6 Animais Extintos nos Últimos 160 Anos – Anfíbios (01)

01) * Jambato-Negro (Atelopus ignescens):

jambatonegroO Jambato-Negro é considerado extinto, pois desde 1988 não foi registrado mais nenhum espécime.

Habitava zonas subtropicais e tropicais úmidas do Equador, em áreas de grande altitude, entre 2800 a 4200 m. A áreas de seu habitat podiam ser de vegetação arbustiva ou pastagens, próximo a rios, em zonas agricultáveis e áreas urbanas. Era comum ser visto junto a córregos.

Estas áreas onde ocorriam concentravam-se no centro-norte do Equador, mas também podia ser encontrado no sul da Colômbia. Porém há controvérsias, pois há quem defenda que existe uma outra espécie não descrita ainda pela ciência na mesma região, sendo que nem todos os espécimes identificados como o Jambato-Negro seriam realmente desta espécie.

Foram feitas várias pesquisas nos últimos 15 anos na busca de um exemplar, porém não obtiveram sucesso.

Algumas das causas apontadas para sua extinção são uma doença que foi identificada em alguns espécimes, além das mudanças climáticas (aquecimento global e secas). A destruição de seu habitat e introdução de novos predadores poderiam ter contribuido para a diminuição de sua população, mas não são considerados como causadores do declínio considerável que teve a população de Jambatos.

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02) * Rã-da-Austrália (Rheobatrachus silus):

rheobatrachussilus A Rã-da-Austrália é considerada extinta desde 1981.

Era endêmica do sudeste de Queensland, Austrália. Viviam em altitudes entre 350 e 800 m. Habitavam uma área de cerca de 1400 km2, concentrando-se junto aos córregos e piscinas naturais, em uma zona de floresta tropical úmida.

Foi descoberta em 1973 oficialmente, porém há relatos de já ter sido descrita em 1914. Acabou despertando um grande interesse no meio científico por simplesmente dar à luz crias vivas saídas de sua boca. A Rã-da-Austrália é o único animal que se conheceu até hoje que tinha a capacidade de incubar os ovos no próprio estômago. Ao que se sabe , conseguia esta proeza ao anular as enzimas digestivas através de uma substância produzidas pelos ovos. No entanto, os cientistas não tiveram tempo suficiente para estudar este processo já que as rãs extinguiram-se menos de 10 anos após serem descobertas.

Do pouco que se pode observar sobre a vida desta rã, sabe-se que viviam junto aos cursos de água perenes, escondidas entre rochas e folhas. Supõe-se que as rãs hibernavam nos meses mais frios em fendas profundas nas rochas. Os machos escondiam-se em fendas de rochas mais profundas e preferiam cursos de água também mais profundos, enquanto as fêmeas e espécimes jovens davam preferência a cursos de água e esconderijos mais rasos. Porém havia um quesito básico, a profundidade deveria ser o suficiente para a rã sentar-se com a cabeça para fora da água, com segurança, e ser capaz de submergir. Só ficavam totalmente fora da água durante as chuvas leves. O acasalamento ocorria entre outubro e dezembro. Em fêmeas coletadas foram encontradas entre 21 e 26 crias no estômago da rã, mas supõe-se que o número de ovos seria superior (em torno de 40). Não se chegou a descobrir se parte destes ovos eram digeridos pela fêmea ou se apenas não eram engolidos por ela. A fêmea ficava com os filhotes em desenvolvimento em seu estômago durante 6 a 7 semanas, quando enfim, dava à luz suas crias vomitando-as. Depois de quatro dias deste parto exótico, o estômago das fêmeas voltava a funcionar normalmente, assim como elas voltavam a alimentarem-se.

A espécie teve um declínio populacional muito rápido, sendo o último espécime observado na Natureza em 1979. Há porém a possibilidade de um outro espécime ter sido encontrado em 1981.

As causas da extinção desta rã ainda são desconhecidas. Houve nos anos de 1970 uma exploração madereira intensa em sua área de ocorrência, mas não se chegou a desenvolver pesquisas para perceber qual foi o impacto na população de rãs. Atualmente o habitat tem a presença de gado doméstico introduzido (porcos), a qualidade e fluxo dos cursos de água foram alterados, e algo mais que possa ter contribuído para o desaparecimento das rãs é uma doença (Chytridiomycosis) mas não há confirmação, sendo apenas uma suposição.

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03) Sapinho-Marmóreo (Uperoleia marmorata):

sapomarmoreO Sapinho-marmóreo é considerado extinto desde a segunda metade do século XIX.

Era endêmica de uma área de cerca de 7700 km2, ao sul da desembocadura do Rio Príncipe Regente, em Kimberly, oeste da Austrália.

Viviam em áreas de campos e bosques alagáveis sazonalmente. Alimentavam-se provavelmente de insetos e vermes.

Era uma espécie de tamanho reduzido, com coloração verde oliva. Machos e fêmeas eram exatamente iguais, não havendo nesta espécie o dimorfismo sexual.

Foi descrito pela ciência a primeira vez em 1841, quando era considerado comum na região que habitava. Só é conhecido pelos dois espécimes coletados em 1841, não tendo sido encontrado novamente.

As causas de sua extinção são desconhecidas.

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04) Sapo-Dourado (Bufo periglenes):

bufoperiglenes

O Sapo-Dourado ou Sapo-de-Monteverde, é considerado extinto desde 1989.

Habitava uma região de grande altitude em um bosque de Monteverde, Costa Rica, que compreendia apenas 10 km2.

Foi descrito pela ciência em 1960.

É considerado um símbolo no alerta para a diminuição global das populações de anfíbios.

Uma das causas apontadas como responsáveis por seu desaparecimento são as mudanças climáticas geradas pelo aquecimento global.

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05) * Sapo-Leopardo-do-Vale-de-Vegas (Lithobates fisheri):

lithobatesfisheri

O Sapo-Leopardo-do-Vale-de-Vegas é considerado extinto desde 2002, pois durante 60 anos não houve nenhum novo registro desta espécie.

Este sapo só é conhecido de áreas ao norte do Vale de Vegas, no estado de Nevada, nos Estados Unidos. Habitava cursos de água doce e habitats adjacentes. Praticamente nada se conhece sobre seus hábitos.

Foi descrito pela ciência a primeira vez em 1893. A última vez que foi avistado na Natureza foi em 1942.

A causa principal de sua extinção foi a captação e bombeamento das águas subterrâneas para a cidade de Las Vegas. A isto também associa-se a introdução da espécie Rã-Touro (Rana catesbeiana).

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06) Sapo-Pintado-de-Israel (Discoglossus nigriventer):

Discoglossusnigriventer

O Sapo-Pintado-de-Israel foi provavelmente extinto nos anos de 1950.

Vivia em zonas úmidas ao norte de Israel. Mas por volta da década de 1950, esta zonas foram drenadas para fins agrícolas. Apesar de ter sido criada uma área de preservação ambiental nesta zona, isto não foi o suficiente para preservar o Sapo-Pintado e outras espécies nativas.

O Sapo-Pintado tinha uma barriga de cor escura com pintas brancas pequenas. A cor predominante era ferrugem com variação entre o cinza escuro e o preto acinzentado.

Não há qualquer informação sobre como viviam. Só restam dois espécimes que foram coletados em 1940 e 1955.

A causa de sua extinção é a perda do habitat natural.

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* – Desconhecemos se os nomes dos animais assinalados com o * são de fato os apresentados. Muitas informações para a montagem deste post foram obtidas em páginas em inglês e espanhol, sendo estes nomes meras traduções aproximadas dos encontrados nestes idiomas. Buscamos mas, não encontramos os nomes em língua portuguesa.

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3 Animais Extintos – Canídeos

01) Lobo-de-Hokkaido (Canis lupus hattai):

noimageO Lobo-de-Hokkaido, também conhecido como Lobo Ezo é uma das duas subespécies de Canis lupus extintas de lobos japoneses. Foi extinto em princípios do século XX.

Este lobo era endêmico do Japão, da ilha de Hokkaido.

Foi considerado uma ameaça à pecuária, que estava sendo estimulada pelo governo de então. Isto levou a uma campanha de extermínio destes lobos, através de envenenamento. Além da campanha de extermínio, seu habitat sofreu grandes modificações, assim como foram vítimas de doenças contagiosas.

Há notícias de supostos avistamentos do Lobo-de-Hokkaido até os dias atuais, mas não foi possível comprovar nenhum destes avistamentos.

