O Candeeiro do Rei Mouro


Durante longos séculos a Península Ibérica (Portugal e Espanha atuais) estiveram ocupados por muçulmanos, que dominaram a maior parte da península, divididos em Califados e Taifas (estas eram subdivisões de um califado que entrara em decadência).

Deste período que durou cerca de 800 anos, surgiram inúmeras lendas por toda a península, falando de riquezas, de grandes batalhas, de amores impossíveis. A lenda contada a seguir é simples, mas provavelmente repetiu-se na realidade inúmeras vezes, com finais mais ou menos tristes. Era comum na época chamarem a muçulmanos de mouros (ou moro em espanhol), que deriva da palavra moreno. Hoje em dia é uma palavra pejorativa, servindo mais para ofensa do que propriamente para identificação. Mas nas lendas ainda permanece a palavra como forma de identificação dos personagens. Outra denominação comum era de infiéis, já que não compartilhavam da mesma religião que os habitantes locais. O Cristianismo foi devidamente usado como estímulo para angariar soldados na luta pela expulsão dos muçulmanos da Península Ibérica. E era depois, aos santos católicos, que se agradecia a graça de sobreviver, ou que se pedia a salvação da alma dos que não sobreviveram.

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O CANDEEIRO DO REI MOURO

candil

Havia uma família próximo a Coba (Orense, Galícia) que tinha muitos filhos, como era comum naqueles tempos. Três dos irmãos foram para terras de Castilha com a intenção de lutar na guerra contra os muçulmanos e regressarem ricos a sua terra. Como ninguém sabe o que há na página seguinte do livro do destino, somente dois dos irmãos regressaram, pois um morreu devido às feridas sofridas na batalha.

Ao saírem da Galícia , dirigiram-se a uma cidade castelhana de poderosas muralhas (talvez Ávila), e ali reuniram-se a um poderoso exército cristão que preparava-se para iniciar uma expedição ou saque por terras mouras. Viajaram com este exército até o sul e chegaram próximo à cidade de Córdoba.

Estava quase anoitecendo quando os cristãos atacaram aos muçulmanos de surpresa, encontrando-os desprevinidos, inclusive seu rei fugiu ferido gravemente. Rapidamente dividiram o saque.

Um dos irmãos ficou com os guardas no acampamento, enquanto os outros dois lutaram na batalha, na qual o mais novo acabou ferido. Mesmo ferido, conseguiu participar da divisão do riquíssimo saque conseguido com esta batalha.

Durante a longa viagem de volta para o Reino da Galícia, o irmão ferido piorou e morreu.

Com as riquezas conseguidas carregadas em uma mula, e sem o irmão, os dois irmãos restantes regressaram às Terras Altas. Mandaram rezar inúmeras missas pela alma do irmão falecido. Presentearam a Virgem com uma lâmpada de azeite, toda em ouro, para que iluminasse permanentemente ao Santíssimo em memória do irmão que foi e não regressou.

Esta lâmpada esteve durante gerações na igreja da aldeia, e todos a conheciam como o Candeeiro do Rei Mouro.

Tradução livre da versão encontrada em Coba Leyendas, El Candil del Rey Moro.

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