Os Templários em Portugal


Cavaleiro Templário

Cavaleiro Templário

A Ordem dos Templários, cujo nome completo é Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, é bem conhecida de filmes que retratam a Idade Média e a tentativa de reconquistar a Terra Santa (Jerusalém). Os cavaleiros templários são aqueles retratados em filmes com a roupa branca e a cruz vermelha ao peito. Mas oficialmente pouco ou quase nada sabe-se de fato sobre esta ordem religiosa/militar, cuja história real fundiu-se à lenda, e que existiu por cerca de dois séculos.

A ordem foi fundada por nove cavaleiros de origem francesa, na Terra Santa. Apesar de ter sido fundada por volta de 1096, só foi reconhecida pela Igreja Católica cerca de 30 anos depois, em 1129 – tanto a fundação da ordem como seu reconhecimento pela Igreja é datado em diferentes datas dependendo das fontes. A Ordem dos Templários cresceu rapidamente em número de seguidores e em bens (e poder), graças ao fato de ser a favorita da caridade, e à forma como se entregavam por completo na batalha. Dez anos depois, em 1139, o papa Inocêncio II declarava que a Ordem não devia obediência a ninguém a não ser ao próprio papa, tal era o poder da Ordem.

Os membros da Ordem eram os preferidos nas batalhas contra os muçulmanos, na defesa da Terra Santa, e os que não combatiam acabaram por criar o embrião de um sistema bancário, e eram responsáveis pela edificação de fortificações por toda a Europa e Terra Santa. Além das fortificações por eles construídas, muitas lhes foram dadas, e por vários lugares há um castelo que acabou por ficar conhecido popularmente como o Castelo dos Templários.

Os Templários também despertaram ódios e invejas. O maior exemplo é o rei francês, Felipe IV, o belo, – que estava endividado com os cavaleiros – responsável por uma campanha de desmoralização da Ordem, visando a apropriação dos bens da mesma. O rei francês acusou a Ordem dos Templários de heresia e imoralidade, prendendo o grão mestre Jacques de Molay. Por toda a França, os cavaleiros templários começaram a ser presos, torturados, no intuito de confessarem suas heresias e imoralidades. Tudo isto se deu no dia 13 de outubro de 1307. Há quem diga que a superstição de que sexta feira 13 é dia de azar, tenha nascido deste incidente. Muitos morreram na fogueira em 1313. Os bens tão cobiçados por Felipe IV até hoje não se sabe ao certo onde estão. Oficialmente, os bens da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão foram transferidos por ordem papal à Ordem dos Hospitalários, fundada em cerca de 1099 (que no século XVI passa a ser designada de Ordem de Malta). Os Templários, enquanto ordem religiosa/militar deixam de existir em 1313, mas com a recente abertura dos Arquivos Secretos do Vaticano, foi encontrado um documento que modificou o que se pensava sobre o destino da ordem no século XIV. Pelo conteúdo do Pergaminho de Chinon, sabe-se que o Papa Clemente V absolveu os templários de todas as acusações em 1308, porém, supõe-se que a data real deste documento seja provavelmente 1313. O fato é que o ocorrido com os templários gerou muita indignação, o que poderia ter levado a Igreja a – apesar da morte na fogueira de muitos cavaleiros – perdoá-los das acusações feitas.

A Ordem dos Templários em Portugal, estava presente quando o país ainda era o Condado Portucalense, e continuaram, auxiliando D. Afonso Henriques, primeiro rei português, na Reconquista. D. Afonso Henriques cedeu aos Templários a defesa das zonas que permitiam o acesso a Coimbra, capital do reino na época (século XII). Isto levou os templários a terem controle de vastas extensões de terra por todo o centro-norte do país, cujo ponto central era Tomar, onde estava sediada a Ordem. Além de Tomar tinham controle de uma zona entre as atuais cidades de Pombal e Soure, e uma considerável área em torno da atual cidade de Castelo Branco, sem contar outros lugares que foram sendo dados aos templários conforme seguia-se com a Reconquista.

Armada Portuguesa, do livro O Sucesso dos Visoreis (ou Livro de Lisuarte de Abreu), de cerca de 1565.

Armada Portuguesa, do livro O Sucesso dos Visoreis (ou Livro de Lisuarte de Abreu), de cerca de 1565.

Portugal tinha uma imensa gratidão ao auxílio prestado pela Ordem na Reconquista, assim como precisava de sua grande capacidade em transportes marítimos e terrestres. Por esta razão, quando ocorreu o incidente na França, a Ordem dos Templários não foi imediatamente extinta em Portugal, por intervenção do próprio rei, D. Dinis. É então que na vila de Castro Marim, no Algarve (sul de Portugal), passa a ficar sediada uma ordem fundada a partir da Ordem dos Templários: a Ordem de Cristo. A Ordem da Milícia de Jesus Cristo foi oficialmente criada por bula papal, de 1319, pelo papa João XXII, sucessor de Clemente V. Esta ordem herda todos os bens dos templários – que temporariamente ficaram sob tutela da Coroa Portuguesa -, continuando com a mesma hierarquia e os mesmos símbolos pouco modificados. Permanecem em Castro Marim entre 1319 a 1356, voltando depois a Tomar, onde era sediada a Ordem dos Templários anteriormente.

Tempos depois, a Coroa Portuguesa recorre a esta Ordem para arrecadar fundos que permitissem a expansão marítima portuguesa, bem como fazem uso do conhecimento prévio destes para o início da Escola de Sagres (supostamente fundada em cerca de 1417). As armadas portuguesas imortalizadas em gravuras e pinturas, mostram a cruz da Ordem de Cristo, estampada nas velas de seus navios. A expansão marítima não teve apenas um caráter econômico, mas também foi uma espécie de continuidade das Cruzadas (movimentos que visavam o controle da Terra Santa, entre os séculos XI e XIII, época da fundação da Ordem dos Templários), na medida em que era parte integrante do objetivo das missões levar a fé cristã aos pagãos que eram encontrados.

Para saber mais sobre os templários, e sobre a Ordem em Portugal fique com as seguintes sugestões de leitura:

Adrião, Vitor M. – Portugal Templário: Vida e Obra da Ordem do Templo – Editora Via Occidentalis, 2007.

Capêlo, José M. – Portugal Templário: A Presença Templária em Portugal – Editora Zéfiro, 2008.

Dias, Mário S. – Os Templários em Terras de Portugal – Livros “SHIP”, 1999.

Frale, Barbara – Os Templários: e o Pergaminho de Chinon encontrado nos Arquivos Secretos do Vaticano – Editora Madras, 2ª edição, 2007.

Loução, Paulo A. – Os Templários na Formação de Portugal – Editora Ésquilo, 2006.

Silva, Pedro – Dos Templários à Ordem de Cristo: Portugal Templário – Editora Via Occidentalis, 2008.

Vários Autores – O Perdão dos Templários – Editora Zéfiro, 2006.

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