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02) Lobo-de-Honshu (Canis lupus hodophilax):

canislupushodophilaxO Lobo-de-Honshu extinguiu-se em princípios do século XX, sendo que o último exemplar conhecido morreu em 1905, em Nara, Honshu, Japão.

Só era encontrado no Japão, nas ilhas de Honshu, Shikoku e Kyushu.

Era pequeno de cor cinzenta e habitava zonas montanhosas. Era o menor de todos os lobos conhecidos.

Por ter diferenças físicas muito grandes dos demais lobos, chegou a ser considerado por muitos como uma outra espécie. Foi o caso do zoólogo Yoshinori Imaizumi, que o considerou uma outra espécie. Mas a grande maiorias dos zoólogos o considera como uma subespécie de Canis lupus.

Por esta razão, de ser diferente dos demais lobos, em alguns lugares do Japão, é chamado de Yamainu, que quer dizer cachorro da montanha.

Era considerado um deus protetor da humanidade, sendo tolerado e alimentado, tornando-se assim uma espécie muito dócil com humanos. Mas com o aumento da urbanização, consumo excessivo de madeira, houve uma diminuição da oferta de comida para os animais que pertenciam à cadeia alimentar do lobo-de-Honshu. Assim, com menos oferta de alimento sua população foi decaindo. O desaparecimento deste lobo revelou sua importância para a sustentabilidade do ecossistema que habitava. Supõe-se que além das razões citadas para a diminuição da população, a caça por parte do homem assim como doenças contagiosas tenham contribuído para sua extinção, sendo a raiva a causadora final de seu desaparecimento.

Entre os anos de 1987 e 1989, e 1994 e 1995, foram feitas buscas na tentativa de encontrar algum remanescente deste lobo, mas não houve qualquer avistamento.

Só restam 8 peles, 5 animais dissecados e raras fotos deste animal.

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03) Warrah (Dusicyon australis):

dusicyonaustralisA Warrah, Guara ou Raposa-das-Falkland foi extinta em 1876.

Era endêmico das Ilhas Malvinas (Falkland), extremo sul do Oceano Atlântico, sendo o único mamífero endêmico deste arquipélago. Acredita-se que os antepassados desta espécie chegaram à ilha quando o nível do oceano estava mais baixo, e permitia a ida às atuais Malvinas por via terrestre. Com a subida do nível do oceano, acabaram por evoluir separadamente de seus parentes do continente.

Seu habitat eram as matas do arquipélago. Media cerca de 90 cm de comprimento e pesava em torno de 30 kg. Tinha pelagem espessa de cor castanha, com cauda e orelhas acinzentadas.

Supõe-se que sua alimentação era baseada em aves marinhas que nidificavam nas ilhas, além de crustáceos e crias de leões-marinhos. Vivia em bandos e era dócil em relação a humanos.

A espécie foi descrita pela primeira vez em 1690, e em 1833 Charles Darwin fez anotações sobre esta raposa, já prevendo seu desaparecimento poucas décadas depois.

No século XVIII era excessivamente caçado por sua pele. Em 1839 um grande número foi abatido em uma única expedição de caçadores dos E.U.A.. Com isto a população ficou muito reduzida. Em 1860, colonos escoceses introduziram ovelhas nas ilhas. As Warrah passaram a representar uma ameaça a estes pastores, levando a uma campanha de extermínio através de caça e envenenamento, que tornaram a espécie muito rara. O último espécime foi morto em 1876.

As causas da extinção da Warrah foram exclusivamente a ação humana.

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10 Animais Extintos nos últimos 500 anos – Aves (02)

01) ? (Anthornis melanocephala):

anthornismelanocephalus

Esta espécie de ave foi extinta em princípios do século XX.

Era endêmica das Ilhas Chatham, arquipélago localizado a 800 km da Nova Zelândia, no Pacífico Sul.

Tinha uma plumagem predominantemente verde, sendo mais escura na cabeça na qual tinha uma tonalidade púrpura azulado. Era muito semelhante em aparência à Bellbird-da-Nova-Zelândia (Anthornis melanura), mas era consideravelmente maior.

Foi registrada pela primeira vez em 1906, já sendo uma ave rara.

As causas de sua extinção são a perda de habitat. Porém, previamente, sofreu um decréscimo populacional devido a introdução de doenças e outros distúrbios, causados pela introdução de ratos e gatos. A coleta de espécimes por colecionadores também contribuiu para sua extinção.

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02) ? (Gallicolumba norfolciensis):

gallicolumbanorfolciensisEsta espécie de pomba foi extinta por volta de 1800.

Vivia na Ilha Norfolk, pertencente à Austrália, no Oceano Pacífico.

Praticamente nada sobre seus hábitos é conhecido, supondo-se que habitava em áreas florestais.

Foi descrita pela primeira vez por volta de 1790.

As causas de sua extinção foram a caça e a introdução de gatos e ratos na ilha.

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03) Águia-de-Haast (Harpagornis moorei):

pouakai

A Águia-de-Haast, Te Hokioi em maori, foi extinta por volta do século XV.

Era endêmica da ilha sul da Nova Zelândia.

Era uma ave de rapina de hábitos diurnos. Tinham cerca de 3 metros de envergadura, sendo os machos menores que as fêmeas. O peso das fêmeas era de cerca de 10 a 14 kg, e dos machos era em torno de 10 kg. As grandes dimensões às quais atingia esta ave podem ser resultado de um habitat sem outros grandes predadores concorrentes e rico em presas de grande porte, como as Moas e Patos-de-Finsch, ambos extintos.

Para matar suas presas, faziam uso de seus bicos encurvados e fortes patas que terminavam em longas garras que provavelmente dificultavam a locomoção no solo. Mas estas garras eram perfeitas para dominar e matar as presas.

Além do fato de terem hábitos diurnos, pouco se sabe sobre seus hábitos, supondo-se que provavelmente vivessem em casais.

Foi registrada pela primeira vez pelo geólogo alemão Julius von Haast, do qual recebeu o nome, que encontrou vários esqueletos desta ave em 1872.

As causas da extinção estão relacionadas à chegada dos primeiros humanos na Nova Zelândia, por volta de 1000 anos atrás. Os maoris não caçavam as Águias, pelo contrário, veneravam-na, representando-a em pinturas rupestres. Mas caçaram diversas de suas presas até a extinção, contribuindo para a degradação de seu habitat, com a diminuição da oferta de alimento, levando-a à extinção.

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04) Akialoa-do-Havaí (Akialoa obscura ou Hemignathus obscurus):

hemignathusobscurusA Akiloa-do-Havaí foi uma ave extinta provavelmente pelos anos de 1940.

Era endêmica do Havaí, vivendo em zonas florestais.

Alimentava-se de insetos, como besouros ou lagartas. Também alimentava-se de néctar das flores de lobélias entre outras. Seu longo bico encaixava-se facilmente entre as pétalas das flores e é certo que foi um excelente polinizador.

Era a menor das quatro espécies de akialoas. Tinha plumagem amarelada, sendo verde azeitona nas asas.

As causas de sua extinção estão ligadas à perda de habitat e conseqüentemente, de alimento, levando a seu desaparecimento por volta dos anos de 1940. Na mesma época outras espécies de aves também desapareceram.

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05) Mamo-do-Havai (Drepanis pacifica):

mamodehavaiEsta ave foi extinta provavelmente em 1898.

Era endêmica do Havai.

Vivia em zonas montanhosas, alimentando-se de insetos e néctar. Sua plumagem era predominantemente negra, com manchas amarelas na parte inferior do corpo e nas costas.

Foi caçado em grandes números pelos nativos polinésios. Sua plumagem era usada em adornos de pessoas de alto nível social. Quando percebeu-se que os Mamos estavam desaparecendo, foi proibida a morte para retirada das penas, elas deveriam ser retiradas com o animal ainda vivo e depois este deveria ser solto. Mas a medida não evitou sua extinção.

As causas da extinção foram a perda de habitat, a introdução de ratos em seu habitat e a malária havaiana, associados à caça em grande escala que já havia diminuido consideravelmente sua população.

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06) Pardal-do-Norte (Chloridops kona):

chloridopskona

O Pardal-do-Norte, ou Kona, foi extinto provavelmente em princípios do século XX.

Era endêmico do Havaí.

Vivia em zonas florestais com altitudes entre 1400 a 1500 m.

Tinha uma plumagem de um pálido verde azeitona, medindo cerca de 15 cm. Não apresentavam diferenças físicas entre os sexos, sendo machos e fêmeas exatamente iguais. Tinha uma cabeça de grande tamanho e um enorme bico.

