos preços dos produtos, fica cansado de tentar descobrir em que horário vai passar o próximo episódio já que a emissora muda o horário e dia constantemente (meu caso), ou não está nem aí se alguém vai ficar desempregado por você não comprar os dvds da sua série favorita, fica aqui o link para baixar a série (primeira e segunda temporadas).

Caso você não se encaixe em nenhuma das alternativas acima, fica aqui o site oficial da série, para que tenha mais informações sobre o novo produto que irá adquirir, ou começar a assistir na tv.

Este ano a terceira temporada vem aí. Veja o trailer.


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Freixo de Espada à Cinta

Freixo

Freixo

Uma vez, há anos atrás, quando ainda vivia em Salamanca (Espanha), atravessando a fronteira com meu companheiro (português, diga-se de passagem), fui parar em uma localidade portuguesa com um nome super curioso: Freixo de Espada à Cinta.

Era um dia de tempo ruim, garoava, estava um pouco frio, e eu ali perdida entre montes espanhóis e portugueses. A estrada não era das melhores, apesar da paisagem ser simpática. Nem eu nem meu companheiro sabíamos muito bem onde chegaríamos. Acabamos por chegar à fronteira por uma rota pouco habitual. A que costumávamos fazer era rumo a Vilar Formoso, pertencente ao concelho de Almeida no Distrito da Guarda. Entramos em Portugal pelo distrito da Guarda, mas no extremo norte, no concelho de Almeida ainda. Seguindo de carro um pouco mais ao norte, chegamos ao concelho de Figueira de Castelo Rodrigo. Mais um pouco ao norte ainda, acabamos por chegar ao Distrito de Bragança, e a esta localidade de nome curioso.

Por quase todo o caminho, avistava Espanha do outro lado do rio, e mal via Portugal, pois a estrada que seguíamos não favorecia a paisagem portuguesa, mas via-se sempre o rio lá embaixo. Duro foi descobrir que rio era aquele. Eu tinha certeza que era o Douro, porém era o Águeda. Teimei e muito que era o Douro. Mas era o Águeda. Só me convenci disto, ao ler em Almeida uma placa com o nome do rio.

Enfim, depois da localização geográfica e descrição de parte da rota percorrida, chegamos a Freixo de Espada à Cinta. Eu não me conformava que uma cidade (na verdade uma vila, pois cidade em Portugal não é o mesmo que cidade no Brasil) tivesse um nome tão… estranho. Não vi direito a cidade (vila), não apenas pela garoa que caía, mas também porque estava concentrada no bendito nome do lugar. Freixo de Espada à Cinta. Dei risada do nome, fiz piada:

Mas vocês portugueses põem cada nome nos lugares…

Naturalmente não levei em consideração nomes tupiniquins como Ibitipoca, Caraguatatuba, Pindamonhangaba entre outros, pois, por mais estranhos que sejam, estes nomes para mim são normais. O “anormal” era Freixo de Espada à Cinta.

Uma vilinha tranqüila aparentemente, com o que resta de um castelo provavelmente do século XII ou anterior, e onde pela primeira vez vi uma azeitona no pé. Aliás, mais do que a vila e seus encantos, a grande descoberta para mim foi a azeitona no pé. Não me esqueço até hoje do muro de pedra, numa esquina bem fechada, por onde caía o galho da oliveira, carregado de pretas azeitonas que me convidavam para provar uma azeitona diretamente do pé. Meu companheiro não permitiu que eu fizesse tal coisa, o que me deixou um pouco triste. Mas algum tempo depois, ao provar uma azeitona tirada do pé, descobri não ser uma experiência muito agradável.

. Aliás, mais do que a vila e seus encantos, a grande descoberta para mim foi a azeitona no pé. Não me esqueço até hoje do muro de pedra por onde caía o galho da oliveira, carregado de pretas azeitonas que me convidavam para provar uma azeitona no pé. Meu companheiro não deixou que eu fizesse tal coisa, o que me deixou um pouco triste. Mas algum tempo depois, ao provar uma azeitona tirada do pé, descobri não ser uma experiência muito agradável.

