Lendas do Corpo Seco


Corpo Seco (Maurício Pereira)

Corpo Seco (ilustração de Maurício Pereira)

Corpo Seco é uma figura folclórica recorrente principalmente no sudeste brasileiro. Apesar de muito comum no sudeste, há histórias de encontros com um Corpo Seco desde o Paraná até o Amazonas, assim como em alguns países africanos de língua portuguesa.

O Corpo Seco seria um morto-vivo que por ter praticado muitas más ações durante a vida, e agredido ou matado os pais (alguns afirmam que seria só a mãe), ao morrer, teve seu descanso negado. Há um ditado popular que diz que “quem bate na mãe fica com a mão seca”.

Assim o Corpo Seco acaba sendo rejeitado por Deus, pelo Diabo e pela própria terra onde teria sido enterrado. É que, ao ser enterrado, o Corpo Seco é expelido pela terra, aparecendo o morto desenterrado pouco tempo depois do próprio enterro, já com as carnes apodrecidas.

O Corpo Seco não gosta de água, sendo que pode ser isolado se deixado em um lugar do qual para sair se tenha que atravessar um curso d’água.

Depois de sair do túmulo o Corpo Seco começa a vaguear pelas matas próximas a caminhos, pois para sobreviver tem que se agarrar a uma árvore. Quando se agarra a uma acaba por secá-la. Portanto, se encontrarem uma árvore que secou de repente, sem causa aparente, pode ter sido um Corpo Seco que se agarrou a ela.

Dizem alguns que o Corpo Seco fica junto a caminhos, pois precisa de sangue para continuar “vivo”. Quando passa uma pessoa agarra-a e suga todo o seu sangue (como os vampiros). Se não passar nenhuma pessoa ele morre.

Deixamos aqui duas histórias sobre Corpos Secos contadas por aí. A primeira é sobre um Corpo Seco que assombra moradores há mais de 40 anos, no Vale do Paraíba, próximo a Taubaté, São Paulo. A segunda história é sobre um Corpo Seco da cidade de Colombo, que fica na região metropolitana de Curitiba, Paraná.

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CORPO SECO DO ZÉ MAXIMIANO (MONTEIRO LOBATO, SÃO PAULO)

Possível trilha assombrada pelo Corpo Seco de Monteiro Lobato, no Parque Natural do Sauá.

Provável trilha assombrada pelo Corpo Seco, em Monteiro Lobato, no Parque Natural do Sauá.

Dizem os moradores mais antigos que existe um Corpo Seco assombrando uma trilha entre os Vales do Buquira e do Trabiju, há mais de 40 anos, no município de Monteiro Lobato. Este Corpo Seco habita a gruta do Picadão. Um morador local, chamado Geraldo Periquito chega a afirmar que já viu o Corpo Seco pescando lá perto. Também, segundo Periquito, uma vez passava por esta trilha uma comitiva de uns 50 cavaleiros que seguia para uma festa de casamento. Era umas 10 horas da noite quando os cavaleiros cruzavam o trecho assombrado da trilha. Periquito diz que quando passava ouviu uma voz dizendo:

– Dá a garupa que eu também vou.

Periquito não pensou duas vezes, saiu correndo à galope.

Conta este morador local que a alma penada tem nome conhecido. Seu nome em vida era Zé Maximiano, e Periquito até trabalhou com um sobrinho do Corpo Seco numa roça, e o conheceu quando era pequeno. Dizem que virou Corpo Seco porque batia nos pais. Geraldo Periquito conheceu um amigo do Zé Maximiano, Pedro Vicente, que foi responsável em transportar seu corpo para um lugar seguro.

Ao que se conta Zé morreu assassinado, de morte matada, e foi enterrado no cemitério em Monteiro Lobato. Mas a terra expelia o defunto, que mesmo que voltassem a enterrar era de novo expelido por ela. Então Pedro Vicente foi designado para levar o corpo do Zé até uma gruta afastada e deixá-lo por lá. Levou Pedro Vicente, em um balaio nas costas, o corpo ressecado do Zé Maximiano até a tal gruta afastada, para que ele não ficasse assombrando o povo. Para chegar à gruta tinha que se atravessar um córrego, e Corpo Seco não atravessa água.

O padre de Monteiro Lobato, para proteger Pedro Vicente, entregou-lhe uma vara de marmelo benzida. Caso a assombração quisesse agarrá-lo era para bater no Corpo Seco com a vara até ele soltar. Depois de uma longa caminhada, Pedro Vicente chega à gruta, deixando o corpo do Zé no chão, e virando-se para ir embora. É então que o Corpo Seco agarra Pedro dizendo que não o deixaria partir, pois era para os dois ficarem ali juntos, para sempre. Pedro pegou a varinha de marmelo benzida pelo padre e bateu com muita força, repetidas vezes, até que a assombração soltou-lhe e ele conseguiu fugir dali, para nunca mais voltar. Ao menos é a história que se conta.