Alimentavam-se de frutos, usando seus bicos para rompar a casca dura que encobria as sementes. É provável que também se alimentasse de frutas moles e folhas, além de insetos. Era um pássaro lento, de hábitos solitários e muito silencioso.

A espécie já era rara quando foi registrada pela primeira vez em 1894.

As causas de sua extinção não são bem conhecidas.

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07) Pato-de-Crista-da-Coréia (Tadorna cristata):

tadornacristataO Pato-de-Crista-da-Coréia é uma ave que ainda não há concenso de está de fato extinta ou não. O último avistamento na natureza foi próximo a Vladivostok, na Rússia, em 1964.

Era endêmico da península da Coréia e extremo leste da Rússia e China. É possível que em tempos pré-históricos tivesse uma distribuição maior.

Acredita-se que viviam em zonas úmidas em habitats de diferentes altitudes e pronfundidades. Todos os indivíduos coletados foram recolhidos em zonas litorâneas, próximo a desembocaduras de rios. Mas há relatos de avistamentos em zonas úmidas do interior nordeste da China.

Fêmeas e machos tinham diferenças quanto à plumagem (dimorfismo sexual). Os machos tinham uma espécie de tufo de penas mais destacadas na cabeça preto-esverdeadas, zonas pretas ao redor dos olhos, e uma zona preto-esverdeada no peito. As fêmeas eram menos coloridas, com uma zona branca ao redor dos olhos e também tinham um tufo de penas na cabeça, menos colorido que nos machos. Não se sabe qual seria a coloração dos filhotes. Tinham em torno de 63 a 71 cm de comprimento.

Era uma ave de hábitos noturnos. Alimentava-se de plantas aquáticas, algas, moluscos e crustáceos. Supõe-se que em sua dieta também incluia-se pequenos animais e lixo. É provável que fizesse seus ninhos em ocos de árvores. Foram observados em bandos de 2 a 8 aves.

Foi registrado pela primeira vez em 1890, sendo considerado então um híbrido de outras duas espécies (Tadorna ferruginea e Anas falcata). Em 1917 foi descrito como uma espécie pelo ornitologista japonês Nagamichi Kuroda. A palavra cristata de seu nome científico deve-se ao tufo de penas que tinha na cabeça. Este pato foi caçado e exportado para o Japão entre 1716 e 1736 para utilização na avicultura. Até 1854 continuou sendo capturdo para este fim. Existem tapeçarias chinesas onde é retratado um pato muito semelhante ao Pato-de-Crista-da-Coréia.

Estudos recentes estimam que se há ainda Patos-de-Crista na Natureza a população não ultrapassa os 50 indivíduos.

As causas de sua extinção foi a caça excessiva devido a suas penas e perda de habitat.

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08) Periquito-de-Guadalupe (Aratinga labati):

conurus_labati1O Periquito-de-Guadalupe foi extinto provavelmente no século XVIII.

Vivia na Ilha de Guadalupe, no Caribe, Oceano Atlântico. Há relatos de que também teriam sido avistados na Martinica e Barbados.

Não existem quaisquer exemplares taxidermizados, ou desenhos dos periquitos feitos enquanto ainda viviam.

Foram descritos pela primeira vez em princípios do século XVIII. Não há concenso sobre se seria uma espécie ou uma sub-espécie do Periquito- Cubano (Aratinga euops).

Não se conhece as causas de sua extinção.


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09) Pica-Pau-Imperial (Campephilus imperialis):

picapauimperial

O Pica-Pau-Imperial encontra-se virtualmente extinto na Natureza, desde 2001. Não é avistado na Natureza desde 1956.

Vivia nos bosques temperados e frios do México, mas também já foi encontrado no sul dos E.U.A.. Estavam distribuidos pela Sierra Morena Ocidental, e existiam populações isoladas a oeste de Jalisco e Michoacán.

Viviam em altitudes e torno de 1900 a 3000 m. Acredita-se que nunca foi uma ave numerosa, sendo que sua população nunca teria ultrapassado os 8000 indivíduos. Eram territorialistas, exigindo uma área de 26 km2 por casal. Viviam em zonas abertas de pinhos em zonas de planalto para nidificar. Quando viviam em grupos, que não ultrapassavam os 7 ou 8 indivíduos, ocupavam uma área de 98 km2.

Quanto à plumagem, os machos diferenciavam-se das fêmeas pelo penacho vermelho além de um a mancha também vermelha no peito, enquanto as fêmeas tinham um penacho de cor branca. No mais tinham coloração igual, mancha branca na parte traseira das costas, com uma listra branca na lateral das asas, sendo o restante de cor negra. Tinham entre 51 e 56 cm de comprimento. Viviam cerca de 8 a 12 anos. Reproduziam-se uma vez ao ano, dando origem de 2 ou 3 filhotes.

Alimentavam-se de larvas de escaravelhos, insetos e vermes, que capturavam sob a casca das árvores e no solo depois das colheitas.

Os bosques que serviam de habitat para estes Pica-Paus foi grandemente destruído pela indústria madereira. 99,4 % da Sierra Madre Ocidental foi desmatada. Mas o desmatamento não foi a única ameaça ao Pica-Pau-Imperial. 30% de suas mortes teve como causa o vandalismo. Eram animais fáceis de visualizar devido ao tamanho e coloração. Era caçado, além de esporte, por razões ligadas à medicina natural. As cristas vermelhas junto a um pouco de azeite eram utilizadas como remédio para dor de ouvido. Também serviam como remédio para ataques de nervos. Acredita-se que também fossem caçados para a alimentação e que suas cabeças seriam utilizadas como amuletos.

Há relatos de avistamentos não confirmados, que acabaram por levar a buscas deste animal em seu habitat habitual. Porém não foi encontrado nenhum exemplar.

As causas de sua extinção foram a destruição de seu habitat e a caça.

Há cerca de 120 exemplares taxidermizados em museus pelo mundo todo, mas não há qualquer gravação sonora ou fotos de espécimes vivos.

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10) Poupa-Gigante (Upupa antaios):

upupaantaiosA Poupa-Gigante, ou Poupa-Gigante-de-Santa-Helena, foi provavelmente extinta em princípios do século XVI.

Vivia na Ilha Santa Helena, próximo ao continente africano, no Atlântico Sul.

Era a maior das poupas conhecidas, em comparação com seus parentes euroasiáticos e africanos. Como seus parentes, era provavelmente insentívora, sendo um predador natural de uma espécie nativa de lacraia (Labidura herculeana), que não é vista na Natureza desde 1967.

É conhecida apenas através de achados subfósseis. Um esqueleto incompleto foi encontrado pelo paleontologista Storrs Olson, em 1975. Acredita-se que foi rapidamente extinta após a ocupação da ilha pelos descobridores, em 1502, sendo esta época de princípios da ocupação humana da ilha considerada a de sua provável extinção.

As causas de sua extinção são desconhecidas, mas supõe-se que a introdução de gatos domésticos e a destruição de seu habitat tenham sido as prováveis causas.

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Para saber mais:

AnimalesExtincion.es

Bird Life International

IUCN (International Union for Conservation of Nature) – website.

IUCN – Red List

The Extinction Website

3 Animais Extintos nos últimos 130 anos – Equinos

01) Jumento-Selvagem-Sírio (Equus hemionus hemippus):

syrianwildassO Jumento-Selvagem-Sírio foi extinto em 1928 quando o último espécime em cativeiro morreu.

Vivia nas montanhas e desertos da Síria, mas anteriormente, habitaram zonas que iam da Palestina ao Iraque.

Era o menor dos equídeos. Tinha uma cor castana quando jovens, tornando-se cinzentos com a idade. Tinha uma cor mais clara na cabeça, tornando-se mais escuras nas patas, com manchas mais claras nos quadris, nádegas e barriga. Tinham as narinas muito grandes. À altura dos ombros tinham 1 metro de altura.

Eram animais comuns no século XVI e XVII, sendo relatados avistamentos de grandes rebanhos por diversos viajantes. Mas no século XVIII começou a desaparecer do deserto da Síria, foi exterminada ao norte da Arábia no século XIX. Por volta de 1850, começaram a tornar-se um animal raro na Síria e Palestina, sendo ainda comum pelo atual Iraque e montanhas armênias. Seu último refúgio ao que consta foi uma região vulcânica ao sul da Síria.

A Primeira Guerra Mundial afetou a população dos Jumentos-Selvagens, com a chegada de carros e armas de fogo. O último avistamento na Natureza de um detes animais foi em 1911, e o último em cativeiro morreu em 1928, em um Zoológico de Viena.