Por muito tempo não me conformei que um lugar tivesse este nome tão pitoresco, e minha implicância fez-me procurar a razão pela qual esta vila assim se chamava. Após descobrir a origem do nome do lugar, não nego que até comecei a simpatizar com ele. Afinal, quando entendemos algo, aceitamos melhor.

Há várias versões para a origem do nome. Uma delas seria que um homem chamado Feijão (possivelmente galego), primo de São Rosendo, teria fundado a vila. Como costumava usar um freixo e uma espada em seu escudo de armas acabou por tornar-se este o nome do lugar. Feijão teria morrido por volta de 977, curiosamente, São Rosendo também.

Outra versão mais põe São Rosendo na história. No caso, um outro primo de São Rosendo, de nome incerto, estaria sendo perseguido por um grupo de aventureiros. Como já estava quase sem escapatória, escondeu-se entre os ramos de um freixo, no qual teria pendurado sua espada. Os tais aventureiros, ao avistarem o freixo com a espada à cinta, entraram em pânico com esta visão e fugiram. Penso que a idéia de combater com um freixo deve ter sido terrível para eles. Depois de se salvar dos inimigos com a ajuda do freixo, este primo de São Rosendo teria dado início a esta povoação.

Outra versão mais, fala de um capitão godo, de nome Espadacinto (em algumas versões Espadacinta), que cansado da batalha, ali chegou e pendurou sua espada no freixo, deitando-se em sua sombra para descansar. Após este descanso revigorante teria dado ao freixo seu próprio nome. Um pouco narcisista esta versão. Pena não ter encontrado qualquer informação sobre o tal Espadacinto.

Mas há outra mais! Há outra versão ainda, que trata da renomeação da atual vila de Freixo de Espada à Cinta como sendo obra de um sonho de D. Dinis. D. Dinis (1261 a 1325) foi o sexto rei de Portugal. Além dos filhos legítimos, teve vários filhos ilegítimos, aos quais distribuiu altos cargos. Este fato levou D. Afonso IV, então ainda infante, a entrar em atrito com o pai. D. Dinis viu-se obrigado a incursionar pelo norte de Portugal impodo a ordem em seu reino, abalada pela rebeldia (ou discordância) do filho. Em uma destas viagens para reposição da ordem, viu-se D. Dinis diante de um belo freixo à beira de um caminho, com uma sombra majestosa na qual não resistiu e deitou-se para descansar, colocando sua espada no tronco da árvore, e sendo deixado só por seus companheiros que se afastaram para montar acampamento.

D. Dinis adormeceu e começou a sonhar. A seu lado apareceu uma figura de um velho de longas barbas brancas com sua espada à cinta. D. Dinis começa a conversar com este fantasma que lhe explica ser o espírito do velho freixo no qual o rei descansava à sombra. Segundo este mesmo espírito do sonho, cada vez que um rei português pendurasse sua espada no tronco do freixo, o espírito seria libertado e poderia reviver por alguns momentos. Mas este espírito do velho freixo um dia tinha sido também um rei, mas rei visigodo, que havia se recostado à sombra do mesmo freixo para descansar. Este velho e temido rei fora surpreendido pelos inimigos e morto. Começaram então a conversar, o velho rei visigodo e o rei português. No entanto, em meio à conversa D. Dinis acorda sem terminar de ouvir os sábios conselhos que o velho lhe dava. Nunca mais voltaria a ver o velho rei, porém ao acordar apercebeu-se do quanto ele e o freixo se pareciam. D. Dinis teria contado este sonho aos amigos mais chegados, e estes a outros, e os outros a outros mais. De tal forma a história se espalhou, que com o passar do tempo, a localidade acabou por ser chamada de Freixo de Espada à Cinta.

