Lendas da Casa das Sete Chaminés


Casa as Sete Chaminés, com suas chaminés em destaque.

Casa das Sete Chaminés, com suas chaminés em destaque.

A Casa das Sete Chaminés é um dos poucos exemplos de arquitetura civil do século XVI que permanece de pé em Madri. Foi projetada e construída entre 1574 e 1577, pelo arquiteto Antonio Sillero para Pedro de Ledesma. Em 1583 a casa foi vendida para o comerciante genovês Baltasar Cattaneo, que teria comprado a residência pela metade de seu valor. Foi na época em que pertencia a Cattaneo que a casa sofreu uma ampliação, tornando-se um imóvel de dois andares, planta retangular e recebendo as sete chaminés – pelas quais é conhecida até hoje.

Em volta das tais chaminés surgiram inúmeras lendas. Entre as várias lendas, existe a que afirma que cada chaminé representaria um pecado capital. Para quem não sabe os pecados capitais são: gula, luxúria, avareza, preguiça, ira, inveja e vaidade.

Dizem alguns que, na verdade, a casa não teria sido construída para Pedro de Ledesma, mas para o rei Felipe II. Segundo consta ele teria comprado uma parte das terras do Convento del Carmen, para dar a sua filha como presente de casamento, após a construção da casa. Há outra versão que afirma que a casa serviu para manter reclusa uma filha ilegítima do rei Felipe II e que, depois de morta, permanecia habitando aquela casa…

Ainda na época do rei Felipe II a casa teria sido habitada por um capitão Zapata, que casou-se com a filha de um amigo do rei. O pai era amigo mas parece que a filha, Elena, era amante do rei e fora casada com o capitão Zapata por estar dando problemas a Felipe II. Assim, o rei casou-a com um nobre senhor, dando também um dote pessoal a sua suposta amante de 13 moedas de ouro, nas quais estavam a sua efingie. Com poucos dias de casados o nobre e valente capitão teve que partir para Flandres, onde acabou morrendo em uma batalha. Alguns dias depois, Elena apareceu morta em sua cama para, em seguida, seu cadáver desaparecer misteriosamente. Ninguém sabe o fim que levou seu cadáver. Para tornar a história mais tenebrosa ainda, dizem que os vizinhos da casa, durante a noite, viam uma jovem mulher passeando pelo telhado com uma tocha nas mãos entre as sete chaminés. Depois de passar uma a uma das chaminés, voltava-se em direção ao palácio real, ajoelhava-se, rezava e dava murros no próprio peito. Os populares começaram a relacionar estes eventos, do falecimento da jovem Elena e suas supostas aparições no telhado da casa, com as frequentes visitas do rei Felipe II à então quinta, na qual ia escondido pela sombra da noite. Como seu cadáver desapareceu, nunca se soube se morreu de causas naturais ou às mãos de alguém.

Parece que o rei Felipe II tinha uma coleção de amantes, pois também da mesma época há outra lenda mais. Nesta outra lenda não se conhece nomes dos personagens, excetuando o rei. Mas um homem de negócios bem sucedido teria comprado o palacete. Seria sua casa, depois que casasse com uma jovem de boa família mas falida. Esta outra jovem também seria amante de Felipe II, e em plena noite de núpcias teria se suicidado. Seu fantasma também passeia pela casa, não no telhado, e faz tilintar as 13 moedas que também teria recebido como dote.

Mas algo é certo sobre a casa, ou seja, nem tudo é lenda. Em 1590 o doutor Francisco Sandi y Mesa comprou a casa e nela fundou o morgado da família dos Colmenares, que em 1716 tornaram-se Condes de Polentinos. A casa foi propriedade desta família até 1881.

No século XVIII foi realizada uma nova ampliação na residência, levando à construção de um edifício anexo que transformou a casa com planta retangular em um edificio em forma de L. Este novo edifício dá para a atual rua Colmenares. Por esta época foi residência de um famoso marquês, o Marquês de Esquilache, contra o qual a população madrilenha realizou protestos violentos, um motim em 1766, deixando na Casa das Sete Chaminés as marcas do descontentamento popular, que culminou no saque da residência. O Marquês de Esquilache foi Ministro da Fazenda no reinado de Carlos III.

chimeneas01Em 1874 o arquiteto Agustín Ortiz de Villajos foi responsável por uma nova reforma na casa, mas como foi vendida em 1881 para o financeiro Jaime Girona, voltou a sofrer uma nova reforma, para transformar-se em sede do Banco de Castilla. Em 1882, Manuel Antonio Capo, empreendeu uma reforma das fachadas e restaurou a casa, devolvendo-lhe o aspecto original, sem modificar demasiado as construções anexas que foram construídas posteriormente à casa. Em uma destas reformas empreendidas no século XIX, conta-se que no porão foi encontrado, emparedado em um muro, um esqueleto de uma jovem mulher juntamente com um saco contendo 13 moedas de ouro da época de Felipe II!

Durante o século XIX a casa continuou servindo para abrigar sedes de bancos até que, em 1948 foi declarada Monumento Histórico e Artístico, e novamente reformada em 1957 pelos arquitetos Fernando Chueca Goitia e José Antonio Domínguez Salazar. Desde os anos de 1980 até os dias de hoje é sede do Ministério da Cultura.

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Fontes:

Cajon Desastres

El Distrito

Madrid Histórico

Veja também:

Dominguez, Mari Pau – La Casa de los Siete Pecados – Editora Grijalbo, 2009.

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