O construtor e as moedas de ouro


obreroEsta é uma velha lenda medieval espanhola, que antes de ser escrita como agora novamente será, foi contada de boca em boca, por gerações, junto às lareiras das casas, nas noites frias.

Não se sabe ao certo a origem da lenda, seja no tempo ou no espaço (quando e onde). Mas fica aqui uma tradução livre em português para quem quiser recontá-la.

Até os dias de hoje, todo espanhol que se preza é muito religioso mas adora falar mal dos curas (padres), de sua avareza. Esta lenda é um exemplo desta visão negativa sobre a Igreja e sua riqueza, tão diferente da realidade da grande maioria do povo espanhol ao longo dos tempos, mas que mesmo vendo a avareza como uma espécie de defeito da Igreja nunca deixou de seguir a fé cristã, que em parte, forjou a identidade do povo espanhol.

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O CONSTRUTOR E AS MOEDAS DE OURO

Em uma cidade provinciana, há muitos séculos atrás, vivia o construtor mais religioso e preguiçoso de toda a Espanha.

Não trabalhava em dias de festas, nem domingos, nem no sábado de aleluia. Por esta razão vivia em profunda miséria.

Um dia apareceu um padre, que comovido por sua religiosidade, decidiu dar-lhe um trabalho intrigante. Vendou os olhos ao construtor e levou-o a sua casa uma noite. Conduziu-o até um pátio árabe e disse-lhe que fizesse um buraco junto à base da fonte e depois colocasse ladrilhos por cima deste buraco.

Quando o construtor estava quase terminando o trabalho, chegou o padre e deu-lhe uma moeda de ouro, vendando-lhe em seguida os olhos e levando-o embora da casa. Disse o padre que o iria buscar no dia seguinte. O construtor aceitou pois era uma boa paga.

Na noite seguinte voltou o padre a levar o construtor vendado para terminar o trabalho. Antes de ir, confidenciou ao construtor que ali colocaria mortos. O construtor assustou-se, mas o padre pediu-lhe que lhe ajudasse. Mas não se tratava de cadáveres, mas sim de potes cheios de moedas de ouro. Deu duas moedas ao construtor, vendou-lhe mais uma vez os olhos e levou-o a um lugar afastado, e pediu ao construtor que não tirasse a venda até as primeiras badaladas do sino pela manhã.

patioO bom construtor assim o fez, e foi contente para casa com suas duas moedas de ouro. Durante 15 dias viveu muito bem, mas a penúria voltaria à sua casa.

Anos depois, um rico-homem da cidade chegou e propôs-lhe que arrumasse uma casa de sua propriedade para alugar. Mas tinha um problema na casa. O rico-homem comentou que vivia antes na casa um padre muito avarento que lhe devia vários anos de aluguel e que tinha morrido sem pagar-lhe. O espírito do padre continuava pela casa, e todos que moraram nela depois diziam ouvir alguém contanto moedas, e supunha-se ser o fantasma do padre.

O dono da casa mostrou todos os cômodos ao construtor. Qual não foi a surpresa deste ao contemplar o pátio árabe onde trabalhou por duas noites. O construtor perguntou ao dono da casa se poderia viver ali e propôs arruma-la gratuitamente em troca da moradia, e até que o dono encontrasse outro inquilino.

O humilde construtor foi enriquecendo pouco a pouco ante os olhos atônitos de seus vizinhos. Não contou o segredo a ninguém, exceto a seu filho quando estava perto da morte.

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Fica aqui o link (Palabras Encantadas) para a versão em espanhol da qual fizemos a tradução livre.

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