A localidade já era habitada muito antes da passagem de D. Dinis, no entanto, teria ganho o nome atual após o sonho do rei. Antes, era chamada apenas de Freixo, e provavelmente originou-se à volta do castelo do qual ainda resta a torre. Agora, tenho vontade de voltar a Freixo de Espada à Cinta, não para rir de seu nome, mas para buscar, próximo à igreja matriz (bela igreja diga-se de passagem), algum resquício do velho freixo, pois dizem que é próximo a igreja que ele existiu, o freixo do velho rei visigodo, frondoso, rodeado de banquinhos de pedra.

Bolo de Chá Preto

Lembro que a primeira vez que comi este bolo ainda era criança. Minha mãe fez umas vezes e depois nunca mais. Aquele gosto ficou na minha boca por muito tempo, até que cresci o suficiente para ligar um forno sozinha e fazer o bolo sem precisar de mamãe. Reencontrei a receita em um livro de receitas de uma cunhada (a única que sabe cozinhar) e tratei de matar o desejo de comer este bolo depois de muitos anos.

Teve um período que fiz tanto deste bolo que até enjoei. Cheguei a fazê-lo para que minha mãe levasse em uma confraternização. Fiz duas receitas e enviei os dois bolos. Não voltou nada. Depois mamãe ainda reclamou que eu não devia ter enviado todo o bolo, deveria ter deixado um pouco para comermos em casa! Lá fui eu fazer uma terceira receita.

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BOLO DE CHÁ PRETO

Ingredientes:

1 copo de chá preto bem forte (use de 2 a 3 saquinhos)
2 e 1/2 copos americanos de farinha de trigo com fermento
2 copos americanos de açúcar
3 ovos inteiros
1/2 xícara (chá) de óleo
1 copo americano de água
2 maçãs descascadas e cortadas em cubos
1 xícara (chá) de goiabada (ou marmelada) cortada em cubos

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Modo de Preparo:
Faça o chá, com a água, e reserve. Após esfriar, bata com a varinha mágica (ou batedeira) junto dos ovos, do óleo e do açúcar. Por último acrescente a farinha aos poucos. Acrescente as maçãs, misturando delicadamente. Unte e enfarinhe uma assadeira, despeje a massa, e por cima, jogue os pedacinhos de goiabada. Eles irão afundar na massa e incorpora-se a ela. Asse por 30 a 45 minutos (depende do forno), ou até que fique bem bronzeado.

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1) Caso não queira usar a goiabada picada, pode substituir por 2 colheres (sopa) de geléia de sua preferência. Mas esta geléia não se coloca no final mas sim no início do preparo, junto dos primeiros ingredientes a serem batidos.

2) Costumo acrescentar 1/3 de copo de licor de cacau ou cassis (ou outro qualquer que me dê vontade) à massa, logo quando junto o chá. Este detalhe faz toda a diferença.

3) Experimente cobrir o bolo com uma calda rala de chocolate. Fica bom demais.

4) Após assado e frio, e já coberto com a calda, corte em quadrados.

5) Um copo americano equivale a 250 ml. Se forem usar um medidor é só medir os ingredientes pelo 250 ml do medidor.

Jogos de Point and Click

covert front

Covert Front

Além dos jogos de fuga que encontrei pela net, também encontrei diversão nos jogos de Point and Click. Nestes vai-se clicando na tela que aparece até completar uma tarefa, e conseguir avançar para outra tela. Tem um super simples que é encantador (fora que a trilha sonora também é 10). Pra quem nunca jogou um destes é o ideal pra começar: Quest for the rest. Porém, pra quem quiser maiores desafios, sugiro o Old Castle (são 3 jogos). Demorei uns três dias pra terminar o primeiro mesmo lendo o detonado. O melhor que joguei até agora. O detonado indispensável pra jogá-lo está aqui. Outro bom desta categoria é o Covert Front (são dois jogos), bem mais fácil que o anterior. Sugiro também a série de jogos Arcane Games Season 1 e 2. O ruim deste é que morri direto. Mas os episódios que consegui terminar (não foram todos) me deram vontade de continuar a jogar os outros. Neste link tem acesso aos episódios todos (cuidado, não estão em ordem).

wogger

Wogger

O point and click no qual ando no momento é o Wogger-mini. Quantos levels tem este joguinho? Não faço idéia. Nunca tive a curiosidade de ver no site qual o último chapter (level). Na verdade o Wogger é um conjunto de mini jogos – por isto Wogger-mini -, já que cada level é independente e pode ser acessado mesmo que não se tenha jogado os levels anteriores. Estou adorando a família Wogger! Demorei a descobrir que Tipiti era ela e não ele. Só fui perceber quando o filhote apareceu pela primeira vez. Oh lerdeza!

