7 Animais Extintos nos últimos 400 anos – Ruminantes


01) * Alce-Oriental (Cervus canadensis canadiensis):

veadocanadenseO Alce-Oriental, ou Veado-Canadense, ou Cervo-Canadense, foi extinto em 1877 quando o último exemplar conhecido foi caçado. Foi oficialmente declarado extinto em 1880.

Vivia no nordeste dos E.U.A. e sudeste do Canadá.

Seu habitat compreendia as áreas florestais do sudeste do Canadá e nordeste dos E.U.A.. Era o maior Alce dos Cervus canadensis. O pouco que se sabe sobre este animal deve-se à recolha e análise de esqueletos e referências históricas.

Até fins de 1400 os Alces foram os animais mais comuns da porção norte da América. Conforme seu habitat foi sendo ocupado por humanos, sua população foi diminuindo com o aumento da caça e perda de habitat.Por volta de 1850 já era um animal raro.

As causas de sua extinção foram a caça excessiva e perda de habitat.

Em fins do século XIX foi feita uma tentativa de preservação do Alce-Oriental nos E.U.A., no recém-criado Parque Nacional de Yellowstone.Nos anos de 1990 foi feito um estudo para saber se alguns Alces em cativeiro ou na Natureza, seriam descendentes de Alces-Orientais, numa tentativa de recuperar a espécie extinta e sua reintrodução na Natureza. Inclusive alguns espécimes introduzidos na Nova Zelândia fizeram parte deste estudo, visto que têem características típicas dos Alces-Orientais, principalmente as galhadas, que demonstram uma possível descendência desta espécie. Acredita-se que possa existir alguma população de Alces-Orientais nas florestas próximas a Ontário, no Canadá, baseado em avistamentos feitos nos anos de 1980.

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02) Antílope-Azul (Hippotragus leucophaeus):

antilopeazul

O Antílope-Azul foi extinto no século XIX.

Vivia em áreas do sudoeste da África do Sul. Mas achados fósseis indicam que seu habitat já fora mais extenso.

Alimentava-se de forma seletiva de gramíneas.

Na chegada de colonizadores europeus, no século XVII, já era considerado um animal raro. Sua população pode ter sofrido um decréscimo com a introdução de gado ovino domesticado na região, por volta do ano 400. Com a chegada dos europeus, grande parte de seu habitat foi convertido em área agrícola, levando a uma queda definitiva de sua população até a extinção. Por volta de 1800 já não eram avistados na Natureza.

As causas de sua extinção foram a caça por sua pele e sua carne, apesar de não ser considerada de qualidade. A introdução de ovinos também teria colaborado.

Só existem quatro exemplares completos conservados em museus. Mas nenhum deles apresenta a cor azul, que em relatos se atribuía a este animal. A suposição é que tinham uma mistura de pelos pretos e amarelos, que dariam uma tonalidade azulada ao animal a quem o observasse.

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03) Arouque (Bos primigenius):

bosprimiO Auroque foi extinto em 1627, quando o último exemplar conhecido foi caçado na floresta de Jaktorowka, na Polônia.

Vivia, em épocas pré-históricas desde Portugal à Coréia e da Sibéria à Índia. Com o passar do tempo, seu habitat foi sendo restringido a zonas do sul e centro da Europa.

Era um animal de grandes dimensões e comportamento indócil, conhecido e retratado pelo homem desde a Pré-História, sendo representado em cenas de caçadas nas pinturas rupestres encontradas em cavernas. Supõe-se que linhagens mais dóceis desses animais teriam sido domesticadas dando origem ao Boi-Europeu (Bos taurus).

Há uma discussão recente, baseada em estudos genéticos, que afirmam que tanto o Arouque como o Boi-Europeu seriam da mesma espécie, sendo o primeiro o que vivia em estado selvagem e o segundo a versão domesticada do mesmo animal.

As causas de sua extinção foram a caça feita pelo homem durante milênios.

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04) Bisão-Caucasiano (Bison bonasus caucasicus):

bisonbonasuscaucasicusO Bisão-Caucasiano, uma espécie de Bisão-Europeu, foi extinto em 1927.

Vivia nas montanhas do Cáucaso, na Rússia.

