O Mistério da Estrada de Sintra

cartaz_mesO Mistério da Estrada de Sintra é um filme que me despertou a curiosidade já pelo nome. A palavra mistério atraiu como um íman. Lá fui eu saber do que se tratava o tal mistério. Para minha surpresa (todos somos um pouco ignorantes) a história já era bem velha e, inclusive, em parte escrita por um de meus escritores favoritos. Na verdade o filme é uma adaptação a uma história escrita por dois escritores, Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão.

Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão são dois nomes da literatura portuguesa que tiveram uma longa amizade, conhecendo-se ainda no colégio. Escreveram e publicaram pelo Diário de Notícias, em 1870, o Mistério da Estrada de Sintra. No ano seguinte começam juntos a publicar um jornal mensal chamado As Farpas. Neste jornal satirizavam a sociedade portuguesa do século XIX. As Farpas durou de 1871 a 1888, mas Eça de Queiroz só participou por pouco mais de um ano desta publicação.

Esta ficção passa-se em 1870, quando Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão lançam um desafio mútuo de escrever um policial a quatro mãos para o Diário de Notícias. A questão que fica é se a história é de fato ficção ou se seria baseada em um caso real. A história, como tudo que tem um dedinho de Eça de Queiroz, é uma interessante crítica à sociedade da época, misturada às tramas típicas de um filme comercial dos dias de hoje. Quanto ao mistério a desvendar, tudo gira em algo que acontece na estrada de Sintra, algo que pode ser ficção ou fruto da mente de dois grandes escritores como já foi dito. O que será que aconteceu? Ou talvez, aconteceu alguma coisa? Veja o filme, claro!

O filme foi rodado em 2 meses com um orçamento de 2 milhões de euros. Entre os atores estão Ivo Canelas (Eça de Queiroz), António Pedro Cerdeira (Ramalho Ortigão), Bruna di Tulio (Condessa de Valada), Rogério Samora (Conde de Valada), José Pedro Vasconcelos (Vasco), Gisele Itié (Carmen), Flávio Galvão (Nicázio Puebla) entre outros. A direção ficou a cargo de Jorge Paixão da Costa que tem 10 longa-metragens no currículo, novelas, séries de televisão além de propagandas. Entre seus trabalhos está A Raia dos Medos, Lusitana Paixão e Roseira Brava.

Fique com o trailer deste interessante filme português com participação brasileira.

______________________________________________________________________________________________

Veja mais sobre o filme em:

Cinema Português

E aqui o site oficial

O Mistério da Estrada de Sintra

A Selva

FILME - A SELVAEste mês, todo sábado vamos falar de… um filme português. O primeiro deste mês é A Selva, com o bonitinho Diogo Morgado, além de uma boa turma de atores brasileiros no elenco. Para quem nunca ouviu falar deste ator deixamos aqui um link para conhecer um pouco sobre ele.

O filme de hoje chama-se A Selva, e foi lançado em 2002. É dirigido por Leonel Vieira, sendo seu quinto longa metragem. Tem no elenco o já comentado Diogo Morgado, Maitê Proença, Chico Diaz, Cláudio Marzo, Gracindo Júnior entre outros.

Conta a história de um jovem chamado Alberto (Diogo Morgado) que acaba tendo que exilar-se no Brasil, nos idos de 1912. Ele vai parar no coração da floresta amazônica, onde começa a trabalhar no seringal de Juca Tristão (Cláudio Marzo), depois de contratado por Velasco (Karra Elejalde), um capataz espanhol. Alberto faz uma longa viagem de Belém do Pará por rio até chegar ao seringal Paraíso. Lá vai trabalhar, no meio da selva, tirando a seiva das seringueiras, protegido por Firmino (Chico Diaz), um cearense que vira uma espécie de tutor de Alberto.

Alberto descobre um mundo completamente diferente do que conhecia neste fim de mundo, entre perigos como o contato hostil com indígenas, as doenças e a desumanidade do ser humano, tudo isto mesclado à amizade e solidariedade entre os seringueiros. Para tornar sua vida um pouco mais difícil, começa a ter um caso com a mulher do gerente Guerreiro (Gracindo Junior), dona Iaiá (Maitê Proença).

Mas apesar desta história de amor proibido, o filme não está centrado na história dos dois personagens românticos. Ainda que Alberto apareça como uma espécie de fio condutor da trama, o grande personagem na verdade é a Selva, a Floresta Amazônica, apresentada através da vida desumana dos seringueiros e seringalistas em princípios do século XX.