Mas além do Wogger-mini que ando jogando, há outro Wogger, com 10 levels (a cada level completado recebe-se uma password para o próximo, assim não precisa jogar tudo de uma vez, e pode-se pular os levels já completados). E tem também o Wogger-inside, que ainda não joguei, com 3 levels.

Onde encontro estes jogos de Point and Click e muitos mais? Aqui. E aqui está a lista dos detonados do mesmo rico site.

Carnaval de Torres Vedras e o Magalhães

Desde que vivo em Portugal ouço falar do carnaval de Torres Vedras. Diz a propaganda e os portugueses que este é o mais português de todos os carnavais. Mas a princípio, o grosso das propagandas que via era de imitações de carnaval brasileiro, incluindo mulheres seminuas em pleno inverno lusitano, baterias, destaques em carros alegóricos e atores globais.

O tempo foi passando e como não ligo para o carnaval nunca me preocupei em conhecê-lo ao vivo. Mas este ano, houve propaganda extra do carnaval de Torres Vedras graças a uma polêmica que começou, pelo que dizem, com a reclamação de um morador local. Resolveram, a partir desta reclamação “censurar” o carnaval, de certa maneira…

No carnaval de Torres decidiram fazer uma sátira ao Magalhães, um laptop (ou portátil, como se diz por aqui) produzido em Portugal e destinado a alunos do 1º ciclo (1º a 4º anos). Em teoria, este computador é para uso exclusivo escolar, para estudar. Mas como tem acesso à internet e não vem com proteção efetiva para evitar a visualização de pornografia, qualquer criança pode acessar este tipo de material através do inocente computadorzinho que deveria servir para fins escolares. A sátira, então, incluía um “Magalhães” com imagens que qualquer criança poderia acessar através dele coladas no “monitor”. Estas imagens foram conseguidas numa simples busca no Google, digitando a palavra mulheres. Não é que as imagens que apareceram fossem realmente de pornografia, mas também não eram inocentes. O morador local não gostou da sátira, reclamou, o Ministério Público censurou, e a polêmica começou.

O felissímo presidente da câmara de Torres Vedras logo após a censura ao Magalhães. (IOL)

O felicíssimo presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras logo após a censura ao Magalhães. (IOL)

O presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras (equivalente ao prefeito, no Brasil) disse algo bem interessante sobre o sucedido:

“Mal está uma sociedade quando não se consegue rir de si mesma e se os órgãos de soberania encaram desta forma o Carnaval de Torres, em que não ofendemos ninguém, algo está mal. Respeitamos a ordem mas fazemos questão de torná-la pública, na certeza de que tudo faremos para não deixar cair o espírito crítico do Carnaval mais português de Portugal” (IOL Diário)

O resultado é que Torres Vedras nem deve ter precisado gastar dinheiro com propaganda, pois a história acabou rendendo bons minutos de tempo na televisão e matérias em jornais. Pela foto aqui do lado dá pra ver a alegria do presidente da Câmara com a contribuição da Justiça portuguesa para a promoção do Carnaval de Torres.

A proibição às imagens caiu. Foi tudo liberado! É Carnaval!

Conclusão: milhares de pessoas foram atraídas ao Carnaval de Torres graças à polêmica – e ao bom tempo.

Ida ao Mercado em Portugal

Logo que cheguei em Portugal descobri que esta história de que aqui e no Brasil fala-se a mesma língua não é 100% verdade. Os primeiros meses foram para decodificação e aprendizado de novo vocabulário básico, além de muitas tentativas frustradas de que entendessem o que eu queria ou dizia.

