É Primavera, por estes lados!


Campo de Papoulas

Campo de Papoulas

Dia 20 de março é dia de acordar e ouvir Vivaldi (Quattro Stagioni – Primavera). Isto passou a ser sagrado para mim, desde que estou destes lados: colocar Vivaldi no último volume e ouvir algumas vezes seguidas a mesma música, para comemorar a chegada da Primavera e meu aniversário.

Segundo o site da US Naval Observatory, a Primavera começa dia 20 de março, às 11:44 hs (horário de Lisboa). Ou, o Outono começa às 8:44 hs (horário de Brasília).

Há quem diga por estes lados que começa dia 21 a Primavera. Mas o fato é que o dia pode mesmo variar entre 20 e 21 de março, tanto aqui como no hemisfério sul, para se dar o Equinócio. Isto se deve à existência de anos bissextos (aquele em que fevereiro tem dia 29), que servem para “corrigir” o tempo em que a Terra gira em volta do Sol, e para as estações começarem sempre na mesma época. Na verdade o ano tem aproximadamente 365 dias e 6 horas. Então o homem – muito esperto – resolveu dar um jeitinho de “corrigir” as coisas, passando a juntar as 6 horas que sobram em um dia extra de 4 em 4 anos.

Equinócios são os dois momentos do ano em que a Terra está em uma linha reta imaginária em relação ao Sol, e este incide exatamente sobre a Linha do Equador. É o momento do início da nova estação e só ocorre no Outono e na Primavera. Tanto no equinócio do Outono como no da Primavera os dias e noites tem uma duração exatamente iguais. Esta é a razão para chamar-se Equinócio (noites iguais).

Desde os tempos dos “homens das cavernas”, o homem percebeu que os dias nem sempre tem a mesma duração e que o Sol nem sempre está no mesmo lugar. Eles já, há muito tempo, descobriram o que hoje chamamos de Equinócio. Mas não tinham a mesma visão que nós temos hoje deste fenômeno. Era algo mágico, que não sabiam explicar, considerado sagrado. Celebravam a chegada da Primavera como um momento especial, de renascimento para a vida, com o fim do inverno (frio e escuro). Por estes lados, Primavera é mesmo um renascimento, pois saímos de um inverno escuro e chuvoso e começamos a sentir o calor novamente. Mas em todo lugar, é a estação das flores, com os campos cobertos por mantos coloridos de perfumadas e delicadas obras de arte da natureza, que abrigam os animais que começam a época de acasalamento. Tudo renasce da escuridão para a plenitude e multicolorida vida.

A Primavera, em outros tempos, foi associada a Deusas da Fertilidade como Perséfone (mitologia grega), Eostre (mitologia anglo-saxã), Atégina (mitologia ibérica), Ishtar (mitologia suméria), entre tantas outras. Elas representavam o renascimento para a vida, tendo cada uma a sua história (ou mito) relacionado com a Primavera de alguma forma. Suas festas coincidiam com o princípio desta estação. As religiões neo-pagãs reinventaram estas festas e as praticam nos dias atuais, num resgate destas antigas tradições.

O que hoje conhecemos como Ovos de Páscoa, têm origem justamente em festividades relacionadas à chegada da Primavera, entre os anglo-saxões e germânicos. Era um símbolo de fertilidade que, pintados com símbolos mágicos, eram ofertados, queimados ou escondidos para depois serem encontrados (como ainda se faz hoje em dia com ovos de galinha cozidos, em algumas culturas mais tradicionais). A Igreja Cristã, mais uma vez praticando o sincretismo religioso, incorporou esta tradição à Páscoa, que por cá, celebra-se na Primavera.

Uma outra tradição antiga, do princípio da Primavera, era presentear sementes ou simplesmente plantá-las. Em outros tempos, a dependência do homem aos caprichos da Natureza, obrigava-o a esperar que a Terra (o planeta) lhe proporcionasse as condições necessárias para começar um novo plantio. Já não dependemos mais da Natureza para cultivar nosso alimento, não como antes, e a Primavera acabou por perder parte de sua magia.

Porém, como ainda dependemos desta bela estação para ver as flores no campo, o calor voltando a nossas vidas, em homenagem a este renascimento chamado Primavera, plante a sua semente, seja ela qual for, numa espécie de auxílio à Primavera no perpetuar da renovação da vida.

Elemental Chant: The earth, the air, the fire, the water, return, return, return…

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