Em fins do século XIX sua população girava em torno de 2000 indivíduos. Mas começou a diminuir no início do século XX com a introdução de gado domesticado, que trouxeram doenças como a febre aftosa, responsável principal por sua extinção.

Por volta de 1940, foram obtidos híbridos do Bisão-Americano (Bison bison) com o Bisão-Europeu (Bison bonasus bonasus). Estes híbridos foram reintroduzidos na década de 1960 no antigo habitat dos Bisões-Caucasianos. Em 2000 estes descendentes foram oficialmente considerados uma nova raça (Bison bonasus montanus).

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05) Cabra-Montesa (Capra pyrenaica lusitanica):

cabratuga

A Cabra-Montesa, ou Ibex-Portuguesa, ou Mueyu, foi extinta em 1890, quando o último exemplar conhecido morreu na Espanha. Além deste exemplar foi avistado uma última fêmea na Serra do Gerês em Portugal, em 1892.

Vivia nas áreas montanhosas do norte de Portugal, e na Galícia, Astúrias e oeste da Cantábria, na Espanha.

Eram em tamanho e pelagem semelhantes à Ibex-Espanhola. O que as diferenciavam de todas as ibex eram os chifres, mais curtos (50 cm em média) e mais grossos. De comprimento tinham em torno de 142 cm, e 73 cm de altura. A pelagem era marrom bem escura. No verão tinham coloração diferente, sendo marrom com tons de amarelo, e marcas pretas nas laterais e patas. No inverno tinham uma pelagem no dorso mais densa. As fêmeas e machos diferenciavam-se apenas pelas marcas pretas, que não existiam nas fêmeas, além do tamanho dos chifres que nas fêmeas tinha metade do tamanho.

Até 1800 a Ibex Portuguesa era muito comum, mas teve um rápido declínio devido ao aumento da caça, pois os caçadores não respeitavam as épocas de caça. A população local caçava as ibex por sua carne e para coletar bezoares, que eram considerados potentes remédios e antídotos para venenos de todos os tipos. Bezoares são “pedras” que se formam principalmente no intestino de ruminantes, compostos de materiais orgânicos e inorgânicos. As peles eram utilizadas para a confecção de coletes e os chifres como ornamentos ou para a fabricação de trombetas. Em 1870 já era um animal raro. O último rebanho avistado, tinha uma dúzia de animais e foi registrado em 1886.

Até princípios do século XX não era considerada uma espécie distinta, mas estudos feitos por zoólogos apontaram para o fato de ser uma espécie diferente.

As causas da extinção são em grande parte resultado da caça feita pelo homem, doenças transmitidas pelo gado doméstico, e número desproporcionado de machos e fêmeas. Além disso os lobos-cinza e as águias-douradas podem ter contribuído para sua diminuição populacional.

Atualmente outra sub-espécie foi intruduzida em seu antigo habitat (Capra pyrenaica victoriae).

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06) Cabra-Montesa-dos-Pirineus (Capra pyrenaica pyrenaica):

caprapyrenaicapyrenaicaA Cabra-Montesa-dos-Pirineus, ou Bucardo, foi extinta em 2000, quando o último exemplar que vivia no Parque Nacional de Ordesa, Espanha, morreu.

Vivia apenas em ambos os lados dos Pirineus, na fronteira da Espanha com a França, chegando até as zonas montanhosas do País Basco, Navarra, Lérida e Gerona. Nos últimos anos a população estava restrita ao Parque Nacional de Ordesa e ao Monte Perdido, na Espanha.

Seu habitat eram bosques de pinho silvestre, abetos, faias e pinho negro, variando em altitudes entre 1000 e 2200 m.

As características que a diferenciavam das outras cabras era o pelo mais comprido e denso no invero e a base mais grossa dos chifres. Era das quatro sub-espécies de Cabra-Montesa a que tinha os maiores chifres. Alimentava-se de ervas e líquens.