Um exemplo disso foram minhas primeiras idas ao mercado. Tanto a localização dos produtos, como muitas vezes seus nomes não eram os que eu conhecia. Para que tenham noção da dificuldade inicial, cito um exemplo real. Dentro do açougue pedi lingüiça defumada, e logo em seguida me autocorrigi e disse chouriço fumado. O açougueiro disse que eu poderia falar defumado pois aqui também se diz. O problema é que você espera, espera, e eles nunca dizem defumado, só fumado. Acabei por entender que se usa, se entende, mas não se diz.

Reuni alguns destes momentos em um pequeno texto, narrando uma ida ao mercado imaginária que nada mais é do que a junção de várias de minhas idas no período de aprendizagem de novo vocabulário. Incluí no texto diálogos reais que tive. De lá pra cá, passaram-se alguns anos. Já descobri onde encontrar uma cebolinha, um óleo de soja, mas não nego que foi duro descobrir onde estes produtos simples e corriqueiros se encontravam neste novo velho mundo.

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IDA AO MERCADO EM PORTUGAL

O homem recebeu o salário, é hora de ir ao mercado comprar comida para ele ficar fortinho. Vamos então caminhando sossegadamente pela calçada. Não, não é calçada, é passeio. Então vamos nós pelo passeio até que paramos para comprar cigarro. Não, não se diz comprar cigarro, se diz comprar tabaco. Atravessamos a faixa de pedestres e compramos o tabaco. Não, não é faixa de pedestres, é passadeira. Tabaco comprado, seguimos ao mercado.

Comprar um creme de leite para fazer estrogonofe. Não, não é creme de leite, é natas. E não, não tem nada de cremosa a tal nata, é quase líquida. Seguimos adiante nas compras, e vamos comprar um macarrão para fazer uma boa macarronada com fartura de molho de tomate. Não, não é macarrão, é massa. Vamos ao arroz e deixemos de lado a massa dentro da cestinha. Meu arroz amarelinho, arroz parboilizado. Não, não é arroz parboilizado, é arroz estufado. Arroz estufado na cestinha vamos ao café.

– Onde anda o café? Chicória? Cereais? Cadê o café?

Ah, achei. Já pensava que tinha outro nome também. Tomar chicória no lugar do café? Dá não. Seguindo nas compras, comprar umas brejas para o homem beber. Não, não se diz brejas, se diz bejecas. Bejecas na mão chegamos aos enlatados. Oba, vagem já cortada e cozida, dá um trabalho cortar… Não, não é vagem, é feijão verde. Tudo bem, feijão verde na cesta.

– Aspargos! Ué, erraram na embalagem?

Não, não é aspargo, é espargo. Agora vamos ver o que tem lá no fundo do mercado.

– Pastéis? De bacalhau? Será que é bom?

Xi, não é pastel, não o que eu pensava. Bolinho de bacalhau chama-se pastel de bacalhau. Pastel aqui é outra coisa. E do lado tem…

– Rissóis?

Não, não é risoles, é rissóis.

Esqueci do leite. Cadê o leite integral? Não, não é leite integral, é leite gordo. E também não é leite desnatado, é leite magro. E levar um pacote de torradas para comer de manhã. Não, não é torrada, é tosta.

Ai, o óleo. Óleo de soja? Nem em sonho, tem que ser de milho mesmo. Não posso esquecer da farinha de trigo para fazer uma torta. Não, não é torta, é tarte. Levar um rocambole também. Não, não é rocambole, é torta.

Passar nos temperos. Comprar orégano. Não, não é orégano, é orégão.

– Que pimenta é esta? Piri-piri?

Não, não é pimenta malagueta, é pimenta piri-piri.

Tang, levar uns para fazer suco. Não, não é suco, é sumo.

Compramos mais algumas coisinhas e vamos ao açougue que é do ladinho. Não, não é açougue, é talho. Comprar uma carninha de vaca que tenho fome de uma boa picanha.

– Cadê a carne de vaca?