O filme é baseado em um livro de mesmo nome, publicado em 1930, do escritor português Ferreira de Castro, que aos 12 anos de fato foi ao Brasil trabalhar na extração da borracha, em um seringal chamado Paraíso.

O filme tem um ritmo lento, portanto para quem gosta de ação não é recomendado. Mas para quem gosta de uma história diferente, ou digamos, um pouco de História, é uma boa opção. Com uma duração de 105 minutos pode-se, através do filme, conhecer um pouco mais de um período da História do Brasil, onde a borracha era o ouro do momento, onde a riqueza de uns era sustentada pelo trabalho escravo de homens embrenhados em uma floresta que até hoje é magnânima.

Fique com um trecho deste interessante filme português com sotaque tupiniquim do começo ao fim.

______________________________________________________________________________________________

A cidade cenográfica deste filme virou depois o Museu do Seringal. Veja reportagem da Folha de São Paulo aqui, e aqui um vídeo reportagem apresentando o museu, do programa Sem Fronteiras.

______________________________________________________________________________________________

Para saber mais sobre o filme veja:

Cinema Português

Adoro Cinema

Folha Ilustrada

Volver

volver00Volver é um verbo em espanhol cujo equivalente em português é Voltar. Mas o título do filme não foi traduzido para o português, continuando a chamar-se Volver nos países de língua portuguesa. Volver é um dos últimos filmes de Pedro Almodóvar, que estreou nos cinemas espanhóis em 2006. Além da direção Almodóvar também é responsável pelo roteiro. É um drama com toques de comédia. Ou seria uma comédia com toques de drama? Digamos que filme de Almodóvar nunca pode ser classificado em apenas uma categoria pois, normalmente, a riqueza da história não permite uma classificação limitada dentro dos parâmetros tradicionais.

O filme – mais uma vez em filmes de Almodóvar – fala dos dramas pessoais de mulheres. São três gerações de mulheres sobreviventes às adversidades da vida, que enfrentam tudo com muita garra. Raimunda (Penélope Cruz) é casada com um desempregado e tem uma filha adolescente (Yohana Cobo). A vida de Raimunda não é fácil, tendo que ter vários empregos para sustentar sua família. Com esta vida difícil mostra-se forte e decidida, mas emocionalmente é frágil.

A irmã de Raimunda é Sole (Lola Dueñas) que trabalha como cabelereira. Ela foi abandonada pelo marido e, desde então, vive só. Um dia Sole liga para Raimunda avisando da morte de uma tia, Paula (Chus Lampreave), que vivia na aldeia da qual eram. Apesar de Raimunda adorar a tia não pode ir ao enterro, pois tinha acabado de descobrir o marido morto a facada na cozinha de casa. Sua filha o havia assassinado dizendo que foi em legítima defesa por ele tentar molestá-la.

Sole segue sozinha para a aldeia, onde houve rumores das outras mulheres de que sua mãe havia voltado dos mortos. A mãe das duas é Irene (Carmen Maura) que morreu em um incêndio junto com o marido. Pelo que dizem as vizinhas ela teria voltado para cuidar da irmã Paula em seus últimos anos de vida. Elas falam do fantasma com muita naturalidade. Sole volta para Madri e, ao estacionar o carro, ouve um barulho vindo do porta-malas. Ao abrí-lo encontra o fantasma de sua mãe em meio às malas. Ao invés de ter medo e sair correndo, Sole começa a conviver todo o tempo com o fantasma, inclusive enquanto trabalha. Ao mesmo tempo Raimunda não revela a ninguém sobre a morte do marido, dizendo apenas que ele a abandonou e acredita que não voltará. Mas na verdade está tentando livrar-se do cadáver. As duas irmãs, Sole e Raimunda, seguem tentando sobreviver acompanhadas de seus “fantasmas”. Mas Raimunda ainda terá seu encontro com o fantasma da mãe, que tinha assuntos pendentes com a filha e uma vizinha da aldeia chamada Agustina (Blanca Portillo).

O fantasma de Irene (Carmen Maura) abraçada à filha Raimunda (Penélope Cruz).

O fantasma de Irene (Carmen Maura) abraçada à filha Raimunda (Penélope Cruz).

Segundo o próprio Almodóvar, a maneira como vivos e mortos se relacionam em Volver provoca situações hilariantes de grande e genuína emoção. A intenção é mostrar a relação com a morte de forma tranqüila, com naturalidade. Outra característica a destacar é a forma como as mulheres comuns muitas vezes solucionam ou adiam seus problemas, com mentiras e estratégias para escondê-los. É uma forma de mostrar como o engenho feminino encontra saídas para seus problemas em uma realidade dura, na qual muitas vezess o único recurso é mentir ou esconder.