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02) Quagga (Equus quagga quagga):

quaggaO Quagga foi extinto em 1883, quando o último espécime morreu em um Zoológico de Asmterdã.

Vivia na África do Sul, na região do Cabo de Orange.

Diferentemente das zebras, o Quagga só tinha listras na parte dianteira do corpo, enquanto a parte traseira era marrom sem listras. Como seus parentes era um animal herbívoro.

As causas de sua extinção foram basicamente a caça excessiva por parte dos colonos Boer, devido a sua carne e pele. Além disso, como alimentavam-se dos pastos que serviam para o gado destes mesmos colonos, seu extermínio foi uma forma de eliminar um concorrente ao alimento do gado. O último animal na Natureza foi morto em 1878.

Só recentemente descobriu-se que os Quaggas eram uma sub-espécie de Zebra-da-planície (Equus quagga burchelli). Foi criado um projeto em 1987, o The Quagga Project, que visava reconstruir este animal e reintroduzi-lo na Natureza. Neste caso, foram feitos cruzamentos selecionados que resultaram em animais muito semelhantes em aspecto ao Quagga extinto. Ou seja, o Quagga não foi “ressucitado”, mas artificialmente, criou-se um animal que tem um visual quase idêntico ao do animal extinto. Este animais foram introduzidos no mesmo habitat dos antigos Quaggas.

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03) Tarpan (Equus ferus):

tarpanO Tarpan, ou Cavalo-Euroasiático, foi extinto em 1875, quando o último espécime conhecido morreu em um Zoológico de Moscou. Mas há relatos de um outro exemplar que vivia em cativeiro, que teria morrido na Ucrânia em 1876.

Esta sub-espécie de Cavalo-Selvagem viveu por toda a Eurásia (Europa e Ásia).

Por cavernas em toda a Eurásia encontram-se representações destes animais, datadas da pré-história, como na França (Lascaux) e Espanha (Altamira). Seriam os cavalos que foram domesticados pelo homem a cerca de 5000 anos. Estudos genéticos recentes o apontam como ancestral direto do cavalo doméstico.

Foram várias as tentativas de recriar o Tarpan, desde os anos de 1930. Estas tentativas foram feitas através de cruzamentos selecionados que resultaram em raças como o Heck, o Hegardt ou Stroebel, e o Konik. Todos são fisicamente semelhantes ao Tarpan, seja no porte ou na cor. Outro animal semelhante ao Tarpan que ainda existe, mas encontra-se em sério risco de extinção é a raça portuguesa conhecida como Sorraia, com o qual também se pensa em recriar o Tarpan.

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Para saber mais:

AnimalesExtincion.es

IUCN (International Union for Conservation of Nature) – website.

IUCN – Red List

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Quagga Project

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7 Animais Extintos nos últimos 400 anos – Ruminantes

01) * Alce-Oriental (Cervus canadensis canadiensis):

veadocanadenseO Alce-Oriental, ou Veado-Canadense, ou Cervo-Canadense, foi extinto em 1877 quando o último exemplar conhecido foi caçado. Foi oficialmente declarado extinto em 1880.

Vivia no nordeste dos E.U.A. e sudeste do Canadá.

Seu habitat compreendia as áreas florestais do sudeste do Canadá e nordeste dos E.U.A.. Era o maior Alce dos Cervus canadensis. O pouco que se sabe sobre este animal deve-se à recolha e análise de esqueletos e referências históricas.

Até fins de 1400 os Alces foram os animais mais comuns da porção norte da América. Conforme seu habitat foi sendo ocupado por humanos, sua população foi diminuindo com o aumento da caça e perda de habitat.Por volta de 1850 já era um animal raro.

As causas de sua extinção foram a caça excessiva e perda de habitat.

Em fins do século XIX foi feita uma tentativa de preservação do Alce-Oriental nos E.U.A., no recém-criado Parque Nacional de Yellowstone.Nos anos de 1990 foi feito um estudo para saber se alguns Alces em cativeiro ou na Natureza, seriam descendentes de Alces-Orientais, numa tentativa de recuperar a espécie extinta e sua reintrodução na Natureza. Inclusive alguns espécimes introduzidos na Nova Zelândia fizeram parte deste estudo, visto que têem características típicas dos Alces-Orientais, principalmente as galhadas, que demonstram uma possível descendência desta espécie. Acredita-se que possa existir alguma população de Alces-Orientais nas florestas próximas a Ontário, no Canadá, baseado em avistamentos feitos nos anos de 1980.

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02) Antílope-Azul (Hippotragus leucophaeus):

antilopeazul

O Antílope-Azul foi extinto no século XIX.

Vivia em áreas do sudoeste da África do Sul. Mas achados fósseis indicam que seu habitat já fora mais extenso.

Alimentava-se de forma seletiva de gramíneas.

Na chegada de colonizadores europeus, no século XVII, já era considerado um animal raro. Sua população pode ter sofrido um decréscimo com a introdução de gado ovino domesticado na região, por volta do ano 400. Com a chegada dos europeus, grande parte de seu habitat foi convertido em área agrícola, levando a uma queda definitiva de sua população até a extinção. Por volta de 1800 já não eram avistados na Natureza.

As causas de sua extinção foram a caça por sua pele e sua carne, apesar de não ser considerada de qualidade. A introdução de ovinos também teria colaborado.

Só existem quatro exemplares completos conservados em museus. Mas nenhum deles apresenta a cor azul, que em relatos se atribuía a este animal. A suposição é que tinham uma mistura de pelos pretos e amarelos, que dariam uma tonalidade azulada ao animal a quem o observasse.

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03) Arouque (Bos primigenius):

bosprimiO Auroque foi extinto em 1627, quando o último exemplar conhecido foi caçado na floresta de Jaktorowka, na Polônia.

Vivia, em épocas pré-históricas desde Portugal à Coréia e da Sibéria à Índia. Com o passar do tempo, seu habitat foi sendo restringido a zonas do sul e centro da Europa.

Era um animal de grandes dimensões e comportamento indócil, conhecido e retratado pelo homem desde a Pré-História, sendo representado em cenas de caçadas nas pinturas rupestres encontradas em cavernas. Supõe-se que linhagens mais dóceis desses animais teriam sido domesticadas dando origem ao Boi-Europeu (Bos taurus).

Há uma discussão recente, baseada em estudos genéticos, que afirmam que tanto o Arouque como o Boi-Europeu seriam da mesma espécie, sendo o primeiro o que vivia em estado selvagem e o segundo a versão domesticada do mesmo animal.

As causas de sua extinção foram a caça feita pelo homem durante milênios.

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04) Bisão-Caucasiano (Bison bonasus caucasicus):

bisonbonasuscaucasicusO Bisão-Caucasiano, uma espécie de Bisão-Europeu, foi extinto em 1927.

Vivia nas montanhas do Cáucaso, na Rússia.

Em fins do século XIX sua população girava em torno de 2000 indivíduos. Mas começou a diminuir no início do século XX com a introdução de gado domesticado, que trouxeram doenças como a febre aftosa, responsável principal por sua extinção.

Por volta de 1940, foram obtidos híbridos do Bisão-Americano (Bison bison) com o Bisão-Europeu (Bison bonasus bonasus). Estes híbridos foram reintroduzidos na década de 1960 no antigo habitat dos Bisões-Caucasianos. Em 2000 estes descendentes foram oficialmente considerados uma nova raça (Bison bonasus montanus).

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05) Cabra-Montesa (Capra pyrenaica lusitanica):

cabratuga

A Cabra-Montesa, ou Ibex-Portuguesa, ou Mueyu, foi extinta em 1890, quando o último exemplar conhecido morreu na Espanha. Além deste exemplar foi avistado uma última fêmea na Serra do Gerês em Portugal, em 1892.

Vivia nas áreas montanhosas do norte de Portugal, e na Galícia, Astúrias e oeste da Cantábria, na Espanha.

Eram em tamanho e pelagem semelhantes à Ibex-Espanhola. O que as diferenciavam de todas as ibex eram os chifres, mais curtos (50 cm em média) e mais grossos. De comprimento tinham em torno de 142 cm, e 73 cm de altura. A pelagem era marrom bem escura. No verão tinham coloração diferente, sendo marrom com tons de amarelo, e marcas pretas nas laterais e patas. No inverno tinham uma pelagem no dorso mais densa. As fêmeas e machos diferenciavam-se apenas pelas marcas pretas, que não existiam nas fêmeas, além do tamanho dos chifres que nas fêmeas tinha metade do tamanho.