Desde meados do século XIX, caçadores europeus da Espanha, França e Grã Bretanha dirigiam-se para seu habitat exclusivamente para caçar um exemplar do Bucardo. Como nesta época já era um animal raro seu valor no mercado aumentou, contribuindo para uma maior buscar pela espécie por parte dos caçadores. Com esta caça excessiva, foram extintos do lado francês dos Pirineus, e só restaram cerca de 50 animais do lado espanhol em 1900. Em 1918 foi criado o Parque Nacional de Ordesa, o que permitiu que estas cabras sobrevivessem por um pouco mais de tempo. Em 1970 calculava-se que a população de Bucardos não ultrapassava os 20 exemplares, e em princípios dos anos 90 apenas 12 próximo ao rio Arazas em Ordesa. Mas ainda assim não foi o suficiente.

As causas da extinção além da caça excessiva, podem ter sido a incapacidade de competir pelo alimento com outras espécies, doenças transmitidas por gado doméstico, problemas de fertilidade e consagüinidade e alterações climáticas.

Todos os esforços para recuperar a espécie foram em vão. Crias em cativeiro só foram tentadas a partir de 1996, com a captura de uma fêmea que morreu em cativeiro sem chegar a reproduzir-se. No dia 5 de janeiro de 2000 morreu o último espécime no Parque Nacional de Ordesa, Espanha.

Em 1999 o governo de Aragón capturou um exemplar para extrair e conservar tecidos congelados para uma possível clonagem futura. Mas todas as tentativas foram mal sucedidas. Depois de diversas tentativas frustradas o governo de Aragón deixou de financiar o projeto, mas ainda existe material congelado para tentativas futuras.

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07) Cervo-de-Schomburgk (Rucervus schomburgki):

rucervusschomburgkiO Cervo-de-Schomburgk foi extinto provavelmente em 1930 na Natureza, e o último espécime em cativeiro morreu em 1938, morto por um homem embriagado.

Era endêmico da Tailândia. Pode ser que tenham existido também no norte da China (Yunnan) e no Laos, mas ainda não se desenvolveram pesquisas para confirmar esta hipótese.

Foi descrito pela ciência a primeira vez em 1863, recebendo o nome de Schomburgk em homenagem ao então cônsul britânico na Tailândia, Robert Hermann Schomburgk.

Eram muito perseguidos por caçadores, principalmente na estação chuvosa. Nesta estação refugiavam-se em pequenas ilhas para escapar das inundações, facilitando o trabalho dos caçadores. Os chifres eram muito procurados para uso na medicina chinesa, pois teriam propriedades médicas e mágicas. Nos anos de 1920 já se encontravam virtualmente extintos a Natureza, restando um único espécime conhecido, criado como animal de estimação em um templo na provínica de Samut Sakhon, que foi morto, em 1938, por um morador local que encontrava-se embriagado.

As causas de sua extinção estão relacionadas com a caça excessiva e a ampliação do cultivo de arroz para exportação, em princípios do século XX.

Sua criação em cativeiro foi tentada tanto na Tailândia, como na França e Alemanha. Mas em nenhuma destas tentativas houve qualquer sucesso.Em 1991 foram descobertos chifres que posteriormente foram identificados como sendo do Cervo-de-Schomburgk, em uma loja de medicina chinesa no Laos, o que levou alguns cientistas a acreditarem na possível existência de uma população destes cervos neste país.

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* – Desconhecemos se o nome do animal assinalado com o * é de fato o apresentado. Muitas informações para a montagem deste post foram obtidas em páginas em inglês e espanhol, sendo este nome uma mera tradução aproximada do encontrado em inglês. Buscamos mas, não encontramos o nome em língua portuguesa.

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Para saber mais:

Andrew Isles Bookshop

AnimalesExtincion.es

IUCN (International Union for Conservation of Nature) – website.

IUCN – Red List

Jalame

The Extinction Website

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9 opiniões sobre “7 Animais Extintos nos últimos 400 anos – Ruminantes

  1. muito obrigado esse site me ajudou muito se nao fosse vcs eu iria tirar um zero bem redondo no meu trabalho vcs foram os mais sub reias possiveis da terra!
    muito obrigado xD:)

  2. Ola!
    Parabens pelos dados apresentados nesse site, e interessante e tambem perturbador, sabermos que animais que hoje existem em pequenos grupos, podem vir a ser extintos tambem.
    Parabens novamente!

  3. Será bom os cientistas clonarem outros animais extintos como o Antílope-Azul e usar espécies semelhantes de outros animais para ocupar o lugar dos que foram extintos como o caso da cabra montesa e de outros animais extintos no pleistoceno.

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