Mais uma coisa a destacar são os rituais entre as mulheres comuns retratados por Almodóvar, a forma como se cumprimentam, como se enfeitam, como se relacionam, enfim, todo um conjunto de códigos que caracterizam não apenas a cultura na qual estão inseridas como a classe social à qual pertencem. De fato, em todos os filmes de Almodóvar podemos ver como ele define seus personagens não apenas pela imagem individual como também por todo um conjunto de elementos nos quais estão imersos.

Teve uma indicação ao Oscar, de melhor atriz (Penélope Cruz). O filme ganhou vários Goya, de melhor filme, melhor diretor, melhor atriz, melhor atriz coadjuvante e melhor música original, sem contar as indicações. No Festival de Cannes também ganhou três prêmios, o de melhor interpretação feminina ao conjunto das atrizes, melhor roteiro (do próprio Almodóvar) e o prêmio dos críticos.

Fique com o trailer de mais este delírio colorido de Almodóvar. Não achei legendado. Treine o espanhol!

Kika

kika00Kika é mais um filme dirigido e com roteiro de Pedro Almodóvar, que estreou em 1993. Este eu não tenho dúvidas quanto à classificação – como tenho em alguns outros filmes de Almodóvar – é uma comédia de 117 minutos de duração.

Neste filme a personagem título e principal da trama é Kika (Verónica Forqué), uma maquiadora casada com um fotógrafo, Ramón (Alex Casanovas). Mas sua vida amorosa não se resume ao marido, mantendo também um relacionamento com Nicholas (Peter Coyote) um escritor norte-americano que também é padrasto do marido de Kika. Kika é uma pessoa otimista que sempre está pensando no melhor, já o marido é muito fechado e obcecado pela morte da mãe. Apesar de se amarem não conseguem se entender.

Um ex-ator pornô, Paul Bazzo/Pablo (Santiago Lajusticia), irmão da empregada de Kika, Juana (Rossy de Palma), foge da prisão e refugia-se no apartamento da irmã. Quando vê Kika adormecida em um quarto, não resiste e a viola. Como sempre, em um filme de Almodóvar, aquilo que normalmente seria trágico ganha contornos que o torna absurdamente cômico.

Andrea Caracortada (Victoria Abril) em sua roupinha de Jean Paul Gaultier.

Andrea Caracortada (Victoria Abril) em sua roupinha de Jean Paul Gaultier.

A vida de Kika complica-se mais ainda quando começa a ser ameaçada por sua empregada lésbica que é apaixonada por ela, e perseguida por uma apresentadora e diretora de um Reality Show, Andrea Caracortada (Victoria Abril). Para completar a confusão, Andrea Caracortada é ex-namorada de Ramón. E isto é só o começo.

No elenco além dos atores que já foram mencionados, também estão Anabel Alonso (Amparo), Bibi Andersen (Susana), Jesús Bonilla (Policial), Karra Elejalde (Policial), Mónica Bardem (Paca) entre outros.

No figurino está uma criação do estilista francês Jean Paul Gaultier, na roupa camera ambulante da personagem Andrea Caracortada, como a produção é dividida com uma produtora francesa, sendo o segundo filme de Almodóvar com a produtora Ciby 2000.

Ganhou o Goya de melhor atriz (Verónica Forqué) e foi indicado em mais 7 categorias. É considerado um dos piores filmes de Almodóvar, tendo recebido inúmeras críticas negativas, tanto pela qualidade da narrativa e seu desenrolar como pela crítica explícita aos Reality Shows que estavam em voga na Espanha da década de 1990. Mas recomendo que primeiro assista, depois julgue.

O site oficial do filme está aqui. Fique com um trailer deste absurdo cômico delicioso e altamente crítico.

De Salto Alto

lejanos02De Salto Alto (Tacones Lejanos) é mais um filme de Pedro Almodóvar, de 1990. Outro filme também com roteiro de Almodóvar, e com Victoria Abril no elenco. Neste filme temos mais uma história confusa sobre a vida amorosa conturbada de mulheres problemáticas. Acho que estou usando de muitos juízos de valor! Vamos à história.