– “Não temos”.

– Então vai porco mesmo. Vai meio quilo de bistequinha.

Não, não é bisteca, é costeleta.

– E esta lingüiça fresca tem uma cara boa.

Não, não é lingüiça fresca, é salsicha.

– Vão oito gomos da salsicha então. Lingüiça toscana! Que maravilha!

Não, não é lingüiça toscana, é salsicha brasileira.

– Um pouquinho de lingüiça defumada também.

Não, não é lingüiça, é chouriço. E tão pouco se diz defumado, é fumado.

– Meio quilo de carne moída, por favor.

Não, não é carne moída, é carne picada.

Saímos do talho e vamos adiante. Opa, ali tem uma quitandinha, mercadinho, vamos lá ver o que tem. Não, nem quitanda nem mercadinho, é charcutaria.

– 250 g de presunto e o mesmo de queijo, minha senhora, para fazer uns sanduíches.

Não, não é presunto, é fiambre. E não é sanduíche, é sandes.

– Ah, tem pãozinho!

– “Carcaças ou bicos?”

– Que?

Não, não é pãozinho, muito menos pão francês, é carcaça a arredondada nas pontas e bicos os pãezinhos que tem aquela pontinha, aquele… biquinho.

– Vão bicos então. É mais barato. Que pimentão bonito tem aqui!

Não, não é pimentão, é pimento.

– Vão uns pimentos verdes. Cebolinha verde a senhora não tem?

– O que é isto?

Não, não tem cebolinha verde, mas mesmo que tivesse, é cebolinho e não cebolinha verde.

Carrinho de compras cheio, vamos para casa, caminhando lentamente pela… pelo passeio.

Pescada Assada

Tenho sérios problemas para comer peixe. Aliás, eu e meu companheiro temos sérios problemas para comer peixe. Não gostamos mesmo. Mas, sabe como é, peixe é saudável, necesário e coisa e tal… Então, lá fui eu à caça, de uma receita super fácil para quem não gosta de peixe nem costuma fazer. Pensei em fazer frito, mas fritura não pode, não faz bem à saúde. Pensei em fazer cozido, ai ai ai. Não dá, não consigo encarar peixe cozido! Então sobraram as opções grelhado e assado. A grelha que tenho não dá pra virar, então já antevi as belas postas do peixe desmanchando na minha tentativa de virá-las. Sobrou assado.

Mas a grande maioria das receitas que encontrava levavam ovos, vários ovos, ovos demais – e não posso comer ovos (a gastrite não gosta deles e eu, pessoalmente, também não). Mas não desisti, e acabei por encontrar uma opção que atendesse minhas inúmeras restrições (frescuras) ao peixe e demais ingredientes.

Encontrei, por fim, em um blog chamado Louam, de um português do Porto, uma receita simples, prática e que, pensei: esta eu como.

Publico então, uma versão abrasileirada da receita, dando os créditos ao autor da obra, e agradecendo que a tenha publicado na net.

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PESCADA ASSADA

Para duas pessoas:

Ingredientes:

2 postas de pescada
1 cebola grande cortada em rodelas finas
2 tomates maduros esmagados à mão
2 dentes de alho picados
6 batatas descascadas e cortadas em cubos
1 ramo de salsa
alguns pickles
sal à gosto
pimenta-do-reino à gosto
azeite à gosto

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Modo de Preparo:

Num refratário, espalhe uma camada de rodelas de cebola, coloque as postas da pescada, por cima coloque os dois tomates esmagados à mão, os dentes de alho e o pickles cortados. Coloque por último as batatas em volta, o ramo de salsa, o sal, a pimenta e um fio de azeite (se desejar, acrescente um pouco de água). Leve ao forno em temperatura alta e deixe assar sem virar. Quando estiver bem dourado, retire e sirva em seguida.

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Fiz uma pequena modificação, ao invés de salsa, coloquei coentro. Sempre achei que o coentro casa melhor com peixes e aves do que a salsa. Questão de gosto.

Ficou bom! Comemos!