Palácio de Queluz – breve histórico.


Palácio Nacional de Queluz, Sintra, Portugal.

Palácio Nacional de Queluz, Sintra, Portugal.

O Palácio Nacional de Queluz fica na cidade de mesmo nome, pertencente ao concelho de Sintra, no Distrito de Lisboa. O Palácio divide o nome com a cidade onde localiza-se, que já era habitada há milênios.

Entre as várias versões da origem do nome contamos algumas. Uma delas seria de que Queluz tem origem árabe e significaria Vale da Amendoeira. Outra versão diz que o nome é devido ao Monte da Luz (atual Monte Abraão) onde era cultuado o deus lusitano Lu ou Lou (Sol), local onde ainda existe uma anta (ou dólmen, monumento megalítico) que testemunha este antigo culto. Há também uma versão popular que fala de uma lenda de caçadores que se perderam em meio ao arvoredo ali existente. Em certo momento viram uma luz para a qual seguiram dizendo: Que luz é aquela? Que luz, Queluz.

Antes de ser construído o Palácio atual, a área que ele ocupa e uma vasta extensão de terras ao redor, formavam uma quinta conhecida como Quinta de Queluz, que pertencia a D. Cristóvão de Moura, 1º Marquês de Castelo Rodrigo. Havia nesta quinta uma casa do século XVII e uma área de caça. Era uma espécie de palácio rural em meio às árvores com a finalidade de servir de pouso para as caçadas. Este tipo de casa é chamada de pavilhão de caça.

Em 1654, no reinado de D. João IV – primeiro rei da Dinastia de Bragança – , D. Cristóvão teve todos os seus bens confiscados por ser simpatizante do rei de Castela (o que hoje chamamos de Espanha). Portugal voltara a ser um reino independente em 1640 com o fim da União Ibérica (Restauração), e o marquês de Castelo Branco era um dos que apoiavam a continuidade da União. Não apenas os bens do marquês de Castelo Branco, mas de todos os simpatizantes de Castela tornaram-se propriedades dos infantes portugueses. Após o confisco passou a ser parte da recém-criada Casa do Infantado, instituição que administrava os bens dos segundos filhos dos reis portugueses.

Estátua de D. Maria I, em frente ao Palácio

Estátua de D. Maria I, em frente ao Palácio

Ainda no século XVI, nos tempos de D. João V, a Quinta de Queluz passou por reformas para adaptar-se às necessidades dos novos proprietários. A primeira foi a ampliação do existente pavilhão de caça que foi lentamente tornando-se residência dos infantes. Mas as grandes reformas se deram no século XVIII com D. Pedro de Bragança, ou Pedro III de Portugal (1717 – 1786). Tio e rei-consorte de D. Maria I, a Louca, irmão do rei D. José I, foi o responsável pelo início da ampliação da casa que já existia e criação do que hoje conhecemos como o Palácio de Queluz.

A construção do palácio teve início em 1747, com mais uma ampliação da casa existente, que localizava-se no que passou a ser a cozinha, além da construção de uma capela, que foi concluída em 1752. De residência dos infantes, a velha quinta tornou-se palácio de veraneio de D. Pedro. Mas o projeto original passou por várias alterações nas décadas seguintes.

Neste meio tempo Lisboa sofreu um duro golpe, o terremoto de 1755 que praticamente destruiu a cidade. O arquiteto original do projeto, Mateus Vicente de Oliveira – arquiteto oficial da Casa do Infantado – acabou por tornar-se responsável pela reconstrução de Lisboa, passando o Palácio a cargo de outro arquiteto, o francês Jean Baptiste Robillion, continuando Vicente como superintendente.

Uma nova fase de ampliação teve início quando foi anunciado o casamento de D. Pedro com a sobrinha D. Maria, futura rainha de Portugal, que se deu em 1760. Foi necessário torna-lo um palácio real, dotando-o de salas e aparatos adequados para este fim. E mais uma vez sofre uma grande transformação, de casa de veraneio a Palácio Real.

Vista do Pavilhão Robillion a partir do jardim.

Vista do Pavilhão Robillion a partir do jardim.

Nesta segunda fase de ampliação e reorganização dos espaços, o Palácio ganha a forma de um U. Em 1765 foi construída uma praça de touros no jardim, que não existe mais. Foram criados jardins, desenhados por Robillion, decorados com peças vindas da Itália e Inglaterra (vasos, estátuas de mármore e chumbo), assim como foi construído um pavilhão que leva seu nome, em 1774, que tornou-se os aposentos do príncipe. Este pavilhão também serviu para resolver o problema de desnível que havia no terreno, abrindo espaço para uma escadaria suntuosa chamada de Robillion ou dos Leões, que dá acesso a uma área do jardim onde existe um canal totalmente azulejado, criado em 1756 por João Nunes de Oliveira.

Com a morte de Robillion em 1782, a direção das obras passa a cargo de Manuel Caetano de Sousa. O Palácio ganha quartéis para a Guarda Real, casa de administração, cavalariças e outras dependências anexas ao conjunto. No ano de 1786 acaba a primeira fase de construção do Palácio, justamente no ano da morte de D. Pedro III.

Escadaria Robillon ou dos Leões.

Escadaria Robillion ou dos Leões.

Em 1794 a família real teve que mudar-se para Queluz, pois a residência oficial sofreu um incêndio. Novas modificações e alterações na funcionalidade dos espaços foram feitas.

Já no século XIX, D. João VI manda construir um edifício em frente ao Palácio destinado à Guarda Real. As obras no Palácio seguiram até 1807 quando, devido à invasão napoleônica, a Família Real fugiu para o Brasil. Grande parte do recheio do Palácio foi roubado. No retorno da Família Real volta a ser residência da família, mas brevemente perde seu favoritismo deixando de ser a casa oficial em 1826.

Em 1908 tornou-se propriedade do Estado, quando o rei D. Manuel II cedeu-o à Fazenda Nacional. Em 1910 é classificado como Monumento Nacional. O Palácio passou por um restauro em 1933, e no ano seguinte teve seu interior quase totalmente destruído por um incêndio. Logo em seguida volta a ser restaurado.

Edifício mandado construir por D. João VI, para a Guarda Real, em frente ao Palácio, ocupado atualmente pela Pousada D. Maria I

Torre do Relógio, ocupado atualmente pela Pousada D. Maria I

Até os dias de hoje o Palácio é utilizado para recepções oficiais do governo português. Além de salão de festas, local de reuniões e sala de visitas do governo em ocasiões especiais, também funciona como museu, tendo um valioso acervo de artes decorativas oriundas das coleções reais. O edifício construído na época de D. João VI destinado à Guarda Real tornou-se a Pousada D. Maria I, e está em vias de classificação como monumento nacional há mais de uma década. A cozinha é ocupada pelo Restaurante Cozinha Velha. Uma das alas do Palácio, o Pavilhão de D. Maria, construído entre 1785 e 1792 é o quarto de hóspedes de chefes de Estado estrangeiros em visitas oficiais a Portugal.

O Palácio é um dos monumentos mais visitados em Portugal. Atualmente encontra-se sob tutela do IMC (Instituto dos Museus e da Conservação), ligado ao Ministério da Cultura.

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