O Auto da Compadecida


O Auto da Compadecida é uma micro-série da Globo baseada em uma peça de teatro de Ariano Suassuna, intitulada Auto da Compadecida. Mas antes de falarmos da série vamos falar deste senhor chamado Ariano Suassuna.

Ariano Suassuna

Ariano Suassuna

Ariano nasceu em João Pessoa, quando esta cidade chamava-se Parahyba, em 1927. Viveu seus primeiros anos em um sítio no sertão do estado da Paraíba. Quando tinha apenas 3 anos, seu pai foi assassinado na então capital da república, por motivos políticos. Por esta razão, sua família teve que mudar-se constantemente, fugindo de possíveis represálias de grupos políticos opositores ao do falecido pai. Em 1942 passou a residir em Recife, Pernambuco, onde sua família fixou-se definitivamente. Estudou em colégios renomados, concluindo a faculdade de Direito em 1950, na Faculdade de Direito do Recife. Depois, em 1964, concluiu também o curso de Filosofia. Sua primeira obra publicada foi um poema intitulado Noturno, em 1945, publicado no Jornal do Comércio, no Recife. Sua primeira peça foi Uma Mulher Vestida de Sol, de 1947. Depois desta vieram muitas outras, incluindo Auto da Compadecida, de 1955, que deu-lhe fama nacional. Mas apesar de boa parte de sua produção serem peças teatrais, também publicou romances e poemas. Entre seus romances, o mais conhecido é O Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, de 1971.

Apesar de escrever constantemente, não viveu apenas do que escrevia, exercendo a advocacia por um certo tempo, afastando-se em 1956, quando tornou-se professor de Estética, na Universidade Federal de Pernambuco. É justamente como professor desta universidade que acaba por aposentar-se em 1994. Antes, porém, continua dedicando-se ao teatro, e nos anos 1970 escreve romances, e ao mesmo tempo, defende sua tese de livre-docência, cujo título é A Onça Castanha e a Ilha Brasil: uma reflexão sobre a cultura brasileira.

Ariano Suassuna é o idealizador do Movimento Armorial, cujo objetivo é criar arte erudita a partir da cultura popular nordestina. Este movimento engloba todas as formas de expressões artísticas como música, dança, literatura, teatro, cinema, etc (para saber mais veja no final do post). Em 1990, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras,ocupando a cadeira 32.

A Compadecida e Jesus Cristo (foto de Nelson Di Rago)

A Compadecida e Jesus Cristo (foto de Nelson Di Rago)

Voltando ao Auto da Compadecida, sua obra mais conhecida, esta peça foi montada por grupos teatrais de todo o país, incontáveis vezes, sendo também adaptada para a televisão e o cinema. Antes da micro-série da qual falamos hoje, o Auto da Compadecida já tinha virado filme estrelado por Regina Duarte (no papel da Compadecida), em 1969, com o título de A Compadecida. Renato Aragão, o maior humorista nordestino de todos os tempos, também transformou o Auto da Compadecida em filme, com a produção Os Trapalhões no Auto da Compadecida, em 1987, um dos raros filmes dos Trapalhões que chegou a ser comercializado no estrangeiro. E em 1999 surge a micro-série O Auto da Compadecida, transformada em filme no ano seguinte.

A micro-série de 4 capítulos, com uma duração total de 2 horas (o filme conta apenas com 104 minutos e tem algumas das melhores partes da série cortadas), não é fiel à obra de Suassuna, tendo sido uma adaptação feita a partir da peça teatral Auto da Compadecida, mas com pequenas histórias mescladas de outras peças de Suassuna. Foi a micro-série de maior sucesso da Rede Globo até os dias atuais. Como foi baseada no texto de Suassuna, tem em sua versão televisiva elementos que podem identificar a obra e estilo de Suassuna. Autos eram obras medievais de cunho religioso, e o Auto da Compadecida tem todo um percurso que termina justamente tendo um ápice religioso. Outra característica da obra de Suassuna é que, o Auto da Compadecida tem uma narrativa, uma forma de contar a história que inspira-se na Literatura de Cordel, seja pelos termos utilizados, pelos diálogos estabelecidos, mas também, no caso da série, pelas imagens que acompanham a história narrada. Outra característica definidora é o enfoque a um tema regional (nordestino), sendo apresentado com toda uma narrativa e visual alusivos à cultura regional.

João Grilo e Chicó (com a cruz na mão).

João Grilo e Chicó (com a cruz na mão).

A série conta a história de João Grilo e seu amigo Chicó. João Grilo é o tipo esperto e simplório que faz tudo para sobreviver, enquanto Chicó só conta vantagens, inventa, e não sabe se desvencilhar das dificuldades, só com a ajuda do amigo. Encontram trabalho na padaria do lugarejo de Taperoá, tendo como patrão o avarento Eurico e sua mulher Dora, que dá mais importância à sua cachorra que ao próprio marido. No desenrolar da história, Chicó apaixona-se pela filha do major Antônio Morais, Rosinha, e precisa da ajuda do amigo João Grilo, novamente, para conseguir casar com a moça. Mas algo acontece neste meio tempo que leva ao momento da verdade, em que A Compadecida intercederá por todos, e principalmente por João Grilo. Esta parte final é onde os dramas pessoais são revelados, onde as histórias são de fato compreendidas, e entende-se o porquê da história ter o Compadecida no nome.

A adaptação foi escrita por Adriana Falcão, João Falcão e Guel Arraes, e dirigida também por Guel Arraes. Teve no elenco nomes como Matheus Nachtergaele (João Grilo), Selton Melo (Chicó), Virgínia Cavendish (Rosinha), Paulo Goulart (Major Antônio Morais), Fernanda Montenegro (a Compadecida), Maurício Gonçalves (Jesus Cristo/Manuel), Luís Melo (Diabo), Lima Duarte (Bispo), Rogério Cardoso (Padre João), Marco Nanini (Severino), Denise Fraga (Dora), Diogo Vilela (Eurico), entre outros.

Como disse mais acima, o filme tem uma duração menor que a micro-série. Mas para quem não viu a série é uma boa opção, de divertimento garantido. O problema é que, quem viu a série sente falta de momentos hilários que não podem ser vistos no filme. Independente deste pequeno grande detalhe, o filme foi um grande sucesso nos cinemas quando de seu lançamento.

Fique com um trecho desta deliciosa série (e do filme), com a história do Cavalo Bento de Chicó, uma das muitas histórias sem pé nem cabeça que ele conta ao longo da série.

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Para saber mais:

A Música Armorial – de Ana Paula Campos Lima

– um pequeno trabalho sobre a Música Armorial que nos dá uma idéia mais ampla sobre o Movimento Armorial como um todo.

Ariano Suassuna

– é o site sobre Ariano Suassuna: vida, obra e etc.

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7 opiniões sobre “O Auto da Compadecida

  1. eu sou estudante do encino medio
    agente fez uma sena do alto da compadecida..
    sai muito bom as pessoas se amararam, no nosso video…..
    quem sabe nosso video não possa ser avaliado…..
    muito Obrigado por você le esse texto..

  2. bom dia! alguem sabe me dizer se quando se compra o dvd que vem com o filme e a miniserie, se ambos tem legenda em ingles ou se e soh o filme?

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