Carnaval de Torres Vedras e o Magalhães


Desde que vivo em Portugal ouço falar do carnaval de Torres Vedras. Diz a propaganda e os portugueses que este é o mais português de todos os carnavais. Mas a princípio, o grosso das propagandas que via era de imitações de carnaval brasileiro, incluindo mulheres seminuas em pleno inverno lusitano, baterias, destaques em carros alegóricos e atores globais.

O tempo foi passando e como não ligo para o carnaval nunca me preocupei em conhecê-lo ao vivo. Mas este ano, houve propaganda extra do carnaval de Torres Vedras graças a uma polêmica que começou, pelo que dizem, com a reclamação de um morador local. Resolveram, a partir desta reclamação “censurar” o carnaval, de certa maneira…

No carnaval de Torres decidiram fazer uma sátira ao Magalhães, um laptop (ou portátil, como se diz por aqui) produzido em Portugal e destinado a alunos do 1º ciclo (1º a 4º anos). Em teoria, este computador é para uso exclusivo escolar, para estudar. Mas como tem acesso à internet e não vem com proteção efetiva para evitar a visualização de pornografia, qualquer criança pode acessar este tipo de material através do inocente computadorzinho que deveria servir para fins escolares. A sátira, então, incluía um “Magalhães” com imagens que qualquer criança poderia acessar através dele coladas no “monitor”. Estas imagens foram conseguidas numa simples busca no Google, digitando a palavra mulheres. Não é que as imagens que apareceram fossem realmente de pornografia, mas também não eram inocentes. O morador local não gostou da sátira, reclamou, o Ministério Público censurou, e a polêmica começou.

O felissímo presidente da câmara de Torres Vedras logo após a censura ao Magalhães. (IOL)

O felicíssimo presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras logo após a censura ao Magalhães. (IOL)

O presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras (equivalente ao prefeito, no Brasil) disse algo bem interessante sobre o sucedido:

“Mal está uma sociedade quando não se consegue rir de si mesma e se os órgãos de soberania encaram desta forma o Carnaval de Torres, em que não ofendemos ninguém, algo está mal. Respeitamos a ordem mas fazemos questão de torná-la pública, na certeza de que tudo faremos para não deixar cair o espírito crítico do Carnaval mais português de Portugal” (IOL Diário)

O resultado é que Torres Vedras nem deve ter precisado gastar dinheiro com propaganda, pois a história acabou rendendo bons minutos de tempo na televisão e matérias em jornais. Pela foto aqui do lado dá pra ver a alegria do presidente da Câmara com a contribuição da Justiça portuguesa para a promoção do Carnaval de Torres.

A proibição às imagens caiu. Foi tudo liberado! É Carnaval!

Conclusão: milhares de pessoas foram atraídas ao Carnaval de Torres graças à polêmica – e ao bom tempo.

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