Rebeca (Victoria Abril) fica anos separada de sua mãe que a abandonara. Becky del Páramo (Marisa Paredes) resolve voltar a Madri para reencontrar a filha e aparar algumas arestas. O reencontro não é nada fácil, ainda mais porque Rebeca está casada com um antigo amante de sua mãe, Manuel (Féodor Atkine). Rebeca apesar do abandono da mãe, sentia sua falta, e para compensar sua ausência, assistia ao espetáculo de um transformista que a imitava, Femme Letal (Miguel Bosé). Femme Letal é um fã de Becky del Páramo que durante o dia trabalha como juiz. A relação de Rebeca com o marido não é nenhum mar de rosas, o que ele revela à então sogra e ex-amante, ao comentar-lhe que poderiam reatar a antiga relação. Para completar a tragicomédia, Manuel tem uma amante, Isabel (Miriam Díaz Aroca). Em meio ao reencontro conturbado de filha e mãe, Manuel aparece assassinado. E agora todos teremos que descobrir qual delas matou Manuel.

Além dos atores citados no elenco constam nomes como Anna Lizarán (Margarita), Bibi Andersen (Suzanna), Nacho Martínez (Juan), Juan José Otegui (capelão do hospital) entre outros. Miguel Bosé, cantor e ator espanhol nascido no Panamá, além do transformista Femme Letal faz mais dois personagens no filme, o juiz Domínguez e Hugo. O irmão de Almodóvar, Agustin Almodóvar, também participa como figurante.

Foi indicado a vários Goya (o Oscar espanhol) mas não ganhou nenhum. No entanto, no Festival de Cinema de Gramado, ganhou os prêmios de melhor atriz (Marisa Paredes), melhor diretor, melhor música, além de ter sido indicado a melhor filme iberoamericano.

O site oficial do filme está aqui. Fique com um vídeo, com cenas do filme, ao som da música Piensa en mi, interpretada por Luz Casal.

Ata-me!

atame00Este filme é completamente louco. Não sei se é comédia ou drama (é classificado como drama). Não sei se é racional ou uma alucinação. Mas é legal! Uma verdadeira anarquia cinematográfica! É outro filme de Pedro Almodóvar, com uma história estranha, muita cor e confusão do começo ao fim. Além de dirigir Almodóvar também é responsável pelo roteiro, juntamente com Yuvi Beringola. Estreou nos cinemas espanhóis em 1989.

Em Ata-me (¡Átame!), conhecemos a história de Ricky, um orfão desde os 3 anos de idade e que, por toda a vida passou por diferentes instituições. Ao receber alta de um hospital psiquiátrico, resolve ir em busca de uma mulher com a qual passou uma única noite no passado. Marina teve problemas com drogas e trabalha com atriz de filmes pornô e de terror. Ricky, fascinado por Marina há muito tempo, é rejeitado por ela. Acaba por raptá-la, disposto a fazer tudo para que ela corresponda a seu amor. Ao longo da história Marina tenta fugir diversas vezes em vão, e com o desenrolar destas fugas frustradas os personagens acabam por se aproximarem, terminando por ter início uma história de amor.

atame01No elenco temos Victoria Abril (Marina), Antonio Banderas (Ricky), Loles León (Lola), Julieta Serrano (Alma), María Barranco (médica), Rossy del Palma (traficante de drogas), Paco Rabal (Máximo Espejo) e Lola Cardona (diretora do hospício). Foi o oitavo filme de Almodóvar, e o último grande filme de Banderas antes de sua ida para Hollywood.

Apesar de ter sido indicado a diversos prêmios Goya (o Oscar espanhol) não ganhou nenhum. É pena, pois uma alucinação de qualidade como esta não se produz todos os dias.

Aqui está o site oficial do filme, e fique com um trailer deste delírio almodovariano.

Mulheres à beira de um ataque de nervos

Pedro Almodóvar

Pedro Almodóvar

Pedro Almodóvar é um dos grandes cineastas espanhóis. Para quem não conhece ele é diretor, roteirista e produtor. Nasceu em Calzada de Calatrava na província de Ciudad Real, mudou-se ainda menino para Cáceres, onde estudou em colégios religiosos. Com 16 anos foi para Madri estudar Cinema. Mas a escola onde queria matricular-se foi fechada, e acabou não conseguindo seu objetivo. Teve diversos empregos até que começou a trabalhar para a Telefónica (aquela mesmo que tem no Brasil). Ficou 12 anos trabalhando para a Telefónica sem desistir de seu sonho. Neste meio tempo participou de grupos de teatro, escreveu pequenas novelas, inclusive uma fotonovela pornográfica, além de contos para jornais.

