Lenda da Uapé (Vitória Régia)


luacheiaÀ volta do rio das Icamiabas (Amazonas) viviam muitos e numerosos povos diferentes. Estes povos tiravam do grande rio o seu sustento e em suas margens viviam e sonhavam. Um dos sonhos das jovens cunhãs (mulheres) era tocar Jaci (Lua), pois dizia-se que quem conseguisse tocá-la, ou suas estrelas, passava a ter o corpo brilhante como o dela. E quando Jaci aparecia inteira (cheia) e imensa no céu, mais queriam as cunhãs tocá-la.

Os velhos sábios diziam que toda vez que Jaci se escondia no horizonte, ia ter com suas cunhãs favoritas. Diziam também que se Jaci gostasse de uma cunhã transformava-a em estrela do céu. Mas alertavam sempre que, as cunhãs transformadas em estrela, deixavam de ter carne e ossos e se transformavam em luz. Não poderiam voltar.

Conta-se que uma jovem cunhã, muito bela e sonhadora, só pensava em alcançar Jaci. Para isto fazia grandes sacrifícios. Subia nas árvores mais altas da selva para tentar alcançar Jaci, mas ainda assim ela continuava muito longe. Caminhando pela floresta, subia nas mais altas montanhas que encontrava, mas Jaci continuava muito longe. Cansada e triste a cunhã voltava para a aldeia, deitava-se na rede, e mais uma vez sonhava com Jaci e com o dia em que também seria uma estrela.

uapeEm uma noite em que Jaci se mostrava inteira (lua cheia) a bela e sonhadora cunhã aproximava-se do grande rio. Pensando apenas em Jaci, não percebia o que estava a seu redor: só via, sentia, respirava Jaci. Assim, sem se dar conta de por onde ia, a cunhã chegou às margens de um lago. Ao olhar para as águas descobriu Jaci banhando-se nele – ao menos nisto acreditou. Atirou-se na água, sem pensar, correndo e depois nadando para conseguir realizar seu sonho de tocar Jaci.

Mas Jaci não estava ali, era só seu reflexo na água, e por mais que a cunhã nadasse não tocava Jaci. A jovem foi consumida pelo cansaço e depois pelas águas escuras do lago, para nunca mais a aparecer.

Jaci do alto do céu viu tudo o que aconteceu, e como recompensa à cunhã persistente, que tanto tentou alcançá-la, transformou-a numa flor, mas numa flor diferente, bela como a cunhã e branca como o brilho de Jaci. Assim a cunhã tornou-se mais uma estrela, mas não do céu. Era a estrela da água, a Uapé (vitória régia), que só se abre durante a noite, para receber o brilho de Jaci, fechando-se durante o dia e esperando novamente a noite chegar.uapes

Uapé flutua na água como Jaci parece flutuar no céu. Quando Jaci aparece inteira cobre as folhas da Uapé – redondas como a deusa se mostra aos homens no céu – com um brilho especial, como se ela também fosse tão brilhante e grande como Jaci.

Uapé parece agradecer Jaci, exalando um perfume delicado, que inebria a homens e bichos.

Também agradece sua transformação em estrela, servindo de alimento aos homens e bichos. Cada vez que a água baixa e uma planta definha, deixa aos homens raízes e sementes para que se alimentem da bela Uapé.

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O nome científico da Vitória Régia foi uma homenagem do primeiro naturalista a descrevê-la, Sir Robert Hermann Schomburgk, à rainha da Inglaterra na época, a Rainha Vitória. Posteriormente o nome foi trocado para Victoria amazonica.

O suco de suas raízes é usado como tintura negra para cabelos. A raiz que lembra um inhame, é chamada de forno d’água, e serve como alimento, além das sementes.

Suas folhas podem atingir 2,5 m de diâmetro, suportando até 40 kgs bem distribuídos.

Existem outras versões para a lenda do surgimento da Vitória Régia, além da que recriamos aqui, baseada em várias versões difundidas pela internet e livros infanto-juvenis.

Para maiores informações sobre a planta visite:

Fundação Joaquim Nabuco

Jardineiro.net

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2 opiniões sobre “Lenda da Uapé (Vitória Régia)

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