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CORPO SECO DE COLOMBO (PARANÁ)

Trilha no Bosque da Uva, Colombo, Paraná.

Trilha no Bosque da Uva, Colombo, Paraná.

(…)

Aqui, em Colombo, na região metropolitana de Curitiba, há uma história destas, que contarei abaixo :

Era uma vez um menino chamado Marcelo, filho de fazendeiros que moravam num sítio na cidade de Colombo. Este garoto tinha sérios problemas neurológicos: hiperatividade e déficit de atenção. Mas os seus pais não tinham paciência com ele, pois toda a vez que o menino aprontava na escola ou tirava notas baixas seu pai dava surras com chicotes. Com o passar do tempo o garoto cresceu e virou um rapaz.

Seus pais pressionavam este moço para passar no vestibular do curso de Direito da UFPR. No dia do resultado, o casal de fazendeiros descobriu que seu filho não foi aprovado. Assim, de noite, seu pai deu várias chicotadas em Marcelo. De madrugada o rapaz resolveu se vingar: pegou uma espingarda e atirou na sua família. Os empregados da fazenda acordaram e chamaram a polícia. Marcelo foi preso e transferido para a penitenciária de Piraquara. Lá ele suicidou-se.

Sua alma chegou ao inferno, mas nem o diabo quis e o seu corpo foi expulso do cemitério pois nem as outras almas e nem os bichos da terra permitiram que ele continuasse lá. Assim o morto-vivo caminhou até a sua antiga residência, que era numa fazenda em Colombo. Então seu corpo secou e ele passou a dormir em troncos ocos de árvore de dia e saia vagando todas as noites.

Um certo dia este zumbi estava dentro de um tronco de uma árvore, quando escutou a conversa de um casal. O rapaz falou assim para a moça:

– Não passei no vestibular, quando a minha família souber, não saberei o que fazer: Será que mato os meus pais, ou me suicido?

Desta maneira a garota respondeu:

– A solução é não fazer nada. Por favor, não faça nenhuma besteira!

De repente, a moça se afastou. Aproveitando a oportunidade, Marcelo saiu de dentro da árvore e exclamou para o rapaz:

– Boa tarde! Com licença!

O garoto exclamou:

– Quem é você? Parece uma assombração!

Marcelo explicou :

– Eu sou, realmente, uma assombração. Virei Corpo Seco, pois matei meus pais porque eles brigaram comigo por não ter passado no vestibular. Por favor, não mate a sua família! Pois, você acabará como eu!

Então, após escutar estas palavras, o rapaz saiu correndo.

Alguns dias depois, o mesmo moço surgiu com uma corda no mesmo lugar. Ele colocou a corda no pescoço para se suicidar. O zumbi, que observava tudo, tomou o caminho da estrada para avisar a namorada do suicida. Desta forma a pretendente do rapaz chegou ao local e conseguiu evitar a tragédia.

Reza lenda que este Corpo Seco, até hoje, continua vagando pelas fazendas de uva da cidade de Colombo.

escrito por: Luciana do Rocio Mallon

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Fontes:

Corpo Seco de Colombo, de Luciana do Rocio Mallon – Texto Livre

Corpo Seco do Zé Maximiano, Jornal do Vale Paraibano

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31 opiniões sobre “Lendas do Corpo Seco

  1. Olá Neviane!
    Bem… eu sou da opinião de que lendas são histórias que servem para transmitir ideais, noções de certo e errado, valores, sempre de acordo com a época em que a lenda surge. Com o passar do tempo uma mesma lenda pode ganhar versões diferentes, que incorporam os novos ideais da sociedade que a reproduz. No meu entender as lendas servem para percebermos os valores de uma sociedade, o que é importante para um determinado grupo de pessoas. Normalmente é quando somos crianças que mais ouvimos ou lemos sobre lendas, e é justamente nesta fase que absorvemos estes valores transmitidos pelas lendas, e nos integramos em um modo de pensar comum da sociedade à qual pertencemos.
    Então, verdadeira não sei… Mas se você prestar atenção, um fundo moral é bem visível nas histórias do Corpo Seco.

  2. Olá, não sei lhe dizer qual seria a lenda original, mas as versões são muitas. Sugiro que busque uma da região onde você vive, que tenha alguma relação com o que vocês conhecem próximo aonde moram. Porque lenda verdadeira, é complicado, ainda mais com lendas que são passadas de boca em boca e mudam muito com o tempo.

