Para começar vamos falar da autora. Letícia Wierzchowski é uma escritora gaúcha, descendente de poloneses. Começou a vida literária quando trabalhava na construtora do pai. Teve seu primeiro romance publicado em 1988 (O Anjo e o Resto de Nós). Mas o sucesso chegou mesmo, após ter um de seus livros transformado em mini-série global. O livro A Casa das Sete Mulheres lançado em 2002, ao ser adaptado para mini-série em 2003, acabou por ter um enorme sucesso de vendas. O livro trata da vida das mulheres da família de Bento Gonçalves, durante a Revolução Farroupilha (ou Guerra dos Farrapos). Depois de pressões dos editores lançou em 2004 um outro livro que é a continuidade da vida dos personagens da Casa das Sete Mulheres. Neste segundo livro, Um Farol no Pampa, os personagens vivem a Guerra do Paraguai. O último livro de Letícia é Uma ponte para Terebin, onde narra a história de seu avô polonês.
Concentrando-nos no romance A Casa das Sete Mulheres, o livro trata de um momento histórico ocorrido no Rio Grande do Sul, no século XIX, entre os anos de 1835 a 1845. Os personagens apresentados no livro são membros da família de Bento Gonçalves, um dos líderes da Guerra dos Farrapos. A Guerra foi uma das muitas revoltas ocorridas no Brasil no século XIX, demonstrando a insatisfação que havia com o poder central.
As sete mulheres que intitulam a obra seriam irmã, mulher, filhas e sobrinhas de Bento Gonçalves. Não há um fidelidade aos fatos históricos, por isto é ficção baseada em fatos históricos, mas há uma busca em demonstrar como era a realidade das mulheres em meados do século XIX, nos confins meridionais do Brasil, e ainda por cima, em meio a uma guerra que durou 10 anos.
Do livro para a série houve algumas modificações para garantir a audiência, passando a trama a ser menos fiel ainda à História conhecida da Guerra dos Farrapos e do mundo da época. Certos comportamentos femininos não foram apresentados, segundo estudiosos da cultura gaúcha, como realmente eram. O confinamento no qual viviam as mulheres na versão do livro, foi diminuido, na medida em que receberam bem mais visitas na versão da série.
Tirando estes pequenos detalhes diferenciadores de versões, apesar dos pesares, é uma série boa de se ver. Foi gravada na pousada Charqueada Santa Rita, localizada em Pelotas, e no Canion Itaimbezinho, em Cambará do Sul. Boas músicas, bons atores, boa fotografia, garantiram uns bons pontos de audiência. Foi a primeira vez que vi Werner Schünermann, um excelente ator que desconhecia a existência (hoje já sinto falta quando ele some muito tempo da televisão). Além de Werner, há no elenco a presença de Eliane Giardini, Camila Morgado, Tiago Lacerda, Giovanna Antonelli, Mariana Ximenes, Tarcísio Filho, e mais inúmeros outros bons atores globais. A série teve um total de 52 capítulos. A série foi lançada em dvd em 2004, e como toda série global, com cortes.
Caso queira fazer uma comparação pessoal entre as versões da série e do livro que tal comprar o livro e os dvds da série e mãos a obra? O livro pode ser comprado na Livraria Cultura no Brasil, e na Wook em Portugal. Os dvds podem ser encontrados na Submarino. O outro livro citado de Letícia Wierzchowski, Um Farol no Pampa, também pode ser adquirido na Livraria Cultura e na Wook.
Caso seja partidário da internet democrática, há onde baixar a série na versão dvd. E aqui você pode baixar o livro em formato pdf.
Fique com a abertura desta bela mini-série, independente das mudanças, inexatidões históricas, etc.
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Veja também:
A casa da memória – Página do Gaúcho: excelente artigo do historiador Tau Golin, fazendo uma crítica sobre as inexatidões históricas da série.