Até 1800 a Ibex Portuguesa era muito comum, mas teve um rápido declínio devido ao aumento da caça, pois os caçadores não respeitavam as épocas de caça. A população local caçava as ibex por sua carne e para coletar bezoares, que eram considerados potentes remédios e antídotos para venenos de todos os tipos. Bezoares são “pedras” que se formam principalmente no intestino de ruminantes, compostos de materiais orgânicos e inorgânicos. As peles eram utilizadas para a confecção de coletes e os chifres como ornamentos ou para a fabricação de trombetas. Em 1870 já era um animal raro. O último rebanho avistado, tinha uma dúzia de animais e foi registrado em 1886.

Até princípios do século XX não era considerada uma espécie distinta, mas estudos feitos por zoólogos apontaram para o fato de ser uma espécie diferente.

As causas da extinção são em grande parte resultado da caça feita pelo homem, doenças transmitidas pelo gado doméstico, e número desproporcionado de machos e fêmeas. Além disso os lobos-cinza e as águias-douradas podem ter contribuído para sua diminuição populacional.

Atualmente outra sub-espécie foi intruduzida em seu antigo habitat (Capra pyrenaica victoriae).

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06) Cabra-Montesa-dos-Pirineus (Capra pyrenaica pyrenaica):

caprapyrenaicapyrenaicaA Cabra-Montesa-dos-Pirineus, ou Bucardo, foi extinta em 2000, quando o último exemplar que vivia no Parque Nacional de Ordesa, Espanha, morreu.

Vivia apenas em ambos os lados dos Pirineus, na fronteira da Espanha com a França, chegando até as zonas montanhosas do País Basco, Navarra, Lérida e Gerona. Nos últimos anos a população estava restrita ao Parque Nacional de Ordesa e ao Monte Perdido, na Espanha.

Seu habitat eram bosques de pinho silvestre, abetos, faias e pinho negro, variando em altitudes entre 1000 e 2200 m.

As características que a diferenciavam das outras cabras era o pelo mais comprido e denso no invero e a base mais grossa dos chifres. Era das quatro sub-espécies de Cabra-Montesa a que tinha os maiores chifres. Alimentava-se de ervas e líquens.

Desde meados do século XIX, caçadores europeus da Espanha, França e Grã Bretanha dirigiam-se para seu habitat exclusivamente para caçar um exemplar do Bucardo. Como nesta época já era um animal raro seu valor no mercado aumentou, contribuindo para uma maior buscar pela espécie por parte dos caçadores. Com esta caça excessiva, foram extintos do lado francês dos Pirineus, e só restaram cerca de 50 animais do lado espanhol em 1900. Em 1918 foi criado o Parque Nacional de Ordesa, o que permitiu que estas cabras sobrevivessem por um pouco mais de tempo. Em 1970 calculava-se que a população de Bucardos não ultrapassava os 20 exemplares, e em princípios dos anos 90 apenas 12 próximo ao rio Arazas em Ordesa. Mas ainda assim não foi o suficiente.

As causas da extinção além da caça excessiva, podem ter sido a incapacidade de competir pelo alimento com outras espécies, doenças transmitidas por gado doméstico, problemas de fertilidade e consagüinidade e alterações climáticas.

Todos os esforços para recuperar a espécie foram em vão. Crias em cativeiro só foram tentadas a partir de 1996, com a captura de uma fêmea que morreu em cativeiro sem chegar a reproduzir-se. No dia 5 de janeiro de 2000 morreu o último espécime no Parque Nacional de Ordesa, Espanha.

Em 1999 o governo de Aragón capturou um exemplar para extrair e conservar tecidos congelados para uma possível clonagem futura. Mas todas as tentativas foram mal sucedidas. Depois de diversas tentativas frustradas o governo de Aragón deixou de financiar o projeto, mas ainda existe material congelado para tentativas futuras.

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07) Cervo-de-Schomburgk (Rucervus schomburgki):

rucervusschomburgkiO Cervo-de-Schomburgk foi extinto provavelmente em 1930 na Natureza, e o último espécime em cativeiro morreu em 1938, morto por um homem embriagado.

Era endêmico da Tailândia. Pode ser que tenham existido também no norte da China (Yunnan) e no Laos, mas ainda não se desenvolveram pesquisas para confirmar esta hipótese.

Foi descrito pela ciência a primeira vez em 1863, recebendo o nome de Schomburgk em homenagem ao então cônsul britânico na Tailândia, Robert Hermann Schomburgk.

Eram muito perseguidos por caçadores, principalmente na estação chuvosa. Nesta estação refugiavam-se em pequenas ilhas para escapar das inundações, facilitando o trabalho dos caçadores. Os chifres eram muito procurados para uso na medicina chinesa, pois teriam propriedades médicas e mágicas. Nos anos de 1920 já se encontravam virtualmente extintos a Natureza, restando um único espécime conhecido, criado como animal de estimação em um templo na provínica de Samut Sakhon, que foi morto, em 1938, por um morador local que encontrava-se embriagado.

As causas de sua extinção estão relacionadas com a caça excessiva e a ampliação do cultivo de arroz para exportação, em princípios do século XX.

Sua criação em cativeiro foi tentada tanto na Tailândia, como na França e Alemanha. Mas em nenhuma destas tentativas houve qualquer sucesso.Em 1991 foram descobertos chifres que posteriormente foram identificados como sendo do Cervo-de-Schomburgk, em uma loja de medicina chinesa no Laos, o que levou alguns cientistas a acreditarem na possível existência de uma população destes cervos neste país.

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* – Desconhecemos se o nome do animal assinalado com o * é de fato o apresentado. Muitas informações para a montagem deste post foram obtidas em páginas em inglês e espanhol, sendo este nome uma mera tradução aproximada do encontrado em inglês. Buscamos mas, não encontramos o nome em língua portuguesa.

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Para saber mais:

Andrew Isles Bookshop

AnimalesExtincion.es

IUCN (International Union for Conservation of Nature) – website.

IUCN – Red List

Jalame

The Extinction Website

10 Animais Extintos nos últimos 500 anos – Aves (01)

01) Arara-Vermelha-de-Cuba (Ara tricolor):

aratricolorA Arara-Vermelha-de-Cuba está extinta desde fins do século XIX.

Vivia na Ilha de Cuba.

Tinha cerca de 50 cm de comprimento, sendo um dos menores membros do gênero Aras. Tinha plumagem predominantemente vermelha, com tons amarelo e laranja na parte posterior da cabeça, e laranja na parte inferior do corpo. Tinha penas azuis nas asas e cauda. Machos e fêmeas tinham o mesmo aspecto.

Em princípios do século XIX ainda era uma ave comum em Cuba. Mas com o aumento da ocupação humana houve um desmatamento generalizado de seu habitat, levando a uma queda populacional. Também foi caçado para alimentação apesar da carne não ser de qualidade. Os ninhos também foram pilhados seja para o uso dos ovos na alimentação, seja para o aprisionamento de espécimes jovens para tê-los como animais de estimação. Em meados do século XIX só sobreviviam em áreas remotas.

As causas de sua extinção são a degradação de seu habitat devido ao desmatamento, e a caça excessiva.

Ao que parece o último espécime foi capturado em 1864, havendo relatos de que existiram alguns poucos espécimes até 1885.

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02) Avestruz-Árabe (Struthio camelus syriacus):

avestruzarabeO Avestruz-Árabe foi declarado extinto em 1966.

Vivia em planícies semi-desérticas e desertos do Oriente Médio, no Kuwait, Jordânia, Síria, Israel e sul da Península Arábica.

Era semelhante ao Avestruz-Norte-Africano (Struthio camelus camelus), mas tinha dimensões diferentes. Seu tamanho era em torno de 390 a 465 mm. Botavam de 12 a 15 ovos em ninhos pouco protegidos. Os ovos do Avestruz-Árabe tinham uma casca muito fina, o que facilitava a vida dos predadores na hora de quebrá-los.

Há milhares de aos já haviam registros da espécie, como em uma escultura retratando uma família de avestruzes, na Arábia Saudita, que data de cerca de 2000 a.C.. A espécie foi descrita já na Antigüidade, e em tratados de naturalistas árabes medievais. Era conhecida então como Ave Camelo. Era caçado apenas por nobres, por sua carne, couro e penas, que serviam de objeto de troca no comércio com a China.