  3. eu acho td esso uma lenda pq eu nunca vi. pois eu só acredito vendo e eu tbm ñ quero ver, mais uma coisa eu sei se for verdade tem pessoas que vai ter que corta as asinhas.
    camila pq ter medo se isso é uma lenda.
    mais quando maiis nos vai ficando adolesente mais eles começa a contar mais lenda, mais eu sei que é mentira e só para botar medo mesmo. mais eu confeço se for verdade eu é que ñ que ria ser esse bicho feio ñ. que horror.
    mais se ele existe era pra tar nas tv nos jornais e muito mais, mais tem coisa que até da pra acreditar, mais tem coisa che que bobagem ñ asusta nem mais as crianças.
    como a do bicho papão ou do lobomal, qum tem medo do lobo mal lobo mal. ♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥

  4. Olá, para todos. Eu sou Moisés Ribeiro de Oliveira e sei a versão completa da lenda verdadeira do corpo seco. Eu vou contar. Era uma vez, em um lugar distante, morava um homem fazendeiro, cujo pai havia morrido e ficara apenas com sua mãe e seus fiéis empregados na sua grande fazenda. Era um homem ambicioso e orgulhoso, tinha em seus ármários moedas, apenas, moedas. Todas feitas com ouro e eram em grande quantidade. Certo dia sua mãe estava sentada em uma cadeira de balanço, quando seu filho virou-se para ela e começou a bater na sua querida mãe, que muito o amava. No dia seguinte, o homem teve um enfarto, no entanto, um de seus empregados pôs-se a fazer o duro trabalho de enterrá-lo. O homem foi primeiramente rejeitado por Deus, e, em segundo, também rejeitado pelo diabo. Nem a terra se conformou. ficou nojada com a podre carne daquela criatura. Sem destino para descansar em paz, aquele corpo se tornou, então, numa alma penada, vagando por aí. Então passou a ser chamado de corpo seco. Com seu esquelético corpo, ainda em estado de decomposição, atacava pessoas para sugar seu sangue (semelhante ao vampiro), em estradas.

  5. eu e minha amiga lara adoramos as histórias e comentarios que lemos <3 hoje é sexta feira 13 e estavamos procurando histórias legais e achamos

  6. ola meu nome é milena e e o da minha amiga é,lara eu e ela estavamos procurando algo para fazer quando tivemos a ideia de procurar histórias para nós termos algo para fazer ai achamos esse site e comessamos a ler,a lara me fes girar a tela do pc porque ela tava com medo ja q hoje é sexta feira 13

  7. Havia muito tempo que eu não tinha ouvido sobre o corpo-seco, meu tio, me contou uma vez que um de seus amigos morreu de ataque cardíaco e todo lugar que eles o tentavam enterrar, após a meia noite o corpo se arrastava até o lugar onde havia morrido, então meu tio teve que ir com alguns amigos durante sete dias encontram algum lugar que pudessem deixa-lo e escolheram justamente uma floresta no terreno que pertencia aos amigos dele (sem sua permissão), para faze-lo parar de voltar ao seu local de óbito, trancaram ele dentro de uma arvore, a mais bela do local, ele disse que a arvore fez um grande estalo quando colocaram o corpo dentro dela, também que suas folhas caíram todas e os galhos entortaram. Os amigos do meu tio, eram caçadores e depois de um tempo diziam que não conseguiam fazer os cachorros procuram por alguma caça na floresta, pois eles sempre coçavam o nariz em algum lugar e fugiam. Eu mesmo decidi ir nessa floresta, era mais ou menos seis horas ( foi o horário que consegui fazer meus pais pararem de prestar atenção em mim), estava quase escurecendo, meu tio disse que tinha deixado uma cruz em frente ao “tumulo”, então andei até que achei uma pequena vela, ainda acesa, o estranho que estava dentro de uma arvore morta, cheguei um pouco perto para ver melhor, os meus olhos me acostumando com o interior da arvore eu vi a cruz virada dentro dela e um cheiro horrível, quando virei tinha um homem muito magro e de pele escura me olhando de longe, como tinha apenas 11 anos, eu corri, mas lembrando da história, nunca virando de costas pro corpo-seco, ele tinha a roupa rasgada e musgos no corpo, olhava para baixo e se mexia levemente, quando estava bem distante dele, eu resolvi parar e olhar melhor pra ele, no momento que eu parei ele começou a correr na minha direção enquanto gritava, era um som horrível, bem grave, parecendo a intimidação de um animal raivoso, ele corria muito rápido, então pedi ajuda para o Senhor e ele desapareceu. Quando voltei todos perguntaram se aconteceu algo, pois tinham ouvido gritos horrendos vindos da floresta, apenas respondi: Era a maldade tentando me pegar.

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