Lenda do Monte da Nó


Esta lenda portuguesa é dos tempos da ocupação muçulmana, mas já na época da Reconquista. O local referido na lenda fica bem ao norte de Portugal, no distrito de Viana do Castelo, na fronteira com a Espanha. O monte da Nó fica no concelho de Ponte de Lima, a vila mais antiga de Portugal. A vila chamada hoje de Ponte de Lima tem este nome porque surgiu às margens do rio Lima, junto à ponte romana construída neste rio. Da antiga povoação de junto da ponte do rio Lima, surgiu a vila de Ponte do Lima que nos dias de hoje é Ponte de Lima. Deixando a ponte de lado, e subindo a serra, chegamos ao Monte da Nó. Nesta serra existem três castros, dos tempos da Idade do Ferro, e que posteriormente foram ocupados pelos romanos. Há outros testemunhos das ocupações consecutivas. Mas o Castelo do Monte da Nó ninguém encontra…

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LENDA DO MONTE DA NÓ

Vista do Monte da Nó, na freguesia de Vitorino de Piães (Nicole Viana).

Vista do Monte da Nó, em foto tirada na freguesia de Vitorino de Piães (Nicole Coelho Viana).

Nos tempos em que os mouros dominavam a região de Viana do Castelo, sob o comando de Abakir, surge a lenda do Castelo do Monte da Nó. Em um monte elevado sobre o vale do Lima, com povoados a toda volta, estava o castelo de Abakir.

Abakir, conhecido por Feroz, por seu valor nas batalhas, tinha fama de conquistador – de terras e de mulheres. O seu castelo mesmo no mais alto da serra, dizem que era dos mais ricos do mundo, forrado de tapetes persas e sedas multicoloridas, bancos forrados de damascos e sofás de ouro. Rico e poderoso, Abakir mandou buscar nos lugares mais elegantes belas e finas mulheres, com as quais partilhava seus momentos de descanso entre uma e outra batalha. Tratava a todas respeitosamente e era retribuido com o carinho que lhe dispensavam. Mas havia uma entre elas que não demonstrava alegria como as demais. Zuleima, que dizem, fora um dia uma pastora, acabava por ferir o orgulho de Abakir. Ele estava acostumado a ser recebido pelas demais com euforia, mas ela não. Parecia distante, como se não lhe desse importância. Começou Abakir a sondá-la, primeiro observando-a discretamente, depois conversando na tentativa de descobrir o que se passava para que agisse diferente das outras.

Com o tempo e a convivência mais intensa, descobriu que o que causava aquele aparente afastamento de Zuleima era justamente o grande amor que sentia por ele. Assim, aos poucos, descobriu mais coisas. Zuleima era mais inteligente e digna que todas as demais que ali estavam, concluiu Abakir. Seu amor por Zuleima tornou-se tão intenso que dispensou as demais. Entregou-se a tal enlevo que acabou por esquecer-se dos prazeres da caça, do convívio com seus guerreiros e de cuidar das defesas de seus domínios. Aos poucos, conforme se entregava ao extremo envolvimento com Zuleima, todos os demais foram se afastando, os amigos, os conselheiros, os guerreiros. Partiram todos em busca de um senhor para servir, já que Abakir deixara de ser um senhor e tornara-se escravo de um amor. Abakir e Zuleima estavam tão envoltos pelo amor que sentiam que nem perceberam que acabaram sós.

Um dia os cristãos aproximaram-se dos domínios de Abakir, talvez por saberem do abandono que sofrera este senhor por parte de seus guerreiros. Cercaram o castelo e, só então, Abakir e Zuleima perceberam o quanto estavam sós. Percebendo o erro que cometera, Abakir conduziu Zuleima até a mais bela e rica sala. Junto à amada pronunciou palavras desconhecidas que fizeram com que o castelo desaparecesse terra adentro. Quando os cristãos se aproximaram mais não viram qualquer sinal do castelo que nunca mais foi visto.

Dizem que há uma entrada secreta por uma das grutas que leva ao castelo encantado, onde Abakir e Zuleima gozam ainda do enleio do amor ardente em meio a riquezas, mesmo séculos depois. Somente quando alguém descobrir a entrada o encanto será desfeito, e a pessoa que quebrar este encanto irá apossar-se de todos os tesouros do castelo encantado.

Dizem também que, em noites de luar, vagueando pelo monte, pode-se ver Abakir e Zuleima tentando impedir aos mais ousados de descobrirem a entrada do misterioso castelo.

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4 opiniões sobre “Lenda do Monte da Nó

  1. Em primeiro lugar, obrigada por me prestigiar, com uma foto no seu blog!
    Depois, relativamente a este assunto, uma pessoa que conheço relata existir uma “passagem subterrânea” que faz a ligação entre a freguesia de Vitorino de Piães e a Vila de Ponte de Lima.. A mesma fonte, acrescenta que, por esta passagem, “fugiu um casal, com toda a riqueza que puderam”. Ela “acha” que a entrada para esta “passagem” fica junto a umas rochas, que sabe “mais ou menos” onde é, pelo que seus antepassados foram dizendo às gerações seguinte, até chegar a si. No entanto, nunca tiveram coragem de lá ir conferir…
    Parabéns pelo blog!
    Beijinhos!

  2. Nada como informações dos moradores locais para a lenda ficar mais interessante ainda! Agora preciso ir para estes lados fazer uma visitinha ao Monte!

  3. Realmente na foto vemos parte do monte da nó. O castelo que aqui falam de Abakir diz a lenda que estava situado no monte do castelo que fica do lado esquerdo do monte da nó para quem viaja de sul para norte na estrada que liga Barcelos a Pte Lima. O monte do castelo fica no canto esquerdo da foto acima publicada, embora nao se veja o monte

  4. Minha avo falava que nesse monte da no, existe um local chamado de “cova dos mouros”. Essa passagem subterrânea de que falam, possivelmente existiu. Ela falava também numa lenda de moura encantada no alto das baladas. Quanto ao castelo, tudo indica que insistiu, pois há a parte do monte com esse nome.

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