No século XX tornou-se uma ave muito rara. Durante a Primeira Guerra Mundial, foram introduzidas armas e automóveis em seu habitat, levando a uma diminuição considerável da população, devido à caça excessiva. Na década de 1920 o Jardim Zoológico de Londres fez uma última tentativa de recuperar a espécie. Comprou um conjunto de ovos que foram posteriormente enviados a Londres, para uma tentativa de incubação artificial que não teve sucesso.

As causas da extinção da espécie foram a degradação de seu habitat e a caça excessiva.

O último Avestruz-Árabe pode ter sido morto em 1941, tornando-se depois a refeição do caçador. Mas em 1966 foi encontrada uma fêmea morta na Jordânia, ao que parece morta nas inundações do rio Jordão. Mas como o registro é baseado em informações sem provas materiais não é levado em consideração.

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03) Cotovia-da-Ilha-Stephen (Xenicus lyalli):

xenicuslyalliA Cotovia-da-Ilha-Stephen foi extinta em 1894.

Vivia apenas na Ilha Stephen, de 2,5 km2, no Estreito de Cook, que separa as duas ilhas da Nova Zelândia. A Ilha Stephen é o habitat mais reduzido conhecido de uma espécie de ave. Mas a princípio habitava toda a Nova Zelândia.

Era uma ave incapaz de voar, de pequeno porte, tendo cerca de 10 cm de comprimento. Sua plumagem era verde oliva com pontos amarelados pelo corpo, e riscas amareladas nas asas. A diferença entre fêmeas e machos era apenas na tonalidade da plumagem. Tinham um bico curto e altas patas.

Quase nada se sabe sobre seus hábitos.

Há cerca de 1000 anos, com a chegada dos Maori às ilhas da atual Nova Zelândia, houve uma modificação considerável no habitat das Cotovias, o que levou à extinção de várias espécies, inclusive delas . Nesta altura o que levou à extinção das Cotovias-da-Ilha-Stephen foi a introdução de um novo predador, o Kiore (uma espécie de rato), que dizimou sua população nas ilhas norte e sul, restando apenas a população da Ilha Stephen. Esta pequena população de Cotovias ficou desconhecida do mundo científico.

Em 1893 foi instalado um farol na Ilha Stephen, passando a ilha pela primeira vez a ter ocupação humana. Com o faroleiro chegou um gato doméstico chamado Tibbles. Tibbles foi matando todas as cotovias que encontrava, levando algumas para o dono, que vendeu 9 exemplares mortos a um ornitólogo. Este ornitólogo, o Barão Walter Rothschild foi quem os identificou registrando-os como uma espécie única. Mas, nesta altura, Tibbles já tinha levado as Cotovias-da-Ilha-Stephen à extinção.

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04) Huia (Heteralocha acutirostris):

huiaA Huia foi extinta no início do século XX.

Era uma ave endêmica ao sul da ilha Norte da Nova Zelândia. Mas há registros fósseis de que também viveram em zonas da ilha Sul.

Seu habitat eram áreas florestais nas montanhas, transferindo-se para zonas de menor altitude no inverno. Alimentavam-se de insetos, larvas e aranhas, que obtinham quebrando cascas de árvores ou buscando em esconderijos com seus longos bicos, assim como pequenas bagas.

Voavam distâcia curtas, passando a maior parte do tempo deslocando-se pelo solo da floresta. Tinham plumagem preta esverdeada, com manchas laterais amarelo-alaranjadas junto ao bico, e bicos diferenciados entre fêmeas e machos, sendo os dos machos bem mais longo e encurvado. Havia também diferença no tamanho, sendo os machos de cerca de 45 cm e as fêmeas de 48 cm de comrpimento. Eram monogâmicos, vivendo apenas com seus pares ou em pequenos grupos. Registros científicos e da tradição oral maori afirmam que com a morte de um dos membros do casal, o outro morria pouco tempo depois. Pouco se sabe sobre sua reprodução, supondo-se que era no verão que reproduziam-se em ninhos feitos no solo, com capim seco e folhas. ou em ocos de árvores. Botavam de 2 a 4 ovos

Era considerado um animal sagrado pelos Maoris, sendo sua pele e penas utilizados por pessoas de elevado status social justamente para demonstrar este status. Não tinham medo de humanos o que facilitava sua captura.

Foi descrito pela ciência a primeira vez em 1837. A princípio machos e fêmeas foram descritos como espécies diferentes, devido à grande diferença nos bicos de uns e outros. Com o aumento da ocupação humana da ilha, desmatamento para criação de áreas agrícolas, a ave começou a tornar-se rara. Em 1893 foi proibida a caça às Huias.

Sua extinção foi causada pela caça excessiva, na busca de sua plumagem pelos Maori ou por naturalistas que buscavam espécimes para coleções, pela degradação de seu habitat e introdução de predadores aos quais não estavam adaptadas.

O último registro visual na Natureza foi em 1907, quando um grupo de três aves foi avistado.

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05) Moa (Dinornis robustus e Dinornis novaezelandiae):

moa

As Moas foram extintas no século XVI.

Eram endêmicas da Nova Zelândia.

Existiram dez espécies diferentes. Tinham asas vestigiais, sendo incapazes de voar, eram herbívoras alimentando-se desde vegetação rasteira até folhas de árvores. Análises a restos fósseis destes animais mostraram que se alimentavam de galhos e folhas retirados de árvores e arbustos, assim como eram capazes de engolir pedras que permaneceram em suas moelas ajudando-os a triturar os alimentos. Supõe-se que eram dominantes em seu ecossistema, que compreendiam áreas de florestas e zonas arbustivas. As duas maiores espécies de Moas chegavam a ter 3,7 m de altura, com o pescoço na vertical, e pesavam em torno de 230 kg. Tinham um período de maturação lento, levando cerca de 10 anos para chegarem à idade adulta. Faziam seus ninhos em pequenas depressões escavadas em rochas moles.

O único predador das Moas era a Águia-de-Haast (também extinta), até a chegada dos humanos. Os Maori chegaram às ilhas que compõem a atual Nova Zelândia por volta de 1300, começando a caçá-las para alimentação. Supõe-se através de análises de carbono 14 que esta espécie sobreviveu até princípios do século XVI, à caça e depredação de seu habitat. Só foram registrados pela ciência no século XIX, quando foram encontrados os primeiros esqueletos na Ilha do Norte, em fins de 1830.

As Moas foram reconstituídas através de esqueletos incompletos de diferentes animais, e por esta razão não se sabe qual seria seu verdadeiro aspecto. Supõe-se, mais recentemente que andavam com os pescoços em uma posição horizontal, através de estudos feitos em sua coluna vertebral. Mas tradicionalmente são representadas com os pescoços na posição vertical.

As causas de sua extinção estão relacionadas à chegada de humanos em seu habitat e a caça excessiva, doenças trazidas por aves migratórias, e por uma erupção vulcânica que teria alterado seu habitat. Apesar de a grande maioria dos cientistas estar de acordo que os Moas estão extintos, alguns ainda acreditam ser possível que alguns espécimes tenham sobrevivido e estejam vivos em zonas remotas da Ilha Sul da Nova Zelândia.

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06) Papagaio-de-Bico-Largo (Lophopsittacus mauritianus):

lophopsittacusmauritianusO Papagaio-de-Bico-Largo foi extinto no século XVII.

Era nativo das ilhas Maurício.

Tinha uma cauda longa e asas atrofiadas que provavelmente lhe impediam de voar. Era azul acinzentado e tinha uma espécie de crista na cabeça. É bem provável que machos e fêmeas fossem distintos, visto que alguns ossos de outra ave muito semelhante, mas de tamanho menor foram encontradas. Sua característica principal era o bico, mais largo que em qualquer outro psitacídeo conhecido. Alimentava-se de frutos e sementes. Supõe-se inclusive que possa ter sido ele o responsável pela propagação das Árvores-dodô e não o Dodô.

Este papagaio só foi conhecido através de relatos e desenhos dos primeiros exploradores que chegaram nas ilhas Maurício, e através de ossos encontrados mais recentemente.

A extinção deve-se à ocupação humana das ilhas onde habitava e introdução de novos predadores (cães, ratos e porcos). Assim como o Dodô fazia, provavelmente, seus ninhos no solo, o que facilitava a captura dos ovos pelos predadores, além do próprio papagaio por não voar.

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07) Pato-Poc (Podilymbus gigas):

podilymbusgigasO Pato-Poc, ou Maca de Atitlán foi considerado extinto em 2004.

Era endêmica do lago Atitlán, na Guatemala, a uma altitude de 1700 m.

