A mandioca


Raízes da Mandioca (David Monniaux)

Raízes da Mandioca (David Monniaux)

Aqui em Portugal tem muita gente que não sabe o que é mandioca, e também há muita gente que sabe o que é, mas não tem a mínima idéia do que fazer com ela. A comunidade brasileira é responsável pela maior parte de seu consumo. O português ainda tem muito que (re)aprender sobre a mandioca. Então fica aqui a nossa contribuição.

A Mandioca (Manihot esculenta) é planta nativa do continente americano, largamente utilizada como alimento pelos povos da América do Sul e Central. Também é conhecida no Brasil como Aipim ou Macaxeira, e Yuca nos países de língua espanhola.

Há várias espécies, algumas perigosas para os desavisados pois são venenosas. No caso as venenosas não podem ser consumidas fritas ou cozidas, mas através de um processo de lavagem e secagem, o veneno é retirado e delas se faz diferentes tipos de farinhas. As raízes comestíveis, além de cozidas ou fritas, podem ser consumidas em bolos, purês, acompanhadas de carnes ou legumes, e em vários pratos doces ou salgados. Uma das farinhas feitas a partir da mandioca é o polvilho azedo ou doce (amido de mandioca), ingrediente básico da iguaria conhecida como Pão de Queijo. As farofas feitas a partir de farinha de mandioca são pratos essenciais no acompanhamento de feijoadas e carnes, seja dia de festa ou não. As folhas da mandioca também se aproveitam, sendo preparados pratos típicos da culinária nordestina e nortista, como a Maniçoba e o Tacacá.

Há alguns meses, o empolgado Hugo Chavez, quando recebia o ministro português da Economia e Inovação e um grupo de empresários, propôs a exportação de mandioca para Portugal. Chegou a dizer o seguinte:

Daqui podemos enviar yuca [mandioca] para lá, que vocês não produzem. Podemos mandar por caminhões, aqui produzimos até pão de mandioca.” (UOL)

Será que a yuca virá em caminhões anfíbios?

Mas a mandioca também é História. Já nos contava o português Gabriel Soares de Sousa, em seu livro Tratado Descritivo do Brasil (1587), o uso que era feito da mandioca, seja pelos nativos de Pindorama, seja pelos portugueses, sendo a farinha aqui chamada de farinha-de-guerra, pois era o alimento básico em época de guerra entre as tribos:

“Desta farinha-de-guerra usam os portugueses que não têm roças, e os que estão fora delas na cidade, com que sustentam seus criados e escravos, e nos engenhos se provêm dela para sustentarem a gente em tempo de necessidade, e os navios que vêm do Brasil para estes reinos não têm outro remédio de matalotagem, para se sustentar a gente até Portugal, senão o da farinha-de-guerra; e um alqueire dela da medida da Bahia, que tem dois de Portugal, se dá de regra a cada homem para um mês, a qual farinha-de-guerra é muito sadia e esenfastiada, e molhada no caldo da carne ou do peixe fica branda e tão saborosa como cuscuz.”

Mais ainda, a primeira Constituição do Brasil, de 1823 ficou conhecida como Constituição da Mandioca, pois o critério usado para decidir quem teria o direito ao voto (indireto e censitário) foi baseado no fato de que o indivíduo teria que provar uma renda mínima de muitos alqueires de farinha de mandioca para poder votar. Ou seja, se não tem mandioca não vota. D. Pedro I, enquanto ocorria a votação da Constituição, acabou por fechar a Assembléia Nacional Contituinte, impodo uma outra Constituição que lhe dava poderes praticamente absolutistas, bem diferente do que desejava a elite rural que elaborava a Constituição da Mandioca.

Quer saber mais sobre a Mandioca? Consulte o site Mandioca Brasileira. Tem receitas também.

E agora me dêem licença que vou fazer pão de queijo.

Anúncios

4 opiniões sobre “A mandioca

  1. É sempre bom que alguém se dedique a informar. Parabéns pelo Blog. Continue.
    Infgelizmente só comecei a comer mandioca aos 90 anos! E estive no Brasil mais de 40!
    Gosto de escrever. Tenho vários trabalhos para deixar aos netos.
    Também tenho um Blog: scriptusnovus.blogspot.com – consulte e diga-me se vale a pena continuar! Um abraço – Campo Grande

  2. Quando vivia aí comprava em grandes mercados e em pequenas lojas de brasileiros. Vinha normalmente da Colômbia com uma camada de cera por cima. Achava isso bem estranho. Mas, enfim, para aguentar uma longa viagem é necessário algum cuidado.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s