Em 1980, dirige e escreve seu primeiro filme, Pepi, Luci, Bom e Outras Tipas do Grupo (Pepi,Luci, Bom y otras chicas del montón), que conseguiu realizar graças aos cerca de 3 mil euros que conseguiu emprestados junto a amigos. Em 1984 realiza o filme que começa a dar-lhe fama popular, Que fiz para merecer isto? (¿Que he hecho yo para merecer esto?). No ano seguinte, junto a seu irmão Agustin, funda uma produtora chamada El Deseo, que já produziu filmes excelentes (como A Espinha do Diabo, do qual já falamos aqui).

É em 1988 que dirige Mulheres à beira de um ataque de nervos (Mujeres al borde de un ataque de nervios) o filme que lhe dará fama internacional. Este filme foi indicado a 16 Goyas (o Oscar espanhol) e ganhou 5: melhor filme, melhor atriz principal, melhor atriz coadjuvante, melhor roteiro original e melhor montagem. Fora os Goya, foi o primeiro filme de Almodóvar indicado a um Oscar, o de melhor filme estrangeiro. Não ganhou, desta vez. Mas a tragicomédia é um marco na carreira de Almodóvar, pela fama internacional, pelos prêmios e indicações e diria mesmo, por começar a definir um estilo almodovariano de fazer cinema.

Todos reunidos na casa de Pepa.

Todos reunidos na casa de Pepa.

No elenco do filme encontramos nomes como Carmen Maura (Pepa), Antonio Banderas (Carlos), Julieta Serrano (Lucía), Rossy de Palma (Marisa), María Barranco (Candela), Kiti Manver (Paulina), Fernando Guillén (Iván), entre outros. Reconhecer Banderas neste filme necessita de alguma atenção. O tempo passa! Carmen Maura é um dos grandes nomes do cinema espanhol, e a atriz fetiche de Almodóvar, que realizou vários com ela.

Em relação ao filme, ele começa contando a história de Pepa e Iván, um casal que ganha a vida dublando filmes. Um dia Iván termina seu relacionamento com Pepa, que pouco depois descobre que está grávida. Começa a busca de Pepa por Iván para contar-lhe da gravidez. Mas neste meio tempo, a ex-mulher de Iván, que acaba de sair de um hospício ao enganar os médicos fingindo que estava curada, também começa a procurá-lo. Iván tinha um filho com a ex-mulher Lucía. Este filho, Carlos, juntamente com sua namorada Marisa, acaba por alugar um quarto no apartamento de Pepa, e descobrindo que ela era a amante de seu pai. Junto a toda esta turma confusa, está Candela, amiga de Pepa, que tivera há pouco tempo um relacionamento com um árabe pertencente a um grupo terrorista xiita que pretendiam seqüestrar um avião. Assim que os terroristas deixam a casa de Candela, esta destrói as provas e refugia-se na casa de Pepa buscando ajuda.

mujeresataquenervios01Enquanto tudo isto vai acontecendo, Pepa faz várias buscas na tentativa de localizar Iván, acabando por cruzar caminho com Lucía em várias ocasiões. No final, Lucía chega também à casa de Pepa para pedir-lhe que deixe seu marido em paz. Juntando mais confusão ao que já é confuso, Carlos chama a polícia para denunciar o possível seqüestro do avião que acaba por descobrir. Chega a polícia na casa de Pepa também. Todos reunidos, tomando gaspacho, a polícia começa a interrogar os vários presentes. Mas algo não está muito bem, e repentinamente começam a dormir. É que Pepa havia preparado um gaspacho com soníferos para dar a Iván e impedi-lo de partir, o que não aconteceu. Pepa e Lucía são as únicas que não adormecem e, em separado mas seguindo as mesmas pegadas, começam uma última busca desesperada por Iván. No final das contas algo vai produzir-se na cabecinha de Pepa, e ela verá que suas necessidades já não são as que pensava.

Neste ano de 2009 existe um projeto já sendo escrito para a produção de uma série televisiva inspirada neste filme. Mas se pararem para pensar já há uma série que tem algo em comum: Donas de casa desesperadas. Mesmo tendo estilos completamente diferentes, pode-se dizer que desespero e ataque de nervos estão ali, par e par, além de que os personagens centrais tanto do filme como da série são mulheres com seus dramas pessoais. Não vou filosofar muito sobre a história do filme, sobre as mulheres à beira de um ataque de nervos e suas confusões amorosas. Este é um filme que deve ser visto para se perceber sua riqueza. Aliás, foi o primeiro filme de Almodóvar que vi na vida, nunca mais deixei de ver seus filmes. Vá lá e veja.

O site oficial do filme está aqui. Fique com um trecho do filme, quando todos tomam o tal gaspacho “batizado” de Pepa.