Tinha cerca de 50 cm, não voava, tendo asas relativamente pequenas em relação ao tamanho de seu corpo. A plumagem era de cor marrom escura, com zonas esbranquiçadas nas laterais. Na parte inferior era cinza escuro com manchas brancas. A cor das penas do pescoço variava ao longo do ano, sendo marrom escuro na primavera e branco no inverno. Além disso, no seu bico, tinha uma risca negra vertical. Botava de 4 a 5 ovos brancos. Tanto o pai quanto a mãe cuidavan dos filhotes. Alimentava-se principalmente de caranguejos.

Teve seus hábitos estudados nos anos 60, quando já era uma ave rara.

Sua extinção deve-se à degradação de seu habitat, introdução de peixes que tornaram-se seus competidores no alimento, aumento do turismo, pesca e aumento do tráfico marítimo no lago Atitlán, e a diminuição do nível do lago após um terremoto.

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08) Pombo-Azul (Alectroenas nitidissima):

alectroenasnitidissimaO pombo-azul foi extinto em 1826.

Vivia nas Ilhas Maurício e Mascarenhas.

Não existem dados muito confiáveis de como foram seus hábitos. Há relatos de que se alimentavam de mexilhões de rio, mas também de frutos, sendo provavelmente os últimos a base de sua dieta. Recentes pesquisas, indicam que habitava floresta densa, pois são raros os ossos encontrados na costa, que é juntamente com as cavernas a zona mais pesquisada das ilhas.

Os primeiros ossos deste pombo só foram encontrados em uma expedição científica em 2006. Só existem três espécimes conservados em museus, além de algumas pinturas, e dois esboços feitos de aves mortas, por um marinheiro holandês de cerca de 1603.

Em 1651 foi feita uma breve referência ao pombo. Já em 1755 Cossigny fez uma descrição detalhada sobre a ave, acrescentando que já estava tornando-se rara desde 1730. Em 1801 foram encontrados alguns poucos em uma área de floresta.

A caça contribuiu para o declínio populacional, assim como o desmatamento de seu habitat. Novos predadores e concorrentes na alimentação também ajudaram na sua extinção.

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09) Pombo-Passageiro (Ectopistes migratorius):

ectopistesmigratoriusO Pombo-Passageiro foi extinto em 1900, quando o último espécime na Natureza foi morto. O último espécime em cativeiro, Marta, morreu em 1914.

Como ave migratória seu habitat variava durante o ano, passando o verão espalhado pela América do Norte, a leste das Montanhas Rochosas. No inverno dirigiram-se para o sul dos E.U.A..

É provável que tenha sido a ave mais abundante no planeta, chegando a existir mais de 5 bilhões de indivíduos nos E.UA.. Viviam em enormes bandos. O maior registrado chegou a ter um número aproximado de 2 bilhões de aves.

Em meados do século XIX já tinham sofrido um considerável decréscimo populacional. Em um único dia de caçada foram abatidos 250 mil espécimes do último bando conhecido, em 1896. Como puham apenas um ovo, uma recuperação da espécie levaria muito tempo, o que não tiveram.

As causas de sua extinção estão relacionadas à caça excessiva para alimentação humana e animal.

O último espécime caçado foi morto em 1900. O último pombo em cativeiro, Martha morrreu em 1914. Marta viveu no Zoológico de Cincinnati. Foi encaminhada para o Instituto Smithsoniano, taxidermizado e encontra-se em exibição pública.

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10) Solitário-de-Rodrigues (Pezophaps solitaria):

pezophapssolitariaO Solitário-de-Rodrigues foi extinto em 1760.

Era endêmico da ilha Rodrigues, nas Ilhas Maurício, no Oceano Índico.

O Solitário era incapaz de voar, pertencente à família dos pombos, e parente distante do dodô. Era uma ave territorial mas de hábitos solitários, o que valeu o nome de Solitário.

Foi registrado pela primeira vez por François Leguat que fez uma descrição detalhada da aparência e hábitos da ave, quando da colonização da ilha pelos franceses por volta de 1691.

Não há nenhum espécime conservado, e os ossos coletados não compõem um animal inteiro.

Foi caçado para alimentação humana, sendo a carne muito apreciada, principalmente dos filhotes. Com a introdução de predadores para os quais não estavam adaptados, começaram a escassear, a ponto de em 1755 não se observar mais nenhum espécime vivo na Natureza.

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Para saber mais:

AnimalesExtincion.es

Bird Life International

IUCN (International Union for Conservation of Nature) – website.

IUCN – Red List

The Extinction Website

Animais Extintos – Fauna Brasileira

01) Araraúna (Anodorhynchus glaucus):

araraunaA Araraúna, também conhecida como Arara-Azul-Pequena, Arara-Azul-Claro, Arara-Celeste, Arara-Preta e Araúna, está extinta desde fins do século XIX.

Vivia na bacia dos rios Paraná e Uruguai, em territórios da Argentina, Paraguai, Uruguai e sul do Brasil. Seu habitat era em áreas baixas com presença de palmeiras tucum e mucujá.

Media cerca de 70 cm de comprimento, com plumagem azul turquesa e cabeça acinzentada. Tinha manchas amarelas junto à parte lateral inferior do bico e abaixo do bico era de um azul bem escuro. Era a segunda menor das Araras-Azuis.

Construía seus ninhos em ocos de árvores, nas barrancas do rio Paraguai ou nos paredões rochosos do rio Paraná. Alimentava-se de frutas, sementes e insetos. Não se sabe quase nada de como vivia na Natureza.

As causas de sua extinção foram a degradação de seu habitat e o comércio de animais.

É considerada extinta por não ser avistada na Natueza há mais de 80 anos. Não se conhece a existência de nenhum espécime em cativeiro. É provavelmente a primeira ave brasileira a ser extinta por intervenção humana.

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02) Ararinha-Azul (Cyanopsitta spixii):

severinoA Ararinha-Azul, também conhecida como Arara-Celeste, Arara-do-Nordeste e Arara-Spixi, foi considerada extinta na Natureza em 2002, pelo IBAMA. O último espécime selvagem conhecido, batizado de Severino (foto), desapareceu, provavelmente capturado ou atacado por algum predador, em outubro de 2000.

Era endêmica do Nordeste do Brasil, principalmente nos estados da Bahia, Piauí, Maranhão e áreas mais úmidas do sertão.

Seu tamanho máximo é de 57 cm de comprimento e com cerca de 400 g de peso. A plumagem é azul variando de tonalidade, sendo quase branca na cabeça e azul mais escuro na cauda e asas. O bico é negro e os olhos amarelo-mostarda.

É herbívora, alimentando-se de frutos. Na Natureza dava preferência para sementes de caraibeiras, de pinhão, entre outras árvores típicas de seu habitat natural.

Araras e demais psitacídeos são animais monogâmicos, tendo um único parceiro por toda a vida. Na morte de um dos membros do casal, o restante muito dificilmente volta a formar um novo casal, no máximo ingressa em um novo grupo. Esta aves são gregárias, formando grupos numerosos. Faziam ninhos em ocos de árvores altas como seus demais parentes. O desmatamento na Caatinga contribuiu para a destruição de seus locais de nidificação, dificultando a reprodução da espécie. A reprodução em cativeiro desta e outras espécies de psitacídeos é muito rara, condenando-a à extinção também em cativeiro.

Um outro fator que contribuiu para sua extinção foi a caça para o comércio de aves exóticas. Um exemplar chega a valer 100.000 dólares no mercado negro de aves exóticas.

Severino, o último espécime em estado natural, estava solitário. De tão só, arranjou companheira de outra espécie, uma Maracanã (Ara maracana), que vive no mesmo habitat destas araras. A companheira de Severino chegou a botar ovos, mas nunca nasceram filhotes desta união.

Desde o desaparecimento de Severino a espécie é considerada extinta na Natureza. Mas ainda há esperança para as Ararinhas-Azuis, já que foram conseguidas algumas crias em cativeiro. Mas a reprodução da espécie é muito difícil, e provavelmente, levará muito tempo para que haja uma população viável para uma reinserção na Natureza, se é que um dia isto será possível.

Existem apenas 8 exemplares de Ararinha-Azul no Brasil, os demais encontram-se em zoológicos e com particulares pelo mundo afora, somando um total de 78 aves com paradeiro conhecido. É a ave mais rara que existe atualmente.

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03) Maçarico-Esquimó (Numenius borealis):

macaricoesquimoO Maçarico-Esquimó está extinto em território brasileiro desde os anos de 1930, e virtualmente extinto a nível mundial.

