Dia Internacional da Mulher


rosavermO dia de hoje é conhecido como o Dia Internacional da Mulher. Algumas coisas mudaram no último século, desde minhas bisavós (Maria, Joana, Feliza e Dionísia) e eu.

Não preciso casar com o indivíduo que me arranjem, mal tenha atingido a puberdade, virgem e ignorante – e passar das bonecas aos bebês sem ter tempo de conhecer o mundo. Não sou mais mercadoria de troca de interesses materiais entre famílias.

Não preciso aprender crochê, tricô, bordado, cozinhar, passar, varrer, e ainda trabalhar na roça ou na fábrica de sardinhas enlatadas, fazendo tudo na perfeição e sem reclamar, por não ter este direito. Posso reclamar e muito. Tenho o direito de reivindicar.

Não preciso de autorização do marido para trabalhar. Não só posso trabalhar como posso escolher uma profissão. Não tenho a vida limitada a casa, marido e filhos. Posso viajar sozinha, trabalhar, estudar, sem pedir autorização a um homem, ou depender de sua “bondade” e “compreensão”.

Posso votar e ser eleita. A política agora diz respeito às mulheres.

Posso ser mãe solteira, isto não é mais uma vergonha. Já virou uma condição social, e não deixo de ser digna por causa disso. Posso exibir a barriga quando grávida, ao contrário do tempo das bisavós, em que uma mulher grávida deveria ficar “escondida”, pois a gravidez era algo feio de se ver por aí. Já existe a produção independente.

Posso trair sem ser morta ou banida por isto. Ser infiel não é mais privilégio dos homens. Posso pedir o divórcio e partir para outra relação. O casamento não é mais uma prisão para a vida inteira, da qual as mulheres só se libertavam ao enviuvar.

Não preciso ir à Igreja todos os domingos para provar que sou uma moça direita. Agora vou por sincera fé, não por obrigação social. Posso duvidar de Deus, não é mais um privilégio dos homens.

Posso colocar a minissaia e o superdecote, coisa impensável na época das bisavós, pois estar devidamente coberta era sinal de decência. O problema é que algumas de minha geração passaram dos limites… e ao invés de liberdade, os decotes tornaram-se mais uma forma de limitar a mulher a algo comestível.

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Como não terei filhos, deixo aqui meus desejos a vocês meninas, minhas sobrinhas:

Só casem cedo e tenham filhos se quiserem – já há muita gente no mundo. Não é necessário que todas nós nos reproduzamos. Não temos mais a função social de parir e servir.

Não se limitem a ler sobre novelas e artistas. Estudem e se informem sobre tudo o que puderem, tenham uma excelente formação. Sejam mulheres conscientes de si mesmas enquanto parte de uma sociedade, de um mundo. Não há uma área do conhecimento que não nos diga respeito. Conversem sobre os mais diversos assuntos: política também é da nossa conta, por exemplo.

Trabalhem duro para subir no mercado de trabalho. Sejam líderes, chefes, vocês têm capacidade para isto. Mostrem que podem. Nunca se limitem a ser sombras de um homem, vocês podem muito mais que isto. Sejam parceiras, nunca somente esposas ou subalternas. Nosso lugar é ao lado, nunca atrás.

Se não quiserem não menstruem, este é um mal que o estilo de vida do século XX nos obrigou a suportar. Mas já existem profissionais da área de saúde que podem ajudá-las a evitar este mal-estar chamado menstruação.

Se não gostam de maquiagem, roupas sensuais, e toda aquela tralha que o mundo nos obriga a usar para sermos femininas, não usem. Não temos a obrigação de sermos femininas. Só somos se quisermos, e quando quisermos. Não é a roupa ou o cabelo que faz de uma mulher… uma mulher. Somos mais do que uma casca.

Naturalmente por nossa fisiologia temos limitações, mas as tecnologias modernas podem nos ajudar a superá-las. E lembrem-se, há habilidades naturais que são mais desenvolvidas nas mulheres do que nos homens, o que nos fazem melhores em algumas profissões do que eles.

Não tenham medo ou vergonha do sexo, quando chegar a idade de praticá-lo. Isto faz parte da vida, e nós também podemos gostar disso. Uma mulher que não esconde que gosta do sexo não é uma vagabunda, é apenas uma mulher.

rosaarcoirisOs homens não nos devem servir para dar um estilo de vida, proteção e ordens. Devem ser nossas fontes de prazer e companheiros, e nada mais.

Quando um homem levantar a mão para vocês, não fiquem quietas. Só não digo para revidarem porque é politicamente incorreto, mas sim defendam-se. Eles são mais fortes? E daí? Existem inúmeras técnicas de autodefesa que se pode aprender. E denunciem, não se esqueçam da Lei Maria da Penha. O principal é que nunca tenham medo, pois ele alimenta a violência, e o poder que os outros têm sobre nós.

Caso queiram viver recolhidas e submissas façam-no, mas por prazer, não por conformismo. Nós já temos o direito de escolher a vida que queremos ter.

Não se limitem ao rosa, o arco-íris é nosso.

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