Como ave migratória seu habitat variava muito ao longo do ano. Apareciam no Amazonas, Mato Grosso e São Paulo entre setembro e novembro. Apareciam nos pampas tanto do Rio Grande do Sul no Brasil, como na Argentina entre setembro e fevereiro. Também eram avistados no Uruguai e no Chile. Nos demais meses do ano viviam pela tundra ártica a oeste do Canadá e Alasca. Há relatos de raras aparições ao longo da História destas aves na Europa Ocidental.

Mediam em torno de 33 cm, tinham um bico curvo, plumagem branca no ventre uma faixa bem escura nas bordas das asas. As patas eram longas de cor cinza. Alimentavam-se de moluscos, pequenos crustáceos e peixes.

Os ninhos eram feitos em áreas abertas, no chão e difíceis de localizar. Os ovos eram verdes com pintas marrons. O acasalamento provavelmente ocorria em junho.

Na primeira viagem de Cristóvão Colombo, a do descobrimento da América em 1492, ele avista aves voando e, graças a elas, depois de 65 dias no mar, renova sua esperença em descobrir terra. Acredita-se que estas aves avistadas por Colombo eram Maçaricos-Esquimós, devido a comparações de datas e padrões de migração.

É provável que os Maçaricos-Esquimós tenham sido o grupo mais numeroso de aves da porção norte do continente americano (América do Norte), com uma população estimada em centenas de milhões. Em fins do século XIX foram mortos cerca de 2 milhões de aves por ano. A caça é a causa principal de sua extinção em território brasileiro, associada à degradação de seu habitat.

Os últimos avistamentos confirmados destas aves foram no Texas em 1962 e em Barbados em 1963. Em 1981 foi vista uma colônia de 23 aves no Texas. Na América do Sul não há um avistamento confirmado desde 1939.

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04) Mutum-do-Nordeste (Mitu mitu):

mitumituO Mutum-do-Nordeste ou Mutum-de-Alagoas está oficialmente extinto na Natureza desde 2001.

Vivia nas áreas de Mata Atlântica nos estados de Pernambuco e Alagoas.

A ave tem um bico quadrangular vermelho na ponta e branco na base, em volta dos ouvidos não possui penas, tem um par de penas negras na parte central da cauda. A cabeça tem uma plumagem negra assim como em seu peito e ventre.

Foi registrado pela primeira vez pelo naturalista Georg Marcgrave, no século XVII, na primeira expedição científica feita em território hoje pertencente ao Brasil, patrocinada por Maurício de Nassau. A obra de Marcgrave foi postumamente publicada com o título de “História Naturalis Brasiliae”.

Encontra-se extinta na Natureza devido à destruição de seu habitat para o plantio de cana-de-açúcar para a produção de combustível, e também pela caça excessiva. Atualmente o desmatamento continua sendo um gravíssimo problema para que possa ser reintroduzido na Natureza.

Seu último avistamento na Natureza é de 1987. Conta com uma população em cativeiro de cerca de 100 indivíduos, nem todos de linhagem pura, pois foram cruzados com o Mutum-Cavalo (Mitu tuberosa), por criadores, por falta de espécimes puros.

Foi criado em 2005 um grupo de biólogos, ONGs, criadores de aves e usineiros que pretendem reintroduzir o Mutum-do-Nordeste nos 2% restantes de Mata Atlântica ainda existentes em Alagoas e Pernambuco. Porém, além de conseguirem espécimes puros, é necessário que esta ave, que não vive no meio natural a cerca de 30 anos, reaprenda a viver, voltando a alimentar-se, proteger-se e que procrie sem dependência de humanos.

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05) Perereca-de-Santo-André (Phrynomedusa fimbriata):

noimageUm dos muitos anfíbios conhecidos simplesmente como perereca (Phrynomedusa fimbriata), ou Perereca-de-Santo-André, está extinto desde os anos de 1920.

Vivia no Brasil exclusivamente em Paranapiacaba, na cidade de Santo André, estado de São Paulo.

Foi registrada pela primeira vez em Paranapiacaba a uma altitude de 1000 m. Acredita-se que era uma espécie adaptada a grandes altitudes em clima subtropical de altitude, que vivia em ambiente úmido de floresta próximo a rios, e mais nada se sabe sobre o anfíbio.

Buscas foram feitas para reencontrar algum espécime deste anfíbio, não sendo mais vista desde 1920. As causas de sua extinção são desconhecidas, mas a degradação de seu habitat (destruição e poluição) sem dúvida contribuiu para seu desaparecimento.

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06) Rato-Candango (Juscelinomys candango):

noimageO Rato-Candango foi considerado extinto em 2008, pois não é visto na Natureza desde 1960, ano em que foi registrado pela primeira e única vez.

Vivia no Planalto Central, atual Distrito Federal, em zona de Cerrado, em altitude superior a 1000 m.

O tamanho dos machos era de cerca de 140 mm da cabeça à base da cauda, que sozinha media em torno de 96 mm. Este rato tinha a cauda bastante grossa e com um denso revestimento de pelos. Escavava ninhos subterrâneos nos quais acomodavam matéria vegetal fina e gramíneas. Os animais coletados tiveram o conteúdo de seus estômagos analisados, revelando que se alimentavam de gramíneas e formigas.

Foi registrado pela primeira e única vez em 1960, na época da construção de Brasília. Operários que faziam a terraplanagem do que seria o Jardim Zoológico do Distrito Federal, encontraram ninhos próximos aos canteiros de obras. O nome científico é uma homenagem ao idealizador de Brasília, Juscelino Kubitschek e aos operários que a construíram, que eram chamados de candangos.

A principal causa de sua extinção segundo pesquisadores foi a construção de Brasília e consequente degradação de seu habitat.

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07) Rato-de-Fernando-de-Noronha (Noronhomys vespuccii):

noimageEste animal foi extinto no século XVI, sendo o primeiro mamífero conhecido da fauna brasileira a ser extinto.

Era endêmico do arquipélago de Fernando de Noronha, sendo o único mamífero terrestre conhecido nativo do arquipélago. Como as ilhas têm formação vulcânica, nunca estiveram ligadas ao continente. Por esta razão, animais terrestres não teriam como ficar ilhados no arquipélago, dando origem espécies endêmicas. Todos os animais existentes na ilha chegaram a ela a nado ou voando.

Através de comparações com ratos descendentes do mesmo ancestral que o Rato-de-Fernando-de-Noronha, crê-se que era um rato semi-aquático, vivendo ao longo de cursos de água. Faziam ninhos e abrigavam-se em gramados e árvores, vivendo em grupos. Este fato leva a supor que um grupo dos ancestrais deste rato, poderia ter ficado preso a um tronco de árvore que teria flutuado até Fernando de Noronha.

O Rato-de-Fernando-de-Noronha é um daqueles animais que por nunca ter sido visto – consta apenas no relato de um ilustre viajante do século XVI (Américo Vespúcio) -, poderia até hoje figurar como mais uma lenda do Novo Mundo. Mas o paleontologista Storrs L. Olson, chefiando uma missão conjunta (Brasil e E.U.A.), chegou a Fernando de Noronha, em 1973, para conferir o que havia de verdade e mito neste relato de Vespúcio de 1503, quando a serviço da Coroa Espanhola aportou no arquipélago, em expedição comandada por Gonçalo Coelho.

Foram descobertos muitos fósseis de um rato de moderado tamanho (Vespúcio disse que eram muito grandes) que ainda não fora descrito pela ciência. O rato descoberto foi batizado de Rato-de-Fernando-de-Noronha, sendo seu nome científico uma homenagem a Américo Vespúcio já que ele foi o único a fazer uma descrição do animal enquanto este ainda caminhava sobre a terra.

A chegada de espécies de roedores exóticos às ilhas, vindos nos navios que as visitavam pode ter sido a causa do desaparecimento dos Ratos-de-Fernando-de-Noronha. Aliado a isto a degradação do habitat também teria contribuido.

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Para saber mais:

Ambiente Brasil

Brazilian Fauna

Correio Braziliense: Conservação Internacional alerta para o desaparecimento de espécies do cerrado.

Ecologia.Info – Aves, Mamíferos e Répteis de Fernando de Noronha.

Época: O rato que desapareceu em Brasília.

Folha on Line: Mutum-de-Alagoas vira símbolo de conservação.

IUCN (International Union for Conservation of Nature) – website.

IUCN – Red List

João Guimarães Rosa e os Maçaricos – Prof. Luiz Otávio Savassi Rocha (UFMG)

Projeto Ararinha-Azul

SOS Terra Vida: Nova Lista Nacional da Fauna Ameaçada de extinção 2002/